41 Conselheiros do Clube Associativo enviaram ofício à João Paulo Magalhães Lins, cobrando transparência, em venda da SAF Botafogo para a GDA LUMA; Textor está na jogada



Um grupo de 41 conselheiros do Clube Associativo do Botafogo elevou o tom contra a condução da venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, ao enviar um ofício ao presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Alberto Macedo, cobrando maior transparência e participação dos órgãos estatutários no processo.


O movimento, formalizado por meio de abaixo-assinado, solicita a convocação de uma reunião do Conselho Deliberativo para discutir a proposta de aquisição da SAF pela GDA Luma Capital. Alternativamente, os signatários defendem que o tema seja levado à próxima assembleia ordinária de sócios, ampliando o debate interno sobre uma decisão considerada estratégica para o futuro do clube.


Entre os conselheiros que assinam o documento estão nomes de peso da política interna alvinegra, como o ex-presidente José Luiz Rolim, o ex-presidente do Conselho Fiscal André Souza e Vinicius Assumpção, ex-vice-presidente e candidato derrotado na última eleição.


No documento, o grupo expressa preocupação com a segurança jurídica da operação, especialmente diante da possibilidade de conclusão do negócio sem a devida apreciação de instâncias como o Conselho Fiscal, o Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral de Sócios. Para os conselheiros, repetir o rito institucional adotado na criação da SAF, em 2022, é essencial para garantir legitimidade, transparência e proteção jurídica ao clube.


“O envolvimento institucional fortalece a legitimidade, a transparência e a segurança jurídica da operação, reduz riscos de questionamento e resguarda o Botafogo e a própria Diretoria”, diz um trecho do ofício.


A tensão em torno do tema se intensificou após o clube assinar, no último dia 5 de junho, um acordo vinculante com a GDA Luma para a venda da SAF por US$ 105 milhões (cerca de R$ 503 milhões). O contrato prevê um aporte inicial de US$ 25 milhões.


A proposta da GDA havia sido apresentada previamente de forma informal, em 1º de junho, a um grupo restrito de conselheiros, em encontro realizado na residência do presidente João Paulo Magalhães Lins. Na ocasião, outras ofertas — incluindo as de John Textor, Kia Joorabchian e Evangelos Marinakis — foram rejeitadas.


Nos bastidores, interlocutores apontam que o movimento dos conselheiros também pode estar ligado a uma última tentativa indireta de reabrir espaço para o investidor John Charles Textor, ex-controlador da SAF, que teria preferência por uma proposta alternativa envolvendo Kia Joorabchian e Marinakis.


Além das disputas políticas, o negócio com a GDA ainda enfrenta entraves estruturais. A empresa, comandada por Gabriel de Alba, precisa chegar a um acordo com o grupo Eagle Football Holdings — ligado a Textor — para adquirir as ações da SAF. Paralelamente, o Botafogo negocia ajustes financeiros envolvendo o Lyon e a própria Eagle, com o objetivo de encerrar litígios judiciais e viabilizar a transferência definitiva do controle.


O clube argumenta que a aproximação com a GDA também se deu após um empréstimo concedido pela empresa em fevereiro, período em que ações da SAF teriam sido dadas como garantia por Textor. A atual diretoria afirma que busca melhores condições contratuais e maior estabilidade financeira para o Botafogo.


Ainda assim, o cenário permanece marcado por incertezas, disputas de bastidores e questionamentos sobre governança. Para os conselheiros, o momento exige cautela e, sobretudo, respeito aos mecanismos institucionais do clube — condição que consideram indispensável para evitar riscos futuros e assegurar a lisura de uma das decisões mais relevantes da história recente do Botafogo.








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