Se Danilo dos Santos não recuperar o bom futebol que jogava antes da Copa do Mundo 2026 que levou ele a ser convocado para a Seleção Brasileira, Botafogo precisa vendê-lo


Danilo dos Santos - Foto: Vítor Silva/Botafogo



A fase de Danilo Santos no Botafogo desperta questionamentos. Depois de viver um período de grande valorização, disputar a Copa do Mundo de 2026 pela seleção brasileira e despertar o interesse do Palmeiras, o volante não conseguiu manter dentro de campo o mesmo nível de atuação que o colocou em evidência.


A pergunta que começa a aparecer entre os torcedores é direta: onde está o bom futebol de Danilo?


O jogador chegou à Copa do Mundo em alta, com participação importante pela seleção brasileira e valorização no mercado. A expectativa, depois do Mundial, era de que ele retornasse ao Botafogo ainda mais fortalecido e assumisse protagonismo no meio-campo alvinegro.


O cenário, porém, não foi exatamente esse. Danilo não está entregando atualmente o futebol que o Botafogo espera dele. E tá fazendo corpo mole. 


A negociação com o Palmeiras


A situação ganhou ainda mais repercussão durante a janela de transferências, quando o Palmeiras demonstrou interesse na contratação de Danilo. O clube paulista apresentou uma proposta que chegou a 28 milhões de euros, considerando valores fixos e variáveis. O Botafogo recusou a oferta e decidiu manter o jogador no elenco.


A negociação tinha uma particularidade importante. Caso Danilo completasse 13 partidas pelo Botafogo no Campeonato Brasileiro, ele não poderia mais atuar por outro clube na competição naquela temporada. O volante entrou em campo contra o Vitória e atingiu a marca. Com isso, a possibilidade de transferência para o Palmeiras para a disputa do Brasileirão foi encerrada.


O Botafogo chegou a provocar o Palmeiras nas redes sociais depois da partida, reforçando a permanência de seu jogador. A novela acabou. Mas a expectativa em torno de Danilo permaneceu. O jogador que chegou à Seleção Brasileira, antes da queda de rendimento, Danilo havia conseguido alcançar um patamar importante na carreira. O volante foi convocado para a seleção brasileira e disputou a Copa do Mundo de 2026. O desempenho no Mundial aumentou ainda mais sua exposição e fez crescer a expectativa sobre seu futuro. Também havia interesse internacional pelo jogador. Clubes como Zenit, Newcastle, Roma e Galatasaray foram citados entre equipes que demonstraram interesse ou buscaram informações sobre uma possível negociação.


O Botafogo, portanto, tinha em mãos um jogador valorizado e com mercado. A decisão de não vender ao Palmeiras foi uma escolha esportiva e financeira do clube. Por isso mesmo, o rendimento apresentado depois da negociação passa a ser ainda mais importante.


O problema é o futebol


O ponto central da discussão não deveria ser se Danilo queria ou não jogar no Palmeiras.


Jogadores podem ter preferência por determinados projetos. Podem avaliar propostas. Podem desejar uma transferência. Isso faz parte do futebol profissional.


A questão é outra.


Danilo não está entregando atualmente o futebol que o Botafogo espera dele.


E isso precisa ser analisado com seriedade pelo clube.


O volante tem qualidade reconhecida, experiência internacional e acabou de disputar uma Copa do Mundo. É justamente por isso que a cobrança sobre ele é maior.


Quando um jogador desse nível apresenta atuações abaixo do esperado, a torcida naturalmente questiona.


A partida contra o Cienciano


A eliminação do Botafogo para o Cienciano, pela Copa Sul-Americana, tornou o momento ainda mais delicado.


Depois de perder por 6 a 1 no Peru, o Botafogo precisava de uma reação praticamente histórica no Nilton Santos. A equipe venceu por 1 a 0, mas não conseguiu reverter a enorme desvantagem e acabou eliminada.


Danilo começou a partida, mas novamente não conseguiu apresentar o futebol esperado.


O volante errou passes, teve dificuldades para dar dinâmica ao meio-campo e acabou substituído aos 64 minutos. Em determinado momento da partida, também recebeu vaias da torcida.


O episódio não explica sozinho a fase do jogador, mas representa o tamanho da cobrança.


O torcedor esperava que um dos nomes mais valorizados do elenco fosse capaz de assumir responsabilidade justamente em um momento de enorme pressão.


Isso não aconteceu.


O próprio Danilo reconhece que está devendo


Depois da partida, o jogador reconheceu publicamente que vive uma fase ruim.


Danilo admitiu que está “devendo” ao Botafogo e reconheceu que precisa melhorar seu desempenho.


A declaração é importante porque demonstra que o próprio atleta reconhece que o futebol apresentado atualmente está abaixo do que ele pode produzir.


E talvez essa seja a melhor maneira de conduzir o problema.


Não é necessário transformar uma má fase em uma acusação pessoal.


É preciso cobrar rendimento.


Botafogo precisa recuperar Danilo


O primeiro caminho deveria ser tentar recuperar o jogador.


Danilo já mostrou que pode atuar em alto nível. Chegou à seleção brasileira, disputou uma Copa do Mundo e despertou interesse de clubes importantes.


Não faria sentido simplesmente tratar o jogador como descartável depois de algumas atuações ruins.


O Botafogo precisa entender o que está acontecendo.


É uma questão física?


É desgaste após a Copa?


É adaptação?


É problema tático?


É falta de confiança?


É uma questão emocional?


Ou simplesmente uma queda natural de rendimento?


Essas respostas precisam ser encontradas internamente.


Mas o clube também precisa estabelecer limites


Recuperar Danilo não significa deixar de cobrar.


Um clube profissional não pode aceitar que um jogador, independentemente do seu tamanho, tenha rendimento incompatível com sua importância no elenco durante um período prolongado.


A camisa do Botafogo exige compromisso.


O jogador pode errar.


Pode atravessar uma fase ruim.


Pode perder confiança.


Pode precisar ficar no banco.


Tudo isso faz parte do futebol.


O que não pode acontecer é o clube perder o controle sobre a situação.


Ninguém pode escolher quais jogos quer jogar


Existe um princípio que precisa valer para todo o elenco do Botafogo: jogador profissional não escolhe quais partidas quer disputar.


O atleta pode ter dias melhores e piores.


Pode estar em grande fase em determinado momento e cair de rendimento em outro.


Mas, quando estiver em campo, precisa entregar o máximo possível.


Essa cobrança não é exclusiva para Danilo.


Vale para todo o elenco.


O Botafogo não pode construir uma equipe na qual alguns jogadores sejam tratados como intocáveis simplesmente por causa de seu valor de mercado.


Vender pode ser uma alternativa


Se Danilo recuperar seu futebol, o Botafogo terá motivos para comemorar.


Um jogador valorizado, com experiência de Copa do Mundo e mercado internacional, pode voltar a ser um dos principais ativos do clube.


Nesse cenário, uma futura proposta poderia inclusive superar os valores oferecidos pelo Palmeiras.


Mas, se o rendimento continuar abaixo do esperado, o clube precisará avaliar se a permanência ainda faz sentido.


Nesse caso, vender Danilo não deveria ser encarado como punição.


Seria uma decisão esportiva e financeira.


O Botafogo precisa pensar no futuro do elenco e também na preservação do valor de mercado de seus jogadores.


O pior cenário é deixar o problema se arrastar


O pior caminho seria simplesmente ignorar a queda de rendimento.


Danilo tem contrato, tem qualidade e tem mercado. Por isso, o Botafogo precisa agir com inteligência.


Se o jogador estiver apenas atravessando uma fase ruim, cabe ao clube ajudá-lo a recuperar o futebol.


Se a comissão técnica entender que ele precisa de mais tempo, banco ou mudança de função, essas decisões precisam ser tomadas.


E se, depois de todas as avaliações, o clube entender que Danilo não faz mais parte do projeto esportivo, uma negociação deverá ser considerada.


O que não pode acontecer é o Botafogo ficar em uma situação indefinida.


A torcida quer o Danilo que conheceu


O torcedor não está cobrando um jogador perfeito.


Está cobrando o Danilo que conheceu.


O jogador intenso.


O volante capaz de marcar, participar da construção e ocupar espaços.


O atleta que ganhou confiança suficiente para chegar à seleção brasileira.


O jogador que despertou interesse do Palmeiras e de clubes europeus.


Esse Danilo ainda existe. Mas precisa aparecer novamente dentro de campo. A resposta precisa vir jogando e essa é a melhor resposta para todas as dúvidas não será dada em entrevistas, nas redes sociais ou em declarações de dirigentes.


Será dada dentro de campo.


Danilo tem a oportunidade de mostrar que a fase ruim é apenas uma passagem.


O Botafogo, por sua vez, tem a obrigação de cobrar.


A negociação com o Palmeiras ficou para trás. A Copa do Mundo também. Agora, existe uma reta final de temporada para disputar e um time que precisa de seus principais jogadores. Danilo não está entregando atualmente o futebol que o Botafogo espera dele.


A partir daqui, cabe ao jogador mostrar que pode voltar ao nível que o levou à seleção brasileira. E cabe ao Botafogo decidir até onde vai sua paciência. Porque jogador nenhum pode ser maior que o clube.


Se Danilo recuperar o futebol, todos ganham. Se não recuperar, o Botafogo terá de tomar uma decisão.


E, se a conclusão for de que o jogador não consegue mais entregar o que o clube precisa, vender pode ser a melhor alternativa. Não por birra. Não por vingança. Não por causa do Palmeiras.


Mas porque, no futebol profissional, talento e valor de mercado precisam caminhar ao lado de desempenho e compromisso dentro de campo.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem