Ex-presidente do Botafogo (1994-1996) Carlos Augusto Montenegro acredita em acordo entre SAF e Associativo, acusa Textor de pegar dinheiro de agiota; e nega bloqueio de vendas de jogadores, queremos que o dinheiro não vá para fora do Brasil sem fiscalização


Carlos Augusto Saade Montenegro voltou a falar em nome do Botafogo associativo, mesmo sem cargo diretor. O ex-presidente alvinegro concedeu longa entrevista ao “GE” nesta sexta-feira (28/11) e afirmou que acredita num rápido acordo entre SAF e o clube social, ajudando como intermediador.


– A única coisa que eu fiz, e fiz isso ontem, foi ligar para o João Paulo e para o Thairo e botar os dois juntos para conversar. E eles vão chegar a um acordo na Justiça, em cima dessa decisão que o juiz teve, e vão chegar a um acordo o mais rápido possível. Talvez até o início da semana que vem ou hoje – afirmou Montenegro, descartando querer briga com a SAF.


– O meu papel tem sido de pacificar. E esse episódio agora eu tenho certeza de que vou conseguir, mas podem ter outros episódios. Até esses caras se resolverem lá fora… O pessoal está perguntando quando isso vai terminar. Não sei. Depende da Justiça lá fora ou depende se um dia os sócios e a Ares, que é a maior credora, chegarão a algum acordo. Não depende da gente. O clube social é muito pequenininho nessa cadeia. A única coisa que ele pode fazer é o seguinte: “cara, deixa aqui o feijão com arroz para eu poder me alimentar”. A gente não pode fazer mais nada – completou.


Na mesma entrevista, no entanto, Montenegro fez uma grave acusação: de que John Textor teria pegado dinheiro de agiotas. O empresário norte-americano negou que tenha feito isso, segundo o “GE”.


– A gente não sabe, não vê números, ele não mostra, não quer mostrar. Uma auditoria foi feita e a gente não sabe de nada, o clube social não sabe de nada. Então, a gente ouve histórias bárbaras. De que está pegando dinheiro de agiota, pagando juros de 10% ao mês, cara. Para pagar folha. Isso está confirmado, aconteceu – disse Montenegro.


– O Textor é uma pessoa fora de série em relação ao Botafogo. Ele se apaixonou. Mas ele está muito raivoso com a situação dele de ter perdido a aposta (no Lyon). Quem não acredita nele ou em algum milagre, ele fica com raiva. Ele não precisa ficar com raiva de ninguém. Ele é ídolo. Os botafoguenses, a começar por mim, admiram ele. Eu ia propor que ele fosse presidente eterno, de honra da SAF a vida toda. Ele tem que ter uma estátua. Esse cara fez tudo. O Botafogo faturava 130 milhões e hoje, fatura R$ 1,5 bilhões, mas não é possível você faturar isso e estar com tudo atrasado – afirmou o ex-dirigente.


– Poderia, mas a gente não faria isso [bloquear as vendas]. O que a gente quer não é saber de negociação, nem do valor do jogador. Só queremos que o valor que for vendido, pode ser qualquer um, não vá para o Lyon, não vá para o caixa único e nem vá para pagar a dívida da Ares. Porque a gente não tem nada a ver com isso. Ele pode vender o jogador por 3, por 8, por 15. O jogador vale 10, eles podem vender por 6. Não tem problema nenhum. Não vamos vetar. A única coisa que a gente quer é a garantia de que esse dinheiro não vá para fora do Brasil. Porque, se ele for para fora, é para pagar a Ares, o clube inglês ou para pagar o Lyon. Ou para reforçar o Lyon, mas são eles que estão nos devendo. A gente quer que esse dinheiro fique na SAF Botafogo, ela pagando investimentos, contratando jogador, pagando as dívidas, os parcelamentos, etc. Só isso. A gente não quer entrar em negociação nem nada. Basta o juiz dizer o seguinte: “Isso tem que ficar na SAF Botafogo, não pode ir para a intercompany“ – afirmou Montenegro ao “GE”.


Aliado do presidente João Paulo Magalhães Lins, Montenegro afirmou que há muitos pagamentos em atraso, mas disse ser eternamente grato a John Textor.


– O Textor, na minha opinião, é o maior ídolo que o Botafogo já teve. Em três anos, tirou o Botafogo, independente de ser um apostador, aventureiro e ter ideias mirabolantes, foi capaz de assumir uma dívida de 400 milhões de dólares, não pagar e já falar em comprar, ao mesmo tempo, um clube inglês. Isso é uma coisa de doido. Mas tudo que ele fez no Brasil e no Botafogo deu certo. Então, eu rezo todas as noites e agradeço ao Textor ter existido e existir. É um ídolo. Eu vou engraxar, lustrar o sapato dele a vida toda, aonde ele estiver. Ídolo é ídolo para a vida toda – disse Montenegro.


– Os minoritários, a Ares e o Textor ficaram brigando lá fora, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Podem brigar à vontade, só que, com isso, parou de vir dinheiro para a SAF Botafogo, que está cheia de problemas. Eles não podem falar abertamente porque são funcionários do Textor. Mas está cheia de problemas. Muitas parcelas de jogadores que foram comprados estão vencendo agora, no primeiro semestre de 2026 e estão sem dinheiro. Muitos parcelamentos que foram feitos, do Profut, da parte trabalhista, que, se não pagar, volta para o valor original. O orçamento fica comprometido, porque não sabe se vai ter dinheiro. Enquanto os sócios estão brigando, a gente não sabe se vai ter dinheiro – alertou.

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