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John Textor - Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Folhapress |
O programador e empresário Norte-americano John Charles Textor, ex-controlador da SAF, entrou com uma ação para tentar impedir a transferência das ações da Sociedade Anônima do Futebol, alegando ser credor de R$ 150 milhões da Eagle Football Holdings BidCo. No entanto, o Botafogo associativo contestou a ação e afirma que a dívida apontada pelo ex-controlador da SAF não existe.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o clube social protocolou manifestação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) alegando que Textor teria omitido documentos relevantes que contradizem sua versão dos fatos. O pedido foi encaminhado ao desembargador Luiz Eduardo Canabarro, responsável pela análise do caso.
Clube social quer participar oficialmente do processo
O Botafogo associativo, que ainda detém 51% das ações da SAF, solicitou ao Tribunal que seja admitido como parte interessada na ação movida por Textor. O clube argumenta que qualquer decisão envolvendo as ações da SAF afeta diretamente seus interesses patrimoniais e institucionais.
Na petição, o clube pede que nenhuma decisão seja tomada antes da análise de documentos societários públicos e demonstrações financeiras da Eagle Football Holdings BidCo.
Segundo a manifestação, não há qualquer registro contábil que comprove a existência da dívida de R$ 150 milhões alegada pelo empresário norte-americano.
Entenda a alegação de John Textor
John Textor sustenta que, durante a reorganização societária da Eagle Football Holdings, houve a transferência de 90% das ações da SAF do Botafogo para a Eagle BidCo.
Segundo ele, essa operação somente poderia ocorrer mediante o pagamento de aproximadamente R$ 150 milhões a título de aquisição dessas ações.
Com base nesse entendimento, o empresário pediu à Justiça uma liminar para impedir qualquer nova alienação das ações da SAF ou, alternativamente, que seja registrado um protesto judicial sobre esses ativos, criando um impedimento jurídico para a conclusão da negociação envolvendo o clube.
Na prática, a medida busca evitar que a GDA Luma finalize a aquisição da participação atualmente vinculada à Eagle Football Holdings.
Botafogo rebate tese e aponta ausência de registros financeiros
A resposta apresentada pelo clube social sustenta que a própria documentação financeira da Eagle Football Holdings BidCo desmonta a tese apresentada por Textor.
Segundo o Botafogo, as demonstrações financeiras auditadas da holding não registram qualquer obrigação financeira de R$ 150 milhões em favor do empresário.
Além disso, o clube ressalta um ponto considerado relevante: na época em que essas demonstrações foram elaboradas, o controlador da Eagle BidCo era o próprio John Textor. Assim, caso realmente existisse uma dívida dessa natureza, caberia à própria administração da empresa registrá-la formalmente em seus balanços.
Na avaliação apresentada pelo clube, a ausência desse lançamento contábil reforça a inexistência do crédito alegado.
Recuperação judicial pode ser afetada
Outro argumento levado ao Tribunal pelo Botafogo associativo envolve os possíveis impactos financeiros da medida solicitada por Textor.
Segundo o clube, um eventual bloqueio das ações da SAF poderia comprometer o andamento do processo de recuperação judicial e dificultar significativamente a continuidade das operações do Botafogo.
A manifestação também destaca que há previsão de novos investimentos para os próximos dias, recursos considerados essenciais para a estabilidade financeira do clube.
Na avaliação do associativo, impedir a negociação das ações poderia colocar em risco esses aportes e provocar prejuízos diretos ao planejamento financeiro da instituição.
GDA Luma prepara entrada definitiva na SAF
O litígio ocorre justamente no momento em que a GDA Luma avança para assumir o controle da SAF do Botafogo.
A empresa já vem realizando aportes financeiros e participa da administração do clube durante o período de transição. A conclusão da operação depende justamente da transferência das ações atualmente ligadas à Eagle Football Holdings.
Por esse motivo, o pedido de bloqueio formulado por Textor é considerado estratégico, já que pode impedir ou atrasar a efetivação da nova estrutura societária.
Administradora judicial reforça posição do Botafogo
De acordo com apuração da Gazeta Botafogo, a Cork Gully LLP, administradora judicial da Eagle Football Holdings BidCo, também apresentou entendimento favorável à posição defendida pelo Botafogo associativo.
A administradora teria endossado a documentação societária existente desde 2022, utilizada pelo clube para demonstrar que não há registro formal da dívida alegada por John Textor.
Esse posicionamento pode ganhar relevância durante a análise do Tribunal, já que parte justamente da responsável pela condução do processo de administração judicial da holding.
Próximos passos
O desembargador Luiz Eduardo Canabarro deverá decidir inicialmente se o Botafogo associativo poderá integrar formalmente o processo como terceiro interessado.
Na sequência, caberá ao Tribunal avaliar o pedido de tutela apresentado por John Textor para bloquear ou restringir a transferência das ações da SAF.
A decisão poderá ter impacto direto no futuro societário do Botafogo, especialmente diante da iminente entrada da GDA Luma como nova investidora e da necessidade de preservar os aportes previstos para dar continuidade ao processo de recuperação financeira do clube.
