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Foto: Vítor Silva/Botafogo |
A disputa pelo controle da SAF do Botafogo pode ganhar novos capítulos caso a GDA Luma, empresa ligada ao empresário Gabriel de Alba, não consiga cumprir os compromissos assumidos na operação de aquisição dos 90% da SAF. Nesse cenário, uma possibilidade que começa a ser considerada, é o retorno de John Textor ao comando do futebol alvinegro, mas em um modelo diferente daquele adotado durante sua gestão passada.
A ideia, seria de Textor permanecer como CEO e responsável pela área esportiva, enquanto investidores com maior capacidade financeira assumiriam um papel mais relevante na administração da SAF.
Os nomes que aparecem nessa possibilidade são os de Evangelos Marinakis, Kia Joorabchian e James Dinan, da Iconic Sports.
A configuração seria particularmente curiosa porque Textor possui uma relação financeira conflituosa com Dinan. A Iconic Sports venceu uma disputa judicial contra o empresário americano relacionada ao investimento feito na Eagle Football, grupo que controlava os ativos de futebol de Textor. O valor da obrigação, com juros e outros encargos, foi reportado em quase US$ 100 milhões (R$ 520 milhões).
Marinakis e Kia já estiveram no radar de Textor
A aproximação entre Textor, Marinakis e Kia não é uma novidade.
Em Maio de 2026, John Charles Textor apresentou uma proposta que envolvia os dois empresários em uma estrutura de financiamento e investimento relacionada ao Botafogo. A ideia previa capital novo para a SAF e mostrava que o americano já buscava dividir com outros investidores o peso financeiro de manter o projeto.
Marinakis, dono de um grupo empresarial com forte atuação no futebol europeu sendo proprietário do Olympiacos, Nottingham Forest e do Rio Ave, tem capacidade financeira para participar de operações de grande porte.
Kia Joorabchian, por sua vez, é um dos empresários mais conhecidos do mercado internacional de futebol e mantém relações com clubes, jogadores e investidores em diferentes mercados.
Uma eventual participação dos dois em uma nova estrutura poderia mudar completamente a posição de Textor.
Ele deixaria de ser necessariamente o principal financiador para assumir uma função mais concentrada no futebol.
Onde entra James ¨Jamie¨ Dinan?
O cenário mais incomum envolve James Dinan.
A Iconic Sports foi uma das empresas que investiram na Eagle Football e posteriormente entrou em conflito com Textor após o fracasso da operação financeira planejada para o grupo.
A Justiça britânica deu decisões favoráveis à Iconic na disputa, criando uma obrigação financeira significativa para Textor.
Por isso, uma eventual participação de Dinan em uma nova estrutura do Botafogo seria, uma possibilidade que pode ocorrer futuramente. Mas não seria tão fácil.
Para que isso acontecesse, seria necessário um acordo entre as partes que poderia envolver a dívida existente, novos investimentos ou algum tipo de reorganização financeira.
Em termos de lógica empresarial, porém, existe um ponto interessante: Textor precisa de capital e a Iconic busca recuperar recursos que colocou na Eagle Football Holdings BidCo.
Uma nova estrutura poderia, em tese, transformar uma relação de credor e devedor em uma relação de investidores.
Caso Credivalores aumenta pressão sobre a GDA Luma
A situação da GDA Luma também pode ser determinante.
O grupo de Gabriel de Alba entrou no Botafogo inicialmente como credor e depois avançou para a aquisição dos 90% da SAF. A operação envolve valores elevados e compromissos financeiros importantes para a continuidade do projeto.
Ao mesmo tempo, à GDA Luma aparecem em uma disputa judicial nos Estados Unidos relacionada ao caso Credivalores.
O processo envolve alegações sobre transferências financeiras consideradas fraudulentas pelo administrador judicial da empresa colombiana. Essas acusações ainda fazem parte de uma disputa judicial e não representam, por si só, uma condenação definitiva contra Gabriel de Alba ou a GDA Luma.
O Botafogo também não é parte da ação.
Ainda assim, qualquer dificuldade judicial ou financeira que comprometa a capacidade da GDA Luma de cumprir os compromissos assumidos pode aumentar a incerteza em torno do futuro da SAF.
E é justamente nesse espaço que uma nova proposta poderia surgir.
Botafogo Social teria capacidade para assumir a SAF?
Outro fator importante é o papel do Botafogo Social.
A associação possui aproximadamente 10% da SAF e está diretamente envolvida na disputa institucional que acompanha a mudança de controle.
Em um cenário extremo no qual a GDA Luma não consiga concluir a operação ou não tenha condições de sustentar financeiramente a SAF, o Botafogo Social poderia se tornar peça importante nas negociações.
Mas existe uma questão prática: administrar uma SAF com elevado passivo exige capital.
A associação poderia ter participação societária e influência política, mas precisaria encontrar uma fonte de financiamento para manter o futebol, pagar compromissos e reorganizar as contas.
É justamente por isso que uma solução envolvendo investidores externos poderia ganhar força.
Como seria o possível novo modelo
Caso essa hipótese avançasse, o desenho poderia ser diferente do modelo que marcou a passagem de Textor pelo clube.
Textor seria o CEO e principal responsável pelo futebol.
Marinakis e Kia poderiam assumir maior participação na estrutura financeira e administrativa.
Dinan, por meio da Iconic Sports, poderia eventualmente participar de uma composição financeira que solucionasse a dívida existente com Textor — embora isso seja, atualmente, apenas uma hipótese.
Na prática, seria uma divisão de funções:
Textor cuidaria do futebol.
Os investidores cuidariam do dinheiro e da governança.
Esse modelo poderia permitir que Textor permanecesse ligado ao Botafogo sem precisar assumir sozinho o peso financeiro da SAF.
Disputa judicial continua sendo determinante
O futuro da SAF, entretanto, ainda depende das disputas judiciais envolvendo a Eagle Football, Textor e os demais interessados na operação.
Uma decisão favorável à GDA Luma consolidaria o caminho para a mudança de controle.
Já eventuais dificuldades para concluir a aquisição poderiam reabrir espaço para alternativas.
Textor, por sua vez, continua tendo interesse direto na manutenção de sua posição no Botafogo.
A diferença é que uma eventual volta não precisaria necessariamente acontecer nos mesmos moldes de 2022.
Em vez de retornar como principal controlador e financiador, Textor poderia aceitar uma estrutura na qual tivesse comando executivo do futebol, mas dividisse o poder econômico com investidores.
Um cenário possível, mas ainda distante de um acordo
Neste momento, não há confirmação pública de uma coalizão formada por Textor, Marinakis, Kia e Dinan para recomprar a SAF do Botafogo.
Também não há confirmação de que a Iconic Sports esteja negociando uma participação no clube.
O que existe são peças que, em uma determinada conjuntura, poderiam se encaixar: um Textor pressionado financeiramente, investidores com capacidade de aportar recursos, uma GDA Luma enfrentando questionamentos judiciais e financeiros e um Botafogo que precisa de estabilidade para administrar seu passivo.
Se a operação com a GDA Luma sofrer um revés, a discussão pode deixar de ser apenas sobre quem terá os 90% da SAF.
Pode passar a ser sobre qual grupo terá condições de colocar dinheiro no Botafogo e qual será o papel de John Textor nessa nova estrutura.
E, nesse cenário, o retorno do americano como CEO, com Marinakis, Kia Joorabchian e eventualmente James Dinan assumindo maior protagonismo financeiro, seria uma possibilidade a ser monitorada — ainda que, por enquanto, esteja no campo das hipóteses.
Liminar em Londres pode definir próximo capítulo da SAF do Botafogo; Textor pode partir para ofensiva contra GDA Luma
Se decisão provisória for mantida após julgamento previsto para setembro, americano pode contestar transferência da SAF e defender que clube corre risco de ficar nas mãos de um controlador sem projeto esportivo
A disputa pelo controle da SAF do Botafogo pode entrar em uma nova fase a partir da segunda quinzena de setembro.
John Textor conseguiu, na Justiça de Londres, uma decisão provisória que impede, neste momento, o avanço de uma eventual transferência das ações da SAF. A medida não representa uma decisão definitiva sobre a propriedade do clube, mas preserva o espaço de manobra do empresário americano enquanto a disputa judicial continua.
Os próximos passos podem ser decisivos.
Caso Textor consiga manter a proteção judicial depois das audiências previstas para os dias 9 a 12 de setembro, uma das possibilidades é que o americano avance para uma nova ofensiva jurídica contra Gabriel de Alba e a GDA Luma.
A tese de Textor, nesse cenário, seria questionar a tentativa de transferência do controle da SAF e sustentar que o Botafogo Associativo estaria permitindo a venda do clube para um controlador que, na visão dele, não apresentaria um projeto esportivo e financeiro capaz de garantir a estabilidade do Botafogo.
Essa seria uma linha argumentativa que Textor poderia adotar, e não uma decisão judicial já tomada.
A defesa de Textor: evitar uma venda sem projeto
O discurso do americano poderia ser construído em torno de uma questão central: não basta encontrar um comprador para a SAF; é preciso encontrar um controlador com capacidade financeira e projeto para o Botafogo.
Nesse argumento, Textor tentaria apresentar sua permanência como uma alternativa de proteção ao clube.
O empresário poderia sustentar que a solução não seria simplesmente transferir os 90% da SAF para um novo proprietário, mas encontrar uma estrutura capaz de garantir capital, governança, pagamento das dívidas e continuidade do projeto esportivo.
E é justamente nesse ponto que aparece uma condição que pode mudar completamente a equação.
Textor sozinho não seria necessariamente a solução
Apesar de continuar reivindicando sua posição no Botafogo, Textor enfrenta um problema evidente: sua própria situação financeira.
A disputa com a Iconic Sports resultou em decisões desfavoráveis ao empresário na Justiça britânica e em uma obrigação financeira de grande porte.
Por isso, uma eventual volta de Textor ao Botafogo dificilmente poderia ser construída sobre a premissa de que ele sozinho colocaria os recursos necessários para recompor a SAF.
O cenário seria diferente se investidores de grande capacidade financeira entrassem junto.
É aí que aparecem nomes como Todd Boehly, Marcelo Claure, Evangelos Marinakis, Kia Joorabchian e James Dinan.
Boehly e Claure podem ser a diferença
Dentro dessa hipótese, uma das possibilidades para viabilizar uma permanência ou retorno de Textor seria a entrada de investidores de peso ao lado de Gabriel de Alba.
O argumento seria simples: se De Alba vier acompanhado de investidores com capacidade financeira e um projeto concreto para o Botafogo, a discussão muda de natureza.
Todd Boehly, que lidera o grupo proprietário do Chelsea, e Marcelo Claure, empresário e investidor com atuação no esporte, são nomes que poderiam representar esse tipo de capacidade financeira.
A eventual entrada dos dois, entretanto, precisa ser tratada como cenário hipotético. Não há confirmação pública de que Boehly ou Claure estejam negociando participação na SAF do Botafogo.
A questão, para Textor, seria menos sobre a identidade de De Alba e mais sobre quem estaria efetivamente por trás do projeto.
O cenário que Textor tentaria evitar
A situação mais delicada para o americano seria a consolidação de uma GDA Luma sem parceiros financeiros capazes de garantir a sustentabilidade da SAF.
Nesse cenário, Textor poderia argumentar que o Botafogo estaria sendo colocado nas mãos de um controlador sem um projeto suficientemente robusto para enfrentar o passivo do clube.
Essa tese poderia ser utilizada tanto politicamente quanto judicialmente.
A mensagem seria:
“Não se trata apenas de quem possui as ações. Trata-se de quem tem condições de administrar o Botafogo.”
A liminar é o primeiro ponto de virada
Por isso, a audiência de setembro pode ser determinante.
Se Textor perder a proteção judicial, o caminho para a consolidação da GDA Luma pode ficar mais aberto.
Se, ao contrário, conseguir manter a liminar ou obter uma decisão que preserve seus direitos sobre as ações, o americano poderá ganhar tempo para estruturar uma nova ofensiva.
E essa ofensiva poderia incluir uma contestação direta à operação envolvendo De Alba.
A partir daí, a disputa deixaria de ser apenas uma briga pelo controle acionário.
Passaria a envolver qual projeto oferece maior segurança financeira e esportiva para o Botafogo.
Uma nova coalizão pode entrar em cena
É nesse contexto que uma possível coalizão ganha relevância.
Textor poderia continuar como CEO e responsável pelo futebol, mas dependeria de investidores para sustentar financeiramente a operação.
Marinakis tem capacidade financeira e experiência no futebol europeu.
Kia Joorabchian possui ampla atuação no mercado internacional.
James Dinan, por meio da Iconic Sports, é justamente o credor que conseguiu decisões favoráveis contra Textor na Justiça britânica.
E Todd Boehly e Marcelo Claure representam, no plano hipotético, outros dois nomes com capacidade para participar de uma operação de grande porte.
Não existe, até o momento, confirmação de que todos esses nomes estejam negociando juntos.
Mas a lógica financeira de uma eventual estrutura seria clara: Textor forneceria liderança esportiva e conhecimento do Botafogo; os investidores forneceriam capital e capacidade de governança.
O Botafogo Associativo também ficaria sob pressão
O Botafogo Associativo teria papel importante nessa equação.
A associação possui participação minoritária na SAF e está diretamente envolvida na disputa pelo futuro do clube.
Se a GDA Luma não conseguir honrar integralmente seus compromissos, o Associativo poderia ser pressionado a encontrar uma alternativa.
Mas existe um problema: o Associativo não dispõe, sozinho, da capacidade financeira necessária para assumir todas as obrigações de uma SAF desse tamanho.
Por isso, qualquer mudança de controle dependeria, na prática, de investidores dispostos a colocar dinheiro novo no projeto.
É justamente esse ponto que pode determinar o futuro do Botafogo.
O dilema de Textor
Textor pode ter chegado a uma conclusão diferente daquela que marcou sua primeira passagem pelo clube.
Para voltar, ele não precisa necessariamente ser o homem que paga a conta.
Pode ser o homem que administra o futebol.
Mas, para isso, precisa convencer investidores de que sua presença é um ativo — e não um passivo — para a nova estrutura.
A entrada de Marinakis e Kia já apareceu anteriormente em propostas relacionadas ao financiamento do projeto.
A aproximação com a Iconic Sports seria muito mais complexa, justamente pela disputa financeira entre Dinan e Textor.
E a eventual participação de Boehly ou Claure poderia representar o capital necessário para dar outra dimensão à operação.
O que pode acontecer depois de setembro
O calendário judicial, portanto, pode ser determinante.
Se Textor mantiver a liminar após os dias 9 a 12 de setembro, ele poderá ganhar espaço para contestar a operação e apresentar uma alternativa para o futuro da SAF.
Uma eventual ação contra Gabriel de Alba e/ou a GDA Luma teria de ser fundamentada juridicamente e, caso ocorra, poderá envolver a alegação de que a operação não garantiria ao Botafogo um projeto financeiro e esportivo adequado.
Mas há outro detalhe importante.
Textor dificilmente teria força para simplesmente recomprar a SAF sozinho.
Para que uma volta seja considerada viável, seria necessário apresentar dinheiro novo, parceiros fortes e uma estrutura de governança diferente.
Nesse sentido, uma composição na qual De Alba só avance acompanhado de nomes como Boehly e Claure poderia ser vista por Textor como uma alternativa menos problemática do que uma transferência para um controlador sem capital ou projeto suficientemente claro.
A terceira via: Cork Gully pode cancelar venda à GDA Luma e buscar outro investidor
Existe ainda uma terceira possibilidade para o futuro da SAF do Botafogo: a Cork Gully, administradora judicial ligada ao processo da Eagle Football, não concluir a venda dos 90% da SAF para a GDA Luma e abrir espaço para outros investidores que teriam demonstrado interesse no ativo.
Entre os nomes que, segundo informações de bastidores, teriam procurado a estrutura responsável pela venda está John Elkann, empresário italiano ligado à Exor e com participação em importantes ativos esportivos.
O contato de Elkann teria ocorrido em 10 de abril de 2026, antes do avanço definitivo da operação envolvendo a GDA Luma. Sendo um elemento importante à disputa: a existência de potenciais compradores além de Gabriel de Alba.
Nesse cenário, a Cork Gully poderia avaliar que uma nova proposta apresenta melhores condições financeiras, maior segurança de execução ou um projeto mais consistente para o Botafogo do que a operação atualmente negociada com a GDA Luma.
A chamada “terceira via” seria, portanto, diferente tanto do retorno de John Textor quanto da consolidação da GDA Luma.
O desenho seria:
Primeira via: GDA Luma conclui a aquisição dos 90% da
A disputa, portanto, pode caminhar para uma pergunta muito mais ampla do que “quem será dono do Botafogo?”.
A questão será:
quem tem dinheiro para sustentar a SAF, quem tem um projeto esportivo de longo prazo e, principalmente, quem estará disposto a colocar esse dinheiro no clube?
Depois de setembro, essa resposta pode começar a aparecer.
