Franclim Carvalho em coletiva de apresentação diz que é uma felicidade imensa em voltar ao Botafogo, e planeja time jogando de forma ofensiva (VÍDEO)


Alessandro Brito, Franclim Carvalho e Léo Coelho - Foto: Vítor Silva/Botafogo




No que pode marcar uma virada decisiva para a temporada, o Botafogo de Futebol e Regatas apresentou oficialmente, nesta quarta-feira (8/4), seu novo comandante: o técnico português Franclim Carvalho. O cenário foi o icônico Estádio Nilton Santos — palco que agora se torna o epicentro de uma promessa ambiciosa: restaurar identidade, disciplina e protagonismo com o Botafogo Way (Jeito Botafogo), que até o momento desde a saída de Artur Jorge e os problemas extracampo se tornou uma utopia desde 2025 até o presente momento.


A mensagem foi clara desde o início. Em um momento em que muitos clubes ao redor do mundo enfrentam crises de direção e identidade, Franclim surge com um discurso direto, quase contracorrente ao futebol moderno excessivamente reativo: o Botafogo voltará a assumir o controle.


UMA FILOSOFIA CLARA: O RETORNO DO “BOTAFOGO WAY”


Sem rodeios, Franclim Carvalho apresentou sua visão — e ela vem carregada de convicção.


“O Botafogo Way é um jogo de propósito, um jogo de assumir, de encarar todas as batalhas de frente.”


Para o treinador, trata-se de mais do que tática: é uma mentalidade. Um modelo que privilegia intensidade, sacrifício e, sobretudo, protagonismo com a bola.


Ele foi enfático ao destacar um princípio quase didático:


“Se nós tivermos a bola, garantidamente não vamos sofrer gol.”


A fala ecoa uma visão pragmática e ofensiva — algo que, no cenário atual do futebol, muitas vezes é substituído por sistemas defensivos conservadores. Aqui, a proposta é diferente: dominar para vencer.


UM NOVO TEMPO EM GENERAL SEVERIANO


Franclim não fugiu da realidade: mudanças técnicas acontecem por necessidade. E, segundo ele, o elenco tem problemas — mas também tem qualidade.


“A equipe tem problemas, senão não há mudança técnica. Mas há muito potencial.”


A narrativa é familiar para torcedores que acompanham a volatilidade do futebol global. Trocas constantes de treinadores (“dança das cadeiras”) são comuns, mas poucos chegam com uma mensagem tão estruturada sobre reconstrução.


Desde o primeiro treino, na segunda-feira, o técnico afirma que os jogadores já compraram a ideia. A promessa? Trabalho até o último minuto — ou, como ele mesmo disse, em expressão portuguesa:


“Temos que dar o pedal.”


REENCONTRO COM O CLUBE E CONEXÕES INTERNAS


A volta ao Botafogo tem um componente emocional forte. Franclim já havia trabalhado no clube em 2024 como auxiliar de Artur Jorge — e não escondeu o impacto dessa experiência.


“Foi o lugar onde eu fui mais feliz, pessoal e profissionalmente.”


O retorno também evidencia a importância das relações internas. O treinador destacou o papel dos dirigentes Alessandro Brito e Léo Coelho no processo de negociação, revelando um alinhamento que, em sua visão, será essencial até o fim de seu contrato, previsto para 2027.


GESTÃO DE ELENCO: TODOS CONTAM


Um dos pontos mais simbólicos da coletiva foi a reintegração do goleiro Neto, afastado há meses após falha decisiva no Campeonato Carioca.


Franclim adotou uma postura firme — e inclusiva:


“Nós não podemos ter um recurso parado.”


Para ele, gestão de grupo é simples: todos são necessários. Neto volta ao elenco e passa a disputar posição com nomes como Raul, Léo Linck e Cristhian Loor.


A decisão também reflete um princípio mais amplo: meritocracia baseada em condição física e compromisso, não em histórico recente.


UM RECADO AO FUTEBOL BRASILEIRO


Em um ambiente onde muitos treinadores optam por discursos cautelosos, Franclim Carvalho fez o oposto: prometeu gols, vitórias e, eventualmente, títulos.


“Vamos fazer muitos gols. E os gols vão nos dar vitórias, e as vitórias vão nos dar títulos.”


É uma declaração ousada — especialmente em um futebol brasileiro cada vez mais competitivo e imprevisível.


O QUE ESTÁ EM JOGO


A chegada de Franclim Carvalho não é apenas mais uma troca no banco de reservas. É uma tentativa clara de redefinir identidade, cultura e ambição dentro do Botafogo.


Se o “Botafogo Way” será mais do que um discurso bem articulado, apenas os próximos meses dirão. Mas uma coisa já está estabelecida:


O clube escolheu acreditar em um modelo que privilegia coragem sobre cautela — e isso, por si só, já muda o tom da temporada.




Franclim Carvalho, nesta quarta-feira teve a sua comissão técnica completada, com a chegada de Ricardo Matos que se juntou à Fábio Monteiro, Luís Viegas e Luís Filipe.



Assista a coletiva abaixo:


— É uma felicidade imensa estar aqui. Uma felicidade imensa quando o telefone toca da parte do Botafogo para algum profissional. Tive a felicidade de ser (o profissional escolhido) uma segunda vez. Como disse na chegada, fui escolhido pela segunda vez. Para dar a dimensão do Glorioso, quando o telefone toca... Primeiro, dizemos sim, depois pensamos. Foi um pouco o que aconteceu. Falamos durante um período, criei uma relação com o Brito (Alessandro, diretor de gestão esportiva) profissional que depois nos permite falar de outras coisas — explicou Franclim.


— Fomos falando. A partir do momento que o Botafogo faz contato com um profissional, dizemos que sim, depois pensamos, atraímos a nossa gente. O Luís (Filipe, auxiliar), o Viegas, o Ricardo e o Fábio para nos acompanhar. Sem dúvida nenhuma, para serem abraçados como eu fui em 2024. Foi, até o momento, o lugar onde eu fui mais feliz no lado profissional — acrescentou.


O português, que tem vínculo válido até o fim de 2027, foi regularizado na última terça e já pode estrear como treinador diante do Caracas, na Sul-Americana. O trabalho no Botafogo será o segundo de Franclim como técnico principal de uma equipe; anteriormente, ele já havia desempenhado o posto no Beleneneses, de Portugal. Questionado sobre a motivação para a nova fase da carreira, o português falou sobre o vínculo com o elenco e a torcida.


— Quem passa por esta casa é impossível desligar. Eu passei em 2024, mas acho que se passasse em 2014 seria igual. Não conseguimos nos desconectar da ligação que se cria com as pessoas que trabalham diariamente conosco, e também da envolvência que nossos torcedores criam todas as semanas. Seja aqui no Nilton Santos, em qualquer estádio do Brasil ou da América. Nossos torcedores estão sempre presentes. Acho que essa simbiose que existe entre a gente no dia a dia e depois que tem reflexo no gramado com os torcedores é impossível desconectarmos. Saí daqui, voltei agora, continuei a acompanhar e ter contato com pessoas do Botafogo. Sabia que ia voltar. Estou aqui e é uma gratidão enorme.


Português de 39 anos, Franclim Carvalho chega ao Botafogo para ser o nono técnico da era SAF, sucedendo o demitido Martín Anselmi. Ele já comandou o time em uma única partida de 2024, em vitória sobre o Corinthians, quando o então técnico titular Artur Jorge estava suspenso.


Com a chegada de Franclim, o Botafogo também passou a contar com outros quatro membros na comissão técnica: os auxiliares Luís Filipe e Luís Viega, o preparador de goleiros Ricardo Matos e o preparador físico Fábio Monteiro. O quarteto esteve presente na entrevista coletiva no Nilton Santos.


Outros tópicos da entrevista de Franclim Carvalho:

O que pode tirar do trabalho dos últimos treinadores do Botafogo?

— Eu gosto de respeitar todas as pessoas que trabalham na indústria do futebol, nomeadamente os técnicos, que são colegas de trabalho. É difícil falar do que passou porque não estava presente. Uma coisa é assistir à partida, outra coisa é estar no dia a dia. Eu vejo muito futebol (risos). Sou um apaixonado por futebol, vi muito jogo do Botafogo. Minha ideia de jogo casa perfeitamente com o que é Botafogo hoje. O Botafogo é de propósito, de assumir, de encarar de frente todas as partidas, as batalhas. Um jogo que temos que trabalhar até o último minuto, de sacrifício quando é preciso, e em 2024, tivemos alguns momentos desses. E um jogo que vai culminar com muitas alegrias porque vamos fazer muitos gols, e os gols vão nos dar vitórias que, sem dúvida, vão nos dar títulos.


Ambiente na chegada ao Botafogo:

— Muita saudade. Eu disse há pouco que mantive contato com muitas pessoas, não só com atletas. Com roupeiros, médicos e diretoria. Nós criamos relação. As pessoas aqui nos abraçam, nos fazem sentir em casa. Nós defendemos esse escudo, mas ele nos acrescenta. Eu visitei o Brasil há seis ou oito meses e falei com muita gente do Botafogo. Muitos fizeram questão de estar comigo. Esse é o reflexo da minha sensação e das pessoas. Eu vou usar uma expressão que vocês usam muito, que é puxa saco. Eu não abraço o Brito, o Léo ou o Vinicius para puxar o saco. Abraço porque gosto deles e sei que eles gostam de mim e tinha muita saudade deles. Estou muito feliz de estar aqui e sei que as pessoas estão felizes por eu estar aqui. As pessoas todas do Botafogo. Essa saudade estava presente, ainda não deu para matar toda porque tem sido tudo muito apressado. Vai se combatendo nesses dias e vai ter reflexo na felicidade final.


Textor te ligou? Como foi o processo para volta?

— Esse processo vou ser sempre direto convosco, como quero ser sempre. Eu já estava em Portugal, já estava decidido em não acompanhar os meus antigos colegas, nomeadamente o Artur (Jorge). Tivemos uma caminhada de muito sucesso, temos uma relação pessoal muito estreita. Foram muitos anos juntos com o Artur, com João Cardoso e com o Tiago (Lopes). Custou muito tomar essa decisão de não acompanhá-los porque sou uma pessoa de relação, e a nossa era muito próxima. E aí, o meu caminho estava traçado. Tinha decidido, obviamente, que queria seguir a carreira de técnico principal. Quando se dá a situação da outra comissão de sair do Catar, eu resolvo regressar a Portugal. Graças a Deus, tive muito convite enquanto acompanhava a outra comissão e declinei sempre porque gosto de ser leal às pessoas que são leais comigo. E sou grato por toda a vida, dei minha contribuição, mas serei grato por toda a vida.


— E aí, em Portugal, falei com esses dois senhores (Léo Coelho e Alessandro Brito), fomos estreitando conversas e relações e chegando a entendimento, envolvendo os temas. Depois, falei com o John (Textor), sim. Mas eu acho que o mais importante é que o Botafogo tem suas ideias muito claras, tem estrutura muito bem definida e linha orientadora de pensamento. Nós sabemos onde queremos chegar, o caminho para chegar lá e, sem dúvida nenhuma, que vamos chegar, com a estreita colaboração do John, do Léo e do Brito e todo o estafe, nós sabemos onde vamos chegar.


Volta do Neto

— O Neto tendo a possibilidade de integrar o elenco, tem que estar. Porque temos que contar com todos. Estando em condições físicas, que está, não podemos esquecer que ele não compete há algum tempo, mas está apto fisicamente. Tem que integrar o elenco. Conto com o Neto, o Raul, o Léo, o Christian. Isso que me fez integrar o Neto. Não podemos ter um recurso e ele ficar parado. Está integrado ao elenco, é um atleta como os outros. Estará disponível assim que entendermos para integrar os 11, ir para o banco ou ficar na arquibancada como o restante dos atletas.


Trabalho prévio com Artur Jorge:

— O que podemos encontrar que vai coincidir ao que eu estava anteriormente integrado, obviamente que há muita coisa que trazemos que era apresentada. Porque quando as pessoas trabalham em equipe há ideias que nós pegamos. Depois temos algumas ideias pessoais. Assim será, a partir de amanhã já vai se ver algumas coisas diferentes.


Chance de "voar solo" como treinador:

— Acho que minha visão é mais coletiva. Óbvio que a palavra final é do treinador, mas trouxe quatro profissionais para trabalhar diretamente comigo porque confio neles. Tem pessoas da estrutura do clube que eu conheço e quis que integrassem a comissão técnica. Obviamente que a decisão final é minha, cada cabeça sua sentença. Nós tínhamos uma relação estreita antes, é a que eu crio com as pessoas que trabalham comigo. Dois são amigos pessoais há muitos anos e que estão aqui pela competência. Os outros dois conheço há menos tempo, mas também reconheço a competência.


O que nos vai destacar não é só o trabalho anterior, é esse ambiente de colaboração e cooperação. A responsabilidade será minha e o rosto passa a ser eu. Eu gosto de responsabilidade e sempre gostei. Gosto de defender e proteger os meus. Se tivermos que dar proteção aos jogadores, à diretoria, vamos dar. Gosto pouco de falar no eu, mais no nós. Quando as coisas correrem menos bem, prefiro falar no eu. Quando nós ganharmos, prefiro que sejam eles todos a ganhar. Minha felicidade está na alegria dessas pessoas.


Como foi a conversa com a Artur Jorge sobre a volta do Botafogo?

— Não tive oportunidade de falar com o Artur. Ele já fez duas partidas desde que cheguei aqui. Tive duas sessões de treinos e tive mais de 50 reuniões, não sei (risos). É normal que não tenhamos tempo. Deixei mensagem, mas ainda não falamos no telefone, vamos falar certamente. Acredito que ele esteja feliz, assim como meus ex-colegas, porque eles sabiam da minha intenção e são meus amigos, para além de ex-colegas. E, obviamente, compartilhamos a felicidade dos nossos amigos.


Contribuição para melhorar o ambiente:

— Tenho falado muito em felicidade. Porque falamos em "tempos difíceis" do Botafogo, os tempos são. O Botafogo é um clube vencedor. Em 2024, ganhou dois títulos, os mais importantes do Brasil. Só falhou na Copa (do Brasil). É normal que depois de tanto sucesso, o que vem a seguir, se não for igual, seja tempo conturbado. A felicidade que eu tenho e todos os atletas, desde o primeiro minuto, apresentaram conosco, é a felicidade que nós queremos apresentar em campo. Há pontos que não abdicamos.


— O Botafogo, internamente, tem sete parâmetros que nos guiam a todas as pessoas que trabalham no clube. Entre eles, está a coragem. Temos que ser muitos corajosos, não só em dias de jogo, mas todos os dias. Está o trabalho em equipe, precisamos fazer muito, desde o torcedor, que conto desde o primeiro minuto contra o Caracas no Nilton Santos, até a diretoria, que tem estado bem próxima de nós e vai estar até o fim, desde a Mayara, ao Adriano, que tem 30 anos de Botafogo e tem uma felicidade enorme de se apresentar aqui todos os dias. São esses exemplos que temos que pegar para o trabalho em equipe.


— Depois, os jogadores, são os que apresentam o trabalho lá dentro, são os mais visíveis. Este elenco tem muita qualidade, é muito invejado. Tem muito jogador que é muito cobiçado e outros que gostariam de estar com essa camisa. Essa é nossa felicidade é mesmo essa: ter este elenco de qualidade, este ambiente internamente e atletas que sejam cobiçados que outros clubes gostariam de contar poque fazem diferença lá dentro.


Responsabilidade de dar entrevista:

— Como disse há pouco, a questão da responsabilidade eu sempre gostei de assumir desde cedo. Gosto dessa responsabilidade. Quando era auxiliar eu já assumia. Não me escondo quando as coisas correm mal, e também não gosto de estar na linha de frente quando correm bem. Prefiro estar quando correm menos bem. Essa responsabilidade sempre esteve intrínseca. Estar aqui [dando entrevista] é um protocolo. Claro que cada cabeça é sua sentença. É diferente estar comunicando com vocês, querer passar uma mensagem e ter esta possibilidade. O técnico, de todos os clubes do mundo, o funcionário que mais fala para fora. Não é o presidente, diretoria, scout, médico. É o técnico. Que fala duas ou três vezes. É o mensageiro do processo todo. Eu gosto dessa responsabilidade, quero ter ela. Sinto que estou preparado para ela há algum tempo.


Diferenças de 2024 para 2026:

— Sinceramente, encontrei nenhuma. A única diferença é que já conheço os cantos da casa, conheço todo mundo. Isto é um fator diferencial e facilitador. O tempo urge, não temos tempo. A verdade é essa. Conhecer a casa e as pessoas ajuda muito. Conhecer 11 atletas e 11 pessoas, porque os atletas são pessoas e é importante conhecer a personalidade e o perfil de cada um. Isso é uma vantagem gigantesca e pesou na nossa decisão. A diferença que encontrei de 2024 para 2026 é essa. Em 2024, tivemos duas conquistas muito grandes. Quando nós sentimos o sabor de um doce, queremos repetir. Quando experimentamos dois títulos de Libertadores e Brasileiro, nós vamos querer repetir e passa por toda a gente. Isso corre no sangue. Tanto a mim quanto do Léo e do Brito. Claro que a exigência é ainda maior.


— Eu disse na chegada que, no domingo, começava uma nova vida, uma nova era. Essa é a mensagem que eu tenho passado e que os jogadores abraçaram desde o primeiro minuto do treino na segunda-feira. A equipe tem problemas, normal. Todas do mundo têm. O elenco tem muita qualidade. Reconhecemos e vamos potencializar o elenco, porque há muito. E depois no fim vamos fazer contas e ver qual foi a resposta de todos os jogadores, tanto no processo defensivo quanto no ofensivo. O Botafogo hoje é um jogo de propósito, e é o que vamos fazer. Quando não temos a bola é que sofremos gol. É o que vamos apresentar.


Escolha da comissão técnica:

— Como eu disse, eles tem uma vantagem porque eu era auxiliar e sei como eles se sentem. Eu gostava de ser reconhecido e eles sabem que vão ser por mim. Eu tinha essa ideia e pensava há muito tempo. Eles sabiam da minha intenção. Tínhamos um timing para dar início ao nosso processo que se antecipou em dois ou três meses. Estamos perfeitamente preparados. Luis Felipe é meu auxiliar direto, da organização defensiva. O Luiz Viegas é quem faz a ligação com o gabinete de análise e as bolas paradas. Ricardo Matos é o preparador de goleiros e o Fábio o preparador físico. Essas quatro pessoas foram respeitadas e acolhidas como eu. Espero que façam o mesmo com as outras pessoas como fiz. Nossa cara é diferente, mas nossa linha de pensamento é a mesma.


O que mudou na estrutura do Botafogo desde 2024?

— Mudou muito para melhor. Tanto aqui quanto no CT. Temos uma área de recovery de excelência. Top mundial. Peguei ali no Lonier a fase de transição para a nova academia, novos gabinetes, já estava com uma melhora muito grande. Agora tem condições de excelência. Ainda vamos ter uma fase 3 e 4 de melhoria de condições. Espero ser eu a estreá-las. Deu uma melhorada muito grande tanto no CT quanto a aqui. Acho que as pessoas que trabalham aqui gostam de abraçar e se sentir abraçadas, portanto temos que dar condições a essas pessoas para trabalhar. É isso que o Botafogo tem feito, principalmente desde que eu estive aqui. Porque o nível de infraestrutura está muito melhor do que quando eu cheguei em abril de 2024.


Existe desvantagem de ser o técnico mais jovem do futebol brasileiro?

— Acho que os técnicos precisam ter paixão. Nós temos técnicos que tem 70 anos, que estão na ativa, como Jorge Jesus, já teve no Brasil e vive de forma intensa. E há técnicos com 39, como o meu caso. Temos que começar em algum momento. Todos técnicos de sucesso começaram em algum momento. José Mourinho começou cedo, Guardiola começou cedo na segunda equipe do Barcelona. O Filipe Luís começou cedo. Nós entendemos que era o momento para eu começar. Vantagens ou desvantagens, eu acho que amanhã temos uma vantagem porque o adversário não sabe a nossa forma de pensar e atuar. Mas isto, hoje em dia, com as ferramentas que existem, as vantagens são poucas.


— É o jogo do gato e do rato. Temos que encontrar formas de ferir adversário e não ser ferido. Sobre ser o técnico mais jovem: tenho essa paixão de técnico, fiz muito jogo na primeira liga portuguesa, no Brasil fiz muito jogo em oito meses. A idade é um número, assim como para os atletas. Se for um jogador de 18 ou 19 anos que sinto que está preparado, vai lá para dentro. E se for um de 35 ou 36, dá igual. Claro que as vivências nos trazem experiências. Não posso dizer que um técnico como Renato Gaúcho, com 700 jogos no Brasileiro, não tenha vantagem sobre mim. Mas já tive muita vivência. Tenho essa vantagem de ter começado cedo. A vantagem da idade pode ser por aí. Não sabia dessa estatística. Tomara que no fim seja o técnico mais jovem com mais número de pontos (risos).


Ansioso pela estreia na beira do campo?

— Eu sinceramente não estou nada ansioso para amnahã. Estava mais ansioso para chegar ao Rio, porque disse ao Brito que não temos tempo. Tinha que chegar a trabalhar. Para amanhã não, estou tranquilo. Temos poucas sessões de trabalho para apresentar amanhã a nossa ideia. Dizemso sempre que a equipe está me desenvolvimento. Vou chegar em novembro e dizer que falta mais alguma coisa. Porque isso é volátil. Temos que estar sempre a alterar, preparar e melhorar. Amanhã espero que quem brilhe sejam os torcedores fora e os atletas dentro. Para podermos sorrir aqui.


Conversa com Artur na final da Libertadores após a expulsão de Gregore:

— Estava tentando fazer meu trabalho. Porque acho que os auxiliares temos que ajudar o treinador. Porque ele está na beira do campo vivendo o jogo, é normal que nós na segunda linha estejamos com a cabeça fria. Nosso trabalho enquanto auxiliares é propor ao treinador. Foi isso que lhes pedi. Eles têm essa liberdade, quero que façam isso. Depois a decisão é sempre do técnico. Naquele momento foi o que eu fiz. Era a minha função. Eu e meus três colegas tínhamos essa abertura por parte do Artur e depois a decisão foi dele. Sei que isso tem sido muito falado. Correu bem, ganhamos e isso foi o mais importante. Fico feliz de ter colaborado, não só nesse momento, mas em todos que vivemos juntos.


Resgate de 2024:

— Vamos ter que fazer um acordo entre nós de deixar de falar em 2024 e falar de 2026. Eu vou responder tudo. Vocês vão chegar a esse momento. Temos que ganhar para vocês começarem a falar de 2026. De 2024, quero resgatar esse ambiente que temos internamente. É o que eu quero resgatar e ter aqui presente todos os dias. Foi o que disse a todos desde o primeiro momento. Esse sentimento de partilha, pertencimento e família. Se existiu em 2024, que posso testemunhar porque estava presente, é isso que quero presente todos os dias em 2026 e 2027.


Responsabilidade do treinador:

— A responsabilidade do treinador será sempre total, seja na vitória ou na derrota. Gosto de ter essa responsabilidade. Não gosto de passar à frente quando nós ganhamos, gosto de assumir a responsabilidade quando não se corre bem ou perdemos. É aí que é preciso assumir a responsabilidade, e ela será minha.


Sonhos na carreira:

— Meu objetivo principal é vencer com a camisa do Botafogo. Não podemos pensar aqui onde vamos estar daqui um mês ou dez temporadas. É para isso que viemos, que deixamos a família em Portugal, é para isso que alguns se desvincularam dos clubes onde estavam. Viemos para vencer, para dar ferramentas aos atletas para eles concretizarem o sucesso. Viemos para vencer. Quero ser reconhecido como treinador como fui até aqui, apesar de ter sido auxiliar, e manter essas relações pessoais com todas as pessoas, não só com os atletas. Gosto muito dessas proximidades. Quando somos sinceros e não andamos aqui a tapar o sol com a peneira e esconder, os jogadores e as pessoas que estão aqui aceitam exigências. E nós somos exigentes.


— Desde o primeiro minuto, os jogadores sentiram nossa exigência. Ontem, vi os dois jogadores que foram apresentados que falaram na exigência. Somos exigentes, não muito nem pouco. Quando temos essa relação de sinceridade e lealdade, não tenho dúvidas, não sabendo se estarei aqui, em Portugal ou no Catar, sei que vou falar com muitos elementos que vão trabalhar comigo. É o que quero deixar enquanto treinador. Entramos aqui nesse estádio, vemos essas fotos bonitos, é o legado que qualquer profissional do futebol quer deixar, que é o título conquistado. O Brito falou que 2024 foi marcante, mas nós podemos resumir isto a duas ou três finais, foi marcante o processo todo. Só que se não tivéssemos aquelas conquistas, teria uma mancha. E não queremos manchas, queremos a estrela solitária a brilhar. E, para a estrela brilhar, precisamos de títulos.


Oportunidade como treinador principal:

— Acredito que sim. Porque vamos ter tempo para trabalhar. Toda a gente que está envolvida no processo sabe que precisamos de tempo e não temos. Aqui, sim, podemos dizer que vai ser meu primeiro trabalho como técnico principal. Vocês já perceberam todos, se não perceberam vão perceber, que estou preparadíssimo e motivado para tal. Conto com estas pessoas que estão aqui, com o apoio dos torcedores, não só amanhã, mas sempre. Com a dedicação do elenco que vão demonstrar até o final todos os dias. Com o apoio do John, do associativo e todos. É tempo de nós engatarmos em um dos parâmetros que o Botafogo quer seguir, que é o trabalho em equipe. Vamos para a luta, enfrentar quem vier. O inimigo não está dentro do Botafogo, está lá fora. São os outros times, seja no Brasil ou na América do Sul. Estão lá fora. Temos que agregar, nos juntar todos.


— Sei que todo mundo quer ganhar, mas temos que seguir este caminho. Está traçado por quem dirige em concordância comigo. Sabemos onde estamos, para onde queremos ir. Eu enquanto técnico principal me sinto lisonjeado de estrear pelo Botafogo porque é um lugar invejável. É uma cadeira muito pesada. Sei que muitos técnicos no mundo gostariam de estar aqui no meu lugar. Portanto agora é minha vez de mostrar trabalho e apresentar resultados.


Elenco com muitos estrangeiros:

— A Sul-Americana não pode ser oportunidade para ninguém. Sul-Americana é para ganhar porque somos uma equipe com peso e com história. Amanhã, não podemos pensar: "vamos rodar o elenco por não ter limite de estrangeiros". Não, amanhã temos que pensar: "vamos ganhar". Se é com 9 estrangeiros lá dentro, com 2 ou 10, não sei, amanhã vamos ver. Nós temos que ganhar. Sobre a questão (de limite de estrangeiros nas competições nacionais), é a regra, não posso fugir dela. Temos que trabalhar em cima do que é regulamentado.


— Vamos colocar atletas estrangeiros que poderão estar no bom momento. Se houver dois atletas da mesma posição, terei que optar. Neste caso, os brasileiros têm vantagem nessas duas competições (Brasileiro e Copa do Brasil). A regra eu concordo porque temos que desenvolver o produto nacional. Sou estrangeiro, portanto ainda bem que não tem isso para técnicos (risos). Mas o atleta estrangeiro vem porque são desejados e interessam vir para o Brasil, nesse caso para o Botafogo. Mas o atleta brasileiro é defendido por quem decide, nesse caso a CBF, e muito bem, no meu entender.


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