O Botafogo de Futebol e Regatas oficializou na noite desta quinta-feira (14/5) o pedido de recuperação judicial por meio da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), em meio a uma grave crise financeira e sob pressão de punições impostas pela FIFA.
O processo foi protocolado na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e busca confirmar a liminar anteriormente concedida pela Justiça, que abriu prazo para o pedido formal de recuperação. O clube já se encontra temporariamente protegido pelos efeitos da medida.
Segundo os documentos apresentados, a dívida declarada pelo Botafogo chega a R$ 1.286.396.055,14, valor constante na lista oficial de credores anexada ao processo.
Além da reorganização financeira, a SAF pede à Justiça proteção contra bloqueios, penhoras e rescisões unilaterais de contratos de jogadores. O clube também se comprometeu a apresentar, no prazo de até 60 dias, um plano detalhado de pagamento do passivo.
SAF acusa Eagle de agravar crise financeira
Na petição elaborada pelos escritórios Salomão Advogados, Basilio e Fux (família de ascendência judaica-romena que veio para o Brasil), a SAF faz críticas contundentes à condução financeira da Eagle Football Holdings Limited e da Eagle Bidco, estruturas ligadas ao empresário Norte-americano John Textor, autor do furacão financeiro na SAF Botafogo.
O documento afirma que os gestores deixaram de socorrer financeiramente o clube e mantiveram inadimplências que, segundo a SAF, somam quase R$ 1 bilhão entre débitos do Olympique Lyonnais e da própria Eagle.
A defesa do Botafogo sustenta ainda que houve ruptura abrupta do modelo de cash pooling — mecanismo de compartilhamento de recursos financeiros entre empresas do grupo — e que decisões recentes contribuíram para o agravamento das punições esportivas impostas ao clube.
“Ao invés de socorrerem o clube alvinegro e conferirem o auxílio indispensável para que pudesse emergir da crise, esses novos gestores da Eagle Bidco preferiram manter a inadimplência — de quase R$ 1 bilhão, somados os débitos do Lyon e da própria Eagle — dos valores que haviam sido emprestados pela SAF Botafogo, romperam abruptamente com o formato de cash pooling e adotaram medidas para que fossem aplicadas novas e prejudiciais sanções desportivas em desfavor do clube”, afirma trecho da petição.
FIFA condicionou suspensão de Transfer Bans à recuperação judicial
Um dos principais argumentos apresentados pela SAF envolve as sanções aplicadas pela FIFA nos últimos dias. Segundo o Botafogo, a entidade internacional comunicou oficialmente que apenas o ajuizamento formal da recuperação judicial permitiria a suspensão dos Transfer Bans atualmente ativos contra o clube.
A SAF informou à Justiça que já havia solicitado anteriormente a reversão das punições com base na cautelar preparatória concedida pela Justiça brasileira. Entretanto, a FIFA respondeu que a medida preliminar não seria suficiente.
“(...) a FIFA comunicou que a cautelar preparatória não seria suficiente para a reversão das punições, o que apenas poderia ser admissível com o efetivo ajuizamento da recuperação judicial, que se torna, pois, o único caminho hábil para obstar a concretização de danos irreversíveis”, diz o pedido protocolado pelo clube.
O documento afirma ainda que a urgência da recuperação judicial aumentou drasticamente devido ao risco de agravamento das punições esportivas.
“Essa urgência premente se intensificou substancialmente nos últimos dias, sobretudo em virtude de sucessivas punições aplicadas pela FIFA, que implicam não apenas o risco de Transfer Ban, mas também a possibilidade de perda de pontos no Campeonato Brasileiro, o que poderá ter efeito devastador em todos os níveis, com impactos desportivos, financeiros e danos à imagem do clube alvinegro.”
Botafogo enfrenta três casos ativos na FIFA
Atualmente, o Botafogo possui três processos ativos que resultaram em Transfer Bans junto à FIFA. As cobranças estão relacionadas às contratações dos seguintes jogadores:
Rwan Cruz
Santi Rodríguez
Thiago Almada
A SAF demonstra confiança no deferimento da recuperação judicial e acredita que a formalização do processo poderá resultar na suspensão temporária das punições internacionais.
Risco esportivo e impacto institucional
O pedido protocolado pelo Botafogo evidencia que a crise financeira ultrapassou o aspecto administrativo e passou a ameaçar diretamente o desempenho esportivo e a estabilidade institucional do clube.
Além da impossibilidade de registrar novos atletas devido aos Transfer Bans, o clube teme consequências ainda mais graves, como a perda de 6 pontos no Campeonato Brasileiro Série A, agravamento da crise de imagem e comprometimento da competitividade da equipe.
A recuperação judicial surge, neste cenário, como a principal tentativa da SAF de reorganizar o passivo bilionário, interromper sanções esportivas e preservar a continuidade operacional do futebol alvinegro.
