John Textor em réplica muda tom e faz novas críticas ao Botafogo Associativo: Agora falam sobre instabilidade? Estão sendo prejudiciais para o clube; Entenda como liminar conseguida em Londres afeta a SAF Botafogo


John Textor em seu escritório em Palm Beach/Flórida em Dezembro de 2024 - Foto Reprodução 



Ex-controlador da SAF alvinegra havia defendido diálogo com o clube social após decisão da Justiça britânica, mas endureceu o discurso depois de nota do Botafogo


John Textor mudou o tom em relação ao clube associativo do Botafogo poucas horas depois de defender um diálogo entre as partes. O empresário norte-americano, ex-controlador da SAF alvinegra, voltou a fazer críticas ao comando do clube social e, em especial, ao presidente João Paulo Magalhães Lins.


A mudança de postura ocorreu nesta quarta-feira (9/9), após uma decisão da Justiça britânica que impediu a Eagle BidCo de vender, transferir ou alterar o controle das ações da SAF do Botafogo. A medida representou um revés para a operação envolvendo a GDA Luma e foi interpretada pela defesa de Textor como uma decisão favorável à sua disputa pelo controle do futebol alvinegro. 


Inicialmente, Textor adotou um discurso conciliador. Após a decisão britânica, afirmou que o momento deveria ser usado para buscar estabilidade e chegou a propor diálogo com o clube social, defendendo uma reorganização capaz de colocar o Botafogo novamente no caminho da estabilidade.


O clima, porém, mudou depois do posicionamento oficial do clube. Em nota, o Botafogo rebateu o que classificou como mais uma tentativa de gerar instabilidade e sustentou que as questões societárias envolvendo a SAF são de competência da Justiça brasileira. O clube também destacou que o processo de transição para a GDA Luma ocorre de forma pacífica. 


“Prejudicial para o clube”

Em resposta, Textor abandonou o tom conciliador e voltou a atacar a administração do clube associativo.


O empresário questionou a afirmação de que suas ações estariam provocando instabilidade e afirmou que a postura da atual direção seria, na realidade, prejudicial ao Botafogo. Ele também direcionou críticas ao presidente João Paulo Magalhães Lins, a quem responsabilizou por, segundo sua versão, dificultar a entrada de novos recursos na SAF.


O principal argumento retomado por Textor foi o de que o clube social teria impedido a entrada de “dinheiro saudável” no futebol. Segundo o norte-americano, durante meses houve resistência à assinatura de documentos necessários para viabilizar novos investimentos.


A declaração também reacendeu uma das principais disputas narrativas entre Textor e o associativo: enquanto o empresário sustenta que tentou capitalizar a SAF com novos recursos, o clube social defende sua atuação no âmbito das disputas societárias e judiciais.


Em manifestação divulgada nas redes sociais, Textor afirmou que o capital e os investidores que apresenta representariam, em sua visão, a verdadeira definição de estabilidade para o Botafogo. 



Crítica à Justiça brasileira

Textor também elevou o tom ao comentar a atuação da Justiça brasileira. Ao questionar a posição do clube social após a decisão favorável obtida no Reino Unido, o empresário utilizou a expressão “juízes amigáveis do Rio”, em uma referência que pode ser interpretada como uma insinuação de parcialidade da Justiça brasileira.


A declaração acrescenta uma nova camada à disputa, que atualmente se desenvolve em diferentes jurisdições. Textor mantém ações nos Estados Unidos e no Brasil relacionadas à propriedade das ações da SAF, enquanto a decisão britânica teve caráter de preservação do status quo e impediu, neste momento, que a Eagle BidCo venda ou transfira os papéis. 


Disputa pelo controle da SAF

A situação societária do Botafogo permanece complexa. Atualmente, a Eagle BidCo detém 49% das ações da SAF, enquanto o clube associativo passou a controlar 51% após a ativação do bônus de subscrição relacionada às alegações de fraude no aporte realizado durante a gestão de Textor. 


A disputa também interfere diretamente no processo de transição para a GDA Luma. O clube social vem desempenhando papel central nas negociações e, segundo o ge, João Paulo Magalhães Lins se tornou o principal elo entre o Botafogo e Gabriel de Alba, investidor ligado à GDA. 


Textor, por sua vez, tenta preservar sua posição e sustenta que continua tendo direitos sobre as ações da SAF. Em comunicado divulgado anteriormente, seus representantes afirmaram que a disputa pela propriedade dos papéis continua em diferentes países e que a decisão britânica tinha como objetivo impedir a venda das ações enquanto os demais processos avançam. 


O que parecia, portanto, ser uma tentativa de reaproximação entre Textor e o clube social durou poucas horas. Depois da resposta do Botafogo, o empresário voltou ao confronto público, recolocando no centro da disputa as acusações sobre bloqueio de investimentos, a atuação de João Paulo Magalhães Lins e a própria condução das questões societárias pela Justiça brasileira.


A batalha pelo controle do futebol do Botafogo, assim, permanece longe de uma solução definitiva — e agora ganha também um novo capítulo na guerra de narrativas entre John Textor e o clube associativo.



“O clube social agora fala sobre instabilidade? Isso seria engraçado, se não fosse tão prejudicial para o clube. Por dez meses, JP empurrou o clube contra a parede, recusando-se a assinar documentos para trazer dinheiro saudável, dizendo que não podia agir contra as claras autoridades estabelecidas no Reino Unido… Agora que a corte do Reino Unido apoia Textor, o clube social diz que tudo se resume aos juízes amigáveis do Rio? O capital e os sócios que trago são a verdadeira definição de estabilidade“, escreveu Textor nos stories de seu perfil no Instagram.



Entenda como decisão que favorece Textor na Inglaterra afeta ações da SAF do Botafogo

Tribunal de Londres preserva ativos, mas atrela medida aos processos movidos no Brasil; decisão não define quem ficará com o controle da SAF


John Textor conquistou uma nova vitória na Justiça da Inglaterra na disputa envolvendo as ações da SAF do Botafogo. A decisão do tribunal de Londres, obtida pelo blog, determina a preservação das ações que estão em posse da Eagle Football Holdings BidCo, impedindo que sejam vendidas, transferidas ou tenham seu valor reduzido enquanto a disputa judicial principal estiver em andamento no Brasil.


A medida, no entanto, não representa uma decisão definitiva sobre quem ficará com o controle da SAF do Botafogo. A Justiça inglesa vinculou a proteção dos ativos aos processos que tramitam no Brasil, onde está concentrada a disputa principal entre Textor e a Eagle.


Quais ações estão protegidas?

A decisão trata especificamente de 90% das ações ordinárias classe B da SAF do Botafogo, cujos certificados estão em posse da Eagle Football Holdings BidCo, também chamada de Eagle BidCo.


Até a decisão final dos processos brasileiros — ou até que a própria Justiça inglesa determine o contrário — a Eagle e seus administradores ficam impedidos de vender, transferir, negociar ou tomar qualquer medida que possa reduzir o valor dessas ações.


A Eagle também não poderá exercer direitos relacionados aos ativos protegidos.


A determinação vai além de impedir uma eventual venda. A ordem judicial estabelece que os réus não podem exercer direitos de voto ou outros direitos vinculados às ações enquanto a medida estiver em vigor. Eles também deverão preservar documentos relacionados à transferência, posse e utilização desses ativos.


Na prática, a decisão cria uma trava sobre o ativo que está no centro da disputa entre Textor e a Eagle.


O tribunal determinou:


“Até a decisão final dos processos no Brasil ou nova ordem deste tribunal, os réus deverão preservar e não poderão, de nenhuma maneira, dispor, negociar ou reduzir o valor de quaisquer dos Ativos de Propriedade, nem exercer quaisquer direitos de voto ou outros direitos vinculados ou relacionados aos Ativos de Propriedade, estejam eles dentro ou fora da Inglaterra e do País de Gales, e não poderão retirar da Inglaterra e do País de Gales quaisquer Ativos de Propriedade que estejam nesses territórios.”


Por quanto tempo vale a decisão?

Inicialmente, a liminar havia sido concedida em agosto e previa uma nova audiência em 9 de setembro.


Agora, o tribunal de Londres decidiu manter a ordem até a decisão final dos processos em andamento no Brasil ou até uma nova determinação da própria Justiça inglesa.


Isso significa que, neste momento, não há uma data determinada para o fim da proteção. A trava sobre as ações permanecerá em vigor enquanto a disputa brasileira não for encerrada, salvo se a Justiça inglesa decidir modificá-la ou revogá-la antes disso.


Eagle não contestou o pedido de Textor

Outro ponto relevante da decisão é a mudança de posição dos representantes da Eagle.


Os réus haviam inicialmente informado à Justiça que pretendiam contestar a ação. Às vésperas da audiência, porém, comunicaram que não pretendiam mais participar do processo ou do pedido de liminar, adotando uma posição neutra em relação às alegações apresentadas por Textor sobre as ações.


Diante disso, Textor pediu uma decisão sumária, que foi aceita pelo tribunal.


Os representantes da Eagle não compareceram nem foram representados na audiência.


O que isso muda para o Botafogo?

A principal consequência prática da decisão é a proteção das ações da SAF que estão no centro da disputa contra uma eventual venda ou transferência enquanto os processos brasileiros não forem resolvidos.


Para John Textor, a decisão reduz o risco de que a Eagle ou seus administradores tentem negociar o ativo com terceiros durante a disputa judicial.


É importante, porém, diferenciar a preservação das ações de uma decisão sobre o controle da SAF.


A Justiça inglesa não determinou definitivamente quem é o legítimo controlador do Botafogo. A própria ordem deixa claro que a medida foi concedida em apoio aos processos brasileiros, que continuam sendo o palco principal da disputa societária.


Portanto, a decisão inglesa funciona como uma proteção temporária dos ativos envolvidos no conflito, mas não encerra a discussão sobre a titularidade ou o controle da SAF.


A decisão trata especificamente de 90% das ações ordinárias classe B da SAF do Botafogo, cujos certificados estão em posse da Eagle BidCo. Até a decisão final dos processos brasileiros — ou até que a própria Justiça inglesa determine o contrário — a Eagle e seus administradores ficam impedidos de vender, transferir, negociar ou tomar qualquer medida que reduza o valor dessas ações.



Eagle também não pode exercer direitos ligados às ações


A determinação vai além de impedir uma eventual venda. A decisão estabelece que os réus não podem exercer direitos de voto ou outros direitos relacionados às ações enquanto a ordem estiver em vigor. Também devem preservar documentos ligados à transferência, posse e utilização desses ativos. Na prática, a ordem cria uma trava sobre o ativo que está no centro da disputa entre Textor e a Eagle.


“Até a decisão final dos processos no Brasil ou nova ordem deste tribunal, os réus deverão preservar e não poderão, de nenhuma maneira, dispor, negociar ou reduzir o valor de quaisquer dos Ativos de Propriedade, nem exercer quaisquer direitos de voto ou outros direitos vinculados ou relacionados aos Ativos de Propriedade, estejam eles dentro ou fora da Inglaterra e do País de Gales, e não poderão retirar da Inglaterra e do País de Gales quaisquer Ativos de Propriedade que estejam nesses territórios", diz trecho da decisão.


Por quanto tempo vale a decisão?


Inicialmente, a liminar havia sido concedida em agosto e teria uma nova audiência em 9 de setembro. Agora, o tribunal de Londres decidiu manter a ordem até a decisão final dos processos em andamento no Brasil ou até uma nova determinação da própria Justiça inglesa. Isso significa que a proteção não tem, neste momento, uma data determinada para terminar.


Eagle não contestou o pedido de Textor


Outro ponto relevante da decisão é a mudança de posição dos representantes da Eagle. Os réus haviam inicialmente informado que pretendiam contestar a ação. Às vésperas da audiência, porém, comunicaram à Justiça que não pretendiam mais participar do processo ou do pedido de liminar, adotando uma posição neutra em relação às alegações de Textor sobre as ações. Com isso, Textor pediu uma decisão sumária, aceita pelo tribunal. Os representantes da Eagle não compareceram nem foram representados na audiência.


O que isso muda para o Botafogo?


A principal consequência é que as ações da SAF que estão no centro da disputa ficam protegidas contra uma eventual venda ou transferência enquanto os processos brasileiros não forem resolvidos. Para Textor, a" decisão reduz o risco de que a Eagle ou seus administradores tentem negociar o ativo com terceiros durante a disputa. Mas a decisão inglesa não resolve definitivamente a questão do controle da SAF. A própria ordem deixa claro que a medida foi concedida em apoio aos processos brasileiros, que seguem sendo o palco da disputa principal.

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