![]() |
Thiago Alves foi ¨braço direito¨ de João Paulo Magalhães Lins no Boavista de Saquarema, registro de Maio de 2017 remasterizado por IA - Foto: Arquivo Pessoal |
O atual presidente do Clube Associativo do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins saiu em defesa da contratação de Thiago Alves, novo gerente de futebol do Botafogo. O profissional trabalhou por 18 anos com o presidente do Glorioso no Boavista e iniciou seu trabalho no clube alvinegro sem ter havido um anúncio oficial.
João Paulo justificou a contratação de Thiagão, como ele é conhecido no meio do futebol, em um áudio que ele mesmo permitiu que fosse compartilhado em grupos de WhatsApp nesta quinta-feira (3/9) escute abaixo:
Áudio compartilhado pelo WhatsApp, do atual presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, sobre a escolha do amigo Thiago Alves para ser diretor no Fogão. Alegando que "ninguém entende".
— Gazeta Botafogo ⭐📰 (@agazetabotafogo) September 4, 2026
AssociaSAF está ocorrendo para todo mundo ver. pic.twitter.com/ae9LxMO7ot
Pois é, essa influenciadora e a jornalista é perigosa, entendeu? Você dá moral e o cara te sacaneia. É, ninguém entende, ninguém. Os caras pegam foto do Thiagão, ninguém bota foto dele com o Infantino [presidente da Fifa], ninguém fala que ele trabalhou na CBF, que ele foi medalhista olímpico, ninguém fala que ele tocou todo o projeto das academies da Juventus nos Estados Unidos, ninguém pergunta a algum atleta que já trabalhou com ele… Pergunta ali aos campeões olímpicos, o Bruno Guimarães, Matheus Cunha, o próprio Arthur Cabral, os jogadores que participaram do ciclo olímpico, quem que é ele – disse JP.
– Agora, nada disso para mim é importante. O importante é que a gente está nesse momento delicado, que o cara (Thiago Alves) trabalhou 18 anos comigo, é uma pessoa que eu confio extremamente e que a responsabilidade nesse momento, transitória, está conosco e ele é o meu cara de confiança. Então, chiem o que quiser entendeu? Ele é extremamente qualificado, extremamente inteligente, extremamente bem relacionado, é um profissional competentíssimo que não voltaria para o Brasil se não fosse num pedido meu, continuaria trabalhando no exterior, que era onde ele estava nos últimos três ou quatro anos. É um cara de ponta – completou.
João Paulo ainda disse confiar em uma retomada do Botafogo na parte final da temporada 2026.
– Se a gente está sofrendo um ataque é porque o time não está indo bem, mas o time é bom e o time vai reverter essa posição, tenho certeza disso – encerrou.
Além do Boavista, clube pelo qual trabalhou por 15 anos exercendo funções de supervisor, gerente e diretor de futebol, Thiago Alves passou também por Remo, Duque de Caxias, Ferroviário-CE e foi administrador na CBF entre 2019 e 2020, trabalhando com a seleção pré-olímpica.
![]() |
João Paulo Magalhães Lins em 15 de Fevereiro de 2026 no Estádio Nilton Santos, após o Botafogo perder de 2 a 1 para o Fla, no Cariocão 2026 - Foto: Associated Press |
No fim das contas, João Paulo Magalhães Lins não está falando apenas para os poucos aliados que lhe deram palco no Espaço Lonier. Está falando para mais de quatro milhões de torcedores botafoguenses espalhados pelo mundo. E quando o presidente responde à insatisfação com um “chiem o que quiser”, não se trata apenas de uma frase infeliz. É a síntese de uma postura que parece considerar a torcida um elemento secundário nas decisões do clube, mesmo sendo ela a principal interessada no destino do Botafogo.
A defesa incondicional de Thiago Alves, escolhido por João Paulo para exercer uma função estratégica no futebol, torna o episódio ainda mais emblemático. O novo gerente chega sem que o clube tenha oferecido ao torcedor a transparência mínima esperada de uma instituição que se pretende profissional. Em vez de explicar a escolha, apresentar o profissional e detalhar o projeto, a resposta foi mandar quem questiona “chiar”. É a inversão completa da lógica de uma SAF: em vez de prestação de contas, silêncio; em vez de esclarecimentos, deboche; em vez de diálogo, confronto.
E tudo isso acontece justamente quando o futebol do Botafogo exige respostas urgentes. O clube está sem treinador, acumula apenas uma vitória nos últimos seis compromissos, já não disputa as Copas e possui um elenco com carências que saltam aos olhos. Portanto, não há espaço para arrogância institucional ou para discursos que tentem transformar a cobrança legítima da torcida em perseguição. Se existe um ataque ao Botafogo, como reconheceu o próprio João Paulo, é porque o time não está bem. E se o time é realmente bom e vai “reverter essa posição”, como também afirmou o presidente, chegou a hora de transformar a retórica em resultado.
O torcedor não está cobrando luxo. Está cobrando planejamento, transparência, competência e respeito. Quer saber quem toma as decisões, por que determinadas pessoas são contratadas e qual é o projeto para tirar o clube da situação em que se encontra. Quer, sobretudo, enxergar a profissionalização que foi prometida com a SAF e que, neste momento, parece cada vez mais distante.
João Paulo pode dizer “chiem o que quiser”. A torcida, porém, continuará chiando, cobrando e perguntando enquanto não receber respostas. Porque o Botafogo não é propriedade de um grupo político, de uma turma de amigos, de antigos aliados ou de qualquer dirigente de ocasião. O Botafogo pertence à sua história, à sua camisa e aos milhões que sustentam sua existência. Se a atual gestão acredita que Thiago Alves é o homem certo para conduzir o futebol, que prove. Se acredita que o time é bom, que faça o time provar. E se tem certeza de que o Botafogo vai reverter essa posição, que comece agora — porque a paciência da torcida também tem limite.
No futebol, discurso não ganha jogo, amizade não garante competência e cargo de confiança não substitui resultado. O que resta a João Paulo Magalhães Lins é transformar o “chiem o que quiser” em combustível para entregar aquilo que os mais de quatro milhões de botafoguenses realmente querem: um Botafogo forte, profissional, transparente e vencedor. Até lá, a torcida continuará fazendo aquilo que lhe cabe — cobrar. E muito, afinal autoritarismo, deboches não podem ser aceitados pelo mais de 4 milhões de botafoguenses.

.png)