Eagle Holdings BidCo informa na justiça que John Textor sequestrou a gestão da SAF Botafogo, e que o Clube Associativo está operando em conluio com ele

 

Novos capítulos da conturbada novela, na SAF Botafogo ainda comandada por John Textor, recebeu mais um choque de realidade, acumulando aos vários problemas recentes: Empréstimo disfarçado de aporte, pedido de demissão de Thairo Arruda do cargo de CEO da SAF, Ares Management informando a grandiosa dívida na Eagle BidCo. E o caos só aumenta, durante a grande tempestade que está sob o Botafogo. 


Em petição protocolada na última terça-feira 10/2, a Eagle Holdings BidCo afirmou que o empresário americano John Textor “sequestrou” a gestão da SAF do Botafogo com a conivência do clube social. No documento, a empresa também pede que a Justiça indefira três solicitações feitas pelo Botafogo associativo: a inclusão de Textor como réu na ação em curso, o ressarcimento de R$ 155 milhões ao clube social e a nomeação de um interventor no conflito entre as partes.


Segundo trecho da petição obtida pela reportagem, a Eagle sustenta que houve uma mudança de postura por parte do associativo.


— A mudança repentina de postura do Clube Associativo não engana. O seu suposto arrependimento, além de extemporâneo, é fabricado tão somente para esta demanda. Afinal, enquanto o Sr. Textor dissemina na mídia mentiras e bravatas sobre “aportes” na SAF Botafogo, mesmo sem possuir poderes para tanto e cujos termos, aparentemente, constrangem até seus mais fiéis adeptos, o presidente do Clube Associativo, Sr. João Paulo Magalhães Lins, reuniu-se mais uma vez com o Sr. Textor e disse à imprensa que poderia apoiar mais uma das suas manobras — diz o texto.


Ainda de acordo com a empresa, o clube social não teria apontado atos concretos que justificassem o pedido de intervenção.


— De qualquer forma, o Clube Associativo nunca apontou qualquer ato concreto de ilegalidade, violação estatutária, abuso de poder ou desvio de finalidade por parte da Eagle Bidco que justificassem seu abstrato pedido de intervenção. Até porque o poder de gestão da Eagle Bidco está atualmente sequestrado pelo Sr. Textor que, como visto, opera com conivência decisiva e diária do Clube Associativo.


A petição faz parte de um processo que se arrasta desde julho de 2025. No segundo semestre do ano passado, a Eagle recorreu à Justiça alegando a adoção de “medidas ilícitas” por parte de Textor e solicitando a suspensão de atos praticados pelo empresário no Botafogo.


O Botafogo associativo já havia desistido anteriormente do pedido de nomeação de um interventor. Ao longo da nova manifestação, a Eagle argumenta que as solicitações do clube social foram apresentadas fora do momento processual adequado e que houve tentativa de reformulação da narrativa após contribuição para o que chama de “caos financeiro”.


Além de completamente descabidos do ponto de vista processual, os pedidos do Clube Associativo revelam uma súbita mudança na sua postura diante do caos financeiro com que, frise-se, ele próprio cooperou e contribuiu no âmbito da SAF Botafogo. Sem qualquer constrangimento, o Clube Associativo deu um passo atrás e reformulou toda a sua narrativa, fingindo-se de rogado para imprimir um falso senso de isenção na disputa. Trata-se, no caso, de uma tentativa de terceirizar a culpa por atos praticados em conluio com o Sr. Textor — afirma outro trecho.


Na prática, a Eagle Holdings Bidco solicita que eventuais pretensões do Botafogo social sejam analisadas em uma nova ação judicial, e não como parte das contrarrazões no processo já em andamento.


A empresa também acusa o associativo de transformar a ação cautelar pré-arbitral em um “processo universal” sobre os assuntos do clube, alegando desrespeito ao Código de Processo Civil e à Constituição Federal. Em relação ao pedido de ressarcimento de R$ 155 milhões, a Eagle Holdings BidCo afirma desconhecer a composição do suposto dano — relacionado ao passivo da SAF — e questiona por que seria responsabilizada a indenizar o clube associativo, e não a própria SAF, apontada como eventual prejudicada.


Procurada pela reportagem, a defesa do Botafogo associativo declarou que a situação financeira e administrativa da SAF vem se deteriorando em razão dos desdobramentos da disputa entre Eagle e John Textor.


— Está aprovado e comprovado nos autos que durante todos esses meses a situação financeira e administrativa da SAF se deteriora cada vez mais, por condutas praticadas pelos sócios da Eagle que se acusam mutuamente de desvios e fraudes — afirmou a defesa do clube social.


Com informações GE

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