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Daniel Lamarre no Cirque Du Soleil em 2021 - Foto Reprodução |
Um dos executivos mais respeitados do entretenimento mundial e peça-chave na reconstrução do Cirque du Soleil após sua recuperação financeira, o canadense Daniel Lamarre visitou recentemente as instalações do Botafogo no Rio de Janeiro a pedido de Gabriel de Alba, sócio-gerente e fundador da GDA Luma Capital.
— Apuramos que Daniel Lamarre é uma pessoa de confiança de Gabriel de Alba, e o sócio-gerente e fundador da GDA Luma, vê em Daniel um ótimo nome para administrar a Nova SAF Botafogo, já que Daniel Lamarre fez um ótimo trabalho no Cirque Du Soleil, como ex-diretor executivo.
— Gazeta Botafogo ⭐📰 (@agazetabotafogo) June 18, 2026
A visita foi interpretada nos bastidores como mais um movimento estratégico dentro das discussões sobre o futuro modelo de gestão da Nova SAF Botafogo. Segundo apuração da Gazeta Botafogo, Lamarre é considerado uma pessoa de absoluta confiança de Gabriel de Alba e surge como um dos nomes mais fortes para assumir um cargo de liderança institucional na futura estrutura do clube, seja como Chairman (Presidente do Conselho de Administração e Governança) ou até mesmo como Vice-Chairman (Vice-Presidente do Conselho de Administração e Governança) da nova organização.
Embora nenhuma definição oficial tenha sido anunciada, fontes próximas ao processo indicam que Gabriel de Alba enxerga em Lamarre um perfil altamente qualificado para ajudar a implementar padrões internacionais de governança, gestão corporativa e desenvolvimento estratégico dentro do Botafogo.
UM EXECUTIVO ACOSTUMADO A TRANSFORMAR ORGANIZAÇÕES
A trajetória de Daniel Lamarre é frequentemente citada como um dos exemplos mais bem-sucedidos de liderança corporativa moderna.
Curiosamente, um dos homens responsáveis por transformar o Cirque du Soleil em uma potência global do entretenimento jamais havia trabalhado em um circo antes de ingressar na companhia.
Quando assumiu posições de liderança na organização canadense, Lamarre carregava uma sólida experiência em comunicação, jornalismo e televisão. Sua formação e carreira inicial foram construídas longe dos palcos circenses.
Nascido em Grand-Mère, na província de Quebec, Lamarre formou-se em Comunicação pela Universidade de Ottawa. Iniciou sua trajetória profissional como jornalista, atuando como repórter do jornal Le Nouvelliste e posteriormente na Radio-Canada.
Nos anos seguintes, construiu uma carreira de destaque nas áreas de relações públicas e comunicação corporativa, tornando-se presidente da National Public Relations e, posteriormente, CEO do Groupe TVA, a maior rede privada de televisão de Quebec.
Foi justamente essa combinação de comunicação estratégica, gestão empresarial e visão institucional que chamou atenção quando ingressou no Cirque du Soleil.
O HOMEM POR TRÁS DA EXPANSÃO GLOBAL DO CIRQUE DU SOLEIL
Sob a liderança de Daniel Lamarre, o Cirque du Soleil passou por uma das fases mais ambiciosas de sua história.
A companhia expandiu significativamente sua presença internacional, consolidou produções permanentes em Las Vegas, firmou parcerias globais de enorme relevância e transformou a marca em um fenômeno mundial do entretenimento.
Durante esse período, surgiram produções emblemáticas como "O", no Bellagio, e "Michael Jackson ONE", além de acordos históricos envolvendo os legados dos Beatles e de Michael Jackson.
Os números impressionam.
Em seu auge operacional, o Cirque chegou a apresentar 44 espetáculos simultaneamente ao redor do mundo, gerando receitas próximas de US$ 1 bilhão por ano e atraindo mais espectadores do que toda a Broadway somada.
Mais do que expandir uma empresa, Lamarre ajudou a transformar uma companhia artística canadense em uma marca global reconhecida em todos os continentes.
A RECONSTRUÇÃO APÓS A FALÊNCIA
Talvez o maior desafio de sua carreira tenha surgido durante a pandemia da COVID-19.
Com o fechamento de teatros e a interrupção das atividades ao redor do mundo, o Cirque du Soleil enfrentou uma grave crise financeira que culminou em um processo de reestruturação.
Lamarre teve papel central na preservação da identidade artística da companhia durante o período mais turbulento de sua história.
Ao lado dos novos investidores e de executivos ligados à GDA Luma, com o próprio Gabriel de Alba através da Catalyst Capital Group participou da reconstrução estratégica da empresa, ajudando a reorganizar operações, preservar ativos criativos e recolocar a organização em rota de crescimento.
Esse trabalho de recuperação financeira e reposicionamento institucional é visto por muitos observadores como uma das maiores credenciais que poderiam ser aplicadas ao ambiente do futebol moderno, especialmente em clubes que buscam modelos profissionais de gestão.
Durante uma entrevista à Jerome Dwight sobre liderança, estratégia e gestão de crises, Daniel Lamarre detalhou a mentalidade que guiou a reconstrução do Cirque du Soleil após o colapso provocado pela pandemia da COVID-19.
Segundo Daniel Lamarre, o primeiro passo para superar qualquer crise é equilibrar visão de longo prazo com ações imediatas.
"Existem duas dimensões fundamentais: o médio prazo e o curto prazo. No médio prazo, você precisa ser capaz de enxergar para onde deseja levar a organização. Mesmo quando existe uma crise ou uma pandemia, é necessário manter um foco muito claro sobre o destino da empresa."
Lamarre explicou que, paralelamente à visão estratégica, os líderes precisam agir diariamente em favor desse objetivo.
"No curto prazo, você precisa definir o que pode fazer hoje que tenha impacto no plano maior. Meu receio sempre foi que, quando perdemos o foco, acabamos distraídos por dezenas de pequenas questões administrativas e deixamos de fazer aquilo que realmente importa."
O executivo revelou que adotava uma regra simples para avaliar sua produtividade.
"Gosto de dizer às pessoas que, se você não fez nada hoje que contribua para o seu plano estratégico, então você desperdiçou um dia."
Ao analisar os maiores desafios de sua trajetória, Lamarre apontou a pandemia como o momento mais difícil enfrentado pelo Cirque du Soleil.
"A recuperação após a COVID foi certamente o nosso maior desafio. Ninguém viu aquilo chegando. Não sabíamos quanto tempo iria durar."
Mesmo diante da paralisação completa das atividades, ele afirma que a direção da empresa jamais perdeu a confiança na força da marca.
"Nós tínhamos uma convicção muito forte de que, quando o mundo voltasse ao normal, o Cirque du Soleil também seria capaz de voltar, porque a marca continuava extremamente forte."
Foi justamente durante os 15 meses sem apresentações que surgiu uma das decisões mais importantes da recuperação.
"A atitude mais inteligente que tomamos durante aqueles quinze meses sem espetáculos foi criar um programa chamado Connect. Passamos a distribuir conteúdos do Cirque du Soleil em diversas plataformas digitais para garantir que nossa marca não desaparecesse do mercado."
A estratégia manteve o relacionamento com o público global mesmo sem apresentações presenciais.
"Após quinze meses, havíamos alcançado cerca de 70 milhões de espectadores ao redor do mundo."
Esse resultado se tornou decisivo no processo de negociação com bancos e investidores responsáveis por financiar a retomada da companhia.
"Imagine a conversa com os bancos. Você chega para os financiadores e diz: 'Eu não tenho receita. Eu não tenho espetáculos. E, além disso, preciso de 350 milhões de dólares para relançar a empresa.' Não é uma apresentação fácil de fazer."
Lamarre contou que utilizou a força da marca como principal argumento para convencer o mercado financeiro.
"Mostrei a eles que milhões de pessoas ao redor do mundo estavam esperando a volta do Cirque du Soleil. Foi esse argumento que convenceu investidores e bancos a nos apoiar."
A fala ajuda a explicar por que Daniel Lamarre é considerado um dos principais executivos da história do entretenimento mundial. Sua capacidade de preservar valor de marca, manter o engajamento do público durante uma crise sem precedentes e garantir a confiança de investidores tornou-se um caso de estudo em liderança corporativa e recuperação empresarial.
Para integrantes do mercado que acompanham a possível estrutura da Nova SAF Botafogo, esse histórico é visto como um dos fatores que fazem de Lamarre um nome altamente qualificado para ocupar uma função estratégica de governança e administração no clube.
A FORÇA DA MARCA: A FILOSOFIA DE DANIEL LAMARRE
Em uma entrevista concedida à Coloso Global, Daniel Lamarre revelou uma das crenças que nortearam sua gestão à frente do Cirque du Soleil durante décadas: nenhuma organização possui um ativo mais valioso do que sua marca.
Ao explicar o crescimento internacional do Cirque, Lamarre destacou que a diversidade sempre foi um dos pilares da companhia.
"Não existe um único espetáculo em que não tenhamos pelo menos 20 nacionalidades diferentes trabalhando juntas. A representação de tantas culturas, tantos valores e diferentes pontos de vista faz com que vivamos a diversidade todos os dias."
Segundo ele, essa mistura de experiências e culturas é justamente um dos fatores que transformaram o Cirque du Soleil em uma marca global.
"Para mim, essa é uma das razões pelas quais o Cirque du Soleil apresenta espetáculos que possuem valor universal."
O executivo afirmou que a busca constante pela inovação tornou-se parte da cultura organizacional da empresa.
"O que fazemos diariamente no Cirque é tentar ultrapassar os limites da criatividade. Estamos sempre trazendo novas ideias."
Lamarre contou que a pressão para inovar aumentava a cada novo espetáculo lançado.
"Você deveria ver a pressão que enfrentamos toda vez que abrimos um novo show. É fundamental superar novamente as expectativas das pessoas, surpreendendo o público com novas tecnologias, novas ideias e novas experiências."
A PARCERIA COM OS BEATLES QUE MUDOU O PATAMAR DO CIRQUE DU SOLEIL
Durante a entrevista, Lamarre compartilhou uma história que considera decisiva para a consolidação global da marca.
Segundo ele, tudo começou em Montreal durante um evento realizado pelo Cirque du Soleil para o Grande Prêmio de Fórmula 1.
Entre os convidados estava George Harrison, ex-integrante dos Beatles.
"George Harrison estava participando da festa, tocando e improvisando com nossos músicos. Na manhã seguinte ele disse que talvez pudéssemos fazer alguma coisa juntos."
Pouco tempo depois veio o convite que mudaria a história da companhia.
"Duas semanas depois ele nos ligou dizendo: 'Se a turma estiver de bom humor, faremos uma reunião para ver se podemos fazer negócios juntos'."
Lamarre embarcou para Londres sem saber se teria apenas uma conversa informal ou uma das reuniões mais importantes de sua carreira.
"Eu estava voando de Montreal para Londres sem saber se iria apenas tomar uma cerveja com George Harrison ou participar de um dos encontros mais importantes da minha vida profissional."
Quando finalmente recebeu a ligação, ele e o fundador do Cirque seguiram para o hotel onde os Beatles estavam hospedados.
"Parecia uma cena de cinema. Havia seguranças por toda parte. E de repente eu estava ali, prestes a me reunir com os Beatles."
Segundo Lamarre, estavam presentes Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison, Yoko Ono e Olivia Harrison.
A primeira pergunta veio de Ringo Starr.
"Ringo perguntou: 'Qual é a proposta?'"
A resposta do Cirque surpreendeu.
"Nós dissemos que não havia uma proposta formal. Eles eram uma força criativa. Nós éramos uma força criativa. Estávamos ali para descobrir se poderíamos criar algo juntos."
A reação foi imediata.
"Ringo virou para Paul e disse: 'Uau, isso é diferente'."
Lamarre explicou que durante mais de três décadas inúmeras empresas de entretenimento tentaram produzir um espetáculo oficial baseado na obra dos Beatles.
"Durante 30 anos, todas as grandes empresas do entretenimento tentaram criar um espetáculo com a música dos Beatles. Nunca aconteceu porque eles nunca estavam satisfeitos."
O resultado dessa parceria foi o espetáculo "Love", em Las Vegas, considerado um dos maiores sucessos da história da companhia.
"E foi assim que levamos a marca Cirque du Soleil para outro patamar."
Segundo Lamarre, a estreia do espetáculo teve repercussão mundial.
"Jamais esquecerei a estreia. Havia uma quantidade impressionante de veículos de comunicação em Las Vegas. A cobertura internacional impulsionou a empresa e a marca Cirque du Soleil para um novo nível global."
A LIÇÃO DE WARREN BUFFETT
Outro episódio marcante relatado pelo executivo envolveu um encontro com o investidor Warren Buffett.
Lamarre revelou que sempre admirou Buffett e sonhava conhecê-lo pessoalmente.
Quando finalmente teve a oportunidade, apresentou-se:
"Senhor Buffett, eu sou Daniel Lamarre, do Cirque du Soleil."
A resposta do bilionário ficou marcada para sempre em sua memória.
"Daniel, tenho algo para lhe dizer: você nunca me decepcionou."
Surpreso, Lamarre perguntou o que aquilo significava.
"E ele respondeu: 'Toda vez que assisti a um espetáculo do Cirque du Soleil, nunca saí decepcionado'."
O elogio foi recebido como um dos maiores reconhecimentos de sua carreira.
"Meu ídolo estava me dizendo que eu nunca o havia decepcionado."
Mas a declaração também trouxe uma enorme responsabilidade.
"Naquele momento pensei: isso é uma responsabilidade gigantesca. E se um dia eu decepcionar Warren Buffett?"
A MARCA ACIMA DE TUDO
Para Lamarre, a conversa com Buffett reforçou uma convicção que passou a orientar sua liderança.
"A importância da marca é enorme. Sua marca nunca é melhor do que sua última realização."
No caso do Cirque du Soleil, isso significava que cada novo espetáculo precisava manter ou elevar o padrão de excelência construído ao longo dos anos.
"Por isso existe tanta pressão quando criamos, produzimos e lançamos um novo espetáculo."
Ao encerrar sua reflexão, Lamarre apresentou aquilo que considera uma regra fundamental para qualquer organização.
"Você não possui nenhum ativo mais importante para sua organização do que a sua marca."
A declaração ajuda a entender por que Daniel Lamarre sempre tratou reputação, inovação, experiência do público e posicionamento global como prioridades absolutas. Para analistas de mercado e especialistas em governança, essa visão estratégica é uma das características que tornam seu nome relevante em qualquer projeto de transformação empresarial — inclusive em uma eventual participação na futura estrutura da Nova SAF Botafogo.
A CONFIANÇA DE GABRIEL DE ALBA
Nos bastidores da possível nova SAF do Botafogo, Gabriel de Alba aparece como o principal articulador do projeto.
Diferentemente do modelo adotado por John Textor, marcado por forte exposição pública e participação constante nos holofotes, pessoas ligadas às discussões afirmam que Alba pretende atuar de maneira mais discreta, concentrando-se na estratégia, nos investimentos e na supervisão institucional.
A ideia seria delegar a administração cotidiana a profissionais de sua confiança e reconhecida capacidade de execução.
Nesse contexto, Daniel Lamarre surge como um dos nomes mais alinhados à filosofia de governança que Alba pretende implementar.
Executivos que acompanharam a reconstrução do Cirque du Soleil destacam sua capacidade de formar equipes, estruturar processos decisórios e estabelecer modelos de gestão sustentáveis de longo prazo.
UM PERFIL INTERNACIONAL PARA UM BOTAFOGO GLOBAL
A eventual chegada de Lamarre também representaria um movimento importante de internacionalização institucional.
Fluente em francês e inglês, com experiência em mercados da América do Norte, Europa, Ásia e América Latina, o executivo construiu ao longo de décadas uma ampla rede de relacionamentos empresariais e culturais.
Sua experiência vai além do entretenimento.
Ao longo da carreira, esteve envolvido em operações de mídia, comunicação, branding, expansão internacional, captação de parceiros estratégicos e desenvolvimento de negócios globais.
Para uma SAF que pretende ampliar receitas comerciais, fortalecer sua marca internacionalmente e profissionalizar ainda mais sua estrutura de governança, trata-se de um currículo que chama atenção.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
As contribuições de Daniel Lamarre foram amplamente reconhecidas no Canadá e no cenário empresarial global.
Em 2018, ele foi nomeado Oficial da Ordem do Canadá, a mais alta honraria civil do país, em reconhecimento ao impacto de sua liderança nos setores de comunicação, cultura e negócios.
Ao longo dos anos, também recebeu diversos doutorados honorários e distinções por sua contribuição ao desenvolvimento econômico, à inovação empresarial e à promoção das artes.
Seu trabalho também foi marcado por forte atuação social, incluindo apoio à educação, iniciativas culturais e projetos ligados ao acesso à água potável em comunidades vulneráveis por meio da One Drop Foundation.
O QUE SIGNIFICA PARA O BOTAFOGO?
Embora ainda não exista confirmação oficial sobre qualquer cargo que possa ser ocupado por Daniel Lamarre, sua visita ao Botafogo e sua proximidade com Gabriel de Alba reforçam a percepção de que a futura SAF poderá buscar referências de gestão fora do universo tradicional do futebol.
A trajetória do executivo canadense demonstra uma característica valorizada por investidores modernos: a capacidade de liderar transformações organizacionais complexas, construir marcas globais e conduzir processos de recuperação financeira sem perder foco em governança.
Caso venha a integrar oficialmente a estrutura do Botafogo, Lamarre chegaria ao clube trazendo uma experiência rara no mercado esportivo brasileiro: a de um executivo que participou diretamente da reconstrução de uma das maiores marcas de entretenimento do planeta.
Por enquanto, o cenário permanece em fase de articulação. Mas nos bastidores, o nome de Daniel Lamarre já é tratado como uma das peças mais relevantes dentro do desenho institucional que poderá definir os rumos da próxima era da Nova SAF alvinegra.
