
Gabriel de Alba e João Paulo Magalhães Lins no escritório da GDA LUMA em Nova York em Julho de 2026 - Foto Reprodução: Instagram Estevão Benincá
A GDA Luma, empresa liderada pelo empresário mexicano Gabriel de Alba, prepara uma nova rodada de recursos para o Botafogo nos próximos dias. A expectativa é de um empréstimo superior a US$ 14 milhões (cerca de R$ 72 milhões) para ajudar a SAF e o Botafogo Social a cobrir despesas operacionais e compromissos do dia a dia.
O novo empréstimo ocorrerá em meio à mais nova tentativa de transição societária da SAF, que ainda não foi concluída. Até setembro de 2026, a GDA Luma já havia colocado aproximadamente US$ 50 milhões (cerca de R$ 255 milhões) no projeto, dentro de uma proposta total de US$ 105 milhões (aproximadamente R$ 540 milhões), além da previsão de assumir integralmente o passivo da SAF, estimado em quase R$ 3,5 bilhões.
Segundo informações divulgadas pelo ge, os cerca de US$ 50 milhões já investidos estão divididos em um empréstimo de US$ 25 milhões destinado ao pagamento do transfer ban relacionado à contratação de Thiago Almada, US$ 14,5 milhões aportados em julho e outro depósito de US$ 10,5 milhões. A publicação também informa que há programação para um novo aporte até dezembro.
A GDA Luma começou a atuar financeiramente no Botafogo ainda antes da conclusão da transferência acionária. Em julho, a empresa realizou um depósito de aproximadamente US$ 14,3 milhões, equivalente a cerca de R$ 75 milhões na cotação da época, utilizado para despesas imediatas do clube.
Transferência das ações ainda não foi concluída
Apesar de Gabriel de Alba já participar da condução da SAF e de a GDA Luma ser tratada como a futura controladora, a transferência definitiva das ações ainda está pendente.
De acordo com o ge, existe um acordo vinculante assinado em junho que dá segurança jurídica para a atuação da GDA Luma como nova investidora. O que ainda não foi concluído é a transferência dos 90% das ações que deverão ficar sob controle do grupo de Gabriel de Alba.
A estrutura societária mudou depois que o Botafogo Social acionou o chamado bônus de subscrição previsto no acordo de acionistas. Com a operação, o clube associativo passou a deter 51% das ações da SAF, enquanto a Eagle BidCo ficou com 49%.
A partir dessa nova composição, passou a ser discutida a forma jurídica para levar a GDA Luma ao controle da companhia.
Drag along ou aumento de capital
Dois caminhos estão em discussão entre os departamentos jurídicos envolvidos.
Um deles é o chamado drag along (direito de arrasto), mecanismo pelo qual o acionista majoritário pode, observadas as condições contratuais aplicáveis, exigir que os demais acionistas também vendam suas participações a um determinado comprador.
Nesse modelo, o Botafogo Social poderia transferir sua participação para a GDA Luma e a Eagle BidCo seria obrigada a acompanhar a operação, caso estejam preenchidos os requisitos previstos nos documentos societários.
A outra alternativa é um aumento de capital. Nesse cenário, a entrada de novos recursos pela GDA Luma levaria à emissão de novas ações, ampliando sua participação na SAF e podendo alterar a estrutura de controle.
O ge informou que os advogados do Botafogo e da GDA Luma ainda discutem qual modelo será adotado. A publicação também revelou que os departamentos jurídicos das partes já trabalham em uma nova versão do acordo de acionistas, que substituirá o documento atualmente em vigor.
O acordo original possui 149 páginas e foi elaborado durante a venda da SAF para John Textor, em março de 2022.
John Textor continua envolvido na disputa
A transição para a GDA Luma também ocorre em meio à disputa de John Textor pelo controle da SAF.
Textor foi afastado do comando do Botafogo pelo Tribunal Arbitral da FGV em 23 de Abril, há 5 meses atrás, e passou a contestar judicialmente atos relacionados à estrutura acionária da companhia. Em junho, quando o acordo vinculante com a GDA foi anunciado, o ge informou que Textor havia ingressado com ações no Brasil e nos Estados Unidos para tentar recuperar o comando da SAF.
A disputa envolve justamente a validade e os efeitos das operações que alteraram a composição acionária da SAF, incluindo o acionamento do bônus de subscrição que levou o Botafogo Social aos 51%.
Por isso, embora a GDA Luma já esteja realizando empréstimos e participando da gestão e das decisões do futebol, a transferência definitiva das ações continua dependendo da resolução das questões societárias e jurídicas.
Processo envolvendo Credivalores também está no radar
Outro elemento relacionado à GDA Luma é o processo judicial envolvendo a Credivalores-Crediservicios, empresa financeira colombiana na qual a GDA havia realizado um investimento.
Em maio de 2023, a própria Credivalores anunciou a entrada da GDA Luma como sócia estratégica após um aporte superior a US$ 58 milhões. O comunicado identificava Gabriel de Alba como responsável pela liderança e administração do fundo e de investimentos na financeira colombiana.
Posteriormente, com a insolvência da Credivalores, foi aberta uma ação adversária no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. A petição apresentada em 25 de junho de 2026 lista a GDA Luma Capital Management, LP entre os réus, ao lado de outras empresas e pessoas.
O processo é conduzido pelo administrador judicial da massa de Credivalores, Salvatore LaMonica. A ação busca, entre outras medidas, a recuperação de recursos e ativos, e contém alegações relacionadas a transferências consideradas fraudulentas e outras operações financeiras.
Essas acusações, contudo, ainda estão em disputa judicial e não representam uma decisão definitiva contra a GDA Luma. A existência do processo não equivale, por si só, a uma conclusão judicial de responsabilidade ou fraude por parte da empresa.
O caso ganhou relevância no contexto do Botafogo porque a GDA Luma é, simultaneamente, ré nessa ação nos Estados Unidos e a empresa que negocia a transferência do controle da SAF alvinegra.
GDA já atua na transição antes de assumir oficialmente
Mesmo sem a conclusão da transferência acionária, Gabriel de Alba já passou a participar diretamente do projeto do Botafogo.
O empresário esteve no Rio de Janeiro em agosto, visitou as instalações da SAF e o Estádio Nilton Santos e participou de reuniões com dirigentes. A GDA também passou a ter influência sobre decisões relacionadas ao futebol.
A proposta apresentada pela empresa prevê investimentos totais de US$ 105 milhões, além da assunção das obrigações financeiras previstas na operação. Até setembro, aproximadamente US$ 50 milhões já haviam sido investidos.
Agora, com a previsão de uma nova rodada superior a US$ 14 milhões, a GDA Luma deverá continuar financiando as despesas do Botafogo enquanto as partes discutem a estrutura definitiva da operação.
Paralelamente, os advogados do Botafogo e da GDA seguem trabalhando na nova versão do acordo de acionistas e na definição do mecanismo que permitirá a transferência das ações. A escolha entre drag along e aumento de capital, somada às disputas envolvendo a estrutura societária e às ações judiciais relacionadas a John Textor, permanece no centro da transição que poderá colocar oficialmente Gabriel de Alba no controle da SAF Botafogo. Mas após o caso do empréstimo DIP, que foi dito que foi uma assinatura de compra, tudo pode mudar, e ainda tem a AGE de amanhã 24/9 que pode ter novidades ou não, pois será necessário ter representantes da Cork Gully que é administradora judicial da Eagle BidCo.