Reunião online com credores da Credivalores, realizada pelo Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, confirma novo encontro em 21 de outubro; GDA Luma é ré

 


Sede do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, em Civic Lower Manhattan - Foto Reprodução


O processo de insolvência da Credivalores-Crediservicios S.A. entrou em uma nova etapa nesta quarta-feira, 23 de setembro, com a continuidade da reunião de credores prevista no processo de Chapter 7 perante o Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.


De acordo com o registro mais recente do processo, a reunião prevista para 23 de setembro foi novamente continuada e remarcada para 21 de outubro de 2026, às 11h30, por videoconferência. O documento foi apresentado pelo Chapter 7 Trustee Salvatore LaMonica e registrado no processo em 23 de setembro. O docket registra também a ausência do devedor na reunião. 



O caso, identificado pelo número 24-10837, está sob responsabilidade do juiz David S. Jones e atualmente tramita sob o Chapter 7, modalidade de liquidação prevista pela legislação do Tribunal de falências dos Estados Unidos, no Distrito Sul de Nova York, no bairro de Manhattan.



Nova reunião marcada para 21 de outubro

O registro judicial mais recente determina que a reunião de credores prevista no §341(a) continuará em:


21 de outubro de 2026, às 11h30 (horário de Nova York)

Formato: Zoom

Meeting ID: 826 143 8559

Passcode: 6503562880

Telefone: +1 (516) 898-7589


A sucessão de adiamentos mostra que o procedimento de reunião dos credores ainda não foi encerrado. O histórico do processo registra reuniões anteriormente marcadas para maio, julho, agosto e setembro de 2026, todas objeto de novas notificações de continuidade. 


É importante distinguir, entretanto, a realização da reunião de credores de uma eventual audiência de julgamento. O registro de 21 de outubro é uma 341(a) Meeting of Creditors, e não uma data de julgamento sobre o mérito das disputas existentes no processo. Se tudo ocorrer conforme o esperado, uma decisão para ser conhecido o dia de julgamento deverá ocorrer até Dezembro de 2026.


O que aconteceu nesta quarta-feira

Segundo o relato que serviu de base para esta matéria apurada pela Gazeta Botafogo, representantes de credores participaram da reunião online de 23 de setembro, incluindo Gabriel de Alba, da GDA Luma que é credora da SAF Botafogo, mas ainda não assinou o contrato vinculante da compra. 


A presença de Gabriel de Alba da GDA Luma é particularmente relevante porque a empresa aparece entre os réus de uma ação adversária aberta pelo trustee em junho de 2026.


A ação contra GDA Luma

Em 25 de junho de 2026, o trustee Salvatore LaMonica ajuizou a ação adversária nº 26-01063 contra uma série de entidades e indivíduos relacionados à estrutura societária e financeira da Credivalores.


Entre os demandados está a GDA Luma Capital Management, LP de Gabriel de Alba, além de Ban100/Bancien, Finanza Inversiones, entidades ligadas à Gramercy, entidades da ACON e outros indivíduos. O docket classifica a ação, entre outras categorias, como recuperação de dinheiro ou propriedade, transferência fraudulenta, preferência e recuperação de propriedade. 


Isso não significa que qualquer réu tenha sido considerado culpado de fraude. Trata-se de alegações apresentadas pelo trustee em uma ação ainda em tramitação, e uma alegação constante de uma petição não equivale a uma decisão judicial.


Uma análise independente publicada em agosto por Paul Quinn do The Esk, identificou o processo adversário como uma ação de recuperação de ativos em estágio inicial e ressaltou que não havia, naquele momento, decisão judicial estabelecendo fraude ou responsabilidade contra a GDA Luma ou os demais réus. 


Por que a reunião de credores é importante

A reunião prevista pelo §341(a) integra o procedimento de falência dos Estados Unidos e permite ao trustee e aos credores obter informações relevantes sobre o devedor, seus ativos, passivos, operações e circunstâncias relacionadas ao processo.


No caso Credivalores, a reunião ocorre dentro de uma liquidação que passou por diferentes fases.


A empresa entrou originalmente com um processo de Chapter 11 em maio de 2024. Posteriormente, em julho de 2025, o processo foi convertido para Chapter 7, colocando a empresa em uma estrutura de liquidação. 


Salvatore LaMonica foi designado trustee do Chapter 7 e passou a conduzir a administração do espólio, inclusive iniciativas destinadas à identificação e recuperação de ativos para os credores.


O caso não está restrito à reunião de credores

A reunião de outubro deve ser observada dentro de um quadro processual maior.


Além do processo principal de falência, existe a ação adversária nº 26-01063, na qual o trustee busca recuperar valores e/ou ativos de diversas partes.


O próprio registro judicial demonstra a existência dessa ação e identifica expressamente as alegações relacionadas a §548 — fraudulent transfer, §547 — preference e §542 — turnover of property. 



Essas classificações indicam os instrumentos jurídicos utilizados pelo trustee para tentar recuperar determinados ativos ou pagamentos em benefício do espólio e, consequentemente, dos credores.


O papel do juiz David S. Jones

O processo principal está perante o juiz David S. Jones, do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.


O fato de a reunião de credores ter sido novamente continuada não significa que o juiz tenha determinado que haverá necessariamente uma decisão final antes de dezembro.


O cronograma efetivo do julgamento ou de outras audiências depende de ordens e movimentações processuais futuras. Até o registro consultado, a informação documental claramente estabelecida é a nova reunião de credores em 21 de outubro de 2026. 


Por isso, a expectativa de uma definição antes de dezembro deve ser apresentada como possibilidade ou expectativa processual, e não como uma data de decisão já estabelecida pelo tribunal.


Uma janela adicional para apresentação de informações

A continuidade da reunião mantém aberta uma etapa relevante para a obtenção de informações no processo.


Credores, trustee e demais participantes podem continuar utilizando os mecanismos processuais disponíveis para apresentar documentos, informações e argumentos dentro dos prazos estabelecidos pelo tribunal.


Essa fase pode ser particularmente importante em um processo que envolve múltiplas partes, operações financeiras anteriores à falência e uma ação adversária paralela.


A análise publicada em agosto descreveu justamente o litígio como estando em fase inicial e destacou que o processo ainda poderia evoluir significativamente à medida que documentos e manifestações das partes fossem apresentados. 


O que pode acontecer até outubro

Entre a reunião de 23 de setembro e a nova data de 21 de outubro, alguns elementos deverão ser acompanhados de perto:


novos documentos apresentados no processo de Chapter 7;


eventuais manifestações dos credores;


novas peças na ação adversária nº 26-01063;


respostas dos réus às alegações do trustee;


eventuais pedidos de descoberta de documentos e informações;


novas decisões ou ordens do juiz David S. Jones;


eventual definição de datas para audiências futuras.


O ponto central é que 21 de outubro representa uma nova etapa do procedimento de credores, e não necessariamente o julgamento definitivo de todas as questões envolvendo Credivalores.


Histórico mostra processo prolongado

O andamento público demonstra que o processo vem se prolongando por meses.


O caso foi aberto em maio de 2024 como Chapter 11. Em julho de 2025, foi convertido para Chapter 7. Em 2026, o trustee passou a intensificar procedimentos relacionados à recuperação de ativos e, em junho, ajuizou a ação adversária envolvendo GDA Luma e outros demandados. 


A própria sequência das notificações de reuniões de credores confirma que a conclusão dessa etapa ainda não ocorreu. O docket registra sucessivamente reuniões marcadas para maio, julho, agosto, setembro e agora outubro de 2026. 


O ponto de atenção para os credores

Para os credores, a questão fundamental é o tamanho e a composição dos ativos que poderão efetivamente integrar o espólio da Credivalores e ser utilizados para satisfazer os créditos reconhecidos no processo.


É nesse contexto que as ações do trustee ganham importância.


A ação adversária busca recuperar dinheiro ou propriedade e inclui alegações relacionadas a transferências que o trustee considera passíveis de reversão segundo o Bankruptcy Code. 


Qualquer recuperação efetiva, entretanto, dependerá do desenvolvimento do processo, das provas apresentadas, das defesas dos réus e das decisões do tribunal.


Outubro pode ser um novo marco processual

A nova reunião de 21 de outubro de 2026 passa, portanto, a ser o próximo marco público confirmado no calendário do processo.


O documento protocolado em 23 de setembro é objetivo: trata-se de uma “Trustee's Notice of Continued Meeting of Creditors”, estabelecendo a continuidade da reunião sob o §341(a). O mesmo registro informa que o devedor esteve ausente. 


O próximo mês poderá trazer novas informações sobre a posição dos credores, a atuação do trustee e o avanço da ação contra as partes envolvidas.


Até lá, o processo permanece aberto e sujeito às manifestações e decisões do tribunal.



A reunião de 23 de setembro não encerrou a etapa de credores no caso Credivalores/Crediservicios. Pelo contrário, o registro judicial mais recente confirma sua continuidade para 21 de outubro de 2026.


A existência de uma nova reunião significa que o trustee ainda está conduzindo o procedimento e que questões relevantes permanecem em aberto. Paralelamente, a ação adversária contra GDA Luma e outros demandados acrescenta uma segunda frente de litígio relacionada à recuperação de ativos.


Uma eventual decisão final antes de dezembro, porém, dependerá da evolução do processo e de futuras determinações do juiz David S. Jones.

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