O Botafogo luta para se reerguer após a ERA TEXTOR que terminou muito mal. Em meio ao processo de recuperação judicial, o clube intensificou negociações com a Major League Soccer (MLS) para equacionar uma dívida que se aproxima de R$ 200 milhões — precisamente R$ 191.949.717,50, valor que representa o maior passivo entre seus credores.
As conversas são conduzidas por Eduardo Hahn Iglesias, diretor-geral da SAF alvinegra, com o apoio de advogados especializados, incluindo um profissional norte-americano. O diálogo ocorre diretamente com a liga e também com clubes envolvidos nas negociações originais, como Atlanta United e New York City FC.
O impasse ganha contornos ainda mais complexos após decisão da Justiça do Rio de Janeiro, que determinou a notificação da FIFA sobre a impossibilidade do Botafogo de cumprir, neste momento, pagamentos relacionados ao chamado “Transfer Ban”. A medida, no entanto, não implica automaticamente na suspensão das sanções esportivas. Caberá à entidade máxima do futebol mundial decidir, após notificação formal, se mantém ou revisa as punições — cenário que, à luz de precedentes recentes, pode resultar na manutenção de sanções anteriores.
A dívida com a MLS tem origem nas contratações de Thiago Almada e Santiago Rodríguez, incluindo valores adicionais como taxas, multas e juros contratuais. Entre os dois casos, o de Almada é considerado o mais sensível. Após um acordo inicial firmado com o Atlanta United e o pagamento da primeira parcela em fevereiro, o Botafogo deixou de cumprir as etapas seguintes, o que levou o clube norte-americano a acionar a FIFA em maio. Nos bastidores, há resistência significativa dos americanos a um novo parcelamento, com preferência clara pelo pagamento integral à vista.
Já a negociação envolvendo Santiago Rodríguez apresenta um cenário menos rígido. Há abertura para um possível parcelamento, favorecido pela atuação de Marcelo Claure, acionista do New York City FC e aliado estratégico nas tratativas. Claure também mantém ligação com Gabriel de Alba, figura central da GDA, grupo que possui acordo vinculante para assumir o controle da SAF botafoguense.
A MLS, por sua estrutura organizacional — na qual os clubes operam como parte de uma entidade única — exerce papel central nas negociações. Isso significa que qualquer pendência financeira é tratada diretamente pela liga, que atua como mediadora e cobradora oficial dos valores devidos.
Internamente, a resolução desse impasse é tratada como prioridade absoluta. A gestão de Iglesias entende que um acordo com a MLS é crucial não apenas para encerrar os litígios, mas também para restaurar a credibilidade do clube no mercado internacional e viabilizar o planejamento esportivo para o segundo semestre.
Enquanto aguarda a concretização do investimento da GDA, o Botafogo se vê diante de uma encruzilhada: equilibrar suas obrigações financeiras, atender às exigências da FIFA e reconstruir sua imagem institucional. O desfecho dessas negociações poderá definir não apenas o futuro imediato do clube, mas também sua capacidade de se reposicionar como protagonista no cenário global do futebol.
