Botafogo rebate números inflados, mas evita pontos-chave e levanta novas dúvidas sobre transparência financeira
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John Textor - Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Gazeta Press |
O Botafogo de Futebol e Regatas não possui uma dívida de R$ 3 bilhões — ao menos é o que afirma oficialmente a SAF do clube. Diferentemente do que foi publicado pelo jornal O Globo e amplamente disseminado nas redes sociais, a versão apresentada pela gestão liderada por John Textor aponta para um passivo significativamente menor.
No dia a dia da SAF Botafogo como empresa, e dadas as questões de confidencialidade envolvidas, é impossível responder a todas as notícias que surgem. Mas chama a atenção a forma como parte da imprensa tradicional está veiculando em grande volume informações incorretas que… pic.twitter.com/me7gDAD0X1
— Botafogo F.R. (@Botafogo) March 24, 2026
Em nota oficial divulgada na noite de terça-feira (24/3), a SAF contestou os números e apresentou sua própria leitura dos fatos. No entanto, embora o comunicado traga argumentos técnicos e dados comparativos, ele também levanta questionamentos relevantes — principalmente pelo que deixa de dizer.
A dívida: menor do que R$ 3 bilhões, mas ainda alarmante
No trecho mais sensível da nota, o clube afirma:
“Dívida estimada em R$ 3 bilhões” → esse montante não procede.
Segundo a SAF, o valor real estaria “seguramente” próximo da metade disso. Ainda assim, fontes indicam que o passivo já teria atingido cerca de R$ 2,6 bilhões, um número que, embora inferior ao divulgado inicialmente, continua extremamente elevado.
A comparação com o passado é um dos pilares da defesa. Em 2021, antes da SAF, o clube social tinha receita de R$ 118 milhões frente a uma dívida de R$ 1,2 bilhão — uma relação considerada crítica. Hoje, segundo a gestão, o endividamento estaria entre 1 e 2 vezes a receita anual, o que seria um patamar mais saudável.
“No dia a dia da SAF Botafogo como empresa, e dadas as questões de confidencialidade envolvidas, é impossível responder a todas as notícias que surgem. Mas chama a atenção a forma como parte da imprensa tradicional está veiculando em grande volume informações incorretas que necessitam de imediata reparação. É um exercício nada complexo saber quem é a fonte da desinformação e os seus reais interesses. Tais ataques prejudicam diretamente o Botafogo, sua reputação global e os projetos esportivos e corporativos.
Consideramos importante responder a cada uma dessas notícias. Seguem abaixo:
1) 24 de março de 2026
“John Textor repassou R$ 110 milhões de aporte obrigatório para compra da SAF do Botafogo ao Lyon”. Especialistas independentes avaliam se operação pode ter resultado em quebra do acordo de acionistas.
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/24/john-textor-repassou-r-110-milhoes-de-aporte-obrigatorio-para-compra-da-saf-do-botafogo-ao-lyon.ghtml
– A fonte do Jornal O Globo registrou o envio de R$ 110 milhões do Botafogo ao Lyon, mas foi leviana ao não informar que, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Lyon transferiu mais de R$ 233,7 milhões (€38 milhões) ao Botafogo.
– A reportagem preferiu fazer valer a informação da “fonte” – sempre oculta, anônima, nunca revelada. Mesmo ciente de que houve novos aportes, a informação foi ignorada. Fica clara a intenção de passar a imagem de que havia “algo suspeito”.
– Quanto à afirmação de que “a SAF pode não ter cumprido o Acordo de Acionistas”: o Acordo prevê aporte de 400 milhões de reais, orçamento mínimo anual do futebol de 100 milhões e orçamento geral mínimo de 200 milhões. A contribuição total exigida foi depositada antecipadamente, desde maio de 2024, quase um ano antes do prazo previsto.
→ Em 2025, o orçamento anual geral cumpriu mais de 5 vezes a meta mínima, e o do futebol, mais de 3 vezes.
→ Grandes investimentos em ativos fizeram o valor do elenco (valuation) saltar para cerca de 750 milhões de reais, estimam os sites especializados mais conservadores. A SAF foi muito além e apresentou investimentos significativamente superiores em todos os quesitos.
– Não custa lembrar a reportagem de fevereiro de 2021, que relatava que o Botafogo não tinha sequer bolas para treinar, segundo um ex-dirigente. Hoje, a SAF possui uma das melhores infraestruturas de treinamento, jogo e corporativa do Brasil.
2) 23 de março de 2026
“Textor deu poderes a si para representar ‘isoladamente’ SAF do Botafogo em empréstimo”
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/03/textor-deu-poderes-a-si-para-representar-isoladamente-saf-do-botafogo-em-emprestimo.ghtml
– Uma ata pública de poucas páginas, registrada e divulgada entre os poderes do clube, foi tirada de contexto com o único intuito de causar desinformação.
– Textor não deu poderes para si mesmo. É uma questão natural: o antigo CEO, Thairo Arruda, renunciou ao cargo. Como os dois eram os únicos diretores estatutários, é natural que Textor permanecesse como o único tomador de decisão.
– “Textor elegeu a aplicação da lei suíça para toda receita relacionada com transferências de atletas da equipe profissional do Botafogo”, diz a reportagem.
→ A escolha da Suíça é natural e foi uma exigência do novo credor: é onde está sediada a FIFA, entidade máxima do futebol, e onde disputas relacionadas ao futebol são resolvidas.
– “Foi concedida uma procuração à credora (GDA Luma) para praticar todos os atos em nome da SAF”, diz a reportagem.
→ Isso não procede. O que ocorreu foi o reconhecimento das garantias à credora caso o empréstimo não fosse pago – uma “procuração com finalidade específica” é uma prática padrão em qualquer transação bancária dessa natureza.
– “Dívida estimada em R$ 3 bilhões” → esse montante não procede. Em 2021, a receita do Clube Social, antes da SAF, era de 118 milhões para uma dívida de 1,2 bilhão (relação de 1 para 10, absolutamente crítica).
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→ A maior parte da “dívida” são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
→ A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
→ O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
→ O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite.
3) 20 de março de 2026
“As operações entre Botafogo e Lyon envolvendo Luiz Henrique, Almada e cia. que revelam o ‘modo Textor’ nas finanças”
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/20/as-operacoes-entre-botafogo-e-lyon-envolvendo-luiz-henrique-almada-e-cia-que-revelam-o-modo-textor-nas-financas.ghtml
– Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
– Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
– Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
– O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
– Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este ‘Modelo Textor’ e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
– Os problemas financeiros atuais não foram causados por este modelo de negócios único. Eles foram causados pela interrupção intencional deste modelo.
– O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos.
Completamos, neste mês de março, 4 anos de SAF. Muitas situações não ocorreram como planejávamos, outras foram ainda melhor do que a gente poderia imaginar. Sabemos da nossa responsabilidade e seguiremos trabalhando por um Botafogo protagonista, com o sentimento de que precisamos de um Clube unido para que tudo isso reflita em um futebol forte e campeão.”
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
— Botafogo F.R. (@Botafogo) March 24, 2026
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→…
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→ A maior parte da "dívida" são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
→ A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
→ O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
→ O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite.
3) 20 de março de 2026
"𝘼𝙨 𝙤𝙥𝙚𝙧𝙖𝙘̧𝙤̃𝙚𝙨 𝙚𝙣𝙩𝙧𝙚 𝘽𝙤𝙩𝙖𝙛𝙤𝙜𝙤 𝙚 𝙇𝙮𝙤𝙣 𝙚𝙣𝙫𝙤𝙡𝙫𝙚𝙣𝙙𝙤 𝙇𝙪𝙞𝙯 𝙃𝙚𝙣𝙧𝙞𝙦𝙪𝙚, 𝘼𝙡𝙢𝙖𝙙𝙖 𝙚 𝙘𝙞𝙖. 𝙦𝙪𝙚 𝙧𝙚𝙫𝙚𝙡𝙖𝙢 𝙤 '𝙢𝙤𝙙𝙤 𝙏𝙚𝙭𝙩𝙤𝙧' 𝙣𝙖𝙨 𝙛𝙞𝙣𝙖𝙣𝙘̧𝙖𝙨"
📰 Reportagem: O Globo
- Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
- Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
- Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
- O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
- Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este 'Modelo Textor' e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
- Os problemas financeiros atuais não foram causados por este modelo de negócios único. Eles foram causados pela interrupção intencional deste modelo.
- O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos.
Completamos, neste mês de março, 4 anos de SAF. Muitas situações não ocorreram como planejávamos, outras foram ainda melhor do que a gente poderia imaginar. Sabemos da nossa responsabilidade e seguiremos trabalhando por um Botafogo protagonista, com o sentimento de que precisamos de um Clube unido para que tudo isso reflita em um futebol forte e campeão. #BFR
Mas essa narrativa não responde uma questão central: se a situação é tão controlada, por que os números completos ainda não foram apresentados?
O silêncio sobre o déficit e a ausência de transparência
Um ponto que chama atenção é que, em nenhum momento, a nota aborda diretamente o déficit financeiro atual. Tampouco há detalhamento completo do fluxo de caixa ou das obrigações de curto prazo.
Se o cenário é de fato positivo, por que não divulgar imediatamente um balanço financeiro completo?
A ausência dessas informações levanta suspeitas e alimenta críticas sobre falta de transparência. No ambiente corporativo, especialmente em estruturas como SAFs, a confiança é sustentada por dados auditáveis — e não apenas por comunicados institucionais.
A pergunta que fica: há receio em expor integralmente as contas?
Dívida “qualificada” ou narrativa conveniente?
Outro ponto central da defesa da SAF é a distinção entre tipos de dívida. O clube argumenta que grande parte do passivo atual está ligada a investimentos em jogadores — ativos que ainda podem gerar retorno financeiro.
De fato, há uma diferença conceitual entre dívida operacional e investimento em ativos esportivos. A SAF afirma que:
O elenco atual e a base valem mais de R$ 1,2 bilhão
O passivo herdado do clube social foi reduzido em R$ 600 milhões
O nível de endividamento está dentro dos limites do acordo de acionistas
Ainda assim, críticos apontam que essa distinção pode ser usada para suavizar a percepção pública. Afinal, independentemente da natureza, dívida continua sendo dívida — especialmente quando há compromissos financeiros relevantes a vencer.
O caso Lyon e o “modelo Textor”
A nota também rebate reportagem sobre transferências financeiras envolvendo o Olympique Lyonnais, outro clube da rede de Textor.
Segundo a SAF:
O envio de R$ 110 milhões ao Lyon foi contextualizado de forma incompleta
O clube francês teria transferido mais de R$ 233,7 milhões ao Botafogo no período analisado
O acordo de acionistas foi integralmente cumprido, com aportes antecipados
A gestão também defende o chamado “Modelo Textor”, que envolve compartilhamento de fluxo de caixa entre clubes do grupo. Atletas como Luiz Henrique e Thiago Almada são citados como exemplos de sucesso desse sistema.
No entanto, o próprio clube admite que acionará judicialmente parceiros do grupo para recuperar valores — o que contradiz, em parte, a narrativa de funcionamento pleno do modelo.
Poder concentrado e governança questionada
Outro ponto sensível envolve a estrutura de poder. A SAF afirma que Textor não “deu poderes a si mesmo”, apenas assumiu decisões após a saída de Thairo Arruda.
Ainda assim, o fato de um único executivo concentrar decisões estratégicas levanta preocupações sobre governança e controles internos.
A escolha da legislação suíça para contratos também foi defendida como padrão internacional, por conta da sede da FIFA.
O discurso de vítima e os ataques à imprensa
Um dos trechos mais contundentes da nota acusa parte da imprensa de promover “desinformação” e sugere a existência de interesses ocultos por trás das reportagens.
A SAF se coloca como vítima de um possível complô, criticando fontes anônimas e a cobertura negativa.
No entanto, esse tipo de abordagem — atacar o mensageiro em vez de responder plenamente às questões — tende a enfraquecer a credibilidade institucional, especialmente quando há lacunas nas explicações.
Factoring, auditoria e perguntas sem resposta
Outro ponto que permanece sem esclarecimento envolve operações de factoring (antecipação de receitas). Há indícios de valores desconexos nessas transações, mas nenhuma explicação detalhada foi apresentada.
Outro ponto crítico envolve a ausência de auditoria independente robusta. O fato de Donald William Cristopher Mallon não ter permanecido como auditor da estrutura ligada à Eagle levanta dúvidas adicionais.
Somado a isso, a concentração de decisões em Textor — após a saída de Thairo Arruda — reforça preocupações sobre governança.
Premiações do Botafogo foram para o Olympique Lyonnais
Tanto a premiação da Libertadores conquistada pelo Botafogo em 2024, essa de forma completa, confirmada pelo presidente da Conmebol, e citada recentemente por Claudio Tapia com Alejandro Domínguez concordando; além disto grande parte da premiação da disputa do Super Mundial De Clubes 2025 pelo Fogão, foram enviados por Textor ao Lyon.
Isso reforça a necessidade de um pente fino nas contas da SAF.
No mercado financeiro, vale uma máxima simples: quem não deve, não teme. Quando há resistência à auditoria independente ou à divulgação completa de dados, a desconfiança cresce inevitavelmente.
Conclusão: menos do que R$ 3 bilhões, mas longe de ser tranquilizador
A SAF do Botafogo tem razão ao contestar o número de R$ 3 bilhões — ele parece, de fato, inflado. No entanto, isso não significa que a situação seja confortável.
Com uma dívida que pode chegar a R$ 2,6 bilhões, ausência de balanço detalhado, questionamentos sobre governança e lacunas em operações financeiras, o cenário ainda exige cautela.
Mais do que notas oficiais, o momento pede transparência total.
Sem isso, qualquer narrativa — seja da imprensa ou do próprio clube — continuará sendo apenas isso: uma versão dos fatos, não necessariamente a verdade completa.
Críticas, controvérsias e associações questionadas
Parte das críticas mais duras à gestão envolve decisões e associações consideradas controversas por analistas e torcedores.
São frequentemente citados:
Tentativas de negociação envolvendo o Everton Football Club ao lado de Jay-Z
Relações no futebol europeu com nomes como Evangelos Marinakis e Kia Joorabchian
A escolha de Gabriel De Alba, ligado à GDA Luma, para operações sensíveis através da recuperação de títulos podres
Também circulam menções a conexões sociais e empresariais indiretas envolvendo figuras públicas globais como Bill Gates que Textor comprou a mansão de Jupiter Island na Flórida, EUA. Bill Gates era amigo e frequentador da ilha Little Saint James, que pertencia ao financista e criminoso Jeffrey Epstein. Já Jay-Z era amigo e frequentador das festas criminosas de Sean Combs (P. Diddy). Além do fato de John Textor ter um terceiro grau com a família DuPont, uma das 13 principais famílias que controlam boa parte do mundo administrativo e sociedades secretas, juntos com a realeza britânica e a família Disney, são eles: Astor, Bundy, Collins, DuPont (já citados), Freeman, Kennedy, Li, Onassis, Reynolds, Rockefeller, Rothschild, Russell, Van Duyn, Merovíngia (Windsor), Mórmon e Disney. No Botafogo, Textor apostou no controverso Gabriel De Alba da GDA LUMA.
Importante: essas associações são frequentemente levantadas em debates e opiniões, mas não constituem prova de irregularidades diretas na gestão do Botafogo, mas sim no círculo de pessoas próximas indiretamente à Textor. Ainda assim, contribuem para o ambiente de desconfiança e desgaste de imagem.
Torcida pressionando por mudanças
Diante desse cenário, cresce entre setores da torcida a cobrança por mudanças profundas na gestão.
A exigência de:
maior transparência
auditoria independente
revisão do modelo financeiro
e até a saída de Textor
já faz parte do debate público entre botafoguenses.
a crise não é apenas de números, mas de confiança
A SAF do Botafogo pode até ter razão ao negar a cifra de R$ 3 bilhões. Mas isso não resolve o problema central.
Com uma dívida ainda bilionária, ausência de transparência plena, decisões questionadas e desgaste institucional crescente, o que está em jogo não é apenas o balanço financeiro — é a confiança.
E no futebol moderno, confiança perdida custa caro.
Sem clareza total, o discurso oficial continuará sendo apenas uma versão que lhe convém — enquanto a realidade segue sendo cobrada dentro e fora de campo.
Ao mesmo tempo, o cenário aponta para uma possível reconfiguração de poder nos bastidores com a permissão do Botafogo Associativo.
Nesse contexto, ganha força a possibilidade de atuação direta de Mark Affolter, executivo sênior na Ares, atuando como Partner (sócio), gerente de portfólio e co-responsável pelas áreas de Sports, Media and Entertainment (Esportes, Mídia e Entretenimento), além de já ter sido co-chefe de U.S. Direct Lending (empréstimos diretos nos EUA) dentro do Ares Credit Group. Affolter que também já integrou a comissão de conselheiros da Eagle Bidco até Novembro de 2025, poderia neste cenário de coalizão articular a entrada de um novo operador global para assumir o controle da SAF Botafogo em caso de ruptura com o atual comando de John Textor.
Apollo entra no radar
Entre os nomes cogitados, destaca-se a Apollo Global Management, gigante do investimento internacional, que estaria avaliando oportunidades no futebol das Américas.
A Apollo já demonstrou apetite recente pelo setor ao adquirir, em 2025, o Atlético de Madrid, consolidando sua presença no futebol europeu. Agora, o grupo busca expandir sua atuação com a aquisição de novos clubes — um na América do Sul e outro na América do Norte.
Fontes de mercado indicam que o Brasil surge como destino prioritário na América do Sul, enquanto, no Hemisfério Norte, a preferência inicial recai sobre o México, embora clubes dos Estados Unidos também estejam no radar caso não surjam oportunidades consideradas ideais no futebol mexicano.
Disputa internacional: Iconic Sports que avançou contra Textor
Outro fator decisivo é a disputa judicial movida pela Iconic Sports, grupo liderado por Jamie Dinan, Alexander Knaster e Edward Eisler. O trio busca assumir participação relevante na Eagle Holdings BidCo e, consequentemente, influenciar o controle dos ativos ligados ao futebol.
O embate já teve um primeiro capítulo importante: em 21 de janeiro de 2026, John Textor foi derrotado em uma etapa inicial na corte de apelação comercial da Inglaterra e País de Gales (The Court of Appeal). A decisão é vista como um indicativo relevante do rumo da disputa.
Agora, as atenções se voltam para o chamado julgamento completo (FULL TRIAL) que será realizado no The Royal Courts of Justice (Tribunais Reais de Justiça) também em Londres, que ainda não tem uma data definida, pois é necessário a confirmação de várias testemunhas para o caso; este julgamento é considerado decisivo. Analistas do mercado estimam que a Iconic Sports possui uma probabilidade elevada de vitória — superior a 75% — o que, se confirmado, poderá alterar profundamente a estrutura acionária da Eagle Football Holdings BidCo.
Efeito dominó e possível coalizão
Em caso de vitória da Iconic Sports, o grupo passaria a deter ações relevantes da Eagle Holdings BidCo, pegando boa parte ou totalmente os 65,4% que John Textor ainda tem, abrindo espaço para uma possível coalizão com a Ares Management Corporation. Esse cenário, aliado a uma eventual aprovação do Botafogo associativo, poderia resultar em uma intervenção direta na SAF. A Iconic quer recuperar o valor investido na compra do Lyon, e as promessas falsas de John Textor, em levar a Eagle Football Holdings BidCo para a bolsa de valores de Nova York, a NYSE e abrir um IPO.
Especialistas comparam a situação num precedente marcante no futebol europeu: a atuação da Elliott Management no AC Milan, quando o então controlador e caloteiro Li Yonghong foi afastado após inadimplência.
Naquele caso, em 2018, a Elliott Management assumiu o controle do clube e promoveu uma reestruturação profunda, incluindo a contratação de Ivan Gazidis, Ex-Arsenal, como CEO,movimento que contribuiu para a reorganização financeira e esportiva do Milan.
A ideia do chamado “Botafogo Way”, sob a condução de Textor, é vista por críticos como um projeto que não se concretizou na prática — uma promessa que, para muitos, se transformou em frustração.
Nesse contexto, o papel do associativo volta ao centro da discussão. Caso decisões judiciais — como uma eventual queda de liminar — abram caminho, haverá pressão para que o clube tenha uma postura mais ativa na redefinição do controle.
Há também uma percepção crescente de que, com o respaldo financeiro da Ares, o Botafogo como instituição não está ameaçado. O que estaria em xeque é a permanência de John Textor à frente da operação.
Entre torcedores e analistas mais críticos, o sentimento é direto: o tempo passa, os problemas persistem e as soluções não chegam na velocidade necessária.
Isso tem se traduzido em um aumento da cobrança por:
mais transparência
responsabilização da gestão
e mudanças estruturais
Inclusive, há movimentos defendendo explicitamente a saída de Textor do comando da SAF — algo que, embora ainda incerto, já faz parte do debate público.
No fim, uma coisa parece clara:
O Botafogo não vai acabar, pois a ARES tem dinheiro de montão, o que vai acabar é John Textor de administrar a SAF. Isso já possui uma data. Cabe a torcida botafoguense lúcida, inteligente e não vendida, fazer o que tem de ser feito: COBRAR, E PEDIR PELA RENÚNCIA DE JT
— Gazeta Botafogo ⭐📰 (@agazetabotafogo) March 24, 2026
O Botafogo não deve acabar. Mas o modelo atual, da forma como está, dificilmente permanecerá intacto. Nesse cenário, cresce também a crítica de que parte do entorno trata John Textor como uma figura intocável — comparada, por opositores, a um “bode” ou “bezerro de ouro”
Sem transparência total e resultados consistentes, qualquer projeto — por mais ambicioso que seja — corre o risco de se tornar apenas uma promessa não cumprida.
