Michele Kang rebate versão de Textor, diz que Botafogo deve ao Lyon e abre diálogo com a futura gestão da GDA Luma (VÍDEO)


Michele Kang em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira 26 de Junho de 2026, no Groupama Stadium - Foto Reprodução/Olympique Lyonnais no Youtube

 

Michele Kang a nova proprietária do Lyon, afirmou que auditoria aponta crédito do clube francês junto ao Botafogo, mas ressalta que processo envolvendo a Eagle Football Holdings BidCo Limited ainda precisa ser concluído antes de qualquer negociação.



Oficializada nesta sexta-feira (26/6) como a nova proprietária do Lyon, após a DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão do Futebol Francês) confirmar a permanência do clube na primeira divisão, a empresária norte-americana Michele Kang afirmou que pretende construir uma relação institucional com o Botafogo assim que o clube brasileiro concluir sua transição para um novo controlador, no caso, a GDA Luma.


Durante entrevista coletiva concedida na França, Kang foi questionada por uma jornalista brasileira sobre a relação entre Lyon e Botafogo, especialmente em relação às movimentações financeiras realizadas durante a gestão de John Textor, quando ambos integravam a estrutura da Eagle Football Holdings sob um sistema de caixa único.


Na administração de Textor, o Botafogo afirmou possuir aproximadamente R$ 745 milhões a receber do Lyon, valor relacionado às operações financeiras realizadas dentro da holding. Questionada se havia recursos pendentes entre os clubes, Kang evitou entrar em detalhes, afirmando que o assunto permanece vinculado ao processo de recuperação judicial da Eagle Bidco.


Assista ao trecho sobre o Botafogo na coletiva de imprensa abaixo:


O que Kang disse na íntegra:

– É uma situação bastante complexa, então não posso entrar em muitos detalhes. Acho que vamos precisar de muita ajuda dos advogados. Mas, neste momento, como a Eagle Bidco ainda está em processo de recuperação judicial, o objetivo deles é monetizar seus ativos da melhor forma possível. E nós somos os primeiros a sermos adquiridos ou a termos nossa empresa desmembrada. Presumo que ainda estejam processando os dados, por isso temos que esperar. Essa é a responsabilidade da Bidco sob administração, não somos nós. Portanto, não temos nada a ver com esse processo – iniciou Kang.


– Acho que esse processo precisa ser concluído de uma forma ou de outra. Da nossa perspectiva, como clube de futebol, adoraríamos ver ambos os clubes, Botafogo e Molenbeek, se reerguerem, retomarem seus rumos e história e começarem a trabalhar arduamente para alcançar o sucesso em seus respectivos países. E nós apoiamos tudo isso. Assim que certas decisões forem tomadas sobre o futuro do Botafogo, tenho certeza de que teremos a oportunidade de conversar. Mas até lá, acho que temos que esperar que todo esse processo se desenrole – continuou.


– Do ponto de vista financeiro, é muito difícil dizer o que está certo ou errado com base em nossas demonstrações financeiras, que são auditadas e publicadas semestralmente, de acordo com as normas da AMF [Autoridade dos Mercados Financeiros]. Elas mostram claramente que o Botafogo nos deve dinheiro. E esse é o funcionamento complexo do sistema de gestão caixa único. Portanto, é muito difícil resumir a situação em cinco segundos. Se tiver interesse, nosso CFO pode lhe dar uma explicação detalhada sobre todos esses aspectos financeiros. Mas acho que preferimos aguardar a conclusão de todo o processo. E estamos ansiosos para conversar com o novo proprietário – finalizou.


Michele Kang se tornou acionista majoritária do Lyon, sendo dona de 87,8% das ações, após adquirir a participação da Eagle Bidco, empresa que está sob administração judicial da Cork Gully LLP. No comunicado oficial, o clube francês informou que “as obrigações do OL Group [empresa que controla o futebol do Lyon] perante às afiliadas da Eagle Football foram quitadas/extintas”.


Processo ainda depende da Eagle Bidco


Segundo Michele Kang, qualquer definição sobre os ativos e passivos entre os clubes depende da conclusão da administração judicial da Eagle Bidco, empresa que controlava a participação da Eagle Football no Lyon.


"É uma situação bastante complexa, então não posso entrar em muitos detalhes. Acho que vamos precisar de muita ajuda dos advogados. Mas, neste momento, como a Eagle Bidco ainda está em processo de recuperação judicial, o objetivo deles é monetizar seus ativos da melhor forma possível."


Ela explicou que o Lyon foi o primeiro ativo a ser negociado durante esse processo.


"Nós somos os primeiros a sermos adquiridos ou a termos nossa empresa desmembrada. Presumo que ainda estejam processando os dados, por isso temos que esperar. Essa é a responsabilidade da Bidco sob administração, não somos nós. Portanto, não temos nada a ver com esse processo."


Kang quer Botafogo e Molenbeek independentes


A empresária também afirmou que espera que, após a reorganização da Eagle Football, Botafogo e Molenbeek retomem projetos próprios, desvinculados da antiga estrutura de gestão compartilhada.


"Acho que esse processo precisa ser concluído de uma forma ou de outra. Da nossa perspectiva, como clube de futebol, adoraríamos ver ambos os clubes, Botafogo e (RWD) Molenbeek, se reerguerem, retomarem seus rumos e história e começarem a trabalhar arduamente para alcançar o sucesso em seus respectivos países. E nós apoiamos tudo isso."


Segundo Kang, somente após a definição da venda do Botafogo será possível iniciar conversas institucionais entre as partes.


"Assim que certas decisões forem tomadas sobre o futuro do Botafogo, tenho certeza de que teremos a oportunidade de conversar. Mas até lá, acho que temos que esperar que todo esse processo se desenrole."


Lyon afirma que Botafogo deve dinheiro ao clube francês


O ponto mais sensível da entrevista ocorreu quando Michele Kang comentou a situação financeira entre os clubes. Embora tenha ressaltado que a questão depende das auditorias oficiais, ela afirmou que os registros atuais do Lyon apontam um cenário diferente daquele apresentado anteriormente pelo Botafogo.


"Do ponto de vista financeiro, é muito difícil dizer o que está certo ou errado com base em nossas demonstrações financeiras, que são auditadas e publicadas semestralmente, de acordo com as normas da AMF [Autoridade dos Mercados Financeiros]."


Na sequência, fez uma afirmação que contraria o discurso adotado pela antiga gestão do Botafogo.


"Elas mostram claramente que o Botafogo nos deve dinheiro. E esse é o funcionamento complexo do sistema de gestão caixa único."


Kang ressaltou que a estrutura financeira criada durante a gestão da Eagle Football torna praticamente impossível resumir a situação em uma resposta simples.


"É muito difícil resumir a situação em cinco segundos. Se tiver interesse, nosso CFO pode lhe dar uma explicação detalhada sobre todos esses aspectos financeiros."


Apesar da divergência contábil, a dirigente reforçou que prefere aguardar o encerramento dos processos administrativos antes de iniciar qualquer negociação.


"Mas acho que preferimos aguardar a conclusão de todo o processo. E estamos ansiosos para conversar com o novo proprietário."


Mudança no controle do Lyon


Michele Kang tornou-se oficialmente a acionista majoritária do Lyon após adquirir 87,8% das ações que pertenciam à Eagle Bidco, empresa atualmente administrada pela Cork Gully LLP em razão do processo de recuperação judicial.


No comunicado oficial anunciando a conclusão da operação, o Lyon informou que todas as obrigações do OL Group — empresa que controla o futebol do clube francês — perante as afiliadas da Eagle Football foram quitadas ou extintas, encerrando os vínculos financeiros diretos entre a nova administração do clube e a antiga estrutura comandada por John Textor.


As declarações de Kang representam a primeira manifestação pública da nova gestão sobre a disputa financeira envolvendo Lyon e Botafogo. Enquanto a administração anterior do clube brasileiro sustentava possuir um crédito de aproximadamente R$ 745 milhões junto aos franceses, a nova direção do Lyon afirma que suas demonstrações financeiras apontam justamente o cenário oposto.


A tendência é que a situação seja esclarecida somente após a conclusão da recuperação judicial da Eagle Bidco, das auditorias financeiras em andamento e da efetivação da venda do Botafogo para a GDA Luma, quando as duas partes poderão iniciar negociações diretamente.


Na prática, isso significa que, caso a venda do Botafogo para a GDA Luma seja concluída, a tendência é que a nova controladora tenha de negociar diretamente com o Lyon uma solução para esse passivo, cuja interpretação contábil é contestada pelas partes.


Nos bastidores, a expectativa é de que essas conversas envolvam diferentes possibilidades de composição, incluindo acordos financeiros, renegociação dos valores e até operações envolvendo direitos econômicos de atletas. Nomes como Álvaro Montoro e Danilo aparecem entre os ativos esportivos que poderiam ser objeto de futuras negociações, embora Michele Kang não tenha citado nenhum jogador durante a entrevista.


A dirigente deixou claro que pretende abrir diálogo com a futura administração do Botafogo assim que a transição societária for concluída. Ao afirmar que "estamos ansiosos para conversar com o novo proprietário", Kang sinaliza que o Lyon buscará preservar os interesses financeiros do clube francês em qualquer negociação que venha a ocorrer.



Gerlinger pode ser peça-chave para esclarecer operações da Eagle Football




Outro personagem que tende a desempenhar papel importante nas futuras tratativas entre Lyon e Botafogo é Michael Gerlinger. Antes de assumir o cargo de CEO do Lyon, o executivo foi diretor-geral global da Eagle Football Holdings BidCo em 2024, período em que acompanhou de perto a estrutura financeira da holding criada por John Textor.


Por ter participado da gestão da Eagle Football, Gerlinger conhece em detalhes o funcionamento do modelo de caixa único adotado entre os clubes do grupo, bem como as operações financeiras realizadas naquele período. Sua experiência poderá ser decisiva para esclarecer tecnicamente quais obrigações financeiras permaneceram entre as partes e quais responsabilidades deverão ser assumidas pela futura controladora do Botafogo, a GDA Luma.


Nesse contexto, Gerlinger desponta como um dos principais interlocutores do Lyon nas futuras negociações, podendo apresentar a documentação e as informações necessárias para explicar a origem dos créditos e débitos registrados pela Eagle Football. A partir desse diagnóstico, caberá à GDA Luma avaliar as obrigações que eventualmente assumirá na reconstrução da SAF do Botafogo e negociar uma solução que atenda aos interesses de ambas as partes.

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