Ex-presidente Durcesio Mello, e agora diretor geral da SAF Botafogo, é que negociará com a ARES e faz pronunciamento: ¨Sou 100% SAF, mas Botafogo acima de tudo¨


Durcesio Mello em 2021 - Foto: Vítor Silva/Botafogo



Em um momento de forte turbulência nos bastidores, o Botafogo passa por uma reconfiguração emergencial em sua estrutura administrativa. O afastamento de John Textor, determinado pelo Tribunal Arbitral da FGV ao menos até o dia 29, abriu caminho para que o ex-presidente do clube, Durcesio Mello, assumisse interinamente o cargo de diretor-geral da SAF alvinegra.


A mudança ocorre em um cenário de incertezas financeiras, pressão interna e necessidade urgente de reorganização institucional.


Bastidores: clima no elenco e transição inesperada



Claudio Portella e o ex-bateirista da Banda Tiãs, Chales Gavin no Redação SporTV - Foto Reprodução/SporTV


Antes mesmo de saber que assumiria o cargo, Durcesio esteve no contato direto com o elenco, a pedido do próprio Textor. A informação foi revelada pelo jornalista Claudio Portella no programa Redação SporTV.


Segundo Portella, a presença de Durcesio teve caráter conciliador:


– Trazendo bastidores, um pouquinho antes do programa, eu conversei com o Durcesio Mello, que é agora quem manda no Botafogo, ex-presidente do Botafogo e agora é o diretor-geral da SAF. Ele esteve, antes de saber disso, já com o John Textor, no Botafogo, com os jogadores. Para dar uma força, exatamente porque ele conhece alguns jogadores, o Textor pediu para ele dar uma força, e ele esteve lá e bateu papo, conversou com os jogadores, naquela coisa mais amena, e disse que o clima é bom, só que os jogadores querem saber se vão receber. E o Botafogo se comprometeu a pagar, lá no dia 5, os salários direitinho. Depois disso, segundo ele, meia-noite, meia-noite e meia, que mandaram a ata para ele, o contrato, e ele assumiu, ele topou assumir como diretor-geral, até o dia 29, pode que isso se estenda – iniciou Claudio Portella.


Segundo o jornalista, Durcesio Mello colocou como primeira missão negociar com a Ares Management, principal credora da Eagle Football Holdings Bidco.


– O que ele tem que fazer agora? Ele me disse que o Textor e o João Paulo (Magalhães Lins), que é o atual presidente do Botafogo, o pediram para assumir. Mas eu conversei também, para ouvir os dois lados, com alguém do social, um dos dirigentes do Botafogo social, que disse que a escolha do Durcesio foi única e exclusiva do Textor. O Durcesio diz que não, que tem também o apoio do JP. Quais são as duas principais tarefas dele? Primeiro negociar com a Ares. Ele me disse o seguinte, “a primeira coisa que eu tenho que fazer é negociar com a Ares”. O Textor não tem mais conversa com a Ares, ele estendeu tanto a corda com a Ares, que a Ares não quer o ver pintado de nada. Então, o Durcesio tem uma fama de ser um cara apaziguador, um cara que gosta da conversa, um cara que ouve os dois lados, um cara moderado, então essa para ele é a principal tarefa inicial – explicou.


Outra questão a ser resolvida é a procura por um novo investidor.


– Além disso, o que todo mundo sabe, o Botafogo precisa arrumar um investidor, precisa arrumar dinheiro. A gente sabe que o social trabalha já há algum tempo para tentar trazer investidores com o Textor ou sem o Textor. A verdade é que agora, nesse momento, a bola está com o Durcesio, o Durcesio está assumindo, está tentando entender. Ele foi muito sincero em dizer que ele ainda está um pouco aéreo, está tentando entender a situação, que é muito difícil. E ele diz que tem o apoio do social, embora o social diga que a indicação dele passa única e exclusivamente pelo Textor. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos. A verdade é que o Botafogo é uma incerteza enorme, ninguém sabe o que vai acontecer – encerrou.


“Ele conversou com os jogadores, tentou amenizar o ambiente. O clima é bom, mas existe uma preocupação clara: os atletas querem saber se vão receber.”


A SAF teria se comprometido a regularizar os salários até o dia 5, um ponto sensível que evidencia a crise de fluxo de caixa enfrentada pelo clube. Além disso Portella revelou que as pessoas já não confiam mais nas palavras de John Textor.


A formalização da nova função veio de forma abrupta: já na madrugada, Durcesio recebeu a documentação oficial e aceitou assumir a posição, inicialmente de forma temporária.


Missão imediata: negociar com credores e evitar colapso


O primeiro grande desafio do novo diretor é reabrir diálogo com a Ares Management, principal credora da Eagle Football, grupo de Textor.


Segundo relatos, a relação entre Textor e a Ares está desgastada ao limite:


“Ele (John Textor) esticou tanto a corda que a Ares não quer ver mais o Textor pintado de nada”, destacou Portella o que Durcesio conversou com ele.


Nesse contexto, Durcesio surge como uma figura de perfil moderador — conhecido por sua capacidade de diálogo — e visto como peça-chave para tentar reconstruir pontes e evitar agravamento da crise financeira.


Veja a imagem abaixo:



— Em face de ter assumido uma posição como Diretor Estatutário da SAF BFR, venho através desta renunciar ao meu cargo como Conselheiro no Conselho de Administração da SAF. Assim, solicito ao Clube Associativo designar o novo representante neste conselho — afirmou Durcesio.



Busca por investidores: sobrevivência depende de capital


Outro ponto crítico é a necessidade urgente de novos aportes financeiros. O Botafogo, tanto no âmbito da SAF quanto do clube social, já vinha buscando investidores, mas sem sucesso concreto até o momento.


Agora, com a instabilidade ampliada, essa missão ganha caráter prioritário. A entrada de capital é vista como essencial não apenas para honrar compromissos imediatos, mas também para garantir a continuidade do projeto esportivo.


Divergências internas sobre a escolha


A nomeação de Durcesio também expôs divergências internas. Enquanto ele afirma ter apoio tanto de Textor quanto de João Paulo Magalhães Lins, fontes ligadas ao clube social indicam que a escolha teria sido exclusivamente do empresário Norte-americano.


Essa dualidade reforça a percepção de um ambiente político fragmentado dentro do Botafogo, onde diferentes grupos disputam influência sobre os rumos da SAF.


Renúncia e adequação formal ao cargo


Para assumir a função de diretor-geral, Durcesio renunciou ao cargo de conselheiro no Conselho de Administração da SAF, conforme revelou o “Canal do Manel”. A medida atende às exigências de governança e evita conflitos de interesse.


Na carta de renúncia, ele solicitou ao clube social a indicação de um novo representante para o conselho.


Primeiro pronunciamento: promessa de estabilidade


Em nota oficial divulgada pela SAF, Durcesio falou pela primeira vez após assumir o cargo. O tom foi de cautela e responsabilidade diante do cenário crítico:


— Fui convocado pelo Conselho de Administração da SAF para dar estabilidade neste momento tão crítico, o que muito me honra. Tive a experiência em fazer a transição do Clube para a SAF, venci a Libertadores e o Brasileirão e ajudei a transformar o BFR — disse Durcesio em nota.


O diretor geral interino também afirmou que a rotina do departamento de futebol e do elenco está mantida, e que os atletas têm sido informados sobre o momento extracampo. Antes de ser afastado, John Textor fez uma reunião no CT com o grupo sobre o início da preparação para uma recuperação judicial.


— Os profissionais da SAF seguem normalmente em suas posições, as atividades e rotina do futebol estão preservadas e todos atuando com muita maturidade nesse período. Os atletas estão sendo informados de toda a situação, com transparência e diálogo, e no momento estamos criando as condições para terem foco apenas no jogo de amanhã, contra o Internacional, em Brasília. Vale enfatizar que sou 100% SAF, mas Botafogo acima de tudo — completou Durcesio.

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