Em um movimento que eleva ainda mais a temperatura nos bastidores da SAF do Botafogo, a Eagle Football Holdings Bidco apresentou uma ofensiva jurídica ampla e agressiva para retomar o controle do clube. A iniciativa surge após o grupo perder seus poderes políticos por decisão do juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do TJ-RJ, em 28 de abril de 2026, e representa uma tentativa direta de remover John Textor e Durcesio Mello do comando da SAF de forma total.
Administrada judicialmente pela empresa britânica Cork Gully, a Eagle BidCo protocolou na última segunda-feira (4/5) uma petição de 48 páginas e 211 itens na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro na qual a ESPN do Brasil teve acesso. No documento, ao qual veículos de imprensa tiveram acesso, o grupo não economiza nas palavras: acusa Textor de liderar um “golpe travestido de salvação” ao conduzir o pedido de recuperação judicial da SAF e classifica a situação como resultado de uma “urgência fabricada” baseada em um “manifesto terrorista infundado”.
Acusações centrais: ilegalidade e manipulação
O cerne da argumentação da Eagle está na alegação de que Textor teria agido fora dos limites legais e societários. Um dos pontos mais sensíveis envolve a suposta utilização de ações da própria holding como garantia em processos judiciais sem autorização formal do grupo — o que, segundo os advogados, seria ilegal.
Além disso, a petição sustenta que, mesmo após seu afastamento formal determinado pelo Tribunal Arbitral, Textor continua exercendo influência direta na gestão do clube. O documento menciona, inclusive, que o empresário viajou para Brasília-DF, onde assistiu Botafogo x Internacional, no Estádio Mané Garrincha; e tal viagem ocorreu com a delegação do elenco do Botafogo e funcionários, participado de atividades relacionadas ao Campeonato Brasileiro, o que reforça a tese de atuação nos bastidores.
Venda de jogadores sob suspeita
Outro elemento de peso na ação é a acusação de que decisões esportivas vêm sendo tomadas à revelia da Eagle. A negociação envolvendo o zagueiro Alexander Barboza, citado como exemplo no processo, foi anexada por meio de reportagens que indicariam movimentações conduzidas sem o aval da holding.
Segundo os advogados, essas operações estariam sendo realizadas por Durcesio Mello, seguindo um planejamento previamente estabelecido por Textor, o que configuraria desrespeito direto à estrutura societária vigente.
O papel de Durcesio Mello
A nomeação de Durcesio é um dos principais alvos da contestação. A Eagle afirma que sua indicação para a diretoria da SAF é “nula de pleno direito” e viola frontalmente as decisões arbitrais que afastaram Textor.
O documento vai além ao questionar a legitimidade e as motivações da escolha. Segundo a holding, Durcesio — que anteriormente integrava o Conselho de Administração indicado pelo clube associativo — teria se tornado um aliado próximo de Textor ao longo do tempo, passando a defender prioritariamente seus interesses.
A petição também afirma que sua renúncia ao conselho para assumir o cargo executivo ocorreu por instrução direta de Textor, caracterizando uma manobra para manter o controle indireto da SAF. Para a Eagle, trata-se de uma estratégia deliberada para “manipular a companhia” e sustentar decisões alinhadas a interesses pessoais.
Questionamento da Justiça e pedidos
Em um movimento mais amplo, a Eagle também contesta a competência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para julgar questões societárias da SAF do Botafogo. O grupo defende que decisões como a retirada de seus poderes políticos e a nomeação de Durcesio não deveriam ter sido tomadas nesse foro.
Com isso, a holding solicita:
A anulação de todas as decisões judiciais contrárias à Eagle
A extinção do processo sem julgamento do mérito
A revogação da decisão que retirou seus direitos políticos
A remoção imediata de Durcesio Mello do cargo
O reconhecimento da incompetência do TJ-RJ para julgar o caso
A petição agora aguarda análise da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Até lá, o cenário permanece indefinido — com o Botafogo vivendo simultaneamente uma temporada esportiva e uma batalha institucional que pode mudar os rumos do clube.
