De Atriz à Piloto, conheça a história de Suzane Carvalho torcedora do Botafogo campeã no Kart e na Fórmula 3

 
Suzane Carvalho - Foto/Reprodução: TV Globo



Suzane Carvalho é um dos nomes mais fascinantes da história do esporte brasileiro,  uma mulher que quebrou barreiras de gênero e expectativa ao trocar os holofotes da TV e do teatro pela adrenalina das pistas de corrida. A torcedora botafoguense, e ex-piloto da Fórmula 3, ganhou destaque na edição de hoje do Esporte Espetacular da TV Globo. 


Assista abaixo:

 

E a íntegra pelo Globoplay (acesso liberado para a reportagem)


Dos palcos às pistas


Nascida no Rio de Janeiro, em 26 de dezembro de 1963, Suzane construiu uma carreira sólida como atriz ainda na infância, participando de propagandas, peças de teatro, cinema e novelas na TV brasileira durante os anos 70 e 80. Entre seus trabalhos na televisão estão “O Homem Proibido”, “Vereda Tropical” e “Champagne”, além de aparições em humorísticos e especiais.


Apesar de ter alcançado reconhecimento artístico, o grande sonho de Suzane sempre esteve ligado às corridas. Em 1989, aos 25 anos, ela viu um anúncio sobre um curso de pilotagem de kart e decidiu seguir sua paixão: largar uma carreira promissora nas artes e entrar no mundo do automobilismo.


O início foi promissor: Suzane foi campeã brasileira de kart logo no primeiro ano e, no ano seguinte, campeã carioca.


Rapidamente, ela ascendeu às categorias de monopostos, passando pelas Fórmulas 1600, Ford, 2000 Canadense e 2000 Italiana, até chegar à Fórmula 3 Sul-Americana, uma das principais categorias de base do automobilismo no continente.


Em 1992, Suzane conquistou um feito histórico: foi campeã brasileira e sul-americana na Classe B da Fórmula 3, tornando-se a primeira mulher no mundo a ganhar um título na Fórmula 3 e ganhando lugar no Guinness Book of World Records e na Enciclopédia Barsa.


O escudo do Fogão nas pistas



Torcedora declarada do Botafogo de Futebol e Regatas, Suzane levou sua paixão clubística para as pistas de corrida. Em 1991, ela correu com um carro de Fórmula 2000 exibindo orgulhosamente o escudo do Botafogo, o primeiro time brasileiro a surgir nas competições de automobilismo. A parceria foi pioneira e marcou uma conexão inusitada entre futebol e automobilismo, simbolizando o orgulho de uma torcedora que viu seu clube refletido na velocidade das pistas. Neste mesmo ano, o então presidente do Botafogo, Emil Pinheiro, gostou da ideia e patrocinou Suzane. 




Desafios e preconceitos


Apesar do talento, Suzane enfrentou desafios típicos de um ambiente dominado por homens: falta de patrocínio e preconceito nas pistas fizeram com que sua ascensão fosse sempre uma luta constante. Mesmo com convites para testes em categorias ainda mais altas como a Fórmula 1, ela não pôde avançar por motivos financeiros, algo que frustraria muitos pilotos com trajetórias menos turbulentas.


Depois das corridas


Após uma carreira marcada por vitórias e superações, Suzane se reinventou novamente. Criou um Centro de Treinamento de Pilotos, onde ministra cursos de pilotagem e direção defensiva, escreve como jornalista especializada em automóveis e já lançou até livros sobre técnicas de pilotagem, sendo referência tanto para aspirantes quanto para veteranos das pistas.


Legado


Suzane Carvalho não é apenas uma ex-atriz que virou piloto. Ela é um símbolo do que significa lutar por um sonho em um esporte tradicionalmente fechado, abrir portas para mulheres e ainda carregar as cores do seu time de coração, o Botafogo com orgulho nas pistas. Sua história inspira não só fãs do automobilismo, mas qualquer pessoa que já teve que escolher entre o esperado e o extraordinário.

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