Em entrevista no bola da vez da ESPN, Gregore diz que falta de projeto e transparência na gestão de Textor, fizeram Marlon Freitas e Alexander Barboza saírem do Botafogo (VÍDEO)


Gregore no Bola da Vez da ESPN - Foto Reprodução/ESPN do Brasil


Ex-volante alvinegro relembra conquistas históricas pelo clube e afirma que ex-companheiros mereciam tratamento mais claro antes das transferências para o Palmeiras. Um dos personagens mais marcantes da temporada histórica do Botafogo em 2024, Gregore voltou aos holofotes neste sábado ao participar do programa Bola da Vez, da ESPN. Atualmente no Al Rayyan, do Qatar, o volante abordou diversos temas relacionados ao momento vivido pelo clube carioca e não evitou comentar duas das movimentações mais debatidas entre os torcedores alvinegros: as transferências de Marlon Freitas e Alexander Barboza para o Palmeiras.


Conhecido por sua franqueza dentro e fora de campo, Gregore demonstrou respeito às decisões tomadas pelos ex-companheiros, mas apontou que o processo poderia ter sido conduzido de maneira diferente pela diretoria botafoguense. Segundo ele, faltou transparência na relação do clube com os dois atletas, que tiveram papel fundamental em uma das fases mais vitoriosas da história recente da equipe.


A participação do volante no programa foi cercada de expectativa justamente pelo peso que seu nome carrega entre os torcedores do Botafogo. Em 2024, Gregore protagonizou momentos decisivos que o eternizaram na memória alvinegra. Na final da CONMEBOL Libertadores, foi expulso com apenas 30 segundos de partida, em um lance que marcou a decisão continental. Apesar da adversidade, o Botafogo conseguiu superar o cenário desfavorável e conquistou o título inédito da competição.


Pouco tempo depois, o volante voltaria a ser decisivo em outra conquista histórica. Foi dele o gol que confirmou a vitória sobre o São Paulo e ajudou a selar o tricampeonato brasileiro do clube, encerrando uma temporada considerada por muitos como a mais importante da era moderna do Botafogo.


Defesa dos ex-companheiros


Durante a entrevista, Gregore demonstrou conhecimento dos bastidores envolvendo Marlon Freitas e Alexander Barboza. Ambos eram peças importantes do elenco campeão e exerciam liderança dentro do grupo. Marlon, inclusive, carregava a braçadeira de capitão em diversos momentos da temporada.


Ao analisar as saídas da dupla para o Palmeiras, o volante ressaltou que entende a frustração de parte da torcida, que via nos dois jogadores símbolos do ciclo vencedor. Ainda assim, destacou que os atletas mereciam mais clareza sobre os planos do clube para o futuro.


Na avaliação de Gregore, o reconhecimento pelo que ambos entregaram em campo deveria ter sido acompanhado por uma comunicação mais direta e transparente durante as negociações. O volante sugeriu que situações dessa natureza exigem sensibilidade da gestão, principalmente quando envolvem jogadores que participaram diretamente da conquista dos principais títulos da história recente da instituição.


Legado de uma geração campeã


As declarações ganham relevância porque partem de alguém que viveu intensamente a transformação do Botafogo em protagonista do futebol sul-americano. Gregore, Marlon Freitas e Alexander Barboza formaram a espinha dorsal de uma equipe que encerrou décadas de espera por grandes conquistas nacionais e internacionais.


O volante destacou que o grupo construído naquele período foi marcado pela união e pelo comprometimento coletivo, fatores que ajudaram a equipe a superar momentos de pressão extrema ao longo da temporada. Por isso, vê com naturalidade que decisões envolvendo integrantes daquele elenco despertem forte repercussão entre os torcedores.


Carreira no Qatar e vínculo com o Botafogo


Mesmo atuando atualmente no futebol do Qatar, Gregore mantém forte ligação emocional com o Botafogo. O jogador acompanha o dia a dia do clube e continua sendo uma das vozes mais respeitadas entre os torcedores alvinegros, especialmente pelo papel desempenhado nas campanhas vitoriosas de 2024.


Sua participação no Bola da Vez reforçou essa conexão. Ao comentar temas delicados envolvendo o futuro do clube e de ex-companheiros, o volante procurou equilibrar críticas e reconhecimento, deixando claro que sua análise não estava direcionada às escolhas dos atletas, mas à forma como o processo teria sido conduzido.


As declarações prometem repercutir entre os botafoguenses, especialmente em um momento em que o clube busca manter o nível competitivo após a saída de jogadores importantes da equipe que conquistou a América e o Campeonato Brasileiro.


O episódio do Bola da Vez com Gregore foi exibido neste sábado, às 21h (horário de Brasília), com transmissão pela ESPN e pelo Disney+ Premium.


Assista abaixo:



– Fico meio triste pela maneira que o Marlon Freitas saiu. Ele passa em momento difícil em 2023, em 2024 ele é o nosso capitão, acaba tendo falas que não sei se no momento ele se equivocou e acabou trazendo um transtorno muito grande para essa transferência. Acredito que se ele tivesse um projeto bom no Botafogo ele não sairia. A gente ouve entrevistas do Barboza também falando que foi forçado ou algo do tipo a sair. Acredito também que se tem um projeto ali e ele acredita na transparência do que estão passando para ele, ele fica no clube – iniciou Gregore.


– É difícil para nós, atletas. Chega um clube como o Palmeiras, demonstra interesse, o Abel deve ter ligado para os dois, um clube que sempre está brigando por títulos, chega uma proposta… não vai mexer com o atleta, é muito difícil. Foi uma combinação de fatores que fizeram essas transferências acontecerem. Acho que não teve essa transparência de apresentar um projeto para ambos, e o Palmeiras chegou muito forte para levar os caras. Se eu estou em uma empresa que não está trazendo transparência em um projeto futuro para mim e a outra está querendo que eu vá e lá vou brigar por títulos, lá tem um grupo muito forte”… É complicado, é uma decisão pessoal – completou.


Com as vendas de Marlon Freitas e Barboza, o Botafogo recebeu cerca de R$ 55 milhões do Palmeiras. O zagueiro ainda não estreou pelo novo clube, já que a janela de transferências só reabre depois da Copa do Mundo, na segunda quinzena de julho.

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