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Franclim Carvalho na área técnico em Botafogo x Remo - Foto: Vítor Silva/Botafogo |
O técnico Franclim Carvalho lamentou sua primeira derrota no comando do Botafogo, sofrida para o Remo, neste sábado, no estádio Nilton Santos, pelo Brasileirão. A equipe da casa começou bem, com um gol nos primeiro minutos, mas caiu de produção e sofreu a virada nos acréscimos.
Assista a coletiva abaixo:
— No primeiro tempo, poderíamos ter feito mais gols. Tivemos chances de fazer o 2 a 0. Mas não conseguimos controlar o jogo com a bola no segundo tempo. Não podemos não fazer nenhum chute ao gol do adversário. Há uma junção - da falta de concretização e das transições defensivas. Quando Allan sentiu, poderia ter colocado um volante. Optei por ter mais um atacante porque o empate não nos satisfazia. Tínhamos 6 jogadores na área adversária, porque queríamos ganhar o jogo. Tínhamos 4 contra 3 na defesa. Parece-me que o aspecto anímico pesou. Acho que junta as duas coisas, o primeiro tempo que não concretizamos, e o segundo tempo que nos expusemos.
Logo aos 13 minutos do primeiro tempo, Ferraresi abriu o placar em jogada na área. O Botafogo continuou bem e teve chances claras desperdiçadas por Kadir ao longo da primeira etapa. Aos poucos, porém, o Remo conseguiu encaixar contra-ataques, e encontrou muitos espaços na defesa.
No segundo tempo, o time não conseguiu manter a mesma intensidade no campo de ataque e, mesmo assim, continuou a ceder espaços na zaga.
Em negociação com o Palmeiras, o zagueiro Barboza nem sequer foi relacionado para enfrentar o Remo. Questionado sobre a situação do jogador, Franclim projetou seu retorno para o próximo confronto, diante do Racing, na quarta-feira, pela Sul-Americana.
— O Barboza é um homem e tem que ser tratado como tal, olho no olho. Tivemos uma conversa com o Barboza ontem. Todos sabemos que há uma possibilidade (de sair). Hoje, treinou com os não relacionados. Depois de amanhã treinará normal e, na quarta-feira, conto com o Barboza, obviamente.
Veja outras respostas do treinador:
Atuação do Kadir
— Hoje foi, entendemos que foi o momento. Na quarta-feira vamos ver. Gosto de atacantes com as características do Kadir. É um menino que está a aprender e em crescimento muito rápido. Temos que ter paciência, está longe de ser um jogador feito. Ele joga com o desgaste da defesa e cria oportunidades. Temos que ter calma. Estava bem no jogo, mas precisávamos de mais gente por dentro para criar, por isso continuamos com o Cabral. Ele não saiu pelo rendimento, e sim por como olhamos para o jogo.
Gestão do time
— Eu não posso pensar em gestão de minutos quando ganho de 1 a 0. Não posso, temos mais minutos pela frente. Tenho que controlar o jogo que estamos a jogar. A opinião é unânime aqui que tivemos chances para criar e fazer mais. No segundo tempo, não senti isso isso desde o minuto 1. Tentei aos 63 ter dois jogadores mais experientes. O Allan pelo meio e o Marçal porque estavam atacando muito ali. Aos 85, se eu tivesse ganhando de 3 a 0, pensaria nisso. Mas com 1 a 0 com mais 30 minutos não posso pensar nisso.
Proposta de jogo
— Nós temos uma ideia de propor o jogo, controlar o jogo com a bola. Sofremos um primeiro gol em que tínhamos superioridade numérica atrás. Há um cruzamento que o Bastos acaba desviando para o adversário, um lance que estava controlado. O segundo gol, nós estávamos com quatro contra três. Eu acho que estamos mais equilibrados defensivamente, é a minha opinião. Quando tentamos controlar o jogo com a bola, é normal que estejamos mais expostos para as transições de adversários como esses. Temos jogadores de trás que são rápidos, podem recuperar. Sofremos dois gols de transições, mas é um processo coletivo com e sem a bola.
Diferenças na Sul-Americana e no Brasileirão
— São duas competições completamente diferentes. Estamos falando de uma competição longa, que acaba em dezembro. Não podemos ficar em euforia porque estávamos sete jogos sem perder e nem desesperados porque perdemos um jogo. Temos que ser serenos. Nem tudo estava bem, e eu frizava. Hoje, nem tudo está mal. No primeiro tempo, o Botafogo, vocês disseram, amassou o Remo. E poderíamos ter decidido o jogo. Sabemos que fizemos coisas mal, como já estávamos fazendo. Assim como fizemos coisas boas. Estamos desapontados com o resultado. Mas temos um jogo em atraso e muito Brasileiro pela frente. Estamos no nosso caminho.
Atuação do Allan
— Não tenha dúvidas que o Allan é muito mais experiente que Medina. Portanto, se formos olhar só para experiência, Medina não jogaria nunca, só o Allan jogaria. O Medina estava bem, mas precisávamos estancar. O Allan tem essa experiência que você citou, com essa sensibilidade de ditar o jogo. Temos quatro empates, mas hoje preferia ter empatado que perdido. Se a nossa equipe recebe todos esses seus elogios ofensivamente, precisamos fazer mais gols. Não podemos fazer só um gol. Não foi o que aconteceu hoje.
Entrada do Corrêa e vaias
— Os jogadores são todos importantes. Quando olhamos para o jogo e temos os atletas à disposição, conhecemos as características. Não coloco porque gosto mais ou menos ou porque a torcida pede. Não podemos gerir a equipe de fora para dentro. Estou aqui para tomar decisões. É o meu papel. Quem decide sou eu, sou eu quem trabalho com os jogadores. O Allan se machucou, estávamos com o empate e tentamos arriscar. Optamos por colocar o Tucu pela questão da estatura. Teve dois lances que não definiu tão bem. O Tucu sempre teve poucos minutos comigo. Não é fácil entrar e fazer a diferença em 10, 15 minutos. Ele tem que conquistar espaço e tem trabalhado para isso.
Testes na base
— Experimentar? Não podemos experimentar (a base) nada. Nós estamos no Botafogo. Porque se experimentarmos, aquele senhor chega e fala: "vai te embora". Eu não tenho tempo para experimentar. Nós temos que ganhar jogos. Foi o que nos sacrificou hoje. Não podemos experimentar nada. Sobre o segundo tempo, fizemos zero chutes no alvo. O meu Botafogo não pode fazer isso. Tivemos muitas bolas que cruzaram a área, é verdade, mas não fizemos nenhum chute a gol. Tivemos 60% de posse de bola no segundo tempo, eles com menos fizeram 10 finalizações. Isso que temos que mudar. Não é o jogador A, B ou C. Com as substituições, procuramos ter mais a bola. Mas não tivemos a agressividade ofensiva. Temos que encontrar o equilíbrio. Edenilson, Matheus e Montoro têm que ser agressivos na frente. Não só eles. Não se trata de opções, se trata do equilíbrio da equipe. Com o falso controle do jogo, não conseguimos ameaçar o adversário. Não quero isso. Isso me diz nada. Quero controlar o jogo no campo do adversário, mas sem essas transições para os adversários. Temos que trabalhar em cima disso.
