Botafogo avalia nomes para substituir Rodrigo Bellão técnico interino, antes de 7 de Setembro; Renato Gaúcho aparece entre os cotados

Jorge Sampaoli, Ramón Díaz e o filho Emiliano Díaz, Luis Zubeldía e Ney Franco também são citados nas movimentações pelo novo comando técnico

 
Renato Gaúcho ainda como técnico do Fluminense, durante a Copa Do Mundo de Clubes 2025 - Foto: Lucas Merçon/Fluminense


O Botafogo vive uma nova movimentação nos bastidores em busca de um treinador para assumir definitivamente a equipe principal. Rodrigo Bellão, que atualmente ocupa o cargo de forma interina, voltou a comandar o time após a saída de Franclim Carvalho e permanece no posto enquanto o clube avalia alternativas para a sequência da temporada.


 

Entre os nomes que foram sondados estão Renato Gaúcho, Jorge Sampaoli, Ramón Díaz, Emiliano Díaz e Luis Zubeldía. Ney Franco também permanece no radar, de acordo com informações de bastidores apuradas anteriormente.


A definição ocorre em um momento de pressão esportiva para o clube. O Botafogo encerrou sua participação na Copa Sul-Americana diante do Cienciano e, no Campeonato Brasileiro, sofreu derrotas recentes que aumentaram a necessidade de uma definição para o comando técnico.


Bellão voltou ao comando interinamente

A situação de Rodrigo Bellão ganhou novo capítulo em agosto. Após a saída de Franclim Carvalho, anunciada oficialmente pelo Botafogo em 18 de agosto, Bellão foi novamente escolhido para assumir a equipe principal de maneira interina.


 

O próprio clube confirmou que o treinador do Sub-20 comandaria o time no compromisso diante do Cienciano, pela Copa Sul-Americana. Na mesma nota, o Botafogo anunciou mudanças na comissão técnica permanente, com Paulo Bonamigo como coordenador técnico, Ronaldo Torres na preparação física e Marcelo Salles, o “Fera”, como auxiliar técnico permanente, com quem já trabalhou com Renato Gaúcho nos tempos de Grêmio.


Bellão, portanto, não foi apresentado como treinador definitivo. Essa é a terceira passagem dele pelo comando da equipe principal em 2026. 


A expectativa nos bastidores é de que a situação seja resolvida antes do feriado de 7 de setembro, data da Independência do Brasil de Portugal.


Renato Gaúcho entra no cenário

Entre os nomes avaliados, Renato Gaúcho aparece como uma das possibilidades de maior repercussão.


O treinador possui uma relação profissional anterior com Marcelo Salles, o “Fera”, que atualmente integra a comissão técnica permanente do Botafogo. Salles trabalhou ao lado de Renato em diferentes momentos da carreira, inclusive no Grêmio. O vínculo profissional entre os dois é documentado por levantamentos da imprensa esportiva: Marcelo Salles foi auxiliar de Renato no Grêmio entre 2022 e 2024 e também trabalhou com ele no Flamengo, Fluminense e Vasco. 


A presença de Salles na atual estrutura do Botafogo é, portanto, um elemento que aproxima o nome de Renato do clube no cenário das especulações.


Existe, entretanto, um episódio histórico que continua associado à passagem de Renato Gaúcho pelo Botafogo: a final do Campeonato Brasileiro de 1992.


O episódio de 1992

Naquele ano, o Botafogo chegou à decisão do Campeonato Brasileiro contra o Flamengo. Na primeira partida da final, o Flamengo venceu por 3 a 0, ironia do destino ou não, mesmo placar do Clássico da Rivalidade de 30 de Agosto de 2026.


Renato Gaúcho, então jogador do Botafogo, havia feito uma aposta com o atacante Gaúcho, do Flamengo. Com a derrota alvinegra, Renato pagou a aposta oferecendo um churrasco aos adversários.


A confraternização provocou forte repercussão entre torcedores e dirigentes do Botafogo. O episódio terminou com o afastamento de Renato da segunda partida da decisão. Sem o camisa 7, o Botafogo empatou por 2 a 2 no segundo jogo e perdeu o título para o Flamengo. 


Mais de três décadas depois, o episódio continua sendo lembrado quando o nome de Renato é associado ao Botafogo.


Em entrevista concedida em 2025, Renato voltou a explicar o episódio. Segundo o treinador, o churrasco ocorreu como consequência de uma aposta e, apesar da repercussão negativa entre os botafoguenses, ele declarou que faria novamente o pagamento da aposta. 


A possibilidade de seu retorno ao clube, portanto, colocaria novamente em discussão uma passagem marcada por forte desempenho esportivo e, simultaneamente, pelo episódio que encerrou sua participação na final de 1992.


A lista de treinadores argentinos

O mercado analisado pelo Botafogo não se restringe a Renato Gaúcho.


Jorge Sampaoli aparece entre os nomes avaliados. O argentino tem longa trajetória no futebol sul-americano e europeu e experiência anterior no futebol brasileiro.


Outro nome citado é Ramón Díaz, que também possui histórico no futebol brasileiro e sul-americano. O argentino voltou recentemente a aparecer no noticiário internacional em razão da crise do River Plate, onde torcedores passaram a defender seu retorno ao clube. 


Emiliano Díaz, filho e integrante habitual das comissões técnicas comandadas por Ramón, também aparece nas movimentações relacionadas ao possível novo comando.


Luis Zubeldía completa a lista de argentinos mencionados. Atualmente, o treinador está à frente do Fluminense. O confronto entre Botafogo e Fluminense em agosto registrou Zubeldía no comando da equipe tricolor. 


A eventual contratação de qualquer um desses profissionais dependeria de negociações e de uma definição da estrutura de futebol do Botafogo.


Ney Franco permanece no radar

Além dos nomes estrangeiros e de Renato Gaúcho, Ney Franco continua sendo apontado nos bastidores como uma alternativa para o cargo. Com a hipótese, relatada internamente, de que Ney Franco possa ser considerado caso outros nomes consultados não avancem nas negociações.


Nesse cenário, a definição do novo treinador dependeria não apenas da preferência pelo profissional, mas também da disponibilidade, das condições contratuais e da disposição de cada candidato em assumir a equipe neste momento da temporada.


A pressão esportiva aumenta


A busca por um treinador definitivo acontece em uma fase particularmente importante do calendário.


O Botafogo foi eliminado da Copa Sul-Americana pelo Cienciano. Mesmo vencendo a partida de volta por 1 a 0, o clube não conseguiu reverter a desvantagem acumulada no primeiro confronto. 


No Campeonato Brasileiro, o Botafogo também atravessa uma sequência que aumentou a necessidade de resultados. Em 24 de agosto, perdeu para o Athletico por 3 a 2 no Nilton Santos. Rodrigo Bellão era o treinador naquela partida. 


No dia 30 de agosto, o Botafogo foi derrotado pelo Flamengo por 3 a 0 no Maracanã. Com o resultado, segundo o balanço divulgado após a rodada, a equipe permaneceu com 30 pontos e na 12ª colocação. 


Se o critério for exclusivamente tirar o Botafogo da parte de estar na parte de baixo da tabela e fazê-lo terminar acima de 45 pontos. Atualmente o Fogão está com 30 pontos após 25 rodadas (e 1 jogo a menos), portanto precisará somar pelo menos 16 pontos nas 13 rodadas restantes para chegar a 46. Isso significa aproximadamente 41% de aproveitamento daqui até o fim. O cenário é apertado, mas matematicamente perfeitamente possível. 


Para chegar a 46 pontos:


5 vitórias + 1 empate + 7 derrotas = 16 pontos

4 vitórias + 4 empates + 5 derrotas = 16 pontos

3 vitórias + 7 empates + 3 derrotas = 16 pontos

Ou seja: não é necessário fazer uma campanha extraordinária. É necessário parar de perder consecutivamente e conseguir 3 vitórias seguidas para conseguir manter o sonho vivo de ficar longe do Z4.


O cenário coloca a escolha do novo comandante diante de uma janela curta para preparação e ajustes.


A janela de transferências também pesa no calendário

Outro fator temporal é o encerramento da segunda janela de transferências de 2026, previsto para 11 de setembro.


A proximidade da data reduz o período disponível para que um eventual novo treinador avalie o elenco e participe das decisões relacionadas à composição da equipe.


Assim, a definição do treinador ocorre paralelamente a uma janela de mercado que se aproxima do encerramento.


O Botafogo terá de conciliar a escolha do comandante com as necessidades esportivas imediatas e com as decisões de elenco para o restante da temporada.


A relação entre o clube associativo de transição e a Nova SAF

A discussão sobre o novo treinador também acontece durante uma mudança significativa na estrutura de controle da SAF.


O empresário mexicano Gabriel de Alba de 53 anos, fundador da GDA Luma, avançou para assumir o controle da SAF Botafogo. Em junho, Botafogo Social e SAF anunciaram a assinatura de um contrato vinculante para a transferência de 90% da participação societária da SAF para a GDA Luma, porém não pôde assinar ainda o contrato devido ao Caso Credivalores


A Cork Gully e a disputa pelo controle da SAF


A escolha do próximo treinador ocorre paralelamente a uma das mais importantes mudanças societárias da história recente do Botafogo. A Cork Gully assumiu a administração judicial da Eagle Football Holdings BidCo, estrutura que detinha 90% da SAF, e passou a conduzir o processo de venda dessa participação. O Botafogo estava entre os ativos colocados no processo, ao lado do Lyon e do RWDM Brussels. 



A GDA Luma, comandada por Gabriel de Alba, avançou como candidata à aquisição da participação majoritária. O processo, entretanto, passa por diferentes etapas e entraves antes da conclusão definitiva. Em julho, foi dito que as negociações entre GDA Luma e Cork Gully haviam avançado, mas que uma proposta relacionada a uma dívida do Lyon teria dificultado o fechamento da operação. Sem contar que em 10 de Abril de 2026, a Cork Gully recebeu proposta de outros interessados na compra da SAF Botafogo. 



Montenegro no centro das discussões


Paralelamente, Carlos Augusto Saade Montenegro permaneceu ativo no debate sobre o futuro institucional do Botafogo. O ex-presidente fez declarações sobre a chegada da GDA Luma, sobre Gabriel de Alba e sobre as perspectivas econômicas do clube. Em maio, Montenegro projetou um período de “dois a três anos difíceis” para o Botafogo em razão da recuperação judicial. 


Em junho, também participou das articulações iniciais de aproximação entre Gabriel de Alba e profissionais ligados ao futebol do Botafogo. Montenegro apresentou a possibilidade de contato com Raphael Rezende, mas ressaltou que a avaliação e eventual contratação deveriam ficar a cargo da nova administração. 


Já em julho, o jornalista Waldir Luiz afirmou que Montenegro lhe havia dito que a transferência da SAF para a GDA Luma seria concluída naquela semana. Algo que não ocorreu. 



As manifestações de Montenegro passaram, assim, a integrar o debate público sobre a transição de controle da SAF, ao mesmo tempo em que o clube enfrentava decisões esportivas urgentes, entre elas a definição do treinador para a sequência da temporada. Porém com hipocrisia, pois agora que seu amigo João Paulo Magalhães Lins está no poder, e ele dá pitacos, não faz mais críticas construtivas. 



Em 18 de Agosto, Gabriel de Alba esteve no Rio de Janeiro para reuniões com dirigentes e gestores da SAF. A GDA Luma havia realizado anteriormente um aporte financeiro para auxiliar o clube em compromissos imediatos. Porém não houve a assinatura de contrato.


O novo cenário societário acrescenta uma camada à discussão sobre o futebol profissional, uma vez que o comando esportivo passa a ser definido durante uma transição de controle.


O caso envolvendo a GDA Luma

A operação também esteve relacionada a questionamentos judiciais nos Estados Unidos.


Segundo reportagem publicada pelo Lance em agosto, a GDA Luma e Gabriel de Alba foram mencionados em uma ação apresentada na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York envolvendo a recuperação de fundos e propriedades relacionados ao caso Credivalores/Crediservicios. Onde há alegações de transferência de propriedade, transferência fraudulenta e preferência. Trata-se de alegações apresentadas no âmbito judicial, não de uma conclusão sobre responsabilidade e de fraude decidida, ainda. 


O tema passou a integrar o debate sobre a transição societária do Botafogo, enquanto a operação de aquisição da SAF avançava.


O papel do Botafogo associativo

A relação entre o clube associativo e a SAF também permanece como um dos pontos centrais do processo.


A chegada da GDA Luma alterou a configuração de controle do futebol profissional, ao mesmo tempo em que representantes do Botafogo associativo continuam participando das decisões institucionais relacionadas à SAF.


Carlos Augusto Saade Montenegro, ex-presidente do Botafogo, também segue envolvido publicamente no debate sobre a nova fase do clube. Em junho, Montenegro falou sobre a chegada de Gabriel de Alba e sobre possíveis nomes para a estrutura da SAF. 


Nesse contexto, a escolha do próximo treinador ocorre em meio a uma reestruturação administrativa e esportiva mais ampla.


Entre a memória de 1992 e a necessidade de resultados

A eventual contratação de Renato Gaúcho recolocaria diante da torcida uma história iniciada há 34 anos.


De um lado está a lembrança de 1992, quando o jogador participou de uma aposta que resultou no controverso churrasco após a derrota por 3 a 0 para o Flamengo e acabou afastado da partida decisiva.


De outro, existe a carreira construída posteriormente por Renato como treinador, além de sua relação profissional com Marcelo Salles, integrante da atual comissão permanente do Botafogo.


A decisão, caso avance, será tomada dentro de um contexto completamente diferente daquele de 1992.


O clube procura um treinador em meio à disputa do Campeonato Brasileiro, com a janela de transferências próxima do encerramento e uma nova estrutura societária em processo de consolidação.


O que está em jogo

Neste momento, o Botafogo tem pelo menos 5 nomes associados às movimentações pelo comando técnico: Renato Gaúcho, Jorge Sampaoli, Ramón Díaz e Emiliano Díaz, Luis Zubeldía e Ney Franco que é o que sobra, caso outros nomes não aceitarem vir.


Rodrigo Bellão continua como interino até que uma definição seja tomada.


Não há, até o momento, anúncio oficial confirmando qualquer um desses profissionais como novo treinador definitivo.


A decisão deverá determinar não apenas quem comandará a equipe nas próximas rodadas, mas também qual será a orientação esportiva adotada pelo clube para o restante de 2026.


Com o calendário avançando, o prazo para a escolha se aproxima do limite: a segunda janela de transferências termina em 11 de setembro, enquanto o Botafogo precisa definir seu comando técnico e sua estratégia esportiva para a reta final da temporada.

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