O futebol brasileiro decidiu adiar a adoção do sistema de impedimento semiautomático (SAOT | Semi-Automated Offside Technology, na sigla em inglês), após um debate entre os clubes da Série A que terminou sem consenso sobre o início da operação da tecnologia antes de sua implementação completa em todos os estádios.
A maioria das equipes optou por aguardar a conclusão da instalação do sistema em todas as arenas, decisão que foi acatada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com isso, a previsão é de que o SAOT só passe a ser utilizado de forma oficial a partir do segundo semestre da temporada, quando todos os estádios já estiverem devidamente equipados e testados.
Instalação ainda em andamento
Segundo o cronograma atual, a última instalação ocorreu no Estádio do Mangueirão, em Belém no Estado do Pará, mas ainda restam etapas importantes de testes e validação operacional.
Entre os estádios que já receberam o sistema estão:
Estádio do Maracanã, Estádio Beira-Rio, Neo Química Arena, Allianz Parque, Estádio Couto Pereira, Arena da Baixada, Estádio São Januário, Arena Condá, Arena MRV e Arena do Grêmio.
Ainda faltam receber o sistema: Morumbis, Estádio Nilton Santos e o Estádio Maião (Estádio Municipal José Maria de Campos Maia) do Mirassol. Nestes casos, segundo o planejamento atual, não houve sequer início de instalação.
Debate entre clubes e decisão de uniformidade
Durante as discussões entre os clubes da Série A, chegou a ser considerada a possibilidade de iniciar o uso do SAOT de forma parcial, em estádios já preparados. No entanto, prevaleceu a posição de que a tecnologia deve ser implementada de maneira uniforme em toda a competição, evitando assim possíveis desigualdades esportivas entre partidas realizadas com e sem o sistema.
A CBF concordou com o entendimento majoritário e decidiu manter o cronograma unificado, priorizando a padronização da ferramenta em todos os estádios antes de sua estreia oficial.
Janela de instalação e Copa do Mundo de 2026
A expectativa é de que a instalação remanescente nos 3 estádios que faltaram, seja concluída durante a pausa de mais de 40 dias no calendário do futebol brasileiro, que será iniciada em 1º de Junho, prevista para a realização da Copa do Mundo FIFA 2026, entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.
Esse período será considerado estratégico para finalizar ajustes técnicos, treinamentos de arbitragem e testes operacionais antes da liberação definitiva do sistema no retorno das competições nacionais.
O que é o SAOT
O sistema de impedimento semiautomático utiliza câmeras de rastreamento e inteligência de dados para auxiliar a arbitragem na marcação de impedimentos com maior precisão e rapidez. A tecnologia já vem sendo utilizada em competições internacionais e tem como principal objetivo reduzir o tempo de checagem do VAR em lances ajustados.
Impacto no futebol brasileiro
Com a decisão de adiamento, o futebol brasileiro mantém o modelo atual de checagem de impedimentos via VAR tradicional até que o sistema esteja plenamente implementado. A expectativa de clubes e dirigentes é que, uma vez ativado de forma completa, o SAOT traga mais uniformidade às decisões e reduza controvérsias em lances decisivos.
A adoção definitiva, no entanto, agora depende do avanço das instalações e da conclusão dos testes técnicos em todos os estádios participantes da Série A.
Fornecedora da tecnologia
![]() |
Impedimento semiautomático disponibilizado pela Genius Sports - Foto Reprodução/Divulgação |
A tecnologia será disponibilizada pela empresa Genius Sports, responsável por sistemas avançados de dados e arbitragem utilizados em diversas competições internacionais.
A companhia já fornece soluções semelhantes para a Premier League da Inglaterra, para a Belgian Pro League na Bélgica e para a Liga MX no México, reforçando sua atuação global no desenvolvimento de ferramentas de suporte à arbitragem com rastreamento óptico e análise em tempo real.

