O primeiro Clássico Vovô em 2026 do Botafogo contra o Fluminense, terá Montoro e Savarino estando nos holofotes; O Duelo marca o reencontro do atual e ex-camisa 10 do Botafogo

 
Álvaro Montoro e Jefferson Savarino - Foto/Reprodução


Não tem como dizer que Savarino, não estará no centro das atenções no clássico vovô desta noite entre Botafogo e Fluminense, às 20h30, no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Carioca. Contratado sob enorme expectativa pelo tricolor — em uma negociação que envolveu o envio do volante Wallace Davi ao alvinegro, além de uma compensação financeira —, o venezuelano pode ter a primeira oportunidade como titular justamente contra o ex-clube.


A transferência, no entanto, foi cercada de polêmica. Savarino não desejava deixar o Botafogo e manifestou internamente a vontade de permanecer, mas acabou sendo vendido por decisão da SAF, comandada por John Textor. A diretoria alvinegra optou por negociá-lo, contrariando o desejo do atleta, que vinha de um período vitorioso e consolidado no clube.


No Botafogo, Savarino conquistou os dois principais títulos de sua carreira — a Libertadores e o Brasileirão de 2024 — e alcançou status de ídolo junto à torcida. Agora, defende o rival. O clássico desta noite, de certa forma, sintetiza dois projetos distintos: como o técnico Luis Zubeldía pretende encaixar o venezuelano no Fluminense e como Martín Anselmi tem estruturado o Botafogo sem uma de suas principais referências técnicas recentes.


Elogios a Montoro


Pelo lado alvinegro, a reformulação passa pelo novo camisa 10, o argentino Álvaro Montoro. Apesar dos apenas 18 anos, o jogador já dava sinais na temporada passada de que estava pronto para assumir maior protagonismo — tanto que terminou o ano como titular, enquanto Savarino chegou a ser utilizado como opção no banco em alguns momentos.


Em 2025, Montoro confirmou a aposta: soma um gol e uma assistência nas três partidas disputadas até aqui, além de forte participação na criação e na conclusão das jogadas.


— Montoro tem que jogar como um 10 e correr como um 8. Ele trabalha para isso. É um jogador muito inteligente para entender o jogo. Não é só um jogador bom, é inteligente. É o que todo treinador quer — elogiou Anselmi após a goleada por 4 a 0 sobre o Cruzeiro, na quinta-feira.


Relação com Anselmi e bastidores da saída


Anselmi, inclusive, é personagem central na novela envolvendo Savarino. Ao fechar com o Botafogo, o treinador desejava contar com o venezuelano e chegou a conversar com ele antes do acerto com o Fluminense. Tanto que o relacionou para a estreia do elenco principal, contra o Volta Redonda, no dia 21, pelo Carioca.


Horas antes da partida, porém, precisou retirá-lo da lista ao ser informado do acordo entre os clubes. Posteriormente, Anselmi declarou que não poderia ter no elenco um jogador que “não quer ficar no Botafogo”, frase que gerou incômodo no atleta.



A condução da saída também gerou desgaste. Anselmi desejava contar com Savarino e chegou a conversar com o jogador antes de ele ser negociado. O venezuelano foi relacionado para a estreia do elenco principal no Carioca, contra o Volta Redonda, mas acabou retirado da lista poucas horas antes da partida, após o treinador ser informado do acerto com o Fluminense.


Posteriormente, Anselmi afirmou que não poderia trabalhar com um atleta que “não quer ficar no Botafogo”, declaração que expôs o ruído interno e desagradou Savarino, que se viu colocado como responsável por uma decisão que não partiu dele.


Na apresentação pelo Fluminense, o jogador respondeu de forma direta.


— Estava relacionado para o jogo, estava concentrado. Pela manhã, recebi a última proposta e tive que decidir antes do jogo. Falei com o treinador. Ele falou na coletiva algumas coisas que não tinha que falar, mas deixei tudo claro com ele antes do jogo. Outras coisas vocês têm que perguntar ao Botafogo, porque não posso falar — disse.


A fala reforçou a percepção de que a negociação foi conduzida de cima para baixo, sem transparência e com pouco cuidado na comunicação interna e externa.


‘Vai ser especial’


Novo camisa 11 do Fluminense, Savarino prefere atuar por dentro, como meia, mas também pode jogar pelos lados, com tendência a centralizar as jogadas. Com Lucho Acosta em grande fase e cada vez mais consolidado como o jogador mais avançado do setor ofensivo de Zubeldía, essa pode ser a solução para que ambos atuem juntos.


Independentemente das questões táticas, o duelo marcará o reencontro de Savarino com a torcida alvinegra vestindo outra camisa. Nas redes sociais, muitos torcedores do Botafogo demonstraram compreender que a saída esteve mais ligada a uma decisão da diretoria e de John Textor do que à vontade do jogador.


— Vai ser um jogo muito especial, jogar contra a torcida do Botafogo, que teve um carinho enorme por mim. Eu agradeço por isso. Também foram justos nessa transferência, compreensivos comigo. Vai ser especial. Vou desfrutar. Tento desfrutar de todos os momentos da minha carreira. Será um jogo muito bom. Vou encontrar muitos amigos do Botafogo. Vai ser um momento único — afirmou o camisa 11.

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