![]() |
John Textor então controlador da SAF Botafogo durante partida contra o Atlético-GO no estádio Nilton Santos pelo Brasileirão Série A 2024 em 18 de Abril | Foto: Thiago Ribeiro/AGIF |
A disputa pelo controle da SAF do Botafogo ganhou um novo e decisivo capítulo na Justiça britânica. John Charles Textor obteve, em Londres, uma liminar que impede a Eagle Football Holdings Bidco, atualmente sob administração judicial da Cork Gully LLP, de vender, transferir ou alterar o controle das ações da SAF do Botafogo enquanto avançam os processos relacionados à propriedade dos papéis.
A ordem foi concedida em 12 de agosto de 2026 pelo tribunal comercial da King’s Bench Division, em Londres, e determina a preservação do status quo até, pelo menos, a nova audiência marcada para 9 de setembro. A medida é provisória: não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre quem é o proprietário das ações.
É justamente nesse ponto que está a principal consequência política e empresarial da decisão.
Para John Textor e sua defesa, a liminar representa uma vitória significativa porque impede, neste momento, que a Eagle Bidco, administrada pela Cork Gully, conclua a transferência das ações que estão no centro da negociação com a GDA Luma, grupo liderado por Gabriel de Alba.
Para o Botafogo associativo, entretanto, a leitura é diferente. O clube entende que a decisão inglesa não necessariamente impede a solução que vem sendo buscada no Brasil, uma vez que o próprio associativo teria recorrido à Justiça brasileira para impedir que a Eagle/Cork Gully vendesse as ações a terceiros que não fossem o próprio Botafogo.
O resultado é uma situação inédita: uma decisão judicial em Londres passou a interferir diretamente no calendário e na estrutura de uma operação que deveria definir o futuro da SAF alvinegra.
A liminar que impede a Eagle Bidco de vender as ações
A ordem judicial britânica foi obtida por Textor contra a Eagle Bidco e seus administradores judiciais da Cork Gully.
Segundo os registros públicos do caso, o tribunal determinou que a administradora não venda a participação da Eagle na SAF Botafogo, preservando a situação acionária até que a controvérsia seja novamente analisada.
A ordem foi concedida com base na existência de uma questão séria a ser julgada sobre a titularidade das ações. Textor sustenta que a Eagle Bidco jamais teria pago a contraprestação prevista no acordo que permitiria a transferência definitiva de sua participação no Botafogo. Por essa razão, afirma que as ações nunca teriam sido validamente transferidas para a Eagle.
A Cork Gully havia assumido a administração da Eagle Bidco depois que credores acionaram mecanismos previstos na legislação inglesa. A administradora passou a controlar os negócios da holding e abriu caminho para a possibilidade de venda de ativos, incluindo a participação relacionada ao Botafogo, como forma de atender às obrigações com credores.
A liminar de Londres, portanto, atinge diretamente essa possibilidade.
O ponto que precisa ser entendido: a reportagem fala em 90%, mas hoje a Eagle é apontada como dona de 49%
Um dos pontos mais importantes para compreender a atual disputa é a diferença entre a estrutura histórica da SAF e a estrutura acionária reivindicada atualmente pelo Botafogo associativo.
Durante boa parte da disputa, a Eagle Bidco era apresentada como proprietária de 90% das ações da SAF Botafogo, enquanto o clube associativo detinha 10%.
É essa participação histórica de 90% que aparece nas ações judiciais de Textor e também na liminar inglesa. O próprio empresário, em manifestação divulgada em agosto, afirmou que busca recuperar as ações que correspondem à participação de 90% que ele considera sua parte.
Entretanto, o cenário mudou em julho.
O Botafogo associativo acionou um mecanismo contratual chamado bônus de subscrição, depois de acusar Textor de ter realizado uma operação que, segundo o clube, simulou o cumprimento de uma obrigação de aporte de aproximadamente R$ 100 milhões.
A acusação está relacionada a transferências financeiras entre Botafogo e Lyon. O clube afirma que valores apresentados como aporte teriam posteriormente retornado ao Lyon por meio de operações caracterizadas pelo associativo como empréstimos, sustentando que nunca teria existido efetivo cumprimento da obrigação de investimento.
Com o acionamento do bônus de subscrição, o Botafogo associativo passou a sustentar que se tornou titular de 51% da SAF, enquanto a Eagle Bidco ficou com 49%.
Essa é a fotografia acionária defendida atualmente pelo clube.
Portanto, existe uma diferença fundamental:
90% é a participação historicamente atribuída à Eagle Bidco e que aparece na disputa judicial movida por Textor;
51% é a participação que o Botafogo associativo afirma ter adquirido após o acionamento do bônus de subscrição;
49% é a participação que, segundo o clube, permaneceu com a Eagle Bidco depois do mecanismo.
O próprio Botafogo formalizou essa posição perante a Cork Gully.
A acusação de fraude e o bônus de subscrição
O acionamento do bônus de subscrição é um dos principais elementos da disputa atual.
O Botafogo associativo sustenta que houve uma “sucessão de atos simulados, fraudulentos e prejudiciais à SAF” para aparentar o cumprimento das obrigações de aporte.
Segundo a acusação apresentada pelo clube, aproximadamente €21,2 milhões teriam sido transferidos para a SAF Botafogo e, posteriormente, valor praticamente equivalente teria sido transferido de volta ao Lyon na forma de mútuo.
Na interpretação do associativo, isso demonstraria que os recursos não permaneceram efetivamente disponíveis para investimento na SAF e configuraria uma violação das obrigações assumidas.
Textor, por sua vez, rejeitou a acusação e afirmou que os movimentos financeiros estão sendo apresentados de maneira isolada, sem considerar as entradas posteriores de recursos.
Portanto, a alegação de fraude continua sendo uma acusação do clube e objeto de disputa, não uma conclusão judicial definitiva contra Textor.
Por que a liminar de Londres é considerada uma vitória por Textor
É nesse contexto que a decisão inglesa ganha peso.
Na visão da defesa de John Textor, se a Eagle Bidco está impedida de vender ou transferir as ações enquanto os processos avançam, a negociação com a GDA Luma fica diretamente comprometida.
Isso porque a GDA vinha negociando justamente a aquisição da participação que estava sob controle da Eagle/Cork Gully.
Antes da mudança provocada pelo bônus de subscrição, a Eagle era tratada como dona dos 90% da SAF e a Cork Gully era a responsável pela administração desse ativo.
A negociação com a GDA Luma, portanto, dependia da possibilidade de transferência dessas ações.
A liminar de Londres coloca uma barreira sobre essa transferência.
É por isso que, no entendimento de Textor, a decisão constitui uma vitória significativa: a Cork Gully não pode simplesmente vender as ações enquanto a disputa sobre a propriedade permanece aberta.
Textor, inclusive, sustenta em sua manifestação oficial que ingressou com processos nos Estados Unidos, no Brasil e no Reino Unido justamente para obter o reconhecimento de sua propriedade sobre as ações e impedir que elas fossem alienadas antes do julgamento definitivo da questão.
O clube social vê a mesma decisão de maneira oposta
O Botafogo associativo, entretanto, apresenta uma interpretação completamente diferente.
Para o clube, a decisão de Londres não significa necessariamente que Textor tenha recuperado o controle da SAF e tampouco determina que a operação com a GDA Luma esteja definitivamente morta.
O argumento é que o próprio Botafogo teria recorrido à Justiça brasileira para impedir que a Eagle/Cork Gully vendesse as ações a qualquer terceiro que não fosse o próprio clube.
Nesse entendimento, uma determinação para impedir uma venda indiscriminada pode acabar preservando a possibilidade de o associativo exercer seus próprios direitos sobre as ações.
A diferença entre as duas interpretações é, portanto, fundamental.
Textor: a liminar impede a Cork Gully de vender as ações e, consequentemente, compromete a venda da SAF para a GDA Luma.
Botafogo associativo: a liminar apenas preserva as ações durante os litígios e não impede necessariamente uma solução em que o próprio Botafogo exerça os direitos que afirma possuir.
O tribunal inglês, até o momento, não decidiu definitivamente qual dessas interpretações sobre a titularidade deve prevalecer.
A liminar não devolve automaticamente a SAF a Textor
Outro ponto importante é que a vitória judicial de Textor em Londres não equivale à recuperação definitiva das ações.
A ordem é uma medida provisória destinada a preservar o estado das coisas enquanto o processo avança.
A análise jurídica publicada sobre o caso destaca justamente essa característica: a decisão não determinou quem é o verdadeiro proprietário das ações. O tribunal apenas reconheceu que existe uma questão séria a ser julgada e determinou que a posição das ações seja preservada enquanto a disputa prossegue.
Isso significa que Textor ainda precisa vencer as disputas de mérito.
Nos Estados Unidos, ele ingressou com ação declaratória alegando que continua sendo o proprietário das ações e que a Eagle Bidco não teria pago a contraprestação exigida para adquirir sua participação.
No Brasil, também existe uma disputa relacionada à validade da transferência e aos direitos do clube associativo.
E, na Inglaterra, a liminar mantém a situação congelada até a próxima etapa do processo.
GDA Luma: assinatura fica cada vez mais distante
O efeito mais imediato da liminar é sobre a GDA Luma.
A operação conduzida pelo grupo de Gabriel de Alba vinha sendo tratada como uma das principais alternativas para o futuro da SAF.
Antes da ativação do bônus de subscrição, a estrutura previa a aquisição da participação da Eagle e a consequente transferência do controle para a GDA.
Depois do mecanismo acionado pelo Botafogo, a estrutura tornou-se mais complexa: o associativo passou a reivindicar 51%, a Eagle ficou com 49% segundo essa mesma interpretação, e a GDA passou a depender da solução dos direitos de ambos os lados.
A própria imprensa brasileira havia relatado que a estratégia do Botafogo poderia permitir que o clube vendesse 41% para a GDA, enquanto a Eagle seria obrigada a transferir seus 49%, deixando novamente o associativo com 10% e a GDA com 90%.
A liminar inglesa, porém, introduz uma barreira adicional justamente sobre a capacidade da Eagle/Cork Gully de realizar essa transferência.
Por isso, a assinatura definitiva da operação fica ainda mais distante.
Gabriel de Alba não deve voltar para assinar a SAF tão cedo
Nesse cenário, a expectativa de que Gabriel de Alba retornaria ao Brasil em poucas semanas para concluir a assinatura definitiva da SAF não se sustenta diante do conjunto de obstáculos que se acumulou.
A operação não depende mais apenas de uma assinatura comercial.
Ela está condicionada a decisões judiciais em diferentes países, à definição dos direitos acionários do Botafogo associativo, à situação da Eagle Bidco e à atuação da Cork Gully.
Assim, a afirmação de que De Alba voltaria em aproximadamente três semanas para assinar definitivamente a aquisição deixou de encontrar respaldo no quadro jurídico atual.
A negociação permanece viva, mas cercada por incertezas.
Credivalores/Crediservicios entra novamente no radar
Há ainda uma questão adicional envolvendo a GDA Luma: o processo relacionado à Credivalores/Crediservicios, nos Estados Unidos.
A GDA Luma aparece em um processo no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York relacionado à insolvência da instituição financeira colombiana. O processo envolve alegações relacionadas a transferências de ativos, pagamentos preferenciais e recuperação de valores.
A existência desse processo não significa automaticamente que a GDA esteja proibida de comprar o Botafogo ou que os recursos da aquisição estejam bloqueados.
Mas o processo passou a fazer parte do contexto de análise da operação.
É justamente por isso que a tese de que o caso “não tinha nenhuma importância” para o Botafogo se torna difícil de sustentar como análise absoluta.
A questão pode não representar, por si só, um bloqueio judicial à aquisição, mas é um elemento adicional de due diligence, risco jurídico e avaliação da capacidade financeira de um grupo que pretende assumir o controle de uma SAF de grande porte.
Com a liminar inglesa agora em vigor, esse fator passa a ser analisado juntamente com os demais obstáculos da operação.
AssociaSAF entra no jogo
Enquanto a operação da GDA enfrenta novos obstáculos, surge com maior importância a AssociaSAF — Botafogo Social de Transição.
A estrutura aparece no contexto da tentativa do clube associativo de reorganizar sua posição e participar diretamente da definição do futuro da SAF.
É nesse cenário que ganha força a possibilidade de uma negociação diferente daquela originalmente desenhada com a GDA Luma.
Textor poderá tentar construir uma solução negociada envolvendo a recompra ou reorganização da participação acionária, com a participação de Evangelos Marinakis, Kia Joorabchian e Iconic Sports.
A possibilidade de uma solução envolvendo Marinakis e Kia já aparecia entre as alternativas apresentadas durante o processo de busca por um novo controlador da SAF. O próprio Textor também esteve associado a essa alternativa.
A liminar de Londres, ao impedir temporariamente a Cork Gully de vender as ações, cria justamente uma janela para que negociações alternativas sejam discutidas.
Marinakis, Kia e Iconic Sports podem voltar ao centro da negociação
Antes da liminar, havia diferentes propostas sobre a mesa para a SAF Botafogo.
A Cork Gully, responsável pela Eagle Bidco, recebeu propostas de Textor, GDA Luma, MasterCom e de uma parceria envolvendo Evangelos Marinakis e Kia Joorabchian, com participação ou apoio de Textor.
A nova realidade pode fazer com que uma solução negociada volte a ganhar espaço.
Com a AssociaSAF em cena, Textor tentará trabalhar por uma alternativa que envolva acordo com o clube associativo e, ao mesmo tempo, uma estrutura de recompra ou reorganização acionária que possa contar com Marinakis, Kia e a Iconic Sports.
A questão central deixa de ser simplesmente “Textor ou GDA”.
Passa a ser a construção de uma estrutura capaz de resolver simultaneamente as disputas acionárias, os interesses do clube associativo, os credores da Eagle e o futuro investimento no futebol.
A saída de Textor do Lyon e a acusação contra Michele Kang
Outro elemento da narrativa de Textor está relacionado ao Lyon.
Michele Kang assumiu o controle do clube francês em meio à reestruturação do grupo Eagle Football. Textor sustenta que sua retirada do Lyon prejudicou sua capacidade de conduzir a estrutura multiclubes e, consequentemente, de administrar os interesses ligados ao Botafogo.
Essa é a interpretação apresentada por Textor sobre os acontecimentos.
O empresário também questiona a condução do processo pelo atual comando do Botafogo associativo.
Segundo a posição atribuída a Textor, os atuais líderes do clube social, dentro do processo de “transição”, não teriam apresentado um Plano Mestre suficientemente definido para determinar como seria concluída a SAF diante dos diversos imbróglios existentes.
Na visão dele, a incerteza envolvendo a GDA Luma, a Eagle Bidco, a Cork Gully, os processos judiciais e as disputas sobre os aportes teria criado um cenário no qual nenhuma transição poderia ser considerada definitiva.
Textor tenta abrir uma porta para o diálogo
Apesar da guerra judicial, Textor também adotou uma postura pública de aproximação com o Botafogo associativo.
Em manifestação enviada ao blog de O Globo, o empresário propôs diálogo com o clube social e defendeu a construção conjunta de um futuro para o Botafogo.
A ideia apresentada por Textor é fazer um Botafogo “mais forte, mais profissional e mais vitorioso”.
A manifestação acontece justamente quando a disputa jurídica chega a um ponto crítico.
De um lado, Textor tenta recuperar judicialmente as ações que afirma serem suas.
De outro, o Botafogo associativo tenta consolidar a posição de 51% adquirida após o acionamento do bônus de subscrição.
No meio dessa disputa está a GDA Luma, que pretendia assumir o controle da SAF.
E, acima de todos esses movimentos, está a Cork Gully, que administra judicialmente a Eagle Bidco.
O que a liminar muda na prática
A decisão de Londres não encerra a disputa, mas muda o ritmo da operação.
Sem a liminar, a Cork Gully poderia avançar com a venda das ações da Eagle Bidco dentro dos parâmetros que estavam sendo discutidos com potenciais compradores.
Com a liminar, a transferência fica temporariamente bloqueada.
Isso significa que qualquer solução envolvendo a GDA Luma precisa agora considerar a ordem judicial inglesa.
Ao mesmo tempo, o Botafogo associativo continua defendendo seus direitos no Brasil e alega que sua própria ação judicial busca impedir uma venda das ações que desconsidere a posição do clube.
Textor, por sua vez, ganha tempo para avançar com suas ações de propriedade nos Estados Unidos, no Brasil e no Reino Unido.
A próxima audiência em Londres, marcada para 9 de setembro, passa a ser uma data fundamental para determinar se a proteção continuará, será modificada ou será encerrada.
A nova fotografia da SAF Botafogo
A disputa pode ser resumida em quatro posições principais.
John Textor afirma que as ações nunca foram validamente transferidas para a Eagle Bidco porque a contraprestação prevista no acordo não teria sido paga. Sua estratégia é recuperar judicialmente a participação e impedir que a Cork Gully a venda.
Botafogo associativo afirma que Textor praticou atos fraudulentos relacionados ao aporte e, com base nessa alegação, acionou o bônus de subscrição para chegar a 51% da SAF, reduzindo a Eagle a 49%.
GDA Luma, liderada por Gabriel de Alba, continua sendo uma das candidatas a assumir o controle da SAF, mas enfrenta agora um cenário jurídico significativamente mais complexo.
Cork Gully, administradora judicial da Eagle Bidco, está impedida pela liminar inglesa de vender ou transferir as ações abrangidas pela ordem enquanto a proteção estiver vigente.
Conclusão: Textor mantém a liminar e a venda para a GDA fica sob forte pressão
John Charles Textor continua com a liminar na Justiça britânica, em Londres, que impede a Eagle Bidco, administrada judicialmente pela Cork Gully LLP, de vender ou transferir a participação da SAF Botafogo abrangida pela decisão.
Essa é, neste momento, a principal consequência prática da decisão inglesa.
Embora a disputa ainda não tenha chegado a uma sentença definitiva sobre a propriedade das ações, a liminar mantém a proteção sobre elas enquanto avançam os processos no Brasil, nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Para Textor, a decisão é uma vitória significativa porque compromete, pelo menos temporariamente, a possibilidade de a Cork Gully concluir a venda da SAF para a GDA Luma.
Para o Botafogo associativo, entretanto, a interpretação é oposta: a decisão apenas preserva as ações durante a disputa e não elimina os direitos que o clube afirma ter conquistado no Brasil, inclusive após o acionamento do bônus de subscrição que, segundo o associativo, elevou sua participação para 51% e reduziu a Eagle para 49%.
O efeito imediato é que Gabriel de Alba não tem caminho livre para simplesmente retornar e assinar a conclusão da SAF. A GDA Luma terá de esperar enquanto a liminar e os demais processos definem o espaço jurídico para a operação.
Ao mesmo tempo, com a AssociaSAF — Botafogo Social de Transição em cena, Textor passa a ter espaço para tentar uma solução negociada envolvendo uma eventual recompra ou reorganização da SAF, com nomes como Evangelos Marinakis, Kia Joorabchian e Iconic Sports voltando ao radar.
A questão da GDA Luma no processo Credivalores/Crediservicios também permanece como elemento adicional de incerteza, não necessariamente como bloqueio automático da operação, mas como um processo que precisa ser considerado na avaliação do negócio.
Textor ainda sustenta que sua retirada do Lyon por Yongmee Michele Kang prejudicou sua capacidade de conduzir a SAF Botafogo e questiona a falta, em sua avaliação, de um Plano Mestre dos atuais líderes do clube associativo de transição para definir o futuro da SAF diante de tantos imbróglios.
No centro de tudo está a liminar de Londres.
Enquanto ela estiver em vigor, a Cork Gully não poderá simplesmente vender a participação da Eagle BidCo na SAF Botafogo. E é exatamente essa trava judicial que, na interpretação de John Textor e de sua defesa, coloca a venda da SAF para a GDA Luma em xeque e abre uma nova janela para uma negociação envolvendo o próprio Textor, o clube associativo com a AssociaSAF, Marinakis, Kia e a Iconic Sports de James Dinan
Leia a manifestação de John Textor:
“A decisão de hoje é um passo importante para trazer clareza e estabilidade ao Botafogo. Tenho um enorme respeito pela torcida do Botafogo. Os torcedores merecem estabilidade, profissionalismo e um plano claro para o futuro.
Esta decisão nos dá maior segurança jurídica enquanto os processos no Brasil continuam, mas não vejo isso como um momento para comemorar uma vitória sobre ninguém. Vejo como uma oportunidade para reorganizar, restaurar a paz e focar no futuro do Botafogo.
Apesar das nossas diferenças, continuo aberto ao diálogo com os responsáveis pelo Clube Social. Podemos discordar em muitas coisas, mas todos deveríamos compartilhar do mesmo objetivo: um Botafogo mais forte, mais profissional e mais vitorioso.
Os parceiros estratégicos que estão ao meu lado no apoio ao Botafogo trazem um nível de capital e experiência muito superior aos de outros interessados, e é hora de colocarmos nossas diferenças de lado e restaurarmos a saúde financeira e do futebol do nosso amado clube campeão.
Faremos isso avançando com profissionalismo, planejamento e união. Acredito que o Botafogo tem um futuro muito forte pela frente.” concluiu Textor
