Se não houver novos investidores e John Textor não for afastado, Botafogo será time de meio de tabela no Brasileirão, semifinal de carioca, não irá para a Libertadores, e se contentará com quartas de final da Copa do Brasil e Copa Sul-Americana; aponta laudo de avaliação da Meden Consultoria


A recente divulgação de um lado de avaliação com projeção financeira e esportiva, encomendado pela própria SAF alvinegra à Meden Consultoria, lança uma sombra incômoda — porém necessária — sobre o futuro do Botafogo. De acordo com o documento, o clube dificilmente disputará a Libertadores antes de 2035 e, em um cenário otimista, teria como teto uma campanha até as quartas de final da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, e se contentando com apenas a semifinal do Cariocão.



Foto/Divulgação: Meden Consultoria e SAF Botafogo



À primeira vista, o diagnóstico assusta. Para uma torcida historicamente acostumada a alimentar grandes expectativas, a ideia de uma década longe da principal competição continental soa como um duro golpe. No entanto, há um elemento central que diferencia esse relatório de projeções anteriores: o compromisso com a realidade.


Entre os exercícios de 2023 e 2025, a SAF Botafogo apresentou relevante crescimento operacional, impulsionado principalmente pelo aumento das receitas recorrentes e pelo desempenho esportivo. A receita operacional bruta (sem considerar a venda de atletas) atingiu aproximadamente R$ 312 milhões em 2023, R$ 607 milhões em 2024 e R$ 655 milhões em 2025, evidenciando a consolidação do modelo de negócios da Companhia. Esse crescimento foi sustentado, sobretudo, pelas receitas de direitos de transmissão, premiações esportivas, bilheteria, sócio-torcedor e exploração comercial da marca. Destaca-se, em 2024, o aumento das receitas de premiação, que superaram R$ 257 milhões, reflexo direto das conquistas esportivas no período. Já em 2025, o Botafogo participou da primeira Copa do Mundo de Clubes FIFA, incrementando sua receita de premiação. Não obstante o crescimento das receitas, a Companhia manteve uma estrutura de custos e despesas em patamar elevado, associada à estratégia de fortalecimento do elenco e aumento da competitividade esportiva. Os custos e despesas operacionais atingiram cerca de R$ 892 milhões em 2025, refletindo o nível intensivo de dispêndios no futebol", dizia outro trecho do laudo.


Antes da implementação da SAF, era comum que planejamentos financeiros do clube se apoiassem em premissas excessivamente otimistas — incluindo receitas oriundas de títulos que jamais se concretizavam. Essa prática não apenas mascarava a real situação econômica, como também contribuía diretamente para o aumento do endividamento. Em outras palavras, o clube projetava vitórias no papel enquanto acumulava derrotas fora dele.


O novo relatório rompe com esse ciclo. Ao adotar critérios mais conservadores e plausíveis, a SAF parece optar por um caminho menos sedutor, porém mais sustentável. Trata-se de uma mudança de mentalidade: trocar promessas grandiosas por metas alcançáveis, ainda que menos empolgantes no curto prazo.


Isso não significa, contudo, que o torcedor deva se conformar com a mediocridade esportiva. Pelo contrário. A transparência nas projeções deve servir como base para cobranças mais qualificadas e estratégicas. Se o horizonte competitivo é limitado, cabe à gestão demonstrar como pretende encurtar esse prazo — seja por meio de investimentos inteligentes, desenvolvimento de base ou fortalecimento estrutural.


O desafio do Botafogo, portanto, não é apenas financeiro ou esportivo. É também cultural. Reconstruir credibilidade exige aceitar diagnósticos duros e resistir à tentação de vender ilusões. Se o relatório aponta um caminho longo até a retomada do protagonismo continental, a resposta não deve ser negá-lo, mas sim trabalhar para superá-lo, porém com John Textor ainda como acionista, é chover no molhado, assim como Adão e Eva não se adaptavam ao frio, como já diria o cantor argentino Fito Paez em Llueve sobre Mojado.


Os números por trás desse cenário tornam o alerta ainda mais grave. A dívida da SAF Botafogo já alcança aproximadamente US$ 509 milhões de Dólares, e € 511,4 milhões de euros, evidenciando a gestão temerária, onde Textor usou dinheiro, premiações do Botafogo em reais na maioria das vezes para pagar contas do Lyon. Em reais, o montante gira em torno de R$ 2,7 bilhões, um patamar que expõe a dimensão do problema financeiro e limita drasticamente a capacidade de investimento esportivo no curto prazo.


A situação do Botafogo é tão delicada que, mesmo em um cenário extremo, a solução não seria simples. Ainda que o clube vendesse todo o elenco principal avaliado em cerca de R$ 686,9 milhões — e passasse a operar apenas com jogadores da base, o impacto seria insuficiente para equacionar o rombo. Isso evidencia que o problema vai muito além do futebol: trata-se de uma crise estrutural de gestão de John Charles Textor.


Nesse contexto, ganham força as críticas à condução financeira associada a John Textor. O período recente foi marcado por decisões de alto risco, incluindo gastos superiores a R$ 700 milhões em contratações na temporada passa de 2025, que não entregaram o retorno esperado em campo, onde deste montante o Botafogo, não conseguiu montar um elenco, de vários reforços e vendas feitas em 2025, apenas Montoro, Kaio Pantaleão e Danilo conseguiram render, Santi oscila muito; além de uma folha salarial que atingiu níveis elevados por meses. Nomes como Alex Telles, Artur Victor, Arthur Cabral e Joaquín Correa, só eles receberam por quase 1 ano, juntos, R$6 milhões de salários, com alto custo e baixo impacto esportivo proporcional. Telles ainda foi o que mais rendeu, recebendo o maior salário da SAF Botafogo, com R$1,7 Milhão por mês.


Paralelamente, a estratégia de integração internacional também se fragilizou. A aquisição do Lyon, em 2022, foi viabilizada com recursos captados (empréstimos) junto a fundos como a ARES Management Corporation e a Iconic Sports, sob a promessa de um IPO envolvendo ativos como Botafogo, Lyon, RWDM Brussels e participações no Crystal Palace. O plano, no entanto, não se concretizou. Desde 2023, disputas internas na Eagle Holdings BidCo e mudanças na composição dos ativos — incluindo a perda de vínculos estratégicos como o Crystal Palace que Textor teve que vender para Woody Johnson para pagar metade do valor do empréstimo para a Ares, e o afastamento do Lyon em 30 de Junho de 2025 — comprometeram a chamada “ponte para a Europa”, antes vista como um dos pilares do projeto que atraiu jogadores, que se sentiram traídos, tais como Álvaro Montoro.


Esse cenário amplia o risco esportivo. Sem uma estrutura internacional sólida e com incertezas financeiras crescentes, o Botafogo pode enfrentar dificuldades para atrair e manter jogadores. Em um ambiente de instabilidade, atletas e seus representantes tendem a buscar alternativas mais seguras, o que pode aprofundar ainda mais o ciclo negativo. Com vindouras saídas, se as coisas não forem resolvidas nos próximos 2 meses e meio.


Nesse contexto, cresce a crítica à condução financeira associada a John Textor, especialmente à estratégia de assumir compromissos internacionais — como os ligados ao Lyon e ao caixa único da Eagle BidCo, com impacto direto nas contas do Botafogo. A tentativa de equilibrar obrigações em moedas fortes com receitas majoritariamente em reais elevou o risco e ampliou a vulnerabilidade do clube.


Diante desse cenário, qualquer perspectiva de recuperação acelerada passa, inevitavelmente, pela entrada de novos investidores com capacidade financeira extraordinária. Não se trata apenas de aportes pontuais, mas de uma reestruturação profunda. Para que o clube consiga renegociar sua dívida bilionária e ainda sustentar um projeto esportivo competitivo, seriam necessários grupos com perfil semelhante a grandes fundos soberanos ou conglomerados globais — investidores com patrimônio superior a R$ 8 bilhões e disposição para um compromisso de longo prazo.


Ainda assim, é preciso cautela. A simples entrada de capital não resolve problemas estruturais se não vier acompanhada de governança rigorosa, planejamento responsável e disciplina financeira. O Botafogo já experimentou, no passado, os riscos de apostar em soluções fáceis ou promessas grandiosas e ilusórias feitas por John Charles Textor.


O desafio do clube, portanto, não é apenas encontrar um “salvador financeiro”, mas construir um modelo sustentável que impeça a repetição dos erros que o trouxeram até aqui. Que Dias Melhores venham para o Nosso Botafogo, e um bilionário que tenha compromisso, e seja responsável surja no futuro comando da SAF.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem