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John Charles Textor no Estádio Nilton Santos em 2023 - Foto: Vítor Silva/Botafogo |
Eram 11h00 da manhã no Estádio Nilton Santos, John Textor estava lá, usando aquele boné azul, de praxe, na sua cabeça; mas a primeira Assembleia não foi como ele achou que seria, pois faltaram peças fundamentais para que a Assembleia Geral Extraordinária pudesse ter ocorrido, conforme antecipou o GLOBO.
A tentativa de avançar em decisões urgentes sobre o futuro financeiro do Botafogo acabou esvaziada nesta segunda-feira (20). A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada por John Textor, presencialmente no Estádio Nilton Santos, não atingiu o quórum necessário e acabou sendo transformada, na prática, em uma simples reunião. O encontro foi oficialmente adiado para a próxima segunda-feira, dia 27 de abril.
A ausência de representantes da Cork Gully, administradora da Eagle Holdings BidCo, foi determinante para o adiamento, já que a falta exige que a assembleia ocorra em segunda chamada. Além disso, acionistas ligados à Eagle Holdings BidCo e à Ares também não compareceram, o que esvaziou ainda mais o encontro, descrito por presentes como um momento informal, em que Textor expôs ideias e relatos sem possibilidade de deliberação efetiva.
O empresário Norte-americano havia convocado a AGE com o objetivo de que “os acionistas decidam, com urgência, como lidar com as necessidades de capitalização do clube”, conforme comunicado divulgado previamente. Durante a reunião, ele apresentou uma carta-proposta que prevê um investimento de US$ 25 milhões (cerca de R$ 128,5 milhões), estruturado como aporte de capital próprio (equity). Nesse modelo, a SAF do Botafogo receberia os recursos em troca da emissão de novas ações para as empresas GDA LUMA e Hutton Capital.
Pelo desenho atual, o clube associativo manteria os 10% que possui da SAF. No entanto, como acionista minoritário, o Botafogo social precisa aprovar qualquer mudança societária e a emissão de novas ações — algo que ainda não ocorreu. A proposta também menciona uma empresa sediada nas Ilhas Cayman, indicando que os US$ 25 milhões representariam apenas a primeira parcela de um investimento obrigatório maior.
O contexto financeiro do clube aumenta a pressão por decisões rápidas. Na última semana, o Botafogo sofreu um Transfer Ban nacional após o não pagamento de uma parcela de um plano coletivo de refinanciamento de dívidas. A punição foi aplicada pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), impedindo o registro de novos atletas por seis meses.
Outro ponto relevante foi a ausência do próprio Botafogo associativo na reunião desta segunda-feira 20 de Abril de 2026. O clube social optou por não comparecer ao encontro. Segundo pessoas ligadas à diretoria do clube social, a decisão faz parte de uma estratégia: ganhar mais tempo para que o cenário esteja mais claro e haja propostas mais concretas a serem debatidas na próxima semana.
O edital de convocação da AGE registra os seguintes pontos de discussão na ordem do dia 20/4:
Aprovação do aumento do capital social da SAF no valor de R$ 125 milhões, mediante a emissão de "novas ações ordinárias da Classe B, todas nominativas e sem valor nominal, a serem totalmente subscritas e integralizadas" pela Eagle Football Group, empresa nas Ilhas Cayman, "resguardando-se, ainda, os direitos do Botafogo Futebol e Regatas";
Caso o aumento de capital seja aprovado, "consignar, nos termos do artigo 171 e seguintes da Lei das Sociedades por Ações, a renúncia pelos atuais acionistas da Companhia de seu direito de preferência na subscrição de ações do aumento de capital acima previsto";
Ratificar a aprovação do empréstimo recebido, no início de fevereiro, pela GDA Luma, utilizado para para quitar as pendências relacionadas ao Transfer Ban;
Deliberação sobre outras formas de aportes sugeridas pelos acionistas da SAF.
Com isso, o que deveria ser uma assembleia decisiva acabou se tornando um encontro sem poder deliberativo — descrito por alguns como um “bate-papo” de causos conduzido por Textor. A expectativa agora se volta para o dia 27, quando, em segunda convocação, a reunião poderá ocorrer independentemente do número de presentes, aumentando as chances de decisões efetivas sobre o futuro financeiro e societário do clube.
