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Davide Ancelotti durante coletiva de apresenação no Losc Lille - Foto Reprodução/Lille |
O técnico italiano Davide Ancelotti, atualmente à frente do Lille OSC da França, abriu o coração em entrevista exclusiva ao jornal francês L’Équipe. Ele falou sobre sua filosofia de trabalho, fortemente centrada no aspecto humano, herdada do pai, o renomado Carlo Michelangelo Ancelotti, e detalhou sua experiência singular no futebol brasileiro, no comando do Botafogo equipe que dirigiu pela primeira vez como treinador principal. Recentemente Davide foi auxiliar técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026.
Uma chegada ao Lille guiada pela confiança do pai
Davide assumiu o comando do Lille em 7 de julho de 2023, logo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Em sua conversa com L’Équipe, ele revelou que soube do interesse do clube francês por meio de um telefonema inesperado de seu pai, Carlo Ancelotti, durante a madrugada.
“Olivier Létang, presidente do Lille, pediu meu número. Meu pai me ligou às duas da manhã, dizendo que um clube estava interessado em mim. Eu não quis saber qual era, perguntei só se deveria aceitar ou não, e ele respondeu: ‘Claro que sim’.”
A forte relação de longa data entre Carlo Ancelotti e o presidente do Lille, Olivier Létang, foi decisiva para o acerto, assim como a confiança do jovem técnico em seguir o conselho do pai.
A experiência no Botafogo: desafios e lições
Antes de chegar ao Lille, Davide teve seu primeiro trabalho como técnico efetivo no Botafogo, clube brasileiro onde esteve por cerca de cinco meses em 2025. Em sua entrevista, ele explicou que sua saída não foi uma demissão formal, mas uma decisão tomada diante da instabilidade administrativa no clube.
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John Textor e Davide Ancelotti no Estádio Hard Rock em Miami/Flórida, após Brasil 3 x 0 Escócia pela 3ª Rodada da Copa Do Mundo 2026, válida pelo Grupo C, em 24/06 - Foto: Instagram/John Textor |
“Cinco meses lá são como dois anos na Europa. As pessoas não entenderam se eu tinha sido demitido ou não. Na verdade, não havia mais presidente porque John Textor estava de saída. Eu não fazia ideia do que aconteceria dali para frente, então decidi pedir demissão.”
Davide destacou que o clube enfrentava uma crise de comando, deixando-o isolado e sem o suporte necessário para exercer plenamente sua função.
“John Textor confiou em mim, e sempre serei grato por isso. Mas depois houve muitos conflitos e eu me senti muito sozinho.”
Durante sua passagem pelo Botafogo, ele comandou 33 jogos, obtendo 15 vitórias, 11 empates e 7 derrotas, conseguindo classificar o clube para a pré-Libertadores ao terminar o Campeonato Brasileiro de 2025 na sexta colocação. Apesar dos bons resultados, ele reconheceu que as expectativas para o time eram exageradas, especialmente considerando as diversas mudanças no elenco.
Problemas internos e a influência da comissão técnica
Um dos motivos que contribuíram para a saída de Davide do Botafogo, embora não citado diretamente por ele, foi a tensão causada pelo ex-preparador físico Luca Carlo Guerra. Guerra enfrentava dificuldades no relacionamento com jogadores e funcionários, além de sobrecarregar os treinos, conforme análise de Julia Castellano, do departamento de fisiologia do clube, em reportagem exclusiva da Gazeta Botafogo em Novembro de 2025.
Essa situação aumentou a pressão sobre Davide, que já lidava com a instabilidade administrativa causada pela saída iminente de John Textor, deixando-o ainda mais isolado no comando técnico.
Filosofia e estilo de gestão
No Lille, Davide Ancelotti busca imprimir um estilo de gestão focado no aspecto humano, inspirado no legado do pai, mas com a vontade clara de construir sua própria identidade como treinador.
Na entrevista à L’Équipe, ele mencionou a importância da empatia e do equilíbrio no comando:
“Je ne suis pas quelqu'un qui tape beaucoup” (Eu não sou alguém que bate muito).
O ambiente de trabalho que ele deseja criar privilegia o diálogo, a confiança e o desenvolvimento dos jogadores como pessoas e atletas.
Próximos passos no Lille
Com apenas 37 anos, Davide encara sua nova fase no clube francês com otimismo e responsabilidade. Após seu primeiro amistoso à frente do LOSC, ele segue preparando a equipe para os desafios da temporada, apoiado por uma metodologia embasada em estudos, como o livro “The Coach's Guide to Teaching” de Doug Lemov, e referências culturais que vão de Nietzsche ao personagem Ted Lasso.
O segundo amistoso do Lille sob seu comando será contra o Union Saint-Gilloise, da Bélgica, um teste importante para sua consolidação no comando do clube.
Em resumo, Davide Ancelotti emerge como uma promessa da nova geração de treinadores, combinando a herança técnica do pai com uma visão moderna, centrada no ser humano e na construção de equipes resilientes. Sua passagem pelo Botafogo, marcada por desafios administrativos e conflitos internos, foi fundamental para seu amadurecimento, preparando-o para o exigente futebol europeu.

