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General Severiano, sede do Botafogo - Foto/Reprodução |
A Eagle Holdings Bidco, sócia majoritária da SAF Botafogo, protocolou nesta segunda-feira (25/5) uma série de petições na Justiça para suspender os processos em curso, após um acordo de cessar-fogo com o clube social. A informação é do “Blog do Diogo Dantas”, do jornal “O Globo”. O objetivo é sinalizar ao mercado o fim temporário do litígio e pavimentar a revenda da SAF para a GDA Luma, de Gabriel de Alba, considerada a favorita pela Eagle.
Nas negociações, a SAF do Botafogo deverá reportar qualquer ação à Eagle Bidco. Caso haja alguma movimentação diferente do que foi acordado pelo clube social, o acordo pode ser suspenso a qualquer momento. O processo de recuperação judicial segue em andamento.
Suspensão de processos e manutenção da Recuperação Judicial
Segundo o blog apurou, o acordo vai durar o tempo necessário para a venda e tem como objetivo sinalizar ao mercado de uma vez por todas que o litígio, por enquanto, se encerrou. Por isso, as execuções entre as partes no Tribunal de Justiça do Rio, no tribunal arbitral da Fundação Getúlio Vargas e no Superior Tribunal Federal serão interrompidas. Apenas o processo de Recuperação Judicial seguirá em andamento.
Com o acordo, o CEO da SAF, Enrique Iglesias, será mantido, mas precisará reportar as ações ao sócio majoritário, a Eagle Bidco/Cork Gully/Ares. Caso qualquer movimentação seja feita diferentemente do acordado pelo clube social, o acordo pode ser suspenso a qualquer momento.
Aporte imediato de recursos e crise financeira
A trégua entre as partes e a sinalização de acordo entre os sócios da SAF prevê, ainda, um aporte imediato de recursos para que o futebol possa andar, já que os relatos dão conta de que não há dinheiro para honrar os compromissos com os jogadores.
Inclusive, durante as negociações pelo acordo, tanto do lado do clube social como da Eagle Bidco houve reclamações sobre John Textor, por ter deixado o Botafogo chegar à situação que está. Textor chegou a ensaiar uma proposta pela compra da SAF, mas nesse momento é considerado carta fora do baralho.
GDA Luma como compradora preferencial
Ainda de acordo com o blog, a Eagle enxerga a GDA Luma como preferida para se tornar a nova acionista da SAF. A holding, dona de 90% da SAF, pretende finalizar a venda para o fundo de Gabriel de Alba durante a Copa do Mundo de 2026.
Como credor da SAF, a GDA agora tem caminho livre para ter sua proposta aprovada e possui a preferência da Eagle Bidco, sócio majoritário. A GDA Luma possui escritórios nas cidades de Nova York/NY e Miami/Flórida, nos EUA. Isso é importante para todos os trâmites, incluindo com a Ares Management Corporation, que tem a sua sede mundial em Los Angeles/Califórnia — cidade onde o Botafogo jogou dois jogos pelo Super Mundial 2025. A Ares ainda possui outros 11 escritórios pela América do Norte, e outros na Europa e Ásia. É um fundo de investimentos muito forte, porém não buscou tomar a frente na gestão do Botafogo, apenas buscou a saída de Textor. Por isso surgiu a GDA Luma e outros investidores interessados.
Outras propostas na mesa
Além da GDA Luma, há outras propostas em disputa: John Textor + Marinakis/FuboTV, um fundo do Texas, um grupo multiclubes europeu, John Elkann (EXOR/Stellantis), Iconic Sports, Juca Abdalla e Sheik Moe Al Thani.
Próximos passos: acordo com o Lyon e prazo até meados de julho
A próxima etapa a partir daí será buscar um acordo com o Lyon, da França. A SAF tem ações contra o clube francês e vice-versa, em relação a negociações de jogadores da rede multiclubes da Eagle Football Holdings BidCo. O Botafogo associativo planeja resolver a questão societária da SAF até o final da pausa do calendário brasileiro para a Copa do Mundo, em meados de julho.
O "armistício" e a estrutura de saída da Eagle
O acordo de pacificação foi conseguido por João Paulo Magalhães Lins, presidente do clube social, junto de JP Conte, da Genstar Capital e ex-membro do conselho da Eagle Holdings BidCo, tratado como "armistício" pelos dirigentes, com a Eagle/Ares. As partes concordaram em retirar as brigas na Justiça, o que deve destravar uma eventual revenda da SAF para a GDA Luma.
armistício = acordo que suspende temporariamente as hostilidades entre os lados envolvidos numa luta, disputa ou guerra; trégua, indúcias.
A Eagle, que tem a Ares como credora e a Cork Gully LLP como administradora judicial, ainda detém 90% das ações da SAF do Botafogo.
Como a Eagle pode deixar a SAF do Botafogo?
A estrutura discutida prevê a devolução de 90% da SAF ao clube associativo. Na prática, a Eagle Football Group (ligada ao Lyon) deixaria o projeto. Para isso, a Eagle receberia cerca de € 25 milhões (R$ 147 milhões) via financiamento DIP (usado em recuperação judicial para dar segurança e capital de giro).
A lógica do acordo é financeira: a Eagle sairia para se livrar de uma dívida estimada em quase R$ 2 bilhões da SAF do Botafogo. Esse passivo passaria ao novo investidor, a GDA Luma.
