André Rizek - Foto Reprodução/Seleção SporTV
O apresentador André Rizek fez uma explanação na tarde, de hoje no “Seleção SporTV” desta quinta-feira (28/8) sobre a briga na Justiça entre John Textor e os acionistas da Eagle Football Holdings, além do que a Ares Management Corporation, um dos maiores fundos de investimentos dos Estados Unidos, podem fazer futuramente, sobre o controle da SAF Botafogo. O jornalista disse que o Botafogo vive “numa névoa” e voltou a falar que o clube pode se tornar “um Vasco”, no sentido de ter uma SAF sem condições de investir devido a imbróglios judiciais, caso estes venham se arrastar por anos e anos.
Assista abaixo:
— Gazeta Botafogo ⭐📰 (@agazetabotafogo) August 28, 2025
– É um grupo gigante, que tem um dos maiores fundos de investimento (ARES MANAGEMENT) dos Estados Unidos por trás, que fez o aporte de inicialmente 425 milhões e depois mais 100 milhões, segundo o Grupo Eagle, para não fechar o Lyon. É um grupo que tem muito dinheiro e tem condição de levar essa briga jurídica por anos. E, se a briga jurídica for levada por anos, o que eu tenho ouvido das pessoas envolvidas é que o Botafogo corre o risco de virar um Vasco. O que é virar um Vasco? Você continua SAF, mas você fica num limbo em que você não tem investimento de empresas e você não sabe direito para onde você vai, você cai numa incerteza em que você é SAF, mas você não tem investimento – continuou.
Rizek afirmou que a Eagle planeja ficar duas semanas analisando as contas do Botafogo, com John Textor afastado, para poder comparar os números e até mesmo precificar o clube para que o empresário norte-americano possa recomprar o Alvinegro, com a ajuda de investidores, para sua nova empresa nas Ilhas Cayman.
– Textor está tentando de todas as formas comprar o Botafogo do grupo que ele fundou, que é o Eagle, e esse grupo até o momento se mostra irredutível de fazer negócio com o Textor sem que ele possa ter livre acesso, pelo menos é o que eu tenho ouvido dos representantes desse grupo, às finanças do Botafogo. Esse grupo entende que teve acesso até o momento, é a versão deles, limitado daquilo que eles entendem ser o negócio deles. Então, eles querem entrar lá, ficar pelo menos duas semanas com o Textor afastado, como o Textor foi no Lyon. É o desejo deles, não estou aqui avaliando se esse desejo é justo ou não, não cabe a mim avaliar, apenas estou reportando o que está acontecendo. Eles querem ficar pelo menos duas semanas vendo a contabilidade – explicou.
– Por exemplo, o Textor alega que há dívidas do Lyon com o Botafogo, esse grupo não nega, mas ele quer poder entrar, estudar os livros, bater com os do Lyon, e depois de o tempo que acharem necessário, precificar o Botafogo para que o próprio Textor, por exemplo, queira comprar com investimento de terceiros. Ou esse grupo pode decidir, a exemplo do que fez no Lyon, de achar que o Botafogo é lucrativo e seguir com o Botafogo, essa decisão não está tomada ainda. O que está tomado nesse momento é que eles vão brigar até o fim, porque há uma batalha forte entre o Textor e esse grupo, e o maior prejudicado com isso é a incerteza que nesse momento ronda o Botafogo – completou.
André Rizek se disse neutro nessa disputa e relembrou o último capítulo da briga, envolvendo um empréstimo de R$ 154 milhões tomado pela Eagle junto ao Botafogo. Segundo ele, a Eagle só executaria a cobrança – caso vença a disputa na Justiça – se John Textor conseguir “recomprar” o clube e tirá-lo da atual holding:
– Qual o seu lado nessa história, Rizek? Nenhum. Me dou bem com o Textor, estou conversando com outro grupo, o meu lado é nenhum. Estou apenas apurando, ouvindo os envolvidos, e muito preocupado. O último capítulo veio ontem [quarta-feira], porque esse grupo entrou com uma petição que vai ser avaliada na Justiça brasileira, que é o seguinte: o Textor alegou na Justiça que esse grupo deve ao Botafogo R$ 154 milhões. Esse grupo está demonstrando que essa cobrança é falsa, que esse pagamento já foi feito. Se esse grupo tiver sucesso nessa petição, a legislação brasileira diz o seguinte: quando você faz uma cobrança indevida, o valor de R$ 154 milhões que o Textor alega, caso eles confirmem que o valor é indevido, o cobrado de forma indevida tem direito a receber o dobro. Ou seja, o Botafogo alega que o grupo deve R$ 154 milhões à SAF. Caso o pleito da Eagle seja apreciado de forma favorável pela Justiça, a SAF passa a dever para a Eagle R$ 304 milhões. Aí você pergunta: vocês vão executar o negócio que é de vocês, porque a SAF ainda é do grupo Eagle? E a resposta é a seguinte: por ora, não, mas se o Textor, por exemplo, conseguir vender, mesmo que momentaneamente, aí a gente vai executar os R$ 304 milhões se eles forem vencedores.
Por fim, Rizek disse entender todos os lados da briga e disse que o grande prejudicado com isso tudo é o torcedor do Botafogo.
– É uma batalha que, por enquanto, é muito incerteza, ninguém tem condição de afirmar o que vai acontecer. Os dois lados estão brigando com as armas que têm. Por enquanto o Botafogo está conseguindo ter sua saúde financeira, mas o que me preocupa é o futuro mesmo, o que vai acontecer. Tentei aqui trazer as informações sem nenhum juízo de valor. Eu entendo a devoção que os alvinegros têm pelo John Textor, como ele pegou o Botafogo e como o Botafogo está hoje, campeão da América, campeão do Brasil. Eu entendo a lealdade do clube associativo e entendo também o lado de quem fez o negócio e está tentando brigar por aquilo que acha que é de direito dele. Mas, no fundo, o grande prejudicado é o torcedor, porque ele pode se ver num limbo de um negócio que pode se arrastar por anos na Justiça. Tenho certeza que o Textor está tentando resolver isso o mais rápido possível. E do outro lado tem gente muito poderosa capaz de arrastar essa briga por anos na Justiça – encerrou Rizek.