Em Laudo de Avaliação da SAF Botafogo: Meden Consultoria revela dívida total de R$2,7 Bilhões; com prejuízo operacional em 2025



De acordo com relatório elaborado pela Maden Consultoria, a dívida total da empresa que controla o futebol do clube alcança R$ 2,753 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1,6 bilhão corresponde ao passivo circulante — ou seja, compromissos de curto prazo que precisam ser quitados em até 12 meses. O documento também aponta prejuízo operacional de R$ 287 milhões em 2025, sinalizando dificuldades estruturais persistentes após o uso do caixa único na Eagle Holdings BidCo.


Outro dado relevante é o patrimônio líquido negativo de R$ 427,2 milhões. Na prática, isso indica que, mesmo com a venda de todos os ativos, a SAF não conseguiria cobrir suas obrigações — um quadro que especialistas frequentemente associam a modelos de gestão arriscados e altamente alavancados.


O relatório destaca ainda que a SAF tem a receber R$ 607 milhões da Eagle Bidco, subsidiária da Eagle Football, atualmente sob administração judicial da Cork Gully. A recuperação desses valores é vista como peça-chave para qualquer tentativa de reequilíbrio financeiro.


Diante desse cenário, o empresário norte-americano John Textor convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 20 de abril de 2026. O encontro deve discutir alternativas para enfrentar o que já é descrito como uma “asfixia financeira”.


Entre as propostas apresentadas está a captação de US$ 25 milhões por meio da emissão de novas ações, vinculada a um novo empréstimo de cerca de R$ 128,5 milhões. A operação envolve recursos via GDA LUMA e Hutton Capital, mas ainda depende da aprovação do associativo do clube.


O caso reacende discussões mais amplas sobre o modelo de SAFs no Brasil, especialmente quando envolve estruturas internacionais complexas e dependência de capital externo — pontos que críticos argumentam exigir maior escrutínio e transparência para proteger instituições tradicionais do futebol.


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Foto/Divulgação Meden e SAF Botafogo


No laudo, a Meden consultoria aponta um passivo circulante de R$ 1,643 bilhão e não circulante de R$ 1,110 bilhão. Desta forma, somadas as pendências de curto e longo prazo, a dívida do Botafogo gira em torno de R$ 2,753 bilhões.


Além disso, o laudo mostra um patrimônio líquido negativo de R$ 427,2 milhões - o que indica que, caso a SAF do Botafogo venda todos os seus bens, os valores arrecadados não seriam suficientes para quitar as dívidas.


A receita operacional bruta foi de R$ 655 milhões em 2025; o montante corresponde a fatores como receitas de direitos de transmissão, premiações esportivas, sócio-torcedor, exploração comercial da marca e bilheteria.


Os custos e despesas operacionais, no entanto, ficaram na casa de R$ 892 milhões na última temporada, gerando prejuízo superior a R$ 200 milhões. A receita ligada às transações de direitos de atletas foi de R$ 733,3 milhões.


Foto/Divulgação Meden e SAF Botafogo

— Não obstante o crescimento das receitas, a Companhia manteve uma estrutura de custos e despesas em patamar elevado, associada à estratégia de fortalecimento do elenco e aumento da competitividade esportiva. Os custos e despesas operacionais atingiram cerca de R$ 892 milhões em 2025, refletindo o nível intensivo de dispêndios no futebol — diz trecho da análise, que segue:


— Como consequência, a SAF Botafogo apresentou resultados líquidos negativos nos períodos analisados, com prejuízo de aproximadamente R$ 56 milhões em 2023, R$ 300 milhões em 2024 e R$ 287 milhões em 2025, evidenciando que o crescimento das receitas não foi suficiente para compensar a expansão dos custos e o pagamento de seus passivos (financeiros, fiscais, trabalhistas, etc.).


A abertura das partes relacionadas esclarece as dívidas e os valores a receber da SAF do Botafogo dentro da própria Eagle Football. Há um parágrafo destinado às vendas de Luiz Henrique, Almada, Igor Jesus e Savarino ao Lyon: houve contratos de venda firmados junto ao clube francês, mas os acordos não puderam ser concretizados por sanções impostas pelo DNCG na França.


Posteriormente, os atletas foram negociados com outros times — mas os contratos com o Lyon ainda estavam em vigor, o que "gerou uma obrigação do Botafogo de repassar os valores da venda ao clube francês". O relatório também aponta R$ 607 milhões a receber da Eagle Bidco, subsidiária da Eagle Football que detém os clubes da rede e está sob administração judicial.



Foto/Divulgação Meden e SAF Botafogo


Além de liquidez corrente

Foto/Divulgação Meden e SAF Botafogo



Isto impediu a SAF Botafogo de cumprir com o básico, devido ao rombo financeiro após o caixa único na Eagle BidCo, compartilhado com o Olympique Lyonnais. A leitura técnica do laudo financeiro da SAF do Botafogo revela um quadro mais grave do que o inicialmente sugerido: não se trata apenas de endividamento elevado, mas de uma estrutura que combina insolvência contábil, fragilidade de caixa e dependência de ativos de baixa qualidade — um conjunto típico de operações em estágio avançado de estresse financeiro. O ponto mais sensível, no entanto, está no patrimônio líquido: –R$ 427,2 milhões. Em termos técnicos, isso caracteriza uma empresa cujo passivo supera os ativos — ou seja, uma entidade que, no limite, não conseguiria honrar suas obrigações mesmo em cenário de liquidação.

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