The New York Times: Textor perdeu o controle da Eagle Football Holdings BidCo, dando margem para Botafogo, Lyon e RWDM Brussels buscarem novos compradores


John Textor - Foto: Stéphane Guiochon



O ex-proprietário do Crystal Palace, John Textor, perdeu o controle de seu império multiclubes Eagle Football depois que seu principal credor, a empresa de investimentos Norte-americana, a Ares Management Corporation, colocou a holding do grupo baseada no Reino Unido sob administração judicial na sexta-feira 27/3.


A Eagle Football Holdings Bidco agora está sob o controle de administradores da empresa de insolvência londrina Cork Gully, que começarão imediatamente a procurar compradores para as participações majoritárias da Eagle no Botafogo (Brasil), no Lyon (França) e no RWDM Brussels (Bélgica).


A Bidco é a única parte da estrutura corporativa da Eagle sob controle dos administradores, portanto nenhum dos três clubes restantes do grupo é diretamente afetado por essa medida e continuará operando normalmente.


Em um comunicado que anunciou sua nomeação, a Cork Gully afirmou que a Ares foi forçada a tomar essa medida drástica devido a “eventos de inadimplência sob seus acordos financeiros” com a Eagle. Esses descumprimentos incluem a repetida falha da empresa em apresentar contas e outras demonstrações financeiras no prazo.


“Reconhecemos a importância do papel da Eagle Bidco dentro da comunidade internacional do futebol e as preocupações que essa notícia pode causar a todas as partes interessadas”, disse Stephen Cork, sócio-gerente da Cork Gully.


“Nossa prioridade imediata é estabilizar a empresa, administrar suas participações de forma responsável e trabalhar para garantir o futuro dos clubes envolvidos. Convidamos interessados a se apresentarem e estaremos em contato com todas as partes ao longo desse processo.”


Textor, no entanto, reagiu à notícia com sua mistura habitual de bravata e desafio.


Em um comunicado publicado em seu site, a Eagle Football disse estar “profundamente ofendida pela decisão unilateral e predatória” da Ares de “desmantelar um negócio multiclubes financeiramente viável”, que Textor afirma ter transformado “clubes insolventes em histórias de sucesso esportivo” que, ainda agora, são “positivos em fluxo de caixa”.


Ele continuou afirmando que os “vários eventos técnicos de inadimplência” foram culpa da Ares e repetiu suas recentes acusações de que a empresa conspirou com a também investidora da Eagle, Michele Kang, para tirar o Lyon de seu controle.


“A Ares claramente não está acionando a administração judicial de forma limpa”, disse ele, acrescentando que trabalhará com os administradores para “responsabilizar a Ares por suas ações e claras violações da lei, pois esperamos recuperar o controle do nosso negócio”.


A empresa sediada em Nova York, por sua vez, não parece abalada.


“A Ares observa as declarações altamente enganosas e imprecisas de John Textor e defenderá sua posição pelos canais legais apropriados”, disse um porta-voz da empresa em um comunicado curto, porém direto.


Embora Textor, que já enfrenta várias disputas legais, quase certamente contestará essa medida, é muito difícil ver esse episódio como algo diferente do fim de uma notável trajetória de cinco anos no futebol global que começou em 2021, quando ele comprou 40% do Crystal Palace.


Na verdade, ele já enfrentava problemas desde o ano passado, quando foi obrigado a entregar o controle do Lyon a Michele Kang, empresária americana que possui participações controladoras no time feminino do Lyon, no London City Lionesses (WSL) e no Washington Spirit (NWSL).


Nesse período, houve muitos altos — especialmente o histórico título brasileiro e da Copa Libertadores do Botafogo em 2024, além da vitória do Crystal Palace na FA Cup de 2025 sobre o Manchester City — mas também muitos baixos, com estes últimos passando a ofuscar os primeiros.


A crise no Lyon foi desencadeada por sua incapacidade de gerar dinheiro suficiente para pagar empréstimos com juros elevados obtidos junto à Ares, apesar da venda da arena coberta do clube francês, de seus principais jogadores, de metade do famoso time feminino e do Seattle Reign, sua franquia na NWSL.


A deterioração alarmante das finanças do Lyon o colocou em conflito com o órgão regulador financeiro do futebol francês, a DNCG, que ameaçou rebaixar o clube no ano passado. Essa ameaça só foi evitada quando outros investidores da Eagle injetaram mais dinheiro no clube e Textor concordou em se afastar.


Nesse ponto, a relação difícil de Textor com seus co-proprietários do Crystal Palace também chegou ao fim, com o empresário baseado na Flórida concordando em vender sua participação no clube londrino ao dono do New York Jets, Woody Johnson, por £190 milhões (US$ 250 milhões) cerca de R$1,4 Bilhão de Reais.


Mas essa separação não aconteceu cedo o suficiente para evitar que o Crystal Palace infringisse as regras de multipropriedade da UEFA, o que fez com que o vencedor da FA Cup fosse rebaixado da Liga Europa para a menos lucrativa Conference League, já que o Lyon também havia se classificado para a Liga Europa. Foi um fim conturbado para uma relação frustrante. Textor sequer pôde usar o dinheiro dessa venda para cobrir os muitos problemas financeiros da Eagle, já que a Ares exigiu todo o valor.


Mais recentemente, Textor vinha buscando desesperadamente novos investidores para ajudá-lo a quitar a dívida com a Ares, enquanto os clubes da Eagle foram obrigados a vender jogadores e cortar custos. Também houve diversas disputas judiciais na Bélgica, Brasil, Inglaterra e Estados Unidos envolvendo pagamentos em atraso, empréstimos contestados e outros conflitos contratuais.


Apesar disso tudo, foi apenas nos últimos meses que Textor deixou de afirmar que queria comprar ainda mais clubes, pois nunca deixou de acreditar em sua capacidade de fazer o modelo multiclubes funcionar — com o objetivo final de abrir o capital da Eagle Football na Bolsa de Nova York. Há apenas seis meses, ele chegou a fazer uma proposta pelo Wolverhampton Wanderers.


Esse sonho, e todas as suas outras ambições relacionadas à Eagle, agora chegou ao fim, e os torcedores de Botafogo, Lyon e RWDM Brussels esperam um retorno rápido a uma situação mais estável sob novos controladores.


Com informações The Athletic do New York Time

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