Insatisfeito no Zenit: Luiz Henrique vira alvo de Botafogo e Palmeiras; venda de Allan Elias ao Manchester City e trunfos do Fogão, com Danilo como moeda de troca e investimentos de parceiros da GDA LUMA, podem definir disputa

Verdão ganhou força com a venda de Allan ao Manchester City, enquanto o Fogão pretende voltar a oferecer Danilo, ou por meio de aporte de amigos de Gabriel de Alba em possível contratação de Luiz Henrique


Luiz Henrique em disputa de bola com Joaquín Piquerez durante Botafogo x Palmeiras no Estádio Nilton Santos em 17 de Julho de 2024, pelo Brasileirão - Foto: Reuters


A disputa pelo futebol de Luiz Henrique ganhou um novo capítulo e pode colocar novamente frente a frente Palmeiras e Botafogo no mercado de transferências. O ponta-direita e atacante brasileiro de 25 anos, atualmente no Zenit Saint Petersburgo, da Rússia, é alvo dos dois clubes, mas por caminhos bastante diferentes.



Segundo apuração da Gazeta Botafogo, pessoas ligadas ao staff do jogador, veem que o Botafogo mantém o desejo de repatriar o atacante que foi um dos grandes protagonistas da histórica temporada de 2024. O Palmeiras, por sua vez, aparece como concorrente de peso e ganhou um importante trunfo financeiro após encaminhar a venda de Allan Elias ao Manchester City.


A definição, porém, não estará nas mãos dos clubes brasileiros. O Zenit deverá avaliar qual proposta será mais vantajosa para liberar Luiz Henrique — e esse cenário transforma a negociação em uma disputa que pode ser decidida nos detalhes e ser a mais badalada desta segunda janela de transferências.


Botafogo mantém Luiz Henrique como grande sonho

Para o Botafogo, Luiz Henrique não é apenas mais um nome no mercado. O atacante representa a possibilidade de recuperar um jogador que se tornou símbolo da temporada mais vitoriosa da história recente do clube.


Em 2024, Luiz Henrique foi peça fundamental na campanha que levou o Botafogo aos títulos da Libertadores e do Tricampeonato do Campeonato Brasileiro. O desempenho o colocou entre os principais jogadores do futebol sul-americano e contribuiu para que recebesse o prêmio de Rei da América.


Os números ajudam a explicar o tamanho do impacto. Pelo Botafogo, em 2024, Luiz Henrique disputou 35 partidas no Campeonato Brasileiro, onde naquela ocasião marcou sete gols e deu três assistências, segundo dados compilados pela Opta Analyst. Na Libertadores, participou de 12 partidas e marcou quatro gols, 1 desses sendo na final da competição mais importante da América do Sul. 


A relação com a torcida alvinegra, portanto, permanece forte. A ideia de repatriá-lo deixou de ser apenas um desejo sentimental e passou a ser uma possibilidade concreta de mercado.


A passagem para o Zenit e a tentativa de retorno

Luiz Henrique chegou ao Zenit no início de 2025. Na época, o clube russo apresentou uma proposta de 35 milhões de euros (R$ 220 milhões), e o atacante deixou o Botafogo para iniciar uma nova etapa da carreira na Europa. 


Agora, pouco mais de um ano e meio depois, a possibilidade de retorno ao futebol brasileiro volta ao centro das atenções.


A avaliação dentro do Botafogo, conforme apuração da Gazeta Botafogo, é de que o jogador não estaria plenamente satisfeito com a experiência no futebol russo. Essa insatisfação seria um dos elementos que alimentam a possibilidade de uma transferência, pois ficaria mais próximo da Família, que reside em Petrópolis/RJ, e numa rotina melhor, após o nascimento de sua segunda filha, Aurora.


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Em sua passagem pelo Zenit, Luiz Henrique acumula 42 jogos, sete gols e cinco assistências em todas as competições listadas pela Opta Analyst. 



A história que envolve John Textor e o Lyon

Outro componente importante da história é a estratégia adotada pelo Botafogo na época da saída do jogador pela antiga gestão.


Naquela ocasião a transferência para o Zenit ocorreu em um contexto no qual John Textor precisava gerar recursos rapidamente, alterando os planos originalmente traçados para Luiz Henrique. 


A ideia inicial, segundo esse relato, conhecidos nos bastidores de General Severiano, era que Luiz Henrique seguisse para o Lyon, em uma operação ligada ao projeto multiclubes de Textor na ocasião, e que também envolvia Thiago Almada (apenas o argentino foi para lá). O acordo acabou não se concretizando, e o Zenit entrou em cena com uma proposta financeira capaz de mudar o destino do atacante.


A venda para a Rússia acabou acontecendo por 35 milhões de euros (R$220 milhões), encerrando temporariamente a passagem de Luiz Henrique pelo futebol brasileiro. 


Agora, o cenário é diferente: o Botafogo quer o retorno de um ídolo, enquanto o Zenit é quem possui a palavra final sobre o negócio.


Palmeiras entra forte na disputa

É justamente nesse ponto que surge o Palmeiras.


O clube paulista aparece como concorrente porque possui uma condição financeira que pode pesar significativamente na negociação. O Alviverde encaminhou nesta semana a transferência do ponta-direita, Allan Elias para o Manchester City por 37,5 milhões de euros fixos, com mais 2,5 milhões de euros em bônus, podendo chegar a 40 milhões de euros — cerca de R$ 240 milhões na cotação considerada nas informações divulgadas. 



O negócio representa uma injeção importante de recursos nos cofres palmeirenses. O clube detinha 90% dos direitos econômicos de Allan, enquanto o Figueirense possui participação. 


Esse dinheiro pode mudar a capacidade de investimento do Palmeiras em uma eventual negociação por Luiz Henrique. Pois é um pedido especial do técnico Abel Fernando Moreira Ferreira à presidente do clube, Leila Pereira. 


O dinheiro de Allan pode virar o trunfo alviverde

A principal vantagem do Palmeiras, caso decida efetivamente entrar pesado na negociação, é a capacidade de apresentar dinheiro em uma operação convencional.


A venda de Allan proporciona ao clube uma receita extraordinária justamente em uma janela na qual o Palmeiras precisa administrar suas finanças, para recuperar o prejuízo de não ter vencido os principais títulos em 2025. A transferência para o Manchester City foi fechada verbalmente e ainda dependia de burocracias para ser formalizada nas informações divulgadas em 25 de agosto. 


O valor também é significativo no contexto das receitas do Palmeiras com vendas. Levantamento publicado pelo UOL apontou que o clube já havia alcançado cerca de R$ 344 milhões em receitas com transferências na temporada, considerando Allan, Jhon Jhon e Kaique, aproximando-se da meta anual de R$ 400 milhões. 


É justamente essa disponibilidade financeira que pode transformar o Palmeiras em um adversário especialmente perigoso para o Botafogo.


Se o Zenit estabelecer como prioridade receber o maior valor possível em dinheiro, o Alviverde poderá ter vantagem.


Botafogo aposta novamente em Danilo

O Botafogo, por outro lado, possui uma carta diferente.


O clube pretende tentar novamente envolver Danilo em uma operação por Luiz Henrique.


Essa possibilidade não é nova. Em julho, o Botafogo chegou a sugerir ao Zenit uma troca que envolvesse o volante, segundo informações do ge. A tentativa acabou aumentando o desgaste entre Danilo e a diretoria alvinegra, especialmente porque o jogador teria tomado conhecimento da possibilidade de ser utilizado na negociação sem ter sido comunicado previamente pelo clube. 


Danilo também havia sido alvo do Palmeiras, que apresentou uma proposta de 28 milhões de euros, recusada pelo Botafogo. 



Agora, o volante pode voltar a aparecer como peça importante nas conversas por Luiz Henrique.


A lógica do Botafogo é clara: em vez de disputar exclusivamente com dinheiro, o clube pode oferecer ao Zenit um jogador que possui valor de mercado e que poderá ser incorporado imediatamente ao elenco do time russo.


O problema é que a operação depende do Zenit

O grande ponto da negociação é que o Botafogo não poderá decidir sozinho os termos de uma eventual troca.


O Zenit é o proprietário dos direitos de Luiz Henrique e, consequentemente, será o responsável por avaliar as alternativas.


De um lado, estará uma proposta potencialmente mais forte financeiramente, como a que o Palmeiras pode construir após a venda de Allan.


Do outro, o Botafogo pode apresentar Danilo e tentar transformar a negociação em uma operação envolvendo jogadores, reduzindo a necessidade de um desembolso financeiro elevado.


A escolha dependerá daquilo que o Zenit considerar mais interessante.


A rede de parceiros de Gabriel de Alba também podem entrar em cena

Outro fator citado na apuração da Gazeta Botafogo é a possibilidade de participação de parceiros ligados ao projeto da GDA LUMA, de Gabriel de Alba, no Botafogo.


Marcelo Claure e Todd Boehly, parceiros de Gabriel de Alba na GDA LUMA, são apontados como potenciais aliados em uma tentativa de viabilizar financeiramente o retorno do atacante.


Esse elemento adiciona uma camada internacional à negociação.


O Botafogo não estaria necessariamente limitado à capacidade financeira imediata de seu caixa. Dentro do ecossistema de insolvência deixado pela antiga gestão de Textor, a possibilidade de buscar investidores, parceiros ou estruturas alternativas pode ser considerada, um meio para garantir a repatriação de Luiz Henrique, na qual venderá facilmente mais camisas do Botafogo, levará mais torcedores ao Estádio Nilton Santos e até a um excelente patrocinador master, substituindo a VBET. 


Ainda assim, qualquer participação externa precisaria ser efetivamente formalizada para produzir impacto concreto na negociação. Até que isso aconteça, o fator financeiro mais objetivo continua sendo a proposta que cada clube apresentar ao Zenit.


Uma rivalidade que ganhou novos capítulos

A disputa por Luiz Henrique também tem um componente simbólico.


Desde 2023, Botafogo e Palmeiras protagonizam uma das rivalidades mais intensas do futebol brasileiro, especialmente dentro das redes sociais e nas discussões envolvendo títulos, arbitragem, mercado de jogadores e protagonismo esportivo.


A temporada de 2024 ampliou ainda mais essa rivalidade.


O Botafogo conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro, enquanto o Palmeiras permaneceu como uma das principais forças do futebol nacional. Desde então, os dois clubes passaram a se encontrar também no mercado.


A possível disputa por Luiz Henrique representa mais um capítulo dessa história.


E há uma ironia adicional: o Botafogo quer recuperar justamente um dos jogadores que foram protagonistas do título da Libertadores e do Tri do Brasileirão em 2024, enquanto o Palmeiras pode tentar contratá-lo para suprir a saída de uma jovem peça formada em sua própria base.


Luiz Henrique seria reforço de peso para qualquer um dos dois


Independentemente do vencedor da disputa, a contratação representaria um movimento de enorme impacto esportivo.


Luiz Henrique tem características que continuam extremamente valorizadas no futebol brasileiro: velocidade, capacidade de atuar pelos lados, força no um contra um e experiência em jogos de alta pressão.


No Botafogo, ele já demonstrou que consegue produzir em partidas decisivas. Foi parte fundamental do time campeão da Libertadores e do Brasileirão em 2024.


No Palmeiras, poderia oferecer uma alternativa ofensiva de alto nível em um elenco que perdeu Allan para o Manchester City.


E o histórico recente mostra por que o jogador desperta interesse. Além dos títulos pelo Botafogo, Luiz Henrique conquistou reconhecimento individual e chegou à Seleção Brasileira durante sua passagem pelo clube carioca.


Palmeiras tem o dinheiro; Botafogo tem o fator emocional e Danilo

A negociação pode ser resumida, neste momento, em duas estratégias completamente diferentes.


O Palmeiras tem a possibilidade de construir uma oferta financeira mais agressiva. A venda de Allan ao Manchester City criou espaço para investimentos e colocou aproximadamente R$ 225 milhões em valores fixos na operação, com potencial de chegar a R$ 240 milhões com bônus. 


O Botafogo, por sua vez, tem o desejo declarado de recuperar um jogador identificado com a torcida e pode utilizar Danilo como moeda de troca, além de buscar apoio dentro da rede de parceiros ligada ao projeto de John Textor.


Para o Zenit, a questão será essencialmente empresarial: qual proposta entrega maior valor e melhores condições para o clube?


O que pode decidir a disputa

Três fatores devem ser determinantes para o desfecho:


Valor em dinheiro: o Palmeiras pode ganhar vantagem se estiver disposto a atingir a faixa financeira considerada adequada pelo Zenit.

Danilo na operação: o Botafogo pode tentar reduzir a diferença econômica incluindo o volante na negociação.

Vontade do jogador: caso Luiz Henrique pressione pela saída e manifeste preferência clara por um dos destinos, esse fator poderá influenciar as conversas.

Há ainda um quarto elemento: a disposição do Zenit em negociar.


O clube russo não tem obrigação de aceitar uma proposta apenas porque o jogador deseja retornar ao Brasil. A avaliação econômica será fundamental.


Um duelo de mercado com consequências esportivas

A possível contratação de Luiz Henrique ultrapassa a simples disputa por um atacante.


Para o Botafogo, significaria a repatriação de um dos grandes símbolos da conquista da Libertadores e do Brasileirão de 2024.


Para o Palmeiras, representaria a chegada de um jogador pronto, com experiência internacional e comprovadamente capaz de decidir partidas importantes — justamente em um momento de reformulação após a saída de Allan.


Para o Zenit, será uma oportunidade de transformar o interesse de dois grandes clubes brasileiros em uma negociação vantajosa.


Por isso, o mercado agora acompanha uma corrida em que o Palmeiras pode entrar com dinheiro e o Botafogo com Danilo, relações e o peso emocional de Luiz Henrique com a camisa alvinegra.


A última palavra, entretanto, será do Zenit.


E se o clube russo colocar as propostas lado a lado, a pergunta será inevitável: vale mais receber dinheiro à vista pelo Rei da América ou aceitar uma operação que inclua um jogador como Danilo?


É essa equação que deverá definir o próximo capítulo da carreira de Luiz Henrique — e, ao mesmo tempo, mais um capítulo da crescente rivalidade entre Palmeiras e Botafogo.

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