Em 12 de dezembro de 2025, a Eagle Holdings BidCo Ltd. Holding multiclubes controlada pelo empresário Norte-americano John Textor que possui 65,4% das ações, antes da decisão final da disputa judicial com a Iconic Sports; registrou uma nova dívida no valor de US$ 20 milhões (R$108,6 Milhões), dividida em notas da Série D (D1: US$ 5 mi e D2: US$ 15 mi), conforme relatado em post no Twitter/X pelo analista Greg Cordell. A postagem chama atenção pois amplia e oficializa o quadro de endividamento financeiro da holding, que enfrentou uma profunda crise corporativa e legal no fim de 2025.
Eagle Football Holdings Bidco Ltd issued another $20m of debt on 12 Dec 2025 via Series D Notes (D1: $5m; D2: $15m).
— Greg Cordell (@gregorypcordell) December 24, 2025
Michele Yang (via YMK Holdings) is part of the Ares-led lender group, but Iconic Sports is not (both were lenders for the $102m Series C issue in Jul '25). pic.twitter.com/2EW2QYQzmI
Tradução do Tweet de Greg Cordell: Eagle Football Holdings Bidco Ltd emitiu mais US$ 20 milhões em dívida em 12 de dezembro de 2025 por meio de Notas da Série D (D1: US$ 5 milhões; D2: US$ 15 milhões).
Michele Yang (via YMK Holdings) faz parte do grupo de credores liderado pela Ares, mas a Iconic Sports não (ambas foram credoras na emissão da Série C de US$ 102 milhões em julho de 25).
Esse registro surge em meio a um período de intenso escrutínio sobre a saúde financeira do grupo que controla clubes como o Botafogo (Brasil), Olympique Lyonnais via Eagle Group Fooball (França) e RWDM Brussels (Bélgica), bem como seu papel na gestão dessas entidades esportivas.
A Eagle Football Holdings Bidco, atravessa um turbilhão de conflitos estratégicos e financeiros que vão além dessa emissão adicional de dívida:
Endividamento elevado
Relatórios financeiros recentes mostram que o grupo apresenta dívida financeira líquida alta e crescimento de passivos, com obrigações de mais de €500 milhões (R$3,1 Bilhões) conforme resultados do período financeiro 2024/25.
Em outras estimativas do mercado, dívidas combinadas de entidades sob a Eagle podem somar valores na casa de centenas de Bilhões de dólares, refletindo desafios de liquidez e sustentabilidade.
Disputas judiciais com investidores
A Eagle Holdings BidCO está envolvida em litígios com credores como a Ares Management e a Iconic Sports, que contestam decisões societárias e direitos acionários de Textor. Em certos cenários, a Ares pode assumir controle acionário ou impor restrições de gestão em troca de sua exposição creditícia. Já que Textor não está conseguindo solucionar o problema e outros sócios-investidores perderam a confiança nele neste momento. Onde aguardam o desfecho da Iconic Sports vs John Textor na justiça comercial britânica.
Congelamento de bens e cobrança judicial
No Brasil, uma decisão judicial determinou o congelamento de bens da Eagle, impondo o pagamento de aproximadamente €23 milhões (mais de R$ 150 milhões) à SAF do Botafogo em razão de dívidas reconhecidas entre as partes.
Perdas e pressões financeiras no futebol europeu
O clube francês Lyon, também controlado pela Eagle, enfrentou dificuldades financeiras relatadas publicamente, com prejuízos expressivos e necessidade de ajustes para atender às normas financeiras do futebol local.
Implicações do registro de dívida de US$ 20 milhões (R$108,6 Milhões)
O fato de a Eagle registrar mais US$ 20 milhões (R$108,6 Milhões) em dívida em dezembro de 2025 é sintomático de duas pressões simultâneas:
Financiamento contínuo da operação corporativa — apesar da crise, a holding continua a captar e reestruturar compromissos de crédito para manter operações e cumprir obrigações com clubes sob seu guarda-chuva.
Deterioração da confiança de mercado — novas emissões de dívidas em um contexto de estresse financeiro podem aumentar os custos de capital e agravar a percepção de risco sobre a capacidade de pagamento da empresa.
Especialistas financeiros ouvidos por analistas de mercado nas redes sociais interpretam esse movimento como indicador de tensão financeira persistente, que pode afetar desde negociações de transferências até decisões estratégicas de longo prazo — inclusive envolvendo possíveis vendas de ativos ou mudanças no controle acionário, especialmente se disputas judiciais se agravarem.
A Eagle emitiu Notas de dívida da Série D — que são instrumentos de crédito com vencimentos e condições específicas para captar recursos.
Divisão da emissão: Os US$ 20 milhões foram divididos em duas partes (D1: US$ 5 mi e D2: US$ 15 mi), o que normalmente indica diferentes prazos ou prioridades de pagamento entre elas.
Garantias: A terceira posição de garantia sobre ações na Eagle Football Group (grupo que controla clubes como o Olympique Lyonnais) significa que esses títulos têm um tipo de segurança acima de alguns credores, mas abaixo de outros mais prioritários — o que tende a influenciar o risco percebido pelos investidores.
Essa emissão de dívida de US$ 20 milhões (R$108,6 Milhões) em dezembro de 2025 aparece em meio a um ambiente financeiro tenso para o conglomerado de clubes sob controle do empresário John Textor, refletindo a estratégia da holding em captar recursos adicionais mesmo sob grande endividamento e pressão judicial e operacional.
Impactos diretos sobre os clubes controlados
No Botafogo:
O clube e sua SAF se tornaram um dos principais pontos de tensão financeira do grupo: decisões judiciais congelaram bens da Eagle no Brasil e determinaram pagamentos imediatos de dívidas milionárias com o Botafogo.
Além de padrões de dívida entre entidades do grupo, há disputas judiciais que podem mudar direções estratégicas, incluindo possíveis recompras ou mudanças de controle da SAF.
O efeito de US$ 20 milhões de dívida pode reduzir a capacidade de capital próprio do clube, pois isso aumenta a pressão sobre o caixa único da holding, potencialmente impactando repasses para o Botafogo. Isso é especialmente crítico quando o clube já enfrenta litígios internos e cobranças de empréstimos entre empresas do grupo.
Olympique Lyonnais/OL/ Lyon (França)
O clube francês foi colocado sob escrutínio financeiro severo: em 2025, a DNCG (órgão financeiro do futebol francês) chegou a rebaixar o clube provisoriamente por questões orçamentárias e dívidas elevadas, em um episódio que forçou Textor a sair da presidência.
Relatórios de contas indicam déficits consideráveis e níveis de dívida que exigem recapitalização ou acordos com credores.
A emissão extra de dívida pelos veículos da Eagle pode agravar o desafio de cumprir requisitos financeiros da DNCG e reduzir margem de manobra para investimentos ou saldar débitos, elevando o risco de sanções esportivas ou restrições de mercado.
RWDM Brussels (Bélgica)
Embora relativamente menor em termos de receita, o clube também faz parte do portfólio e sofre efeitos colaterais de uma holding pressionada por credores e necessidade de liquidez, o que pode afetar investimentos em time e infraestrutura.
Risco estratégico e de governança de Textor comprometida
Tensões internas e disputas societárias
A crise financeira tem gerado disputas entre Textor e outros investidores, como Iconic Sports, que podem culminar em mudanças de participação acionária na Eagle inclusive risco de perda de controle do empresário sobre a holding principal. Já que terá que vender boa parte das ações que possui atualmente 65,4%, tempos atrás, Textor chegou a ter 80% das Ações da Eagle Holdings BidCo.
Restrição de liquidez e custo de capital elevado
A necessidade de emitir mais dívida em condições menos favoráveis é sintomática de restrição de liquidez: quando uma empresa já está pressionada financeiramente, as novas emissões muitas vezes vêm com juros mais altos ou garantias exigentes, complicando ainda mais a estrutura de capital do grupo.
O efeito da dívida de US$ 20 milhões no panorama geral
Sintetizando os impactos principais:
Menor folga financeira imediata — mais dívida significa menos caixa livre para operar, fazer investimentos ou suportar choques inesperados.
Maior risco de conflito entre credores e acionistas, investidores podem pressionar por controle ou mudanças estratégicas, inclusive vendendo ativos.
Potenciais restrições esportivas e administrativas, principalmente no caso do Lyon em função de regras de fair play financeiro.
Tensão maior entre clubes do grupo, redistribuir recursos entre clubes gastando mais em dívida pode gerar conflitos internos e afetar desempenho esportivo.
Em resumo
A emissão de US$ 20 milhões em nova dívida pela Eagle Football Holdings BidCo é mais do que um número isolado: é um sinal de que a holding enfrenta dificuldades persistentes de liquidez e precisa de capital adicional para continuar operando no curto prazo, num momento em que seus clubes também enfrentam desafios financeiros, regulamentares e judiciais severos. Essa dinâmica pode influenciar desde a estabilidade da gestão até o desempenho esportivo e a governança dos clubes sob seus domínios.

