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General Severiano em 2023 - Foto: Arthur Barreto/Botafogo/Divulgação) |
O clube associativo do Botafogo vem atuando de forma discreta, porém estratégica, para retirar John Textor do comando da SAF e reestruturar o futuro financeiro do futebol alvinegro. Segundo fontes ouvidas pelo blog do Diogo Dantas, além das tentativas de conter decisões consideradas controversas do empresário Norte-americano — que teriam direcionado cerca de R$ 138 milhões para outras equipes —, há um movimento em curso para viabilizar sua saída por meio da Justiça.
Essa articulação não é recente. Ela começou a ganhar força meses atrás, quando surgiram indícios das primeiras operações questionadas. Desde então, o banco BTG foi acionado para prospectar um novo investidor interessado em assumir o controle da SAF. A estratégia da diretoria é clara: só avançar com o afastamento de Textor quando houver uma alternativa sólida pronta para assumir.
Mesmo com a possível entrada de novos investidores, a avaliação interna é de que um processo de recuperação judicial será inevitável para reorganizar as finanças do clube. Até que esse cenário se concretize, a orientação segue sendo de cautela e silêncio, evitando ruídos que possam atrapalhar negociações ou impactar o desempenho esportivo. Também há preocupação em não gerar insegurança entre os torcedores.
Botafogo Associativo, Eagle e Ares preparam ofensiva em tribunal arbitral na FGV para destituir Textor do comando da SAF
A disputa, no entanto, caminha para um desfecho jurídico. O tribunal arbitral da Fundação Getulio Vargas está sendo instaurado para decidir o futuro da SAF. A intenção do Botafogo Associativo é retirar Textor também da Eagle Football Holdings, abrindo caminho para a venda a novos investidores. Em paralelo, há uma ação da própria Eagle junto da Ares, fundo que financiou a operação da empresa controlada pelo empresário. Desde 30 de Junho de 2025, John Textor não tem mais poder no clube francês.
No cenário internacional, Textor já perdeu espaço: ele não possui mais controle efetivo no Lyon, da França. No Brasil, a situação também se complica. Em 2024, a Justiça do Rio anulou reuniões realizadas sob sua gestão que alteravam a estrutura da SAF, classificando-as como irregulares. Apesar disso, foi determinado que ele permanecesse no cargo até nova análise do tribunal arbitral.
A disputa inclui acusações de conflito de interesses e decisões que poderiam diluir a participação da Eagle, além de transferir ativos do Botafogo para empresas ligadas ao próprio Textor — pontos que, segundo os envolvidos, acabaram sendo confirmados ao longo do processo.
Em 2025, a Justiça do Rio de Janeiro anulou as reuniões realizadas em 17 de julho que haviam mudado a composição da diretoria e do conselho da SAF Botafogo. As decisões, tomadas sob a presidência de Textor, foram consideradas irregulares pela 2ª Vara Empresarial da Capital. Na ocasião, o juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima determinou que o empresário Norte-americano siga no comando da SAF até que o caso seja reavaliado pelo tribunal arbitral da Fundação Getulio Vargas.
Neste processo, a Eagle Football Holdings afirma que as reuniões de julho foram realizadas sem sua representação válida e em situação de conflito de interesses. Nessas reuniões, foram aprovadas medidas que incluíam a possibilidade de um aumento de capital de até R$ 650 milhões e um empréstimo de €100 milhões de euros (R$609 milhões) — operações que, segundo a Eagle, poderiam diminuir sua participação na empresa e transferir ativos do Botafogo para companhias ligadas a Textor, o que acabou se comprovando, com este empréstimo disfarçado de aporte via GDA Luma.
Mais recentemente, em janeiro de 2026, a Justiça proibiu Textor de negociar jogadores da SAF sem autorização judicial, após indícios de uso de recursos do Botafogo para cobrir dívidas do Lyon. Tentativas de venda de atletas foram barradas. Ainda assim, ele mantém poderes relevantes dentro da SAF, como assinar contratos e movimentar recursos — o que mantém a tensão elevada e indica que a batalha está longe de terminar.
Com informações Blog do Diogo Dantas
