O programador e empresário Norte-americano John Textor reassumiu oficialmente o cargo de diretor da Eagle Football Holdings BidCo Limited, empresa que controla a SAF do Botafogo, além de outros clubes como o Olympique Lyonnais (FRA) e o RWDM Brussels (BEL). A recondução foi formalizada nesta quarta-feira (25/2) pela Companies House, órgão britânico responsável pelo registro de movimentações societárias no Reino Unido — revertendo o afastamento que havia sido noticiado um dia antes.
A atualização nos registros da Eagle Holdings BidCo mostram que Textor voltou à diretoria em 29 de janeiro, após ter sido retirado oficialmente do cargo no dia 27 daquele mês. A decisão original de afastar o empresário havia sido motivada por divergências internas na governança da Eagle, depois que Textor promoveu mudanças incluindo o desligamento de diretores independentes da companhia.
Disputa com o fundo Ares
A reconquista do cargo ocorre em meio a uma disputa societária com o fundo de investimentos Ares Management, que havia articulado o afastamento de Textor em resposta às alterações na estrutura da Eagle. As tensões entre Textor e o Ares giram em torno de questões financeiras, inclusive de um empréstimo de cerca de US$ 450 milhões (aproximadamente R$ 2,3 bilhões) feito pelo fundo para a aquisição do Lyon em 2022 — dívida que, segundo Ares, ainda não foi quitada. Pois Textor só pagou a metade, quando Woody Johnson comprou as ações que John, tinha do Crystal Palace.
Textor afirmou publicamente que continuará lutando pelo controle administrativo da empresa, descrevendo o conflito interno como uma espécie de “guerra civil” e reforçando que é o acionista majoritário da Eagle Football Holdings.
Implicações para o Botafogo
Apesar das turbulências na holding, Textor se mantém no comando da SAF do Botafogo graças a uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, que o garante como principal responsável pelo clube até que haja uma nova análise judicial.
O desfecho representa, por ora, uma vitória simbólica e prática para Textor na batalha interna da Eagle, com impacto direto na administração do Botafogo e nos planos para a gestão esportiva e financeira do clube. No entanto, as incertezas sobre a continuidade da governança compartilhada com os demais sócios e o papel do fundo Ares ainda permanecem em aberto.
A Ares Management Corporation concedeu 14 dias para que Textor quite US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) referentes a obrigações financeiras vinculadas à estrutura da holding quando o fundo de investimentos emprestou valor para a aquisição do Olympique Lyonnais. Caso o pagamento não seja efetuado dentro do período estipulado, o fundo pode executar garantias previstas em contrato.
Risco de perda de ativos
Se houver inadimplência, Textor corre o risco de ver ativos estratégicos do grupo serem afetados. Entre eles estão:
O Olympique Lyonnais, principal investimento da holding na Europa;
O RWD Molenbeek (RWDM Brussels);
A SAF do Botafogo de Futebol e Regatas.
Além da possibilidade de aquisição do Lyon pelo fundo credor, os demais clubes poderiam ser hipotecados como parte da execução das garantias. O cenário extremo incluiria ainda a perda completa do comando da Eagle Football Holdings BidCo por parte de Textor, alterando definitivamente a estrutura de poder da multinacional que controla os clubes.
O desfecho dependerá da capacidade de John Textor em cumprir a exigência dentro do prazo estabelecido ou negociar novos termos com o fundo de investimentos. No momento Textor só é o acionista majoritário do Botafogo, por conta de uma liminar na justiça do RIO, que se vier a cair, ele perde o controle e administração da SAF Botafogo.

