Com avaliação do Chelsea em aproximadamente £5 bilhões,cerca de R$ 34,3 bilhões; operação deve ser concluída até o fim de Dezembro de 2026 e encerrará a estrutura de controle compartilhado iniciada em 2022
![]() |
Todd Boehly e Mark Walter em treino do Los Angeles Dodgers - Foto: Mark J. Terrill/AP Photo |
A Clearlake Capital assinou um acordo para adquirir as participações de Todd Boehly e Mark Walter no Chelsea Football Club, assumindo o controle integral do clube londrino. As fatias dos dois investidores somam aproximadamente 25,7% do capital.
O valor financeiro da operação não foi divulgado pelo Chelsea, mas o Financial Times informou que Boehly e Walter receberão cerca de £950 milhões em dinheiro, o equivalente a aproximadamente R$ 6,5 bilhões pela cotação de referência de 17 de setembro de 2026.
A mesma operação atribui ao Chelsea um valor empresarial de aproximadamente £5 bilhões, ou cerca de R$ 34,3 bilhões, incluindo dívida.
A confirmação oficial veio do próprio Chelsea em 16 de setembro. O clube informou que afiliados da Clearlake Capital Group adquirirão a participação de Todd Boehly e também a participação de Mark Walter, fazendo com que a Clearlake passe a ter o controle total. O clube acrescentou que o bilionário suíço Hansjörg Wyss permanecerá como acionista e parceiro importante do grupo de proprietários. A operação não envolverá apenas o Chelsea. O Strasbourg, clube francês também controlado pela BlueCo e que integra a estrutura de investimentos do grupo, também deverá passar para o controle da Clearlake com a saída de Todd Boehly e Mark Walter.
A Clearlake já detinha aproximadamente 61,5% do Chelsea. Boehly, Walter e Wyss possuíam, cada um, participação próxima de 12,8%, embora existam pequenas diferenças dependendo da classe de ações e da fonte utilizada.
A operação representa o fim da estrutura de controle conjunto criada na aquisição do Chelsea em 2022.
Boehly deixa a presidência
Todd Boehly também deixa o cargo de presidente do Chelsea.
Em comunicado, o clube londrino afirmou que Boehly "agora deixa" a presidência e que a equipe está posicionada para uma nova fase sob liderança da Clearlake. Boehly agradeceu à Premier League, aos jogadores, treinadores, funcionários e torcedores e afirmou estar confiante na continuidade do projeto.
A Clearlake, por sua vez, afirmou que pretende manter o rumo estratégico do clube e continuar investindo em infraestrutura, desempenho esportivo e desenvolvimento de jogadores.
O Chelsea também declarou que não haverá mudanças nas operações do dia a dia, na liderança ou na estratégia do clube em decorrência da transição.
Um negócio de R$ 6,5 bilhões por apenas um quarto do Chelsea
O número mais importante da transação é a combinação entre o preço pago e a avaliação atribuída ao clube.
Os cerca de £950 milhões pagos por aproximadamente 25,7% do Chelsea implicam, em uma conta simples, um valor de aproximadamente:
£3,7 bilhões de valor patrimonial para 100% do clube;
aproximadamente R$ 25,4 bilhões em valor patrimonial;
£5 bilhões de valor empresarial, ou aproximadamente R$ 34,3 bilhões, segundo a avaliação reportada pelo Financial Times e pela Bloomberg.
O Financial Times informou que os £5 bilhões incluem dívida. A Bloomberg também descreveu o número como enterprise value, eliminando uma dúvida que existia em análises anteriores sobre se a cifra de £5 bilhões representava valor empresarial ou apenas valor do patrimônio.
Essa distinção é fundamental.
Se £5 bilhões representam o valor empresarial e cerca de £950 milhões correspondem a 25,7% do patrimônio, a diferença entre os dois números precisa ser explicada pela estrutura de dívida, passivos e demais direitos econômicos existentes na cadeia societária.
O que o negócio representa diante dos fundamentos
A análise publicada pela The Analysis Series em 17 de setembro estimou um valor patrimonial central para o Chelsea de aproximadamente £1,03 bilhão, ou cerca de R$ 7,1 bilhões.
Nesse modelo, os £3,7 bilhões implícitos na transação representam aproximadamente 3,6 vezes o valor patrimonial central estimado.
Mesmo considerando um cenário mais agressivo, chamado no estudo de "trophy-buyer case", o intervalo estimado ficaria entre £1,7 bilhão e £2,2 bilhões, aproximadamente R$ 11,6 bilhões a R$ 15,1 bilhões.
Ou seja, a diferença entre a avaliação implícita no negócio e esse intervalo seria da ordem de £1,5 bilhão a £2 bilhões, ou aproximadamente R$ 10,3 bilhões a R$ 13,7 bilhões.
Esses números são uma modelagem analítica, e não uma avaliação independente oficialmente apresentada pelo Chelsea, pela Clearlake ou pelos vendedores.
O próprio estudo ressalta que a transação deve ser entendida como um negócio específico entre compradores e vendedores determinados, e não necessariamente como uma nova referência universal de valor de mercado para o Chelsea.
Por que o preço pode ser tão diferente do valor fundamental?
A estrutura societária ajuda a explicar parte da diferença.
A análise aponta que as ações de classe B associadas ao grupo de Boehly possuem uma posição economicamente menos protegida do que as ações de classe A da Clearlake em determinados cenários de perda.
Em um cenário em que o Chelsea valesse apenas cerca de £1 bilhão em patrimônio, a participação B poderia valer significativamente menos do que uma simples conta proporcional de 12,8%.
No preço efetivamente reportado, entretanto, o valor do clube fica suficientemente elevado para que essa preferência não seja determinante para o resultado dos vendedores.
O estudo também menciona possíveis instrumentos relacionados à dívida da Ares, incluindo potenciais warrants, mas ressalta que os termos completos não são verificáveis a partir das informações públicas disponíveis.
Por isso, qualquer cálculo de valor completamente diluído deve ser tratado com cautela.
Clearlake usará dinheiro próprio — e seus fundadores também participarão
Outro elemento importante da operação é a fonte dos recursos.
Segundo o Financial Times, a Clearlake financiará a aquisição com capital próprio e com investimentos diretos dos seus cofundadores, Behdad Eghbali e José E. Feliciano. A informação indica que a aquisição não será financiada por uma nova dívida contratada especificamente para comprar as participações de Boehly e Walter.
O Chelsea não divulgou oficialmente o veículo de aquisição, a divisão entre recursos dos fundos e capital pessoal dos executivos, nem eventuais consentimentos necessários de credores.
A participação financeira direta de Eghbali e Feliciano é uma das novidades mais relevantes da transação.
Ela pode ser interpretada como demonstração de comprometimento pessoal com o ativo, mas também cria uma questão típica de governança de private equity: os mesmos executivos que participam da decisão de comprar as participações dos sócios minoritários também têm interesse econômico no valor pelo qual a própria Clearlake registra seu investimento já existente.
O estudo citado trata esse ponto como uma questão de incentivo e avaliação, e não como acusação de irregularidade.
O dinheiro não vai para o Chelsea
Outro ponto essencial é que os aproximadamente £950 milhões são uma transação secundária.
Ou seja, o dinheiro pago pela Clearlake vai para Boehly e Walter pela transferência das participações que eles já possuem.
Não se trata de um aporte de £950 milhões no caixa do Chelsea.
Portanto, o negócio, isoladamente, não acrescenta £950 milhões ao balanço do clube.
Essa distinção é especialmente importante diante das necessidades de investimento do Chelsea, incluindo estádio, infraestrutura, categorias de base e futebol profissional.
O clube continuará sujeito às suas próprias necessidades de financiamento e aos compromissos existentes.
O retorno de Boehly e Walter
A modelagem da The Analysis Series parte de aproximadamente £2,9 bilhões em capital acumulado investido na estrutura da 22 Holdco até junho de 2025.
Dividindo-se esse valor entre os três investidores do bloco B, o estudo chega a um custo aproximado de £368,8 milhões por vendedor, ou cerca de R$ 2,53 bilhões.
Com uma divisão igual dos £950 milhões, Boehly e Walter receberiam aproximadamente:
£475 milhões cada, ou cerca de R$ 3,25 bilhões.
Nesse cenário:
capital investido por cada um até junho de 2025: £368,8 milhões;
valor recebido: £475 milhões;
ganho nominal: £106,2 milhões;
retorno sobre o capital: 1,29 vez;
IRR em libras: aproximadamente 6,2% ao ano;
período de investimento: aproximadamente 4,6 anos.
O estudo classifica esse resultado como um ganho nominal, mas ressalta que o retorno anualizado é relativamente baixo para um investimento esportivo privado, alavancado, ilíquido e sujeito a riscos operacionais.
Em reais, o capital histórico e o valor recebido não devem ser comparados diretamente sem considerar as taxas de câmbio efetivamente utilizadas em cada data. A conversão acima serve apenas para dimensionar os valores em moeda brasileira.
O retorno pode ser ainda menor
A grande variável são eventuais aportes adicionais realizados pelos acionistas durante o exercício de 2025/26.
A análise apresenta três cenários para aportes adicionais do grupo:
Status da transação e classificação de evidências
| Item | Posição | Nota | Fonte |
|---|---|---|---|
| A Clearlake se afilia para adquirir os interesses de Boehly e Walter | Assinado; ‘irá adquirir’ | Confirmado | Declaração do Chelsea FC, 16 de setembro de 2026 |
| Wyss continua sendo uma parte interessada | Não vendendo | Confirmado | Declaração do Chelsea FC |
| Boehly deixa o cargo de presidente | Sai agora por clube; na conclusão por FT | Confirmado / Relatado | Clube; FT via PE Wire |
| Consideração c.£950m, dinheiro | Combinados para ambas as apostas | Relatado | FT (via PE Wire, ESPN, CNBC) |
| Valor empresarial c.£5 bilhões incl. dívida | Avaliação de manchete | Relatado | Bloomberg; FT |
| Financiamento: Clearlake capital + cofundadores; sem nova dívida | Fonte de recursos | Relatado | FT (via PE Wire) |
| Conclusão até o final de 2026 | Horário | Relatado | FT (via PE Wire) |
| Opção de compra exclusiva da Clearlake sobre participações minoritárias | Termo SHA pré-existente | Relatado | Guardião, 11 de setembro de 2026 |
| Participação da Walter vendida com prêmio sobre o investimento inicial | Caracterização do vendedor | Registrado (porta-voz) | Bloomberg / Guardião |
| Contraprestação diferida / contingente; condições; consentimentos do credor; compra de veículo | — | Não divulgado | — |
| Participação da Wyss como co-compradora | Ambíguo | Não resolvido | Redação do PE Wire vs declaração do clube |
Classificações: Confirmado = documento principal de uma parte da transação; Relatado = mídia nomeada citando pessoas familiares; Análise = cálculo ou inferência do autor.
O registro confirmado
A declaração do clube de 16 de setembro de 2026 é o único documento principal. Afirma que as afiliadas do Clearlake Capital Group, LP adquirirá a participação acionária de Todd Boehly, que a Clearlake também adquirirá a participação de Mark Walter e, assim, assumirá o controle total, e que Hansjörg Wyss permanecerá como acionista e parceiro. Afirma que não haverá mudanças nas operações, liderança ou estratégia do dia-a-dia. Não divulga preço, estrutura, financiamento, condições ou cronograma.
Conselheiros
| Papel | Conselheiro |
|---|---|
| Consultor financeiro líder na transação | Evercore (equipe liderada por Simon Robey) |
| Consultores financeiros de Clearlake | O Grupo Raine; Parceiros BDT&MSD; BofA Securities |
| Consultor jurídico de Clearlake e do Clube | Sidley Austin LLP |
| Consultor financeiro dos vendedores | Goldman Sachs & Co. LLC |
| Consultor jurídico líder dos vendedores | Latham & Watkins LLP |
| Consultor jurídico adicional de Mark Walter | Winston Taylor LLP (conforme nomeado no comunicado do clube) |
| Consultor jurídico de Hansjörg Wyss | Macfarlanes LLP |
Fonte: Chelsea FC, ‘Chelsea FC anuncia transição de propriedade’, 16 de setembro de 2026.
- Conselhos compartilhados para comprador e clube. Sidley atua para o adquirente e para o Clube. Qualquer regulador revisor perguntará como os interesses do clube e da minoria restante foram protegidos quando o advogado do acionista controlador também representa a empresa.
- Representação separada para Walter e para Wyss. Walter tinha um advogado além da equipe conjunta de vendedores’, consistente com sua posição distinta sob escrutínio federal e da SEC. Wyss, que não está vendendo, também teve seu próprio conselho. Isto indica que os seus direitos foram negociados: acompanhamento, reestruturação da sociedade em comandita do lado B e possivelmente participação como comprador.
- Continuidade com 2022. Raine comandou o processo de venda de 2022; Robey Warshaw (agora na Evercore) aconselhou os adquirentes de 2022. A mesma rede de consultoria precificou ambas as transações.
Preço e avaliação
O que é relatado
O FT informa que Boehly e Walter receberão cerca de £950 milhões em dinheiro pelos seus juros combinados, numa transação que avalia o clube em cerca de £5 mil milhões, incluindo dívidas. A Bloomberg, citando pessoas conhecidas, descreve os £5 bilhões como um valor empresarial. A ESPN relata que cada vendedor detinha 12,83%, Clearlake 61,5% e Wyss 12,83%. A Companies House registra 61,85% de 22 ações da Holdco A Ordinary detidas pela Blues Investment Midco LP, o que implica cerca de 12,72% por detentor do lado B. A diferença é uma convenção de classe de ações e arredondamento e é irrelevante para as conclusões.
O que £950m implica (Análise)
| Medir | £m | Comentário |
|---|---|---|
| Consideração para 25,66% | 950 | FT, relatou |
| 100% de patrimônio líquido implícito (£950 milhões ÷ 25,66%) | 3.702 | Equidade implícita no negócio |
| Deduções implícitas de £5.000m EV | 1.298 | Dívida líquida e outras reivindicações implícitas no preço |
| Instalação sênior (BlueCo 22), 30 de junho de 2025 | 794 | Auditado; vence em 13 de julho de 2027 |
| Ares PIK (22 Holdco), 30 de junho de 2025 | 596 | Auditado |
| O Ares PIK aumentou para 30 de setembro de 2026 (c.11,23%) | 681 | Estimativa do autor |
| Contas a pagar líquidas de transferência (grupo) | c.300 | Estimativa do autor; £208 milhões auditados para o clube independente |
| Patrimônio líquido em £5 bilhões EV menos sênior + PIK auditado | 3.610 | 25,66% = £926m |
| Patrimônio líquido em £5 bilhões EV menos sênior + PIK agregado | 3.525 | 25,66% = £905m |
| Patrimônio líquido a £5 bilhões de EV menos full stack (£1.775 milhões) | 3.225 | 25,66% = £828m (estimativa de 11 de setembro) |
| EV implícito em £3.702 milhões de capital + full stack | 5.477 | Se todas as deduções se aplicarem |
Análise. Os £950 milhões são, portanto, consistentes com um EV de £5 bilhões líquido apenas de dívida externa, ou com um valor empresarial real de c.£5,2–5,5 bilhões.
Reconciliação com trabalhos anteriores da Série de Análises
| Medir | Estimativa de 11 de setembro de 2026 | Agora (em £950m) | Mudar |
|---|---|---|---|
| Base de £5 bilhões | Empresa inferida | Empresa declarada | Inferência confirmada |
| Consideração para ambas as apostas | c.£828m | c.£950m | +c.£122m |
| 100% de patrimônio líquido implícito | c.£3,2 bilhões | c.£3,7 bilhões | +c.£0,5 bilhão |
| Múltiplo do patrimônio líquido central (c.£1,03 bilhão) | c.3.1x | c.3.6x | Lacuna mais ampla |
| Prêmio sobre o teto do comprador de troféus (£1,7–2,2 bilhões) | c.£1,0–1,5 bilhão | c.£1,5–2,0 bilhões | Lacuna mais ampla |
| EV/receita implícita (grupo FY25 £536,5 milhões) | 9,3x a £5,0 bilhões | 9,3–10,2x em £5,0–5,5 bilhões | Acima de todo precedente |
Fonte de recursos
O que é relatado
O único detalhe relatado é que a Clearlake financiará a compra com seu próprio capital e investimentos diretos dos cofundadores Behdad Eghbali e José E. Feliciano, em vez de assumir novas dívidas pela compra (FT, conforme relatado pela Private Equity Wire e pela European Business Magazine). É de fonte única e não confirmado pelas partes.
Avaliação (Análise)
| Pergunta | O que se sabe | Avaliação |
|---|---|---|
| Qual piscina em Clearlake? | Não divulgado | Candidatos: a cadeia de participação original (Blues Investment Midco LP, Cayman); Fundo VIII (US$ 14,8 bilhões, fechado em junho de 2026); um veículo de continuação ou coinvestimento; balanço patrimonial firme. Cada um carrega diferentes implicações de concentração e conflito. |
| Concentração de fundos | Patrimônio líquido da Clearlake c.£1.794 milhões até junho de 2025 | Adicionar £950m leva à exposição a c.£2,74 bilhões antes do financiamento de perdas. Os limites de concentração de ativos únicos (prática de mercado 15–25% dos compromissos) tornam provável o financiamento fora do fundo original. |
| Cofundador de capital pessoal | Relatado | Sinaliza convicção. Também coloca os principais em ambos os lados de um preço que calibrará o valor contábil do capital de propriedade da LP. A aprovação do LPAC deveria ter sido solicitada. |
| ‘Nenhuma nova dívida’ | Relatado | Aplica-se apenas à dívida de aquisição. Silencioso sobre as instalações existentes da Midco relacionadas à COP III identificadas na pesquisa de 6 de maio de 2026 e sobre qualquer reequipamento posterior. |
| Consentimento do credor | Não divulgado | As definições de mudança de controle / titular permitido nas instalações para idosos e Ares não são públicas. O consentimento é rotineiramente precificado (taxa, margem, segurança). Pegada: tarifas novas ou alteradas em 22 Holdco ou BlueCo 22. |
| Dinheiro para o clube | Nenhum | Transferência secundária entre acionistas. Nenhum efeito no balanço patrimonial, na demonstração de resultados ou no caixa da 22 Holdco, BlueCo 22 ou do clube. |
| Em £950m, o valor implícito dos 61,5% existentes da Clearlake é c.£2,28 bilhões, contra c.£0,63 bilhão no meu patrimônio central. A transação, portanto, suporta c.£1,65 bilhão de valor contábil sobre o capital que a Clearlake já detém, por ac.£Prêmio de 0,69 bilhão pago sobre o valor central das participações adquiridas: uma proporção de aproximadamente 2,4 para 1. Isso descreve incentivos, não conduta. As diretrizes de avaliação do mercado privado tratam uma transação recente como uma entrada de calibração somente quando ela é ordenada e representativa. Uma transação de comprador único sob opção exclusiva, com os diretores investindo pessoalmente, não deve ser tratada como tal. |
Termos de liquidação
| Termo | Status | Nota |
|---|---|---|
| Forma de consideração | Dinheiro | Relatado (FT) |
| Elementos diferidos, contingentes ou de resgate | Nenhum relatado; ausência não confirmada | Não divulgado |
| Conclusão | Esperado para o final de 2026 | Relatado (FT) |
| Divisão entre Boehly e Walter | Não divulgado; participações iguais implicam c.£475m cada | Análise |
| Presidência | Clube: Boehly ‘agora sai’; FT: renuncia após conclusão | Conflitante |
| Condições (Premier League OADT, IFR, consentimento do credor) | Não divulgado | Não divulgado |
| Entidade compradora | ‘Afiliadas do Clearlake Capital Group, LP’ | Confirmado (genérico) |
| Mecânica de transferência | Lado B mantido via Blueco 22 Holdings LP. (LP022606; Boehly único GP). Ou os interesses da LP são transferidos ou as ações da B são divididas; um GP substituto é necessário, pois Wyss permanece | Análise |
| Posição de Wyss | Permanece; PE Wire diz que Clearlake adquire ‘junto com’ Wyss, o que pode indicar co-compra | Não resolvido |
| Restrição pré-existente | Nenhuma venda a terceiros sem primeiro oferecer à Clearlake uma opção exclusiva | Relatado (Guardião) |
| Entrega de cadeira pré-acordada | O indicado de Clearlake deveria substituir Boehly em 2027 | Reportado (Guardião; Gol) |
| Imediato ou não? O relatório descreve contraprestações em dinheiro e nenhuma fonte menciona diferimento, ganho ou instrumentos. A ausência de qualquer elemento estrutural não foi, contudo, confirmada pelas partes. Se qualquer parte for diferida ou contingente (por exemplo, ao consentimento do estádio, ao refinanciamento de julho de 2027 ou a uma venda posterior), o valor presente para os vendedores é inferior a £950 milhões e os retornos estimados abaixo são sobrestimados. |
A posição e narrativa dos vendedores’
Um porta-voz de Walter declarou que a transação avalia sua participação como um prêmio em relação ao seu investimento inicial, que Walter não a iniciou, que ela estava em andamento há algum tempo e que ele pretende fazer mais investimentos esportivos. O Guardian relata que as negociações se intensificaram em agosto, quando Walter tentou arrecadar fundos para pagar as seguradoras após uma investigação federal dos EUA. O relatório original da Bloomberg descreve a investigação como relativa à divulgação de participações de crédito privado de partes relacionadas pelas seguradoras controladas por Walter. Essa é a caracterização com melhores fontes. Nenhuma acusação foi feita contra Walter.
Ambos os relatos podem ser verdadeiros. A Clearlake vem sendo associada à compra da Boehly há dois anos, e a necessidade de liquidez de Walter transformou uma discussão lenta em uma discussão ativa. O significado da avaliação é que um vendedor era um vendedor conhecido e motivado que lidava com o único comprador autorizado a comprar. Num mercado aberto essa combinação produz um desconto. O fato de um prêmio ter sido pago é um diagnóstico dos motivos específicos do comprador: controle, remoção do contágio da investigação antes do refinanciamento de 2027, direitos de decisão exclusivos do estádio e suporte de valor contábil.
A frase ‘prêmio ao investimento inicial’ também precisa de cuidados. Se ‘investimento inicial’ significa apenas capital de aquisição (c.£312 m por titular neste modelo), o prémio é c.£163 m. Medido em relação a todo o capital contribuído (c.£369m ou mais), é c.£106m ou menos.
Modelo de retorno: Boehly e Walter
Metodologia e pressupostos
| Entrada | Assunção | Base / nota |
|---|---|---|
| Patrimônio líquido acumulado de 22 Holdco até 30 de junho de 2025 | £2.900m | 22 contas Holdco FY25 (confirmadas, arredondadas) |
| Participação por titular do lado B | 12,717% (38,15% ÷ 3) | Companies House A-share 61,85%; terços iguais do lado B (Análise) |
| Capital próprio de aquisição, 30 de maio de 2022 | £2.450m | £2,9 bilhões a menos £rodada de 450 milhões do ano fiscal de 2025; assume patrimônio líquido nulo no ano fiscal de 2023–ano fiscal de 2024 (análise) |
| Rodada de outubro de 2024, 13 de outubro de 2024 | £190m; lado B 6,5m de 19m de ações (34,2%) | Registro na Companies House conforme relatado (confirmado / relatado) |
| Saldo da rodada do ano fiscal de 2025 | £260m, pro-rata, datado de meados de janeiro de 2025 | Nov 2024 – Mar 2025 dotações (Análise) |
| Chamadas de ações para o ano fiscal de 2025/26 | £0 / £250m / £500m (grupo), datado de 31 de dezembro de 2025 | Desconhecido até contas do ano fiscal de 2026 (Cenário) |
| Produto por titular | £475,0m / £463,1m / £452,3m | £950m ÷ 2; e as leituras de £926m e £905m na Seção 4.2 (Cenário) |
| Data de conclusão | 31 de dezembro de 2026 (base); 31 de março de 2027 (deslize) | FT: até o final de 2026 (relatado) |
| FX (visualização USD) | 1,26 / 1,305 / 1,22 / 1,34; saída 1,337 | Taxas de mercado aproximadas; saída da conversão CNBC (Análise) |
| Exclusões | Taxas, impostos, transporte, cartas paralelas, benefícios não monetários | Não divulgado |
Base de custo por titular
| Data | Parcela | Patrimônio líquido do grupo (£m) | Compartilhamento do lado B | Por titular (£m) |
|---|---|---|---|---|
| 30 de maio de 2022 | Capital de aquisição | 2.450 | 38,15% | 311,6 |
| 13 de outubro de 2024 | Rodada do ano fiscal de 2025, parcela 1 | 190 | 34,21% | 21,7 |
| 15 de janeiro de 2025 (ponto médio) | Rodada do ano fiscal de 2025, saldo | 260 | c.41,0% (equilíbrio) | 35,6 |
| Até 30 de junho de 2025 | Cumulativo | 2.900 | 38,15% | 368,8 |
| 31 de dezembro de 2025 | Chamadas do ano fiscal de 2026 (cenário) | 0 / 250 / 500 | 38,15% | 0 / 31,8 / 63,6 |
Análise. A base pro rata anterior (12,8% × £2,9 bilhões = £371 milhões) está dentro de £3 milhões deste valor.
Cronograma de fluxo de caixa do caso base (por titular, £m)
| Data | Fluxo de caixa | Natureza | Cumulativo |
|---|---|---|---|
| 30 de maio de 2022 | (311,6) | Capital de aquisição | (311,6) |
| 13 de outubro de 2024 | (21,7) | Chamada de capital | (333,3) |
| 15 de janeiro de 2025 | (35,6) | Chamada de capital | (368,8) |
| 31 de dezembro de 2026 | 475,0 | Produto da venda (dinheiro) | 106,2 |
Caso base: chamadas do ano fiscal de 2026 nulas; receitas £475 milhões; conclusão em 31 de dezembro de 2026. MOIC 1,29x; TIR 6,2%; período de retenção c.4,6 anos.
Resultados por cenário (conclusão em 31 de dezembro de 2026)
| Produto por titular | Chamadas de grupo para o ano fiscal de 2026 | Investido | Ganho | MOIC | TIR (GBP) |
|---|---|---|---|---|---|
| £475,0m | £0m | £368,8m | £106,2m | 1,29x | 6,2% |
| £475,0m | £250m | £400,6m | £74,4m | 1,19x | 4,4% |
| £475,0m | £500m | £432,4m | £42,6m | 1,10x | 2,5% |
| £463,1m | £0m | £368,8m | £94,3m | 1,26x | 5,5% |
| £463,1m | £250m | £400,6m | £62,5m | 1,16x | 3,7% |
| £463,1m | £500m | £432,4m | £30,7m | 1,07x | 1,9% |
| £452,3m | £0m | £368,8m | £83,5m | 1,23x | 5,0% |
| £452,3m | £250m | £400,6m | £51,7m | 1,13x | 3,1% |
| £452,3m | £500m | £432,4m | £19,9m | 1,05x | 1,2% |
Sensibilidade ao deslizamento de conclusão (IRR, GBP)
| Receitas / chamadas para o ano fiscal de 2026 | £0m | £250m | £500m |
|---|---|---|---|
| £475,0m, concluído em 31 de dezembro de 2026 | 6,2% | 4,4% | 2,5% |
| £475,0m, concluído em 31 de março de 2027 | 5,8% | 4,1% | 2,4% |
| £463,1m, concluído em 31 de dezembro de 2026 | 5,5% | 3,7% | 1,9% |
| £463,1m, concluído em 31 de março de 2027 | 5,2% | 3,5% | 1,7% |
| £452,3 milhões, concluído em 31 de dezembro de 2026 | 5,0% | 3,1% | 1,2% |
| £452,3 milhões, concluído em 31 de março de 2027 | 4,7% | 2,9% | 1,1% |
Desempenho em relação às taxas mínimas (receitas £475 milhões, 31 de dezembro de 2026)
Each contribution is compounded to completion at the hurdle rate. The excess (shortfall) is the proceeds less that compounded value.
| FY26 group calls | Hurdle 4% (c.gilts) | Excess | Hurdle 8% | Excess | Hurdle 12% | Excess |
|---|---|---|---|---|---|---|
| £0m | £435.0m | £40.0m | £510.5m | (£35.5m) | £596.3m | (£121.3m) |
| £250m | £468.1m | £6.9m | £544.9m | (£69.9m) | £631.9m | (£156.9m) |
| £500m | £501.1m | (£26.1m) | £579.2m | (£104.2m) | £667.5m | (£192.5m) |
Analysis. 4% approximates the average sterling risk-free rate over the period; 8% and 12% bracket a plausible cost of equity for junior, leveraged, illiquid sporting equity.
US dollar view
| FY26 group calls | Invested (US$m) | Proceeds (US$m) | MOIC | IRR (USD) |
|---|---|---|---|---|
| £0m | 464.2 | 635.1 | 1.37x | 7.7% |
| £250m | 506.8 | 635.1 | 1.25x | 5.8% |
| £500m | 549.4 | 635.1 | 1.16x | 3.9% |
Analysis. Sterling’s recovery from c.1.22 (January 2025) and c.1.26 (May 2022) to c.1.34 adds c.1.4–1.5 percentage points for a dollar-based investor. FX rates are approximations.
Combined position of the two sellers (base case)
| Measure | Boehly | Valter | Combinado |
|---|---|---|---|
| Capital contribuído para 30 de junho de 2025 | £368,8m | £368,8m | £737,7m |
| Receitas | £475,0m | £475,0m | £950,0m |
| Ganho nominal | £106,2m | £106,2m | £212,3m |
| MOIC / TIR (GBP) | 1,29x / 6,2% | 1,29x / 6,2% | 1,29x / 6,2% |
| Excesso acima de 4% obstáculo | £40,0m | £40,0m | £80,0m |
| Excesso acima de 8% de obstáculo | (£35,5m) | (£35,5m) | (£71,0m) |
Informou Paul Quinn do The Esk
Portanto, caso tenham ocorrido £500 milhões de chamadas adicionais de capital no exercício seguinte, a taxa interna de retorno estimada para cada vendedor cairia para aproximadamente 2,5% ao ano em libras.
A análise alerta que as contas definitivas do exercício 2025/26 serão necessárias para determinar com precisão o custo total de capital de cada investidor.
Em dólares, o resultado parece melhor
A conversão para dólares muda parcialmente a fotografia.
O estudo estima uma IRR de aproximadamente 7,7% em dólares no cenário-base.
Isso ocorre porque a libra esterlina se valorizou em relação ao dólar durante parte do período de investimento.
Assim, parte do retorno em dólares não deriva apenas da performance econômica do investimento no Chelsea, mas também da variação cambial.
O prazo da operação
O Financial Times informou que a transação deverá ser concluída até Dezembro de 2026.
O Chelsea, porém, não publicou no comunicado de 16 de setembro uma data específica para o fechamento.
Também não foram divulgados publicamente:
eventual pagamento diferido;
parcelas contingentes;
earn-out (pagamento adicional condicionado ao cumprimento de determinadas metas);
condições relacionadas ao estádio;
consentimentos de credores;
detalhes do veículo comprador;
condições regulatórias completas;
eventual participação financeira de Hansjörg Wyss na compra.
Por isso, £950 milhões (R$ 6,51 bilhões) devem ser tratados, neste momento, como a cifra de consideração em dinheiro reportada pela imprensa, e não como uma descrição contratual completa da liquidação.
O papel de Hansjörg Wyss
Wyss permanece no grupo de proprietários.
O comunicado do Chelsea é claro ao afirmar que ele continuará como investidor e parceiro da estrutura.
O Financial Times, entretanto, informou que Wyss poderia aumentar sua participação para cerca de 13,5%, caso participe da nova estrutura como co-investidor.
Essa informação ainda não foi detalhada no comunicado oficial do Chelsea.
Por isso, a fotografia definitiva da estrutura acionária dependerá da conclusão da operação.
Se Wyss simplesmente permanecer com sua posição atual, a Clearlake ficaria próxima de 87,2% do clube após a compra de Boehly e Walter.
Se Wyss também comprar uma parcela da operação, a participação final da Clearlake será menor.
A cláusula que restringia os vendedores
A venda também não ocorreu em um mercado totalmente aberto.
Segundo as informações publicadas sobre a estrutura da aquisição de 2022, havia uma cláusula que restringia a possibilidade de Boehly e Walter venderem suas participações a investidores externos sem antes oferecer a oportunidade à Clearlake.
O Financial Times descreveu essa estrutura como uma provisão de anti-flipping (cláusula de restrição à revenda) estabelecida na aquisição de 2022.
Isso significa que a Clearlake não era simplesmente mais um potencial comprador.
Ela já estava posicionada dentro da estrutura societária e tinha direitos contratuais relacionados a uma eventual venda.
Esse elemento é relevante para interpretar o preço: trata-se de uma transação entre acionistas já associados, dentro de uma estrutura previamente estabelecida, e não necessariamente de uma disputa aberta entre diversos compradores independentes.
O contexto financeiro do Chelsea
A transação acontece enquanto o Chelsea continua carregando uma estrutura financeira complexa.
A análise utilizada como base destaca uma dívida sênior de aproximadamente £794,2 milhões (R$ 5,44 bilhões), com vencimento em julho de 2027, além de uma obrigação de PIK com a Ares que, segundo estimativa do estudo, continua crescendo por capitalização de juros.
O Chelsea também registrou um prejuízo antes de impostos de aproximadamente £262,4 milhões (R$ 1,8 bilhão), segundo os números citados pelo Financial Times.
Isso torna o período até 2027 particularmente relevante.
A mudança elimina uma fonte de conflito societário, mas concentra o risco financeiro em um acionista controlador: a Clearlake.
A questão passa a ser menos quem controla o Chelsea e mais como o controlador financiará o clube e administrará sua estrutura de capital durante o próximo ciclo.
A mudança também pode destravar o projeto do estádio
A disputa entre os grupos de acionistas vinha incluindo diferenças sobre a expansão ou eventual reconstrução de Stamford Bridge.
Com a Clearlake assumindo o controle, desaparece a necessidade de conciliar dois blocos com poder compartilhado.
O Financial Times também informou que a nova estrutura deve facilitar decisões relacionadas ao estádio e ao centro de treinamento.
Isso não significa, contudo, que um novo estádio esteja automaticamente aprovado ou financiado.
O investimento continuará dependendo de decisões corporativas, financiamento, planejamento, licenças e, quando aplicável, das aprovações necessárias.
Os assessores da operação
A transação envolveu uma extensa rede de assessores financeiros e jurídicos.
Segundo o comunicado do Chelsea, a estrutura teve:
Evercore, como principal assessor financeiro, em equipe liderada por Simon Robey;
The Raine Group, BDT&MSD Partners e Bank of America, como assessores financeiros da Clearlake;
Sidley Austin, como assessor jurídico da Clearlake e do Chelsea;
Goldman Sachs, como assessor financeiro dos vendedores;
Latham & Watkins, como principal assessor jurídico dos vendedores;
Winston Taylor, como assessor adicional de Mark Walter;
Macfarlanes, como assessor jurídico de Hansjörg Wyss.
A participação da Sidley simultaneamente para a Clearlake e para o clube chama atenção do ponto de vista de governança, porque o comprador se tornará o controlador do próprio Chelsea. A estrutura jurídica e os potenciais conflitos de interesse devem, naturalmente, ser avaliados no contexto dos mandatos e dos procedimentos adotados.
O histórico: De £2,3 bilhões (R$ 15,77 bilhões) à avaliação de £5 bilhões (R$ 34,27 bilhões)
Quando o grupo liderado por Boehly e Clearlake comprou o Chelsea em 2022, a operação foi anunciada em aproximadamente £2,5 bilhões (R$ 17,14 bilhões) para a aquisição das ações, além de um compromisso de £1,75 bilhão (R$ 11,99 bilhões) em investimentos futuros no clube.
Em uma comparação simplificada, a avaliação empresarial atualmente reportada, de aproximadamente £5 bilhões, representa cerca do dobro do valor total de aquisição das ações anunciado em 2022.
Mas os números não são diretamente comparáveis.
A estrutura atual inclui dívida, investimentos realizados posteriormente, mudanças no valor dos ativos, desempenho esportivo, receitas, contratos comerciais, elenco, infraestrutura e demais componentes do negócio.
Por isso, a comparação entre os dois valores serve como referência histórica, mas não como cálculo de retorno dos investidores.
O contexto de Mark Walter
Mark Walter também está passando por uma ampla reorganização de seus investimentos esportivos.
Em agosto, foi anunciada a venda de sua participação majoritária no Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões, segundo as reportagens citadas.
No mês passado, Mark Walter vendeu a sua participação maioritária nos Los Angeles Lakers, a mítica franquia da NBA, a Bob Iger e Jared Corey Kushner, genro do presidente norte-americano Donald J. Trump, por US$12,5 Bilhões de dólares. Mark Walter também é alvo de uma investigação federal nos EUA, por suspeitas de fraude fiscal relacionada com a sua atividade no setor de seguros.
O Financial Times informou que duas seguradoras ligadas a Walter reconheceram ter recebido intimações envolvendo investimentos que somavam cerca de US$ 20 bilhões (R$ 103,2 bilhões) e questionamentos sobre a classificação de outras operações relacionadas.
A empresa de Walter, TWG Global, afirmou em agosto que, apesar do que havia sido reportado, não houve fraude e que cooperaria com o Departamento de Justiça e a Securities and Exchange Commission (SEC) = Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, em tradução livre.
É importante distinguir investigação de condenação: não há, nas informações utilizadas nesta matéria, acusação criminal contra Walter decorrente desses fatos.
A venda do Chelsea, portanto, ocorre em um momento de significativa movimentação de ativos no império empresarial do investidor.
E o futuro de Todd Boehly?
Boehly também vem buscando liquidez em seu portfólio.
A saída do Chelsea representa a retirada de um investimento esportivo relevante depois de quatro anos de participação no projeto londrino.
O americano continuará ligado a outros negócios esportivos, mas o fim da participação no Chelsea encerra uma das maiores operações esportivas de sua carreira.
Em 2022, ele e seus parceiros assumiram um dos clubes mais tradicionais do futebol mundial e passaram a conduzir uma estratégia marcada por grandes investimentos em jogadores jovens, contratos longos e expansão da infraestrutura.
Durante o período, o Chelsea conquistou a Liga Conferência e o Mundial de Clubes, além de terminar em quarto lugar na Premier League em 2024/25. Na temporada seguinte, terminou em décimo.
O que muda para o Chelsea?
No curto prazo, a própria direção do clube afirma que a operação não produzirá mudanças na operação diária, liderança ou estratégia.
No médio prazo, entretanto, a concentração de controle pode produzir mudanças importantes.
A Clearlake passa a ter maior capacidade para decidir sobre:
estádio;
investimentos em infraestrutura;
estratégia de mercado;
financiamento;
governança;
estrutura societária;
futuras vendas ou captações.
Ao mesmo tempo, a responsabilidade financeira passa a ser mais concentrada.
A análise destaca que, com Boehly e Walter saindo, o Chelsea deixa uma estrutura apoiada por vários investidores individuais e passa a depender mais diretamente da capacidade financeira, do ciclo de fundos e das decisões da Clearlake.
O que ainda não foi revelado
Apesar do anúncio, várias informações relevantes continuam fora do domínio público.
Entre elas estão:
1. Qual é exatamente o veículo comprador?
O Chelsea fala em "afiliadas" da Clearlake Capital Group, sem identificar o veículo específico.
2. Quanto será colocado pelos fundos da Clearlake e quanto pelos próprios Eghbali e Feliciano?
Essa divisão ainda não foi divulgada.
3. Houve aprovação do comitê de investidores da Clearlake?
Não há informação pública confirmando os procedimentos internos relacionados à participação pessoal dos fundadores.
4. Há dívida nova em algum nível da estrutura?
A informação reportada é de que não haverá nova dívida para financiar a aquisição das participações. Isso não significa que não existam financiamentos anteriores ou que nenhuma dívida possa existir no nível do veículo comprador.
5. Wyss será comprador?
As informações disponíveis apresentam versões diferentes sobre a extensão da participação de Wyss na nova estrutura.
6. A consideração de £950 milhões é integralmente à vista?
O Financial Times descreve o pagamento como dinheiro, mas os termos contratuais completos não foram publicados.
O principal teste será 2027
A operação resolve a disputa pelo controle.
Mas não resolve automaticamente os desafios financeiros do Chelsea.
O vencimento da dívida sênior em julho de 2027 será um dos principais testes da nova estrutura.
A questão será saber se a Clearlake conseguirá combinar:
refinanciamento;
investimento esportivo;
desenvolvimento de Stamford Bridge;
sustentabilidade financeira;
compromissos com a UEFA;
necessidades de capital do clube.
É nesse ponto que a nova estrutura de propriedade será testada.
Uma nova fotografia do poder no futebol europeu
A operação também reforça uma tendência no futebol europeu: clubes históricos estão sendo avaliados como ativos financeiros globais, nos quais o preço de aquisição pode se distanciar significativamente do valor patrimonial tradicional.
O Chelsea tem receitas comerciais internacionais, marca global, direitos de transmissão, estádio, academia, elenco e potencial de crescimento de receitas.
Ao mesmo tempo, possui dívida, necessidades de investimento e custos operacionais elevados.
A avaliação de £5 bilhões, portanto, não deve ser interpretada simplesmente como "quanto o Chelsea vale" em termos absolutos. É o preço que um comprador específico está disposto a pagar dentro de uma estrutura societária específica, com determinados direitos de controle e expectativas futuras.
Efeito potencial no Brasil: Boehly pode olhar para o Botafogo?
É neste ponto que a movimentação de Boehly ganha interesse especial para o futebol brasileiro.
O Botafogo atravessa uma transição de controle. Em junho, o clube assinou um acordo vinculante com a GDA Luma, ligada ao empresário mexicano Gabriel de Alba, para a transferência de 90% da SAF. O processo, porém, ainda depende da conclusão da estrutura jurídica e societária da transferência.
Segundo o ge, Botafogo e GDA Luma ainda discutem se a transferência será realizada por drag along ou por aumento de capital, enquanto o novo acordo de acionistas também está sendo elaborado.
A GDA já realizou aportes na estrutura e Gabriel de Alba afirmou publicamente que pretende transformar o Botafogo em um projeto competitivo no continente.
É nesse cenário que surge uma possibilidade que, até o momento, não está confirmada publicamente: a aproximação de Todd L. Boehly com o projeto da SAF Botafogo.
A saída de Boehly do Chelsea libera capital e, principalmente, encerra sua participação em uma estrutura de propriedade que exigia convivência com a Clearlake. Isso não significa que ele vá investir no Botafogo, mas abre espaço para especulações sobre novos investimentos esportivos.
Uma eventual participação de Boehly poderia assumir diversas formas: aporte direto, participação minoritária, investimento por meio de veículo próprio ou participação em uma estrutura de investidores associada à GDA Luma.
Nada disso, porém, foi anunciado oficialmente.
O mesmo vale para Mark Walter.
Walter está reduzindo ou reorganizando posições em grandes ativos esportivos, mas sua eventual entrada no projeto do Botafogo também é, neste momento, apenas uma possibilidade a ser considerada — e não um negócio anunciado.
O cenário que poderia aproximar Boehly e Walter do Botafogo
Há uma lógica financeira por trás da hipótese.
Todd Boehly e Mark Walter estão deixando um ativo de futebol europeu extremamente valorizado, enquanto o Botafogo se encontra diante de uma mudança de controlador e de um projeto de capitalização liderado por Gabriel de Alba além do sócio na GDA LUMA, Marcelo Claure.
A GDA Luma, segundo o que foi divulgado em Junho, propôs uma operação de aproximadamente US$ 105 milhões (R$540 milhões), além de assumir obrigações relacionadas à dívida da SAF. O processo de transferência das ações, entretanto, ainda não está concluído e a GDA ainda está como credora devido as ações de Textor e a liminar que ele conseguiu na justiça do Reino Unido. Com a AGE da próxima quinta-feira 24/9, as coisas tendem a ter um desfecho positivo e final.
Isso cria uma janela teórica para que novos investidores se aproximem do projeto.
Qualquer participação futura dependeria da estrutura societária que Gabriel de Alba e a GDA Luma finalmente adotarem, das condições da transferência da SAF e de eventuais acordos entre os novos investidores interessados. Gabriel de Alba é amigo de Todd Boehly, e o mesmo já ganhou uma camisa do Botafogo de João Paulo Magalhães Lins, em Nova York.
A saída de Todd Boehly e Mark Walter do Chelsea encerra um capítulo de quatro anos marcado por grandes investimentos, expansão do elenco, mudanças administrativas e divergências entre os diferentes grupos que controlavam o clube, onde a grande conquista foi a Copa do Mundo de Clubes naquele 3 a 0 inesquecível contra o badalado PSG no Estádio MetLife em East Rutherford, Nova Jersey/EUA em 13 de Julho de 2025.
A Clearlake passa a controlar integralmente o Chelsea, pagando aproximadamente £950 milhões — cerca de R$ 6,5 bilhões — por participações que somam aproximadamente um quarto do clube. A avaliação empresarial de aproximadamente £5 bilhões, ou R$ 34,3 bilhões, coloca o negócio entre as maiores transações envolvendo participações acionárias no futebol mundial.
Para Boehly e Walter, o negócio representa a saída de um investimento de quatro anos com ganho nominal, mas cuja rentabilidade efetiva depende do total de capital aportado, do momento dos desembolsos, da taxa de câmbio e dos termos finais da liquidação.
Para a Clearlake, a operação transforma o controle compartilhado em controle concentrado — mas também concentra sobre um único patrocinador a responsabilidade pelos próximos grandes desafios financeiros do Chelsea.
E, para o futebol brasileiro, resta uma possibilidade a acompanhar.
Se Gabriel de Alba e a GDA Luma concluírem a transferência da SAF Botafogo, como previsto no acordo vinculante assinado em junho, o novo projeto poderá buscar novos parceiros e fontes de capital.
Nesse contexto, Todd L. Boehly poderia, em tese, aparecer como um potencial investidor ou parceiro financeiro do Botafogo após sua saída do Chelsea. A mesma hipótese pode ser levantada em relação a Mark Walter, especialmente diante de sua atual reorganização de investimentos esportivos. A SAF Botafogo pode se tornar um bom atrativo, mesmo com dívidas bilionários em reais, para quem ganhou bilhões de libras, rapidamente se paga, além de aumentar o lucro, gastando pouco em dólares, euros ou libras.
O que existe no momento é uma coincidência de movimentos: de um lado, dois investidores americanos liberando capital após uma operação bilionária no Chelsea FC; do outro, um novo controlador em processo de assumir o Botafogo e estruturando uma nova fase para a SAF.
Se essa ponte realmente vier a ser construída daqui alguns meses em 2027, ela poderá transformar o Botafogo em mais um ponto de encontro entre o capital esportivo Norte-americano e o futebol brasileiro. E isto será benéfico na atual reconstrução judicial que o Clube mais Tradicional do Brasil, passa. Além de Gabriel de Alba poder cumprir que fará o Botafogo ter o melhor time das Américas.
Seja o que venha acontecer, é necessário uma NOVA SAF forte e transparente com a torcida botafoguense.

