Cork Gully trava venda da SAF do Botafogo para a GDA LUMA, ao exigir perdão de dívida de R$ 148 milhões do Lyon, além de pagamento de R$ 31 milhões à advogados interligados com Textor e a Eagle BidCo


Foto: Arthur Barreto/Botafogo

A negociação para a transferência do controle da SAF do Botafogo para a GDA Luma enfrenta um novo obstáculo. A Cork Gully LLP, administradora judicial da Eagle Football Holdings BidCo, condicionou a conclusão da operação ao perdão de uma dívida de aproximadamente € 25 milhões de euros, (R$ 148 milhões) que o Lyon possui com o clube carioca, além de exigir o pagamento de cerca de US$ 6 milhões de dólares, (R$ 31 milhões) referentes a honorários advocatícios contratados durante a gestão de John Textor.


As informações foram divulgadas pelo Canal do Manel e revelam que as novas exigências atrasaram a assinatura definitiva da operação, embora as partes envolvidas permaneçam confiantes de que o negócio será concluído.


Perdão de dívida de R$ 148 milhões é principal entrave


O principal ponto de conflito envolve uma dívida de aproximadamente R$ 148 milhões que o Lyon possui com o Botafogo. A Cork Gully, responsável pela administração dos ativos da Eagle Football durante o processo de reestruturação do grupo, quer que o clube brasileiro abra mão desse crédito para liberar a transferência das ações da SAF para a GDA Luma.


A proposta, no entanto, encontra forte resistência dentro do Botafogo.


Segundo as informações divulgadas, o clube pretende manter integralmente o direito de cobrar os valores devidos pelo Lyon e não aceita renunciar ao crédito. O entendimento interno é de que a dívida representa um ativo importante da instituição e que qualquer perdão causaria prejuízo ao patrimônio do clube.


Botafogo promete recorrer à Justiça


A posição mais firme veio do presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães Lins.


De acordo com o Canal do Manel, o dirigente não concordou com a proposta de perdão da dívida e defende que o clube preserve seus direitos. O Botafogo possui os títulos de crédito referentes aos valores devidos pelo Lyon e, caso não haja acordo, pretende buscar o recebimento na Justiça.


A estratégia demonstra que o clube não pretende flexibilizar sua posição apenas para acelerar a conclusão da venda da SAF.


Cobrança de R$ 31 milhões em honorários também gera impasse


Além da questão envolvendo o Lyon, outro fator passou a dificultar a conclusão da operação.


A Cork Gully também exige que o Botafogo arque com aproximadamente R$ 31 milhões em despesas jurídicas referentes a advogados contratados por John Textor e pela própria Eagle Football durante o processo de reestruturação empresarial.


Segundo o Canal do Manel, Gabriel de Alba, sócio-diretor da GDA Luma, não aceita assumir esse custo adicional.


A cobrança surpreendeu tanto os representantes do Botafogo quanto os investidores da GDA Luma, tornando as negociações mais complexas nas últimas semanas.


GDA Luma mantém confiança na conclusão do negócio


Apesar dos novos obstáculos, o ambiente entre os envolvidos continua sendo de otimismo.


As partes entendem que a negociação pode demandar mais tempo, mas seguem trabalhando para encontrar uma solução que permita a transferência definitiva das ações da SAF atualmente pertencentes à Eagle Bidco, empresa administrada pela Cork Gully.


Esse é o último passo formal para que a GDA Luma assuma oficialmente o controle acionário da SAF do Botafogo.


Novo investidor já atua nos bastidores


Mesmo sem a conclusão jurídica da operação, a GDA Luma já vem participando da gestão do Botafogo nos bastidores.


Segundo as informações divulgadas, o grupo já realizou aportes financeiros destinados ao pagamento de despesas consideradas urgentes, ajudando na manutenção das operações do clube enquanto a transferência societária não é oficialmente concluída.


Esse movimento demonstra que, apesar da demora na assinatura dos documentos, existe um alinhamento entre Botafogo e GDA Luma para garantir a continuidade das atividades da SAF.


Negociação segue aberta


A expectativa permanece voltada para uma solução que permita destravar a operação sem que o Botafogo abra mão dos créditos que possui contra o Lyon ou assuma custos considerados indevidos pelos novos investidores.


Enquanto isso, a Cork Gully mantém as exigências como condição para finalizar a transferência das ações, prolongando uma negociação considerada estratégica para o futuro da SAF alvinegra.


Embora o cronograma inicial tenha sofrido atraso, tanto o Botafogo quanto a GDA Luma seguem confiantes de que a operação será concluída, ainda que seja necessário ampliar o prazo das negociações para resolver todos os pontos pendentes.

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