Rodrigo Bellão seguirá por mais tempo como técnico interino do Botafogo. A decisão da diretoria alvinegra considera, principalmente, os resultados obtidos em uma sequência considerada extremamente difícil e a evolução apresentada pela equipe, mesmo sem uma sequência de vitórias no Campeonato Brasileiro Série A 2026.
A permanência do treinador, que inicialmente seria avaliada jogo a jogo, ganhou força depois do empate sem gols contra o Palmeiras, no último domingo 6 de Setembro, no Estádio Nilton Santos. O resultado manteve o Botafogo em uma situação delicada na tabela, mas também reforçou dentro do clube associativo, a avaliação de que Bellão conseguiu fazer o time competir contra adversários de alto nível.
O empate, porém, teve um peso particular para o Botafogo. Na avaliação de parte do ambiente alvinegro, uma derrota poderia ter aumentado a pressão pela saída de Bellão e acelerado a procura por um novo treinador. Ao mesmo tempo, o resultado também ajudou o arquirrival do aterro & da gávea, que assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro: o Palmeiras deixou dois pontos pelo caminho e, com a vitória do Flamengo sobre o Remo, o time alviverde da Barra Funda, acabou perdendo a primeira colocação.
A situação ajuda a explicar por que a diretoria decidiu não fazer uma mudança imediata no comando.
Sequência pesada pesou na decisão
Desde que assumiu interinamente a equipe principal, Bellão passou por uma sequência que o próprio Botafogo já considerava antes mesmo de seus resultados como um dos principais argumentos para dar continuidade ao trabalho.
O treinador comandou o Botafogo na vitória por 1 a 0 sobre o Cienciano, pela Copa Sul-Americana. Apesar da vitória no Estádio Nilton Santos, o time acabou eliminado da competição pelo placar agregado. 6 a 2 pro time peruano.
Depois vieram três adversários que estavam entre os principais colocados do Campeonato Brasileiro: Athletico-PR, Flamengo e Palmeiras.
O Botafogo perdeu por 3 a 2 para o Athletico-PR, em uma partida na qual o clube avaliou que falhas individuais tiveram influência decisiva no resultado. Posteriormente, veio a derrota por 3 a 0 para o Flamengo. Por fim, o time de Bellão empatou por 0 a 0 com o Palmeiras.
A sequência, portanto, terminou sem vitória no Brasileirão, mas diante de adversários considerados de primeira linha na competição.
Essa circunstância já havia sido considerada pela diretoria antes mesmo dos jogos. O planejamento inicial era justamente permitir que Bellão comandasse o time durante a sequência difícil, com uma avaliação baseada não apenas nos resultados, mas também no desempenho e na evolução da equipe.
O empate com o Palmeiras não encerra a discussão
O 0 a 0 diante do Palmeiras não significa que Bellão esteja efetivado como treinador definitivo.
A situação é diferente. O Botafogo decidiu, neste momento, ampliar o prazo do interino enquanto procura uma solução para o cargo.
Internamente, Bellão tem prestígio. O treinador do Sub-20 já era bem avaliado antes de assumir novamente a equipe principal e conta com respaldo dentro de diferentes setores do futebol alvinegro. A comissão técnica permanente montada pelo clube também passou a trabalhar ao lado dele, com Marcelo Salles, o “Fera”, como auxiliar técnico permanente.
A avaliação é de que existe evolução no time e de que não seria simples interromper o trabalho justamente neste momento sem ter um substituto considerado capaz de mudar imediatamente o cenário.
Por isso, a diretoria prefere ganhar tempo.
Mercado por um novo treinador está travado
O Botafogo continua considerando a contratação de um treinador definitivo. A busca, entretanto, não é por qualquer nome.
A ideia é encontrar um profissional de renome internacional ou um brasileiro experiente, capaz de assumir um projeto de maior responsabilidade e enfrentar a pressão existente no clube.
O problema é que o mercado não apresenta, neste momento, uma solução considerada simples.
Por isso, a permanência de Bellão deixou de ser apenas uma alternativa emergencial. Caso não apareça um nome que atenda aos critérios estabelecidos pela diretoria, existe a possibilidade de o treinador permanecer como interino até o fim da temporada.
Essa hipótese, porém, ainda não está definida pois depende alguns fatores externos envolvendo de Alba e até uma volta de Textor.
19 de setembro pode ser uma nova data-chave
O cenário atual aponta para Rodrigo Bellão no comando técnico pelo menos até o dia 19 de setembro, quando o Botafogo enfrentará o Mirassol e depois disto terá 18 dias
Depois dessa partida, a diretoria poderá novamente colocar a situação na mesa e decidir se mantém o treinador ou se acelera a busca por um novo comandante.
Isso significa que Bellão ganhou tempo, mas não recebeu uma garantia de permanência definitiva.
O jogo contra o Mirassol pode funcionar como uma nova fronteira para a avaliação interna. Até lá, resultados, desempenho, evolução do elenco e movimentações no mercado de treinadores poderão modificar novamente o cenário. Antes deste jogo contra o time que joga no Estádio Maião, o Botafogo enfrenta o Red Bull Bragantino e Grêmio.
E há outros fatores externos ao futebol que podem interferir diretamente nessa decisão.
Setembro será decisivo também fora de campo
O futuro de Bellão não está isolado das questões institucionais que envolvem o Botafogo.
Um dos principais pontos de atenção está relacionado a John Textor e à disputa judicial envolvendo o controle das ações da SAF.
Em 12 de agosto, John Textor obteve uma liminar cautelar na Justiça britânica que impediu temporariamente a venda das ações da SAF Botafogo pela Cork Gully LLP administradora judicial da Eagle BidCo. A decisão determinou que a situação fosse novamente analisada em setembro. O retorno ao tribunal está marcado para 9 de setembro.
Dessa forma, entre os dias 9 e 12 de setembro, o Botafogo poderá acompanhar uma série de acontecimentos jurídicos que podem ter impacto no cenário societário do clube.
A questão é particularmente importante porque Textor tenta recuperar o controle das ações da SAF, enquanto a GDA Luma, liderada por Gabriel de Alba, trabalha para concluir a operação que prevê a aquisição do controle da estrutura societária do futebol alvinegro.
O contrato vinculante entre o Botafogo e a GDA Luma foi assinado em junho e prevê a aquisição de 90% da SAF.
Caso Credivalores também entra no cenário
Outro elemento que pode influenciar os acontecimentos de setembro é o caso envolvendo a Credivalores e a GDA Luma.
A GDA Luma aparece como ré em uma ação no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York relacionada ao processo de insolvência da financeira colombiana Credivalores/Crediservicios. A ação envolve alegações de transferência fraudulenta de ativos e outros pedidos de recuperação de valores durante o governo do presidente e ditador Gustavo Petro.
É importante destacar que se trata de alegações apresentadas no processo judicial por Salvatore LaMonica, e ainda não é de uma decisão definitiva estabelecendo responsabilidade ou fraude por parte da GDA Luma.
O caso ganhou importância dentro do contexto da operação envolvendo a SAF justamente porque Gabriel de Alba e a GDA Luma estão no centro da transição de comando do futebol alvinegro, e quando ele esteve no Brasil pela primeira vez no Rio De Janeiro, referente a SAF Botafogo entre 18 de Agosto à 21 de Agosto, ele não pôde assinar o contrato vinculante naquela ocasião.
O Botafogo, por sua vez, já afirmou que acompanha a situação e que, até aquele momento, a ação nos Estados Unidos não comprometia as negociações pela aquisição da SAF ou os investimentos previstos para o futebol até então.
Gabriel de Alba e a necessidade de um Plano B
A outra questão que permanece em aberto é se Gabriel de Alba conseguirá avançar até a assinatura definitiva do contrato e concluir todos os passos necessários para assumir o controle da SAF.
A GDA Luma já passou a participar das decisões e Gabriel de Alba esteve no Rio de Janeiro, reuniu-se com dirigentes, acompanhou atividades do clube e deixou clara a intenção de transformar o Botafogo em um projeto de grande dimensão no futebol das Américas.
Entretanto, diante das questões judiciais e societárias que cercam a operação, permanece no radar a possibilidade de um Plano B usando os amigos Todd Boehly, Marcelo Claure além do Ministro da Cultura e príncipe Saudita Bader Bin Farhan Al Saud neste possível Plano B.
E esse ponto também pode interferir na definição do comando técnico.
Se o cenário societário permanecer indefinido, a tendência é que o clube tenha ainda mais cautela antes de assumir um compromisso de longo prazo com um treinador de renome internacional ou com um brasileiro experiente.
Nesse contexto, Bellão representa uma solução conhecida, de menor ruptura e que permite à diretoria esperar a definição de questões que ultrapassam o campo.
Bellão entre a continuidade e a pressão
O momento do treinador pode ser resumido por uma contradição.
De um lado, Bellão não conseguiu uma vitória no Campeonato Brasileiro durante a sequência mais recente e o Botafogo segue pressionado na tabela. De outro, enfrentou Athletico-PR, Flamengo e Palmeiras, três equipes que estavam no topo da competição, e conseguiu fazer o time competir em uma sequência considerada previamente difícil pela própria diretoria.
A vitória sobre o Cienciano também entrou na avaliação, embora tenha sido insuficiente para evitar a eliminação da Sul-Americana.
Internamente, portanto, a análise não é feita apenas pelo número de pontos conquistados.
A evolução do desempenho, o ambiente do elenco, a confiança no treinador e a dificuldade de encontrar uma alternativa imediata pesam na decisão.
Por isso, o empate contra o Palmeiras acabou tendo um efeito ambíguo.
O resultado não resolveu os problemas do Botafogo, mas também não produziu a pressão necessária para uma troca imediata. Para quem defendia uma mudança no comando, uma derrota poderia ter sido mais útil para acelerar a queda de Bellão.
Agora, o interino ganhou mais alguns dias de trabalho.
Um setembro de decisões e reviravoltas
O Botafogo entra, assim, em um mês de setembro marcado por diferentes frentes simultâneas.
No campo, Rodrigo Bellão ganhou sobrevida e seguirá à frente da equipe. A princípio, o cenário aponta para sua permanência até o confronto com o Mirassol, em 19 de setembro, quando uma nova avaliação poderá ser feita.
Fora de campo, há a disputa de John Textor na Justiça inglesa, com nova etapa prevista para setembro. Há também o caso Credivalores envolvendo a GDA Luma e as questões relacionadas à conclusão da operação liderada por Gabriel de Alba.
E ainda existe a necessidade de definir se o Botafogo conseguirá encontrar um treinador definitivo no mercado ou se continuará apostando em Bellão.
O clube, neste momento, trabalha com todas essas possibilidades ao mesmo tempo.
Rodrigo Bellão, portanto, segue como técnico do Botafogo não porque a busca por um novo comandante tenha sido encerrada, mas porque a diretoria entende que o momento exige cautela, análise e tempo.
Se o mercado não destravar, Bellão poderá chegar ao fim da temporada.
Se surgir um nome considerado ideal, a mudança poderá acontecer.
Se as questões envolvendo Textor, GDA Luma e Gabriel de Alba produzirem novas reviravoltas, o planejamento também poderá mudar.
O fato é que setembro se apresenta como um mês decisivo para o Botafogo em várias frentes — esportiva, técnica, societária e judicial — e cada novo acontecimento poderá alterar novamente o caminho do clube.
