Eagle Football Group apresenta queixa-crime após auditoria apontar supostas irregularidades na gestão do Lyon durante era Textor; ENTENDA como isto é importante para NOVA SAF do Botafogo


John Textor e Michele Kang após título do OL Lyonnes em 2023 — Foto: Eurasia Sport Images/Getty Images


Relatório de denúncia e queixa-crime cita movimentações de centenas de milhões de euros sem justificativa econômica; Botafogo acompanha desdobramentos em meio às negociações para venda da SAF


O Eagle Football Group (EFG), controlador do Olympique Lyonnais, anunciou nesta segunda-feira (8/6) o protocolo de uma queixa-crime junto ao Ministério Público de Lyon após a conclusão de uma auditoria externa que identificou possíveis irregularidades financeiras ocorridas entre maio de 2023 e junho de 2025, período em que o empresário norte-americano John Textor exercia o controle do clube francês.


Em comunicado oficial, o grupo informou que a denúncia foi apresentada contra "pessoas não identificadas", alegando a necessidade de preservar o sigilo das investigações. Apesar disso, o intervalo temporal mencionado pela empresa coincide integralmente com a gestão de Textor à frente do Lyon.


Segundo o Eagle Football Group, a auditoria foi conduzida por um escritório de advocacia independente contratado para analisar a administração financeira do clube. O relatório teria revelado a existência de "centenas de milhões de euros em fluxos financeiros executados sem justificativa econômica", além de uma suposta "desorganização deliberada das atividades da empresa" e uma "opacidade sistemática na gestão financeira".



VEJA O DOCUMENTO ABAIXO:


Foto Reprodução ARQUIVO PDF no Site da Eagle Football Group


Leia a íntegra do comunicado do EFG Group:

“O Conselho de Administração do Eagle Football Group SA (“EFG” ou a “Empresa” e, juntamente com sua subsidiária OL SASU, “OL”), reunido em 8 de junho de 2026, analisou as conclusões de um relatório de investigação interna encomendado pela administração do OL em dezembro de 2025 a um escritório de advocacia externo, o qual foi apresentado à Empresa no início de junho de 2026.


Esta investigação analisa uma série de transações realizadas entre maio de 2023 e junho de 2025 sob a gestão anterior do OL. Conclui que houve uma desorganização deliberada das operações da empresa, aliada a uma opacidade sistemática na gestão financeira. O relatório destaca ainda centenas de milhões de euros em fluxos financeiros aparentemente executados sem justificação econômica, sobretudo em períodos de crises agudas de fluxo de caixa e atrasos no pagamento das contribuições para a seguridade social.


Em 4 de junho de 2026, o Eagle Football Group e a OL SASU, por recomendação de seus advogados, apresentaram queixa-crime contra pessoas desconhecidas (“X”) junto ao Ministério Público de Lyon, alegando atos que podem configurar crimes de apropriação indébita, apropriação indébita qualificada, cumplicidade, além de apresentação e divulgação de demonstrações financeiras enganosas e disseminação de informações enganosas ao mercado, nos termos dos artigos L. 242-6 do Código Comercial, 121-7 do Código Penal e L. 465-1 e L. 465-3-2 do Código Monetário e Financeiro.


O EFG continua suas investigações e, se necessário, apresentará novas denúncias contra as partes envolvidas. A empresa também continuará a reportar ao Ministério Público de Lyon quaisquer constatações que possam ser classificadas como conduta financeira imprópria.”



Possíveis crimes investigados


De acordo com o comunicado divulgado pelo grupo, os fatos identificados podem caracterizar diversas infrações previstas na legislação francesa.


Entre elas estão:


Abuso de bens sociais;

Abuso de bens sociais agravado;

Cumplicidade nos delitos anteriores;

Apresentação e publicação de demonstrações financeiras falsas;

Divulgação de informações enganosas ao mercado.


O Eagle Football Group afirmou que a investigação interna ainda está em andamento e não descarta a apresentação de novas denúncias conforme o surgimento de evidências adicionais.


"O EFG prossegue com suas investigações e trabalhará, se necessário, em queixas complementares que possam ser apresentadas em relação às partes envolvidas. A Sociedade continuará, por outro lado, a levar ao conhecimento do Procurador da República de Lyon toda descoberta suscetível de ser qualificada como má conduta financeira", informou a companhia.


Embora John Textor não seja citado nominalmente em nenhum trecho do comunicado oficial, a referência temporal e os fatos investigados estão diretamente associados ao período em que o empresário comandava as operações do Lyon por meio da estrutura multiclubes do Eagle Football.


Auditoria aponta cenário de grave crise financeira


Segundo as conclusões divulgadas pelo grupo, as movimentações financeiras questionadas teriam ocorrido justamente em um momento em que o Lyon enfrentava sérios problemas de liquidez.


O relatório afirma que os fluxos financeiros foram realizados "sem justificativa econômica" mesmo diante de dificuldades de caixa e atrasos no pagamento de obrigações sociais.


A situação financeira do clube atingiu seu ponto mais crítico em junho de 2025, quando a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG), órgão responsável pela fiscalização financeira do futebol francês, determinou em primeira instância o rebaixamento administrativo do Lyon para a Ligue 2.


A punição representou um dos episódios mais graves da história recente do clube e foi consequência direta das preocupações das autoridades francesas com a sustentabilidade financeira da instituição.


Posteriormente, o Lyon conseguiu reverter a decisão em recurso, permanecendo na elite do futebol francês. Entre os fatores que contribuíram para a reversão do caso esteve a saída de John Textor da gestão operacional e a nomeação da empresária Michele Kang para a presidência do clube em 30 de junho de 2025.


Na temporada seguinte, o Lyon conseguiu se recuperar esportivamente e terminou a Ligue 1 na quarta colocação.


Reflexos para o Botafogo


Os desdobramentos da investigação também possuem potencial impacto no futebol brasileiro.


Durante a gestão de John Textor, Lyon e Botafogo integravam uma mesma estrutura financeira dentro do Eagle Football. O modelo adotado pelo empresário era baseado em um sistema de caixa compartilhado entre os clubes do grupo, o que gerou uma série de operações cruzadas entre as entidades.


Atualmente, Botafogo e Lyon negociam uma solução definitiva para pendências financeiras existentes entre os dois clubes. As conversas envolvem valores relacionados a empréstimos, transferências de atletas e demais operações realizadas durante a administração de Textor.


A resolução dessas dívidas é considerada uma etapa fundamental para a conclusão do processo de venda da SAF alvinegra para a GDA Luma Capital.


Nos bastidores, há expectativa de que a definição dos valores devidos e a regularização das obrigações entre as partes permitam destravar aspectos jurídicos e financeiros necessários para a concretização da transação.


Um novo capítulo na crise da era Textor


A queixa-crime apresentada pelo Eagle Football Group abre um novo capítulo na crise institucional que marcou os últimos anos do Olympique Lyonnais.


Embora ainda não existam acusações formais contra indivíduos específicos, a gravidade das conclusões preliminares da auditoria indica que as autoridades francesas poderão aprofundar a investigação sobre a gestão financeira do clube durante o período analisado.


Caso o Ministério Público da França, entenda haver elementos suficientes, o procedimento poderá evoluir para investigações criminais mais amplas, incluindo eventual identificação de responsáveis pelas operações questionadas.


Enquanto isso, o Eagle Football Group afirma manter colaboração integral com as autoridades e promete continuar fornecendo informações que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.


A repercussão do caso é acompanhada de perto tanto na França quanto no Brasil, especialmente em razão das conexões financeiras estabelecidas entre Lyon e Botafogo durante a gestão de John Textor, que agora volta ao centro de uma das mais delicadas investigações corporativas já enfrentadas pelo conglomerado esportivo. O Botafogo aguarda o parecer, para que a GDA LUMA, assuma o comando da reconfiguração da NOVA SAF. 

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