Em entrevista ao podcast ¨No Ritmo com VC¨: Montenegro relembra a conquista do Brasileirão de 1995, critica a gestão de John Textor que nunca foi botafoguense, elogia feitos de Garrincha; e projeta novo futuro da SAF Botafogo sob a GDA LUMA (VÍDEO)

Ex-presidente do Botafogo entre 1994 e 1996 afirma que o clube precisa voltar a colocar sua história acima dos interesses financeiros e acredita que uma nova administração pode devolver estabilidade ao projeto da SAF



DJ Português entrevistando Carlos Augusto Montenegro no ¨No Ritmo com VC¨ - Foto Reprodução 


Durante participação no podcast ¨No Ritmo Com VC¨, apresentado pelo DJ Português, o ex-presidente do Botafogo e ex-presidente do Ibope, Carlos Augusto Saade Montenegro, fez uma ampla análise sobre o passado, o presente e o futuro do clube. Responsável por comandar o Alvinegro entre 1994 à 1996, período que culminou com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1995, Montenegro relembrou os bastidores da formação do elenco campeão, destacou a reconstrução estrutural do clube e comentou os desafios enfrentados pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF), especialmente após a saída do empresário norte-americano John Textor e a expectativa em torno da nova administração da GDA LUMA.


Assista ao vídeo abaixo:


Ao longo da conversa, o ex-dirigente abordou desde os bastidores da formação do elenco campeão até questões financeiras envolvendo o atual modelo de gestão do futebol brasileiro.


A reconstrução de um Botafogo competitivo

Logo no início da entrevista, Montenegro lembrou que assumiu o comando do Botafogo em um período de enormes desafios administrativos.


Na época, além de exercer a presidência do clube, também comandava o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), conciliando duas funções de grande responsabilidade.


Segundo ele, somente aceitou assumir a presidência após receber garantias de que teria autonomia para reconstruir o clube e reorganizar sua estrutura administrativa.



Carlos Augusto Montenegro - Foto Reprodução: No Ritmo Com Vc

Montenegro explicou que uma das prioridades de sua gestão era devolver ao Botafogo estabilidade institucional, fortalecer suas finanças e recuperar o patrimônio esportivo do clube.


Ele afirmou que aquele trabalho criou as condições necessárias para que o Botafogo voltasse a disputar títulos importantes em nível nacional.


O planejamento que levou ao título brasileiro de 1995

Ao recordar o Campeonato Brasileiro de 1995, Montenegro destacou que o sucesso da equipe não foi resultado de apenas uma contratação de impacto, mas de um planejamento coletivo.


Embora reconheça a importância da chegada de Túlio Maravilha, artilheiro e protagonista daquela campanha, o ex-presidente fez questão de ressaltar que o Botafogo já possuía uma base extremamente qualificada antes mesmo da contratação do atacante.


Segundo ele, o clube contava com jogadores experientes, talentosos e comprometidos com o projeto esportivo.


Entre os atletas lembrados durante a entrevista estão:


Túlio Maravilha;

Donizete;

Beto;

Jamir;

Sérgio Manoel;

Gottardo;

Mauro Galvão.


Para Montenegro, o equilíbrio entre experiência, qualidade técnica e comprometimento foi determinante para a conquista daquele que permanece como o último Campeonato Brasileiro conquistado pelo Botafogo em formato tradicional.


Um elenco repleto de grandes nomes

Durante a conversa, Montenegro fez questão de recordar outros jogadores que marcaram o Botafogo na década de 1990.


Ele citou atletas como:


Valdeir;

Carlos Alberto Dias;

Renato;

Josimar, lateral-direito da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986.

Segundo o ex-presidente, o clube sempre teve tradição em reunir jogadores de alto nível e construir equipes competitivas.


Ele também destacou que o Botafogo possui uma das histórias mais ricas do futebol brasileiro justamente pela capacidade de revelar e atrair grandes talentos ao longo das décadas.


Garrincha permanece como símbolo máximo

Ao falar sobre a identidade alvinegra, Montenegro afirmou que nenhum jogador representa tanto o Botafogo quanto Garrincha.


Na avaliação do ex-presidente, a trajetória do eterno camisa 7 permanece como um patrimônio imaterial do clube e uma referência para todas as gerações de torcedores.


Ele ressaltou que a história construída por ídolos como Garrincha ajuda a explicar o tamanho da paixão da torcida botafoguense.


Marechal Hermes e a importância da formação de atletas

Outro tema abordado foi a estrutura das categorias de base.


Montenegro relembrou a importância histórica do centro de treinamento localizado em Marechal Hermes, tradicional berço da formação de jovens atletas do Botafogo.


Segundo ele, aquela estrutura ajudou a construir parte importante da identidade esportiva do clube durante décadas.


Ao comparar o passado com o presente, destacou que o Botafogo hoje possui instalações muito superiores, afirmando que o atual centro de treinamento representa uma estrutura de padrão internacional, compatível com a grandeza da instituição.


O prestígio internacional do Botafogo

Montenegro também relembrou a projeção internacional conquistada pelo clube após o título brasileiro.


Segundo ele, o Botafogo passou a ser presença constante em torneios internacionais tradicionais.


Entre eles, destacou:


Troféu Teresa Herrera;

Troféu Ramón de Carranza.

O ex-presidente afirmou que, naquela época, enfrentar gigantes europeus como Juventus e Ajax demonstrava o respeito que o futebol internacional tinha pelo Botafogo.


Além do prestígio esportivo, essas competições também representavam importante fonte de receita para os clubes brasileiros.


O título estadual de 1996

Mesmo após perder parte do elenco campeão brasileiro, Montenegro lembrou que o Botafogo ainda conquistou o torneio estadual disputado em 1996, competição regional que ficou conhecida como "Carioquinha".


Segundo ele, aquela conquista demonstrou que o trabalho desenvolvido durante sua administração havia deixado uma base sólida.


A transformação do futebol brasileiro com a SAF

Ao analisar o cenário atual, Montenegro reconheceu que o modelo de Sociedade Anônima do Futebol representou uma mudança profunda para o futebol brasileiro.


Ele lembrou que Botafogo e Vasco estiveram entre os primeiros grandes clubes do país a adotarem esse formato de gestão.


Na sua avaliação, naquele momento, a SAF representava praticamente a única alternativa para evitar um agravamento da crise financeira vivida pelo Botafogo.


A chegada de John Textor

Montenegro reconheceu que a entrada da Eagle Football Holdings, liderada por John Textor, foi decisiva para retirar o clube de uma situação financeira extremamente delicada.


Segundo ele, os investimentos realizados permitiram reorganizar o departamento de futebol e devolver competitividade ao elenco.


Entretanto, o dirigente afirmou que, com o passar do tempo, começaram a surgir problemas relacionados ao modelo de administração da holding.


Críticas ao modelo da Eagle Football

Durante a entrevista, Montenegro fez críticas contundentes à condução do projeto liderado por Textor.


Segundo ele, o Botafogo passou a gerar receitas expressivas por meio de premiações, participação em competições internacionais e vendas de jogadores.


No entanto, afirmou que boa parte desses recursos acabou inserida em uma estrutura empresarial mais ampla, envolvendo outros clubes pertencentes ao grupo Eagle Football.


Na visão do ex-presidente, isso fez com que o Botafogo deixasse de ser tratado como prioridade.


"O Botafogo pagou a conta"

Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Montenegro afirmou que o Botafogo acabou arcando com consequências financeiras provocadas pela estrutura empresarial da holding.


Segundo ele, decisões tomadas fora do ambiente esportivo impactaram diretamente o clube.


Na avaliação do ex-presidente, o patrimônio construído pelo Botafogo acabou sendo comprometido por problemas financeiros envolvendo outras operações do grupo empresarial.


"Textor nunca foi botafoguense"

Montenegro também afirmou que John Textor jamais teve uma relação afetiva com o clube.


Segundo ele, o empresário enxergava o Botafogo principalmente como um ativo empresarial.


Na avaliação do ex-dirigente, isso ficou evidente quando, em sua percepção, outros clubes da holding passaram a receber prioridade em determinados momentos.


Ele afirmou ainda que o empresário deixou escapar oportunidades importantes para consolidar um ciclo vencedor no Botafogo.


A expectativa com a GDA LUMA

Ao comentar a nova fase da SAF, Montenegro demonstrou confiança de que a administração da GDA LUMA possa iniciar um período de maior estabilidade.


Segundo ele, o Botafogo precisa voltar a ter uma gestão focada exclusivamente nos interesses do clube, respeitando sua tradição esportiva e sua relação histórica com a torcida.


Para o ex-presidente, o sucesso da nova administração dependerá da capacidade de unir responsabilidade financeira, planejamento esportivo e valorização da identidade alvinegra.


A força da torcida

Encerrando a entrevista, Montenegro falou sobre as pesquisas de torcida realizadas durante décadas pelo Ibope.


Ele afirmou que o Botafogo sempre manteve presença significativa entre as maiores torcidas do país, disputando posições com outros grandes clubes brasileiros.


Na avaliação do ex-presidente, essa permanência demonstra a força histórica da marca Botafogo e a fidelidade de seus torcedores, mesmo diante de longos períodos sem grandes conquistas.


Legado

Mais de três décadas após conquistar o Campeonato Brasileiro de 1995, Carlos Augusto Montenegro continua sendo uma das vozes mais influentes da história recente do Botafogo.


Na entrevista, ele relembrou um período considerado histórico para o clube, reconheceu a importância da SAF para evitar o colapso financeiro da instituição, mas também apresentou críticas contundentes ao modelo de gestão implementado por John Textor.


Ao projetar a nova fase da SAF sob a GDA LUMA, Montenegro defendeu que o Botafogo precisa recuperar o protagonismo esportivo, preservar sua identidade histórica e colocar novamente a paixão de sua torcida no centro de todas as decisões.


Para o ex-presidente, o futuro do clube dependerá menos de discursos e mais da capacidade de construir um projeto sólido, financeiramente responsável e comprometido exclusivamente com o crescimento do Botafogo.

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