![]() |
André Rizek, Junior, Carlos Eduardo Lino e Paulo César Vasconcellos na edição de hoje do Seleção SporTV - Foto: SporTV/Reprodução |
O Botafogo Social não tem nem mais sequer a capacidade de escolher ou ter poder de veto sobre a venda da SAF do clube. A informação é do jornalista André Rizek, apresentador do “Seleção SporTV“, nesta quarta-feira (15/4).
Assista ao trecho abaixo:
André Rizek no Seleção, confirmou que Durcesio Mello foi cúmplice desta perda de controle do clube associativo durante a assinatura do contrato. A Cork Gully conseguiu colocar a SAF Botafogo à venda no Financial Times,sem precisar de nenhum veto,do Social ou de Textor.
— Gazeta Botafogo ⭐📰 (@agazetabotafogo) April 15, 2026
🎥 SporTV pic.twitter.com/3ZajHLtzyK
– Vimos ontem que a nova administradora (Cork Gully) da Eagle (BidCo), que é a dona do conglomerado da qual faz parte o Botafogo, colocou um anúncio no Financial Times, anunciando para quem quiser comprar a SAF do Botafogo, a SAF do Lyon. Esse é um assunto que me carece de mais apuração, de mais explicação, mas para mim é mais um elemento de uma história que eu já venho apurando há um tempo, de que o Botafogo, infelizmente, perdeu o controle de para quem a SAF vai ser vendida. Quando a administradora se sente confortável para anunciar uma SAF sem a anuência do clube associativo, para mim isso é só mais um capítulo de algo que é muito grave, que é você perder o controle de quem vai ser o seu dono – disse Rizek.
O jornalista deu mais detalhe de sua apuração e contou a visão do clube associativo.
– No ano passado, eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio Mello, que era o presidente do clube associativo à época da venda por John Textor. E quando, primeiro, o Textor compra o Botafogo, depois monta um conglomerado, ele tem que fazer o Botafogo assinar um documento, que o dono não é mais ele, John Textor, e sim uma empresa, a Eagle, que foi criada. E eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio, segundo o qual estava escrito ali, o Botafogo abria a mão da cláusula inicial, da primeira venda, de que caso houvesse uma revenda da SAF, ele, Botafogo, teria o poder de veto. Pelo menos esse era o entendimento que o corpo jurídico da Eagle tinha. O Botafogo abriu mão de decidir para quem vai ser vendida a SAF – iniciou.
– Cumprindo meu papel de repórter, eu fui consultar o Botafogo. É isso mesmo? Vocês concordam com esse entendimento daquilo que está assinado? O Botafogo, “não, isso não é bem assim. Isso foi só para aquela situação específica”. Quem tem razão? Isso aí provavelmente vai para a justiça. Não sou eu que vou dizer aqui que a Eagle está falando que ela tem razão ou que o Botafogo tem razão. O que aconteceu ontem, para mim, é só mais um capítulo de que quem hoje é dono do conglomerado se sente confortável de vender o Botafogo para quem ele quiser, sem o clube associativo poder dizer, “não, isso aqui não, eu tenho poder de veto”. No mínimo, isso vai para a Justiça. Para a justiça decidir quem é que tem o poder – acrescentou.
O Botafogo segue com John Textor no comando da SAF, mas vive situação delicada nos bastidores. O clube social não fala a mesma língua do empresário norte-americano, tenta afastá-lo e não apresenta soluções. A Ares, principal credora da Eagle, é outra parte interessada.
Em crise societária e financeira, o clube vive situação delicada. E quem deveria proteger não é capaz de ter ações concretas. Essa é a opinião do comentarista Paulo Cesar Vasconcellos, no programa “Seleção SporTV”.
– O que me surpreende, não me surpreende, mas o que me chama muita atenção nessa história é essa incapacidade de ação do lado social, da direção do Botafogo social. Há um ano, o John Textor vem empilhando mitomanias, ele é um mitômano. E você percebe, pelo outro lado, que a direção do Botafogo social não consegue fazer rigorosamente nada. Inclusive, o presidente do clube (João Paulo Magalhães Lins) falou que o Botafogo não vai morrer. Não é sobre isso que está se discutindo, não é essa a discussão. A discussão é o seguinte: e o senhor como representante principal do associativo, o que o senhor, ao longo dos últimos 12 meses de 2025 e desses quatro meses de 2026, o que o senhor tem feito? Nada – criticou PC Vasconcellos.
Para o comentarista, o prejuízo fica com o clube e com a torcida.
– Sabe quem é que está pagando? Quem paga essa conta é o clube, porque é como se ele estivesse margeado de um lado por um mitômano, que é o John Textor, e do outro lado por incapazes do ponto de vista da gestão. E como isso está se refletindo? É óbvio que isso se reflete no ambiente do time de futebol e transforma o Botafogo, e impacta também no comparecimento do seu torcedor. Esse torcedor do Botafogo que foi capaz, ao longo do século XXI, de atravessar o deserto e manter o Botafogo vivo, tem se afastado dos estádios. Você vê a média de público do Botafogo no Campeonato Brasileiro, é absolutamente incompatível com a média de público dos campeonatos recentes, 25, 24 e 23 e 22, quando ele virou SAF. Porque esse torcedor, há um ano só lê notícia ruim sobre o Botafogo. Ele não lê uma notícia boa. Agora, o Textor é a parte mais visível daqui. Mas essa incapacidade do Botafogo social, de quem está lá, não pode ser ignorada – cutucou.
