Na manhã desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a Comissão de Licenciamento da Federação Belga de Futebol divulgou os números financeiros dos clubes profissionais da Bélgica referentes ao exercício de 2025, mostrando uma melhora significativa em relação ao ano anterior, mas uma situação ainda precária no conjunto do futebol profissional belga.
Resultados gerais: prejuízo total ainda elevado
Os clubes profissionais belgas registraram um prejuízo líquido combinado de cerca de €70 milhões em 2025, uma redução expressiva em comparação com o déficit de cerca de €160 milhões em 2024. Mesmo assim, os números ainda permanecem fortemente negativos.
A redução do prejuízo foi impulsionada por melhores resultados de alguns clubes, maior disciplina financeira e um contexto de receitas um pouco mais saudáveis em certos casos — mas a situação ainda está longe de ser sustentável a médio ou longo prazo.
Quem perdeu mais dinheiro?
Entre os clubes que tiveram resultados negativos em 2025, os maiores déficits foram registrados por:
Lommel SK — quase €21 milhões negativo
RWDM — aproximadamente €15,3 milhões negativo
Standard de Liège — cerca de €13,7 milhões negativo
Westerlo — cerca de €11,8 milhões negativo
Esses números refletem um cenário em que clubes menores, ou com menores receitas de mídia e bilheteria, lutam para equilibrar despesas operacionais e encargos financeiros com receitas limitadas.
Clubes que conquistaram lucro
Apesar da ampla maioria de clubes no vermelho, dez equipes fecharam o ano no azul. Entre elas, destacam-se:
Club Brugge — liderança clara com mais de €18 milhões de lucro
Patro Eisden — cerca de €5,8 milhões positivo (ajudado por transferências e um aumento de capital superior a €10 milhões)
Union Saint-Gilloise — cerca de €4,2 milhões positivo
KRC Genk — cerca de €3,9 milhões positivo
Sint-Truiden (STVV) — cerca de €3,6 milhões positivo
KAA Gent — cerca de €1,8 milhões positivo
Royal Antwerp — cerca de €1,2 milhões positivo
Esses clubes conseguiram equilibrar melhor suas contas com receitas relativamente maiores de transferências, participação em competições europeias ou gestão mais contida de custos.
Fatores que explicam a melhora — e os riscos que ainda existem
Um elemento crucial para que os resultados coletivos tenham melhorado foi a injeção de cerca de €200 milhões em capital pelos proprietários dos clubes ao longo de 2025 — algo que “tampou buracos”, mas sem resolver a raiz dos desequilíbrios financeiros.
A própria Jupiter Pro League belga apontou alguns fatores que contribuíram para a melhora dos números:
Supervisão financeira mais rigorosa sobre os clubes
Aumento de receitas de competições europeias para alguns clubes
Saldo positivo na balança de transferências em várias equipes
Por outro lado, a liga alertou que essas melhorias são frágeis, e que o futebol belga ainda enfrenta ameaças econômicas importantes:
A transferência de jogadores continua volátil, dependendo muito de janelas de mercado favoráveis.
A incerteza em torno dos direitos de transmissão de TV que são uma fonte essencial de receita, ainda pesa sobre as expectativas dos clubes.
Custos de serviços bancários e crédito estão subindo, pressionando ainda mais as finanças das equipes.
Essa combinação de fatores mostra que, embora a situação tenha melhorado em comparação ao ano passado, o futebol profissional belga permanece em uma posição delicada e vulnerável.
Punição ao RWDM
Apenas uma equipe foi oficialmente punida pela Jupiter Pro League por não cumprir os requisitos financeiros mínimos: o RWDM Brussels que tem John Textor como dono do clube, recebeu uma dedução de um ponto na classificação por não conseguir melhorar seu patrimônio líquido conforme exigido pelo regulamento financeiro da liga. Isso torna o caso um aviso exemplar sobre a importância de adequação às regras de sustentabilidade.
Perspectivas para o futuro
Os números divulgados pela Comissão de Licenciamento mostram um setor que parece estar, pelo menos em parte, ajustando suas contas e melhorando seus resultados — mas permanece dependente de injeções externas de capital e sujeito a riscos macroeconômicos e esportivos.
A sustentabilidade financeira de longo prazo ainda é um objetivo distante para muitos clubes, especialmente aqueles sem grandes receitas próprias ou presença regular em competições internacionais.
Com informações Sporza.be
