Administradores judiciais apontaram que a recuperação dos recursos depende da alienação dos ativos remanescentes da Eagle Football Holdings BidCo. O Olympique Lyonnais, clube da cidade de Lyon, em Ródano-Alpes na França, já foi vendido para Michele Kang, enquanto o processo envolvendo a venda da SAF Botafogo, para a GDA LUMA de Gabriel de Alba, continua em andamento.
A gestora global de investimentos Ares Management Corporation busca recuperar mais de US$ 547 milhões (R$ 2,83 bilhões na cotação atual) em créditos após o colapso financeiro da Eagle Football, empresa controlada até então pelo empresário Norte-americano John Textor, e desde março de 2027, administrada pela Cork Gully LLP, administradora judicial escolhida pela Ares, segundo documentos apresentados pela Cork.
Inicialmente, a recuperação dos valores estava condicionada à venda dos principais ativos do grupo, entre eles o controle do tradicional clube francês Olympique Lyonnais e a participação na SAF Botafogo. No entanto, a situação mudou com a conclusão da negociação do clube francês.
A Ares Management assumiu o controle do Lyon como parte da execução das garantias da dívida e concluiu a venda de 87,5% das ações do Olympique Lyonnais para a empresária Michele Kang, encerrando um dos principais capítulos da reestruturação dos ativos ligados à Eagle Football. Com isso, o principal ativo remanescente relacionado ao grupo é a participação na SAF Botafogo, cuja negociação segue em andamento com a GDA LUMA.
Venda dos ativos continua
De acordo com o relatório protocolado pela administradora Cork Gully LLP, o processo de alienação dos ativos despertou forte interesse no mercado internacional. Os administradores informaram que mais de 50 potenciais compradores foram contatados ao longo do processo para avaliar uma possível aquisição dos clubes pertencentes ao conglomerado esportivo criado por Textor.
Com a conclusão da venda do Lyon, a expectativa é que a negociação envolvendo a participação na SAF Botafogo seja um dos fatores determinantes para ampliar a recuperação dos recursos devidos aos credores.
A Ares é a principal credora da Eagle Football. Segundo os administradores, aproximadamente US$ 400 milhões correspondem ao valor principal dos empréstimos concedidos ao grupo, enquanto o restante refere-se aos juros acumulados.
Nem a Ares Management comentou oficialmente o caso. John Textor também não respondeu aos pedidos de manifestação.
Relação entre Ares e Textor se deteriorou
A parceria entre a Ares e o empresário norte-americano começou durante a expansão da gestora no financiamento de clubes esportivos, estratégia adotada em meio à valorização internacional das franquias de futebol.
No entanto, a relação entre as partes passou a enfrentar dificuldades ao longo do último ano. Divergências envolvendo governança corporativa, necessidade de novos aportes financeiros e a composição do conselho de administração da Eagle Football contribuíram para o desgaste entre credor e controlador.
A situação se agravou em janeiro, quando as contas bancárias da Eagle Football foram bloqueadas, comprometendo a capacidade operacional da empresa e dificultando o pagamento de fornecedores e credores.
Garantias envolvem diversos ativos
Segundo o relatório apresentado pelos administradores, os créditos da Ares estão protegidos por 10 garantias reais registradas entre 2022 e 2025.
Essas garantias colocam a gestora em posição privilegiada na recuperação dos recursos em comparação aos credores sem garantias reais.
Os administradores afirmam que, diante da atual situação financeira da empresa, não haverá recursos suficientes para realizar pagamentos aos chamados credores quirografários — aqueles que não possuem garantias sobre seus créditos.
Por esse motivo, não será necessária a convocação dos credores para aprovação das propostas apresentadas durante o processo de administração judicial.
Ares já recuperou parte da exposição
Apesar da elevada exposição financeira, a Ares já conseguiu reduzir parcialmente suas perdas.
A gestora recebeu US$ 205 milhões após a venda da participação da Eagle Football no Crystal Palace, tradicional clube da Premier League inglesa.
Agora, a venda do controle do Olympique Lyonnais para Michele Kang representa mais um passo importante na estratégia da Ares para recuperar parte dos valores emprestados ao grupo de John Textor.
Investigações continuam
Além da comercialização dos ativos, os administradores seguem analisando movimentações financeiras entre empresas pertencentes ao grupo Eagle Football.
O relatório aponta que ainda estão sendo investigados saldos entre companhias relacionadas e diversas operações realizadas internamente. Segundo os responsáveis pelo processo, a estrutura societária é considerada complexa, o que impede, neste momento, estimar quanto poderá ser recuperado por meio dessas transações.
Os administradores também registraram que John Textor ainda não respondeu às solicitações de informações consideradas necessárias para o avanço das investigações.
Ares amplia presença no esporte
A Eagle Football faz parte de uma estratégia mais ampla da Ares Management de ampliar sua atuação no financiamento da indústria esportiva global.
Nos últimos anos, a gestora participou de operações envolvendo grandes organizações esportivas, incluindo o Atlético de Madrid, da Espanha, o Chelsea, da Inglaterra, além da equipe de Fórmula 1 McLaren.
A aposta da empresa acompanha a forte valorização dos ativos esportivos observada na última década, especialmente no futebol europeu, setor que passou a atrair grandes fundos de investimento e instituições financeiras em busca de retornos de longo prazo.
Com a venda do Olympique Lyonnais concluída, as atenções do mercado se voltam agora para o destino da participação da Eagle Football na SAF Botafogo, considerada um dos últimos ativos relevantes ligados ao grupo de John Textor.
