John Textor e João Paulo Magalhães Lins - Foto Reprodução
Em meio à escalada da tensão política no Botafogo, membros do Clube Social, o Botafogo Associativo articula para evitar que o programador e empresário Norte-americano John Charles Textor, dono da SAF alvinegra, promova a saída do clube da Eagle Football Holdings BidCo e, assim, fique livre para ampliar o nível de endividamento da operação no Brasil.
Textor tenta emitir novas ações da SAF com o objetivo de manter o controle acionário. Publicamente, o discurso é de que o movimento permitiria novos investimentos por meio de parceiros como a GDA LUMA e a Hutton Capital. No entanto, internamente, a narrativa encontra forte resistência no associativo do clube.
Desconfiança sobre o modelo financeiro
A diretoria do clube social não se convence com os argumentos apresentados. Há uma percepção crescente de que o modelo adotado por Textor repete um padrão já observado: aumento do endividamento da SAF para financiar operações externas dentro da rede multiclubes. Esse mecanismo, frequentemente associado ao “factoring” (antecipação de recebíveis), levanta preocupações sobre a sustentabilidade financeira do Botafogo.
Além disso, o fluxo de recursos entre clubes da Eagle tornou-se alvo de questionamentos. A falta de transparência em operações envolvendo equipes como o Olympique Lyonnais e o RWDM Brussels reforça a percepção de que recursos estariam sendo drenados do Brasil para sustentar outras estruturas do grupo.
Estimativas internas indicam que, em cerca de quatro anos, aproximadamente R$ 138 milhões teriam sido retirados da SAF do Botafogo. Parte relevante disso envolve o último empréstimo internacional contraído pelo clube, no valor de US$ 25 milhões, dos quais cerca de US$ 10 milhões foram destinados ao pagamento de dívida com o Atlanta United pela contratação do jogador Thiago Almada, encerrando o o Transfer Ban que durou por 38 dias de 30/12/2025 à 06/02/2026.
Outro ponto sensível foi o envio de recursos ao RWDM Brussels, clube belga da Eagle Holdings, após a recontratação do atleta Huguinho — operação considerada questionável dentro do próprio conselho. O mais crítico: esse repasse já estaria previsto em contrato, mas a ausência de documentação detalhada levou o Botafogo associativo a se abster na votação que autorizaria a operação.
Durcesio Mello: omissão decisiva e alinhamento indireto
Um dos pontos mais sensíveis — e politicamente explosivos — envolve a atuação do ex-presidente Durcesio Mello no Conselho de Administração da SAF.
No momento mais crítico da votação que aprovou o empréstimo estruturado como “aporte”, Durcesio optou por votar nulo, mesmo diante de alertas sobre juros elevados, garantias agressivas e risco de perda de controle societário.
Na prática, esse voto teve efeito direto no resultado: permitiu que John Textor construísse maioria com o apoio de dois novos membros ligados à sua estrutura internacional — Jordan Fiksenbaum e Kevin Weston.
Ambos, recém-integrados à Eagle BidCo em Novembro de 2025, e considerados próximos de John Textor, votaram favoravelmente à operação, consolidando a aprovação do empréstimo disfarçado de aporte.
O conselho era composto justamente por esses quatro nomes — Textor, Durcesio, Weston e Fiksenbaum — e exigia maioria simples para validar a operação. Com dois votos favoráveis alinhados ao controlador e a abstenção do representante do associativo, o caminho ficou livre.
Risco jurídico e temor de ruptura
O cenário atual é visto como potencialmente perigoso. Há o entendimento de que Textor busca se desvincular da Eagle para manter o controle direto do Botafogo, mas o clube possui compromissos contratuais com a holding. Uma ruptura poderia deixar a SAF juridicamente vulnerável, especialmente em meio às disputas internacionais pelo controle da empresa.
O presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães, tem atuado para preservar os direitos da instituição e garantir o cumprimento do acordo vigente com a Eagle. Entre as estratégias discutidas estão dois caminhos principais:
Recuperação judicial da SAF, com o objetivo de reestruturar dívidas e organizar pagamentos a credores — modelo já adotado por outros clubes brasileiros.
Busca por novos investidores, alternativa considerada mais estrutural e de longo prazo, mas que já começa a ser avaliada nos bastidores. Nomes como Todd Boehly Acionista do Chelsea e do Strasbourg, e por ser investidor na GDA Luma se junta aos nomes especulados em Setembro de 2025: Andrea Radrizzani, John Elkann, Gerry Cardinale, Juca Abdalla, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan (Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi) em parceria com o amigo Hamdan bin Mohammed Al Maktoum, príncipe herdeiro de Dubai, conhecido como Fazza. Além desses, o Botafogo Associativo e a Ares Management Corporation, veem com bons olhos uma coalização com a Iconic Sports de Jamie Dinan, Alexander Knaster e Edward Eisler, a Iconic Sports disputa com John Textor dinheiro emprestado na aquisição do Lyon em 2022, e nos próximos meses terá o julgamento completo, para pôr fim a disputa que está vigente em Londres, desde 3 de Julho de 2025. Outro nome especulado de investidores, são o de Jean-Pierre Conte da Genstar Capital e ex-membro do conselho administrativo da Eagle Holdings BidCo, e outro nome bem avaliado por João Paulo Magalhães Lins, é o do Sheik Mohammed bin Abdullah Al Thani, apelidado de Moe Al Thani, o bilionário emiradense, é membro da Casa Catari de Al Thani, bem como da família real emiradense Al-Qasimi. João Paulo Magalhães, já se encontrou pessoalmente com Moe, meses atrás. Outros possíveis novos investidores, estão ligados ao futebol saudita e ao fundo soberano PIF.
Esse segundo ponto, inclusive, ganha força diante da percepção de desgaste na relação com Textor e da necessidade de estabilizar a governança.
Disputa de poder e incertezas
Atualmente, Textor mantém o controle da SAF graças a uma liminar obtida na Justiça do Rio de Janeiro. A decisão, porém, está sob análise de um tribunal arbitral e pode ser revertida a qualquer momento.
No exterior, a situação também é delicada. Na estrutura da Eagle, Textor já perdeu o direito de nomear administradores, embora ainda seja o acionista majoritário. Trata-se, portanto, de uma disputa por poder — não necessariamente por propriedade.
Mesmo com apenas 10% da SAF, o Botafogo associativo exerce influência significativa e tem conseguido impor limites às decisões do controlador. Em resposta, Textor sustenta que eventuais agravamentos financeiros decorreriam de interferências do clube social — argumento amplamente contestado internamente.
Judicialização crescente
O conflito já se reflete em múltiplas frentes jurídicas:
A SAF do Botafogo move ação contra a Eagle cobrando valores repassados ao Lyon.
A Eagle, por sua vez, processa a SAF buscando anular decisões que garantem a permanência de Textor no comando.
Caso o empresário perca o controle da SAF, qualquer tentativa de transferir dívidas ao clube associativo dependerá de novas disputas judiciais, o que amplia ainda mais o nível de incerteza.
O caso Botafogo expõe, de forma emblemática, os desafios do modelo de SAF no Brasil quando inserido em estruturas globais de multiclubes. A falta de transparência, o uso de mecanismos financeiros complexos e a disputa de poder entre controlador e associação colocam em risco não apenas a estabilidade do clube, mas também a credibilidade do modelo.
A tentativa de saída da Eagle, sob o argumento de novos investimentos, é vista com cautela — e até desconfiança — por parte do associativo. No atual cenário, preservar contratos, garantir governança e evitar o aumento descontrolado da dívida tornaram-se prioridades absolutas.
O desfecho dessa disputa pode redefinir não apenas o futuro do Botafogo, mas também estabelecer precedentes importantes para o futebol brasileiro sobre como os contratos para clubes serem SAF, devem ser feitos, e que cláusulas devem ser inclusas.
O cenário tá nítido, a saída de John Textor será benéfica em todos os sentidos, até os maiores passapanistas da gestão temerária, já não possuem ¨mais pano¨ para passarem. Os ditos ¨agentes do caos¨ sempre souberam, o que estava acontecendo. Eles não vão pedir desculpas ou se retratar, apenas se escondem. O Botafogo continua, tal como o hino cantado na Final da Libertadores: OS JOGADORES VÃO E VÊM... QUE AGORA VIRA, OS BILIONÁRIOS VÃO E VÊM... Mas você nunca está só. Sua torcida te quer bem. Não te abandona na pior.

