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Franclim Carvalho na coletiva após Botafogo 1 x 0 Chapecoense - Foto/Reprodução: Botafogo TV |
O Botafogo saiu na frente da Chapecoense no jogo de ida, da quinta fase da Copa do Brasil com a vitória por 1 a 0, gol de Alex Telles, no Estádio Nilton Santos após a controversa arbitragem de Rodrigo José Pereira De Lima. Esse foi o primeiro jogo desde fevereiro que o time terminou sem sofrer gols.
Acertar o sistema defensivo era uma das missões do treinador português Franclim Carvalho quando foi contratado, há pouco mais de duas semanas. Ele destacou o trabalho coletivo como razão para atingir o objetivo.
Assista abaixo:
— O fato de não sofrermos gol é muito importante. Hoje, só fizemos um gol, como contra o Caracas. Então foi o jogo que fizemos menos gols. Pensamos no time como um todo. Quando não sofremos estão todos de parabéns. E quando fazemos estão todos de parabéns. Estou satisfeito por não termos sofrido gol e ganhado em casa. O resultado no intervalo me parece injusto, mas não acho que há injustiça no futebol. Já deveríamos ter ido para o final do primeiro tempo em vantagem — ressaltou o treinador.
A situação financeira do Botafogo também foi tema da entrevista coletiva depois da partida. Questionado se teme uma debandada de jogadores no meio do ano, já que o clube tem grande dívida e uma situação de incerteza, o português disse não se preocupar.
— Eu já disse que o Botafogo é uma equipe que tem muito jogador desejado, de qualidade. É normal que sejam assediados, pretendidos. É assunto para a diretoria. Sei que até 31 de maio não vai sair ninguém. Depois, vamos ver e resolver. Saem uns, entram outros, isso é normal. Do elenco mais vitorioso da história do Botafogo (2024) estão 11 atletas. Temos que trabalhar com isso — desconversou.
O Botafogo leva a vantagem do empate para o jogo de volta. A igualdade classifica o time para as oitavas de final. Vitória simples da Chapecoense leva a decisão para os pênaltis e dois gols ou mais de vantagem classificam os catarinenses. Veja outras respostas de Franclim Carvalho:
Mudanças no time titular
— Primeiro, porque quem decide sou eu. Nós não temos uma equipe titular, temos um elenco titular. Quando mudamos no jogo da Argentina, eu disse isso. Não estou de acordo com a análise de quem o primeiro tempo foi inferior ao segundo, mas respeito. O adversário quis sempre quebrar o jogo, fazer cêra. O juiz não pode fazer nada, além do que fez, que foi dar tempo extra.
— Acho que poderia dar até mais, mas é decisão dele. Até o apito final, temos que tentar fazer gol. Ainda bem que fizemos aos 90. Enquanto a bola está rolando, vamos buscar. Entendemos, nós da comissão, que era o melhor 11 para começar a partida de hoje e fiquei muito satisfeito com o jogo do Montoro e do Kadir, já disse a eles. Acho que a equipe no primeiro tempo criou oportunidades suficientes para abrir o placar.
Manejo de estrangeiros
— O Santi teve uma situação, por isso ficou de fora. Situação do Villa (Villalba) foi só pelo limite de estrangeiros. Claro que isso nos limita, mas vou ser repetitivo, nós sabemos as regras do jogo. O regulamento defende o jogador local, é importante. Os jogadores sabem que temos essa limitação, e nós tentamos, dependendo do jogo e do rendimento de cada um, trazer os que estão em melhores condições.
Montoro
— Acho que o Montoro tem condições para vir a ser um jogador de elite, ainda não é, tem muita margem. Acho que temos que dar mérito a diretoria por conseguir trazer um jogador desse nível. O Montoro hoje fez uma coisa que eu pedia, que é jogar pra frente. Ele tem muito conforto com a bola, apesar de ter feito 19 aninhos essa semana. Não tem medo. Ele hoje fez isso. Ele, Danilo e Vitinho criaram muito dinâmica no corredor lateral direito, principalmente no segundo tempo. E conseguimos encontrar espaços. Estou satisfeito com o jogo dele.
Neto
— Sobre o Neto, estou satisfeito com o desempenho. Falei isso na Argentina também. O Neto sabe melhor do que nós o que sofreu. Desde fevereiro não passávamos um jogo sem levar gol. Gosto do Raul como goleiro e como pessoa. Estou satisfeito com o Léo Linck também. Nesse momento, entendemos que o Neto está em melhores condições, por isso tem jogado.
Eventuais saídas
— Sobre mercado, eu já disse que o Botafogo é uma equipe que tem muito jogador desejado, de qualidade. É normal que sejam assediados, pretendidos. É assunto para a diretoria. Sei que até 31 de maio não vai sair ninguém. Depois, vamos ver e resolver. Saem uns, entram outros, isso é normal. Do elenco mais vitorioso da história do Botafogo (2024) estão 11 atletas. Temos que trabalhar com isso.
Disputa na zaga
— Gosto muito do Bastos. Os jogadores que estavam em 2024 tinham uma vantagem sobre os outros, porque eu já os conhecia. Não me surpreende o rendimento do Bastos e nem do Ferraresi. O mesmo vale para o Barboza. Esses zagueiros estão à frente dos outros, essa é a verdade. Mas temos joias do bairro para lançar. Qualquer um dos três pode jogar ou ficar fora, hoje ficou o Barboza, pela sequência de jogos.
Prioridade na temporada
— Eu não quero parecer muito monótono nas minhas respostas, mas a prioridade é o jogo contra o Internacional. Nada é mais importante do que isso agora. Falei para eles: descansem com a família, porque depois teremos um jogo muito difícil.
Ideia de jogo
— Eu vou ser sincero. Se tivéssemos feito um gol no primeiro tempo, o resultado seria outro. É a minha opinião. Nós falamos com os atletas da possível alteração de estrutura do adversário. Eu creio que foi a primeira vez do Fábio que jogou com três zagueiros, mas nós da comissão sabíamos que haveria essa possibilidade. Antes do aquecimento ajustamos com os atletas, quando saiu a escalação. Quando atrasaram o lançamento da escalação, vimos que estávamos certos. Estávamos preparados.
— Nós temos um movimento do Montoro no primeiro tempo, um movimento de facão, isso que temos que fazer contra essas equipes, procurar a profundidade, apesar do adversário estar próximo da área, nós não podemos desmontar o adversário atrás de passes, nós temos que trabalhar muito sem a bola. Isso foi o que eu lhes pedi no intervalo, a primeira bola do segundo tempo foi uma bola longa. No primeiro tempo tivemos Junior Santos, Montoro, Kadir a fazer isso. Eu sei que é chato para os centroavantes estar a trabalhar sem a bola, mas muitas vezes abrimos espaço. Hoje conseguimos fazer isso, menos vezes do que eu pretendo, menos vezes do que os jogadores querem, menos vezes do que vamos fazer no futuro. Temos que fazer isso mais vezes, e é isso que vamos fazer.
Nathan Fernandes
— O Nathan machucou na primeira semana. Está fora por causa disso.
Pontaria fraca
— É pouco, temos que acertar mais no gol. Temos que definir melhor. Pensando como equipe, estamos insatisfeitos de ter feito 33 cruzamentos, 19 arremates e só um gol. Trabalhamos muito isso durante a semana. O fato de criarmos as oportunidades nos leva a ficar mais perto do gol. Isso é importante. Eu disse que faríamos muitos gols, e estamos sempre fazendo. Hoje fizemos um.
Evolução
— Os indicativos de melhora tem sido a cada jogo. Eu sou um pouco "chupa limão", estou sempre com cara de insatisfeito. Nós temos muito coisa a melhorar, quando digo isso não é para enganar. Isto passa pelo processo coletivo. Se for olhar para o meu umbigo, vou dizer que nós empatamos com Coritiba e ganhamos da Chapecoense, portanto temos um diferencial de gols positivo. Mas por mim, posso ganhar todos os jogos por 4 a 3, 5 a 4, 6 a 5, se ganharmos os jogos, tá bom pra mim.
— Não ficamos satisfeitos por ser um dos melhores ataques e uma das piores defesas, mas vamos melhorar. É um processo coletivo, o responsabilidade não é só do goleiro, não é só da zaga, começa lá na frente naqueles dois homens. Nós sabemos a causa dos gols com o Coritiba, as causas do gol com a Chapecoense, tentamos trabalhar muito com o vídeo, o tempo é curto. Mas sabemos que não vamos controlar os jogos todos com a bola, como eu já disse, quando temos a bola temos que ser uma equipe. Quando tivemos esse pensamento com a bola como equipe, sem a bola como equipe, vamos melhorar esses números.
Substituto para Gregore
— Se eu fizesse um pedido para fazer à diretoria, seria para não sair ninguém, mas eles não vão conseguir fazer, por isso conto com o olho afiado do Brito e dos outros. Não quero comparar 2024 com 2026. Temos algumas ideias que a comissão em que eu trabalhava tinha, mas tenho outras diferentes. Temos muitos volantes e só jogo com dois. O Allan é diferente do Medina, que pode fazer essa função bem. Huguinho, Newton... Vamos trabalhar com eles. Se quisermos falar de um volante para dar proteção à zaga, já temos três ou quatro opções.
Jogadores assimilarem a ideia
— Eles fazem me sentir bem recebidos (staff), são pessoas que merecem os parabéns todos os dias. Todos os treinadores e as comissões tem a sua ideia, acho que a diferença é o jogador conseguir interpretar isso. Nós temos um elenco muito qualificado. Temos a questão do mercado pra junho, que nós sabemos que temos jogadores que são desejados. Nosso trabalho é juntar as peças e mostrar o caminho.
— Lá dentro tentam desviar e encontram caminhos que não estamos a ver, os jogadores ajudam muito, principalmente os mais velhos, trocamos algumas ideias, isso pra mim é muito importante. Eu sugiro, tenho a minha ideia, as vezes eles não se sentem confortáveis e tentamos chegar em um acordo. Eu acho que da minha mão não tem muito, tem muito das mãos e dos pés dos jogadores e da cabeça, porque eles que entram lá dentro que interpretam e concretizar o que nós pedimos.
Bola parada
— A bola parada é um momento do jogo muito importante. No jogo anterior fizemos um gol de bola parada, o primeiro. Hoje tentamos uma combinação que não deu. Saiu mal, acontece. Depois tivemos mais 5, 6 escanteios, que temos que decidir melhor. Não podemos ter seis homens na área e não tocar na bola. A bola parada no aquecimento, vou ser muito claro e sincero, fazemos a bola parada defensiva no aquecimento porque não temos tempo para treinar.
— Eu não posso treinar tudo em dois treinos, os jogadores que jogaram o jogo anterior só fizeram um treino ontem, não tem tem tempo pra treinar tudo. Não posso ter os jogadores com 28 graus no Lonier, às 11h da manhã, temos que tentar gerir isso. O adversário sabem como nós nos defendemos, porque o adversário também nos estuda. No aquecimento não escondemos nada, só relembrar os jogadores do posicionamento. É mais pela falta de treino. As ofensivas não fazemos no aquecimento.
