Título conquistado em La Coruña, na Espanha, em 10 de agosto de 1996, entrou para a história do futebol brasileiro; Glorioso superou o campeão europeu após empate por 4 a 4 e vitória por 3 a 0 nas penalidades
Há exatos 30 anos, o Botafogo protagonizava uma das histórias mais improváveis e marcantes do futebol brasileiro nos anos 1990. Em 10 de agosto de 1996, no Estádio Municipal de Riazor, em La Coruña, na Espanha, o clube carioca derrotava a poderosa Juventus, então campeã da Europa, e conquistava o tradicional Troféu Teresa Herrera.
A vitória veio depois de um dramático empate por 4 a 4 no tempo regulamentar e na prorrogação, seguido de uma vitória incontestável por 3 a 0 na disputa de pênaltis. O goleiro Wágner foi decisivo, defendendo duas cobranças da equipe italiana. O Botafogo não desperdiçou nenhuma das três penalidades que executou.
Mais do que um torneio amistoso de prestígio, aquela conquista ganhou status de episódio simbólico da geração alvinegra que havia sido campeã brasileira em 1995. O adversário da decisão era nada menos que a Juventus, campeã da Liga dos Campeões da Europa naquele mesmo ano, com nomes como Alessandro Del Piero, Didier Deschamps, Angelo Di Livio, Ciro Ferrara e Christian Vieri.
E a história ainda teve um detalhe que parece roteiro de filme: o Botafogo não pôde usar seu uniforme reserva preto e acabou entrando em campo vestido com a camisa azul e branca do próprio Deportivo La Coruña, clube anfitrião do torneio.
O campeão brasileiro diante da elite europeia
O Botafogo chegou ao Teresa Herrera embalado por uma fase internacional particularmente vitoriosa.
Campeão brasileiro de 1995, o Glorioso havia sido convidado para disputar uma série de torneios no exterior durante aquele período. Antes de chegar à decisão em La Coruña, a equipe já havia conquistado troféus no Japão e na Rússia.
O Teresa Herrera de 1996 reunia quatro equipes de enorme peso para a época: o Deportivo La Coruña, anfitrião e campeão da Copa do Rei espanhola; o Botafogo, campeão brasileiro; o Ajax, vencedor da Copa Intercontinental de 1995; e a Juventus, campeã europeia.
Vitória sobre o Deportivo abriu caminho para a final
Em 8 de agosto de 1996, o Botafogo derrotou o Deportivo La Coruña por 2 a 1 no Riazor e avançou para a decisão.
O time espanhol saiu na frente, com um gol de pênalti de Beguiristáin. O Botafogo, porém, reagiu ainda no primeiro tempo. Bentinho empatou aos 38 minutos, e Túlio Maravilha virou o placar quatro minutos depois.
A imprensa espanhola da época registrou a atuação do Botafogo como suficiente para superar o anfitrião, em uma partida marcada por dificuldades técnicas e pela reação brasileira depois de sair atrás no marcador.
A vitória colocou o Glorioso diante de um adversário muito mais poderoso em termos de currículo naquele momento: a Juventus.
A Juventus campeã da Europa
A Juventus que entrou em campo no Riazor não era apenas uma grande equipe italiana. Era a atual campeã da Europa.
Meses antes, o clube de Turim havia conquistado a Liga dos Campeões da temporada 1995/96 ao derrotar o Ajax na decisão. A equipe comandada por Marcello Lippi (que seri campeão da Copa do Mundo com a Seleção italiana 10 anos depois) possuía uma coleção de estrelas que fazia da Velha Senhora uma das forças dominantes do futebol mundial.
No Riazor estavam jogadores como Peruzzi, Ciro Ferrara, Moreno Torricelli, Paolo Montero, Deschamps, Jugovic, Di Livio, Del Piero, Vieri e Padovano. Nicola Amoruso também entraria em cena e seria um dos grandes personagens da partida.
Do outro lado, o Botafogo tinha entre seus principais nomes Wilson Gottardo, Túlio Maravilha, França e o goleiro Wágner.
Era uma decisão entre o campeão brasileiro e o campeão europeu.
A camisa que virou símbolo do título
🏆🖤🤍 MUCHAS GRACIAS, 1996!
— Botafogo FR Social & Olímpico (@botafogo_so) August 10, 2026
30 anos da histórica conquista do Troféu Teresa Herrera. No Riazor, o Botafogo empatou com a Juventus em 4 a 4 e venceu nos pênaltis, eternizando uma noite inesquecível.
La Coruña para sempre na memória alvinegra. ⭐#Botafogo #BotafogoMemória pic.twitter.com/Nk7Ft1PABj
Antes mesmo da bola rolar, surgiu um problema que acabaria entrando para a memória do clube.
O Botafogo pretendia utilizar seu uniforme reserva preto. O árbitro, porém, não autorizou a camisa, e a Juventus também não demonstrou disposição para mudar seu uniforme.
Sem outra opção disponível, o Botafogo recorreu ao anfitrião.
O Deportivo La Coruña emprestou seu uniforme azul e branco para que os brasileiros pudessem disputar a decisão.
A situação foi descrita anos depois pelo capitão Wilson Gottardo como um episódio surreal. O zagueiro contou que a troca aconteceu no próprio estádio e que a situação chegou a provocar uma pequena quebra de concentração antes da partida. Ao mesmo tempo, o uniforme do Deportivo acabou aproximando a torcida espanhola do Botafogo.
Assim, diante da Juventus, o tradicional Botafogo de preto e branco entrou em campo com as cores azul e branca do clube anfitrião.
A camisa improvisada se transformaria em uma das mais lembradas da história alvinegra.
No jogo, o Botafogo teve de correr atrás do placar quatro vezes. Vieri fez 1 a 0, Túlio Maravilha empatou, Amoruso fez 2 a 1, França empatou de novo. Na prorrogação, novamente Amoruso, 3 a 2, e Túlio igualou. No segundo tempo, a mesma coisa: gol de Amoruso, gol de Túlio e pênaltis.
Na disputa por pênaltis, brilhou a estrela do ídolo Wagner. O goleiro defendeu as cobranças de Amoruso e Di Livio, e o Botafogo venceu por 3 a 0, com batidas certeiras de Wilson Goiano, Wilson Gottardo e Souza.
– Foi um jogo incrível, empatamos no final e ganhamos nos pênaltis. Talvez seja um dos troféus mais bonitos da nossa galeria, pesadíssimo, enorme. Esse troféu foi num carrinho de bagagem, na hora de despachar a companhia não aceitou no voo de La Coruña para Madri e tivemos que comprar uma passagem para o troféu. Ele veio com cinto de segurança e tudo dentro do avião – recordou Carlos Augusto Montenegro, presidente do clube naquela época.
O Teresa Herrera foi o quarto de uma série de torneios amistosos que o Botafogo, campeão brasileiro vigente, conquistou em apenas um mês em 1996. Antes de sair do país, o Glorioso ganhou a Copa Rio-Brasília sobre o Vasco. Depois, faturou Copa Nippon Ham contra o Cerezo Osaka, no Japão, e o Torneio Presidente da Rússia diante do Valencia, em Moscou.
FICHA TÉCNICA
JUVENTUS (0) 4 X 4 (3) BOTAFOGO
Estádio: Riazor, em La Coruña
Data: 10/08/1996
Árbitro: Antonio Jesús López Nieto (ESP)
Público: 10.000 presentes (estimativa)
Cartões vermelhos: Torricelli e Montero (JUV); Otacílio (BOT)
Gols: Vieri 23’/1ºT (1-0, Túlio 6’/2ºT (1-1), Amoruso 30’/2ºT (2-1), França 31’/2ºT (2-2), Amoruso 5’/1ºP (3-2), Túlio 15’/1ºP (3-3), Amoruso 12’/2ºP (4-3) e Túlio 15’/2ºP (4-4)
JUVENTUS: Peruzzi; Ferrara, Torricelli, Porrini e Montero; Jugovic, Di Livio e Deschamps; Vieri (Boksic), Del Piero (Amoruso) e Padovano (Ametrano) – Técnico: Marcello Lippi.
BOTAFOGO: Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (Marcos Aurélio) e França (Zé Carlos); Sorato (Mauricinho) e Túlio – Técnico: Ricardo Barreto.
Assista ao jogo completo e aos melhores momentos abaixo:
Botafogo - Juventus
— Alberto Cosín (@albertocosin_) August 8, 2026
Final Trofeo Teresa Herrera 1996
📺 SporTV pic.twitter.com/DF8ElTJ6Ad
3️⃣0️⃣ ANOS DE TERESA HERRERA 🔥🏆
— Botafogo F.R. (@Botafogo) August 10, 2026
Com atuações históricas dos ídolos Túlio e Wagner, o Botafogo vencia a Juventus, campeão europeu da temporada, nos pênaltis para conquistar a Taça Teresa Herrera! pic.twitter.com/uRhGw0WmDz
