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Alexander Barboza defendendo o Botafogo pelo Clássico Cruz & Fogo no Estádio São Januário em 04/04/2026 (Foto: Reprodução/Thiago Ribeiro/AGIF) |
A venda do zagueiro Alexander Barboza para o Palmeiras ganhou um avanço importante nos bastidores judiciais na noite da segunda-feira, ontem (11/5). Os administradores nomeados pela Justiça no processo de recuperação judicial da SAF do Botafogo enviaram parecer favorável à negociação, entendendo que a operação será positiva para as finanças do clube carioca.
Segundo informações divulgadas pela ESPN e confirmadas por documentos anexados ao processo, os auxiliares da Justiça consideram que a transferência do defensor por R$ 18 milhões representa um ganho contábil significativo para a SAF alvinegra, além de ajudar diretamente no fluxo de caixa em um momento considerado delicado financeiramente.
Venda é vista como essencial para aliviar crise financeira
No parecer encaminhado à 2ª Vara Comercial do Rio de Janeiro, os administradores destacam que o Botafogo precisou recorrer recentemente a um “financiamento emergencial” para conseguir quitar os salários do mês de maio. Para os auxiliares judiciais, a situação evidencia uma “necessidade urgente de incremento no fluxo de caixa” para que o clube consiga honrar obrigações de curto e médio prazo.
O documento aponta ainda que Alexander Barboza foi registrado contabilmente pelo Botafogo com valor total de R$ 4,3 milhões, divididos entre:
R$ 1,84 milhão em luvas de assinatura;
R$ 2,46 milhões em despesas de intermediação.
Com a venda acertada em R$ 18 milhões, o clube teria um ganho contábil estimado em R$ 13,69 milhões.
Os administradores também ressaltam que o parcelamento acordado com o Palmeiras não representa risco imediato para o Botafogo. O clube paulista já efetuou o pagamento da primeira parcela, no valor de R$ 5,5 milhões, enquanto a segunda, de R$ 4,5 milhões, vencerá em 30 de dezembro. Em 2026, o Alvinegro ainda teria direito a mais R$ 10 milhões referentes às parcelas finais da negociação.
Administradores não identificam irregularidades
Na conclusão do parecer, os auxiliares da Justiça afirmam que:
Não foram identificadas irregularidades no contrato;
A venda de atletas é atividade “típica” da SAF do Botafogo;
O clube atuou com “boa-fé e transparência” ao comunicar a operação ao Judiciário;
O negócio deverá gerar impacto positivo nas contas da equipe.
Com isso, o processo agora depende apenas da decisão da 2ª Vara Comercial do Rio de Janeiro para que a transferência seja oficialmente concluída.
Botafogo pretende usar Barboza “até o limite”
Enquanto a decisão judicial não é tomada, Alexander Barboza segue normalmente à disposição do técnico Franclim Carvalho.
O defensor, inclusive, foi titular no empate por 1 a 1 diante do Atlético-MG, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro.
De acordo com apuração da Gazeta, o planejamento interno do Botafogo é utilizar o argentino nos próximos três compromissos da equipe:
Chapecoense, fora de casa, pela Copa do Brasil;
Corinthians, no Rio de Janeiro, pelo Brasileirão;
Independiente Petrolero, fora, pela CONMEBOL Sul-Americana.
Caso participe dessas partidas, Barboza chegará exatamente ao limite de 12 jogos no Campeonato Brasileiro — número máximo permitido para que um atleta possa defender outro clube na mesma edição da competição.
Se entrar em campo posteriormente contra São Paulo ou Bahia, o zagueiro alcançará 13 partidas e ficará impedido de atuar pelo Palmeiras no Brasileirão.
"As partes acordam que caso o ATLETA tenha disputado 12 (doze) partidas pelo BOTAFOGO até o momento da abertura da 2ª (segunda) janela de transferências no Brasil em 2026 - prevista para ocorrer no dia 20 de julho -, nos termo do art. 12 do Regulamento Específico do Campeonato Brasileiro de Futebol Série A - 2026, o PALMEIRAS poderá optar pela resolução deste contrato mediante o envio de notificação escrita ao BOTAFOGO, de forma que deixará de ocorrer a transferência definitiva do ATLETA do BOTAFOGO ao PALMEIRAS sem qualquer ônus a quaisquer das partes. Eventual montante já pago pelo PALMEIRAS ao BOTAFOGO deverá ser devidamente restituído em até 10 (dez) dias do envio da notificação. Caso o montante da primeira parcela da transferência [...] seja antecipado pelo BOTAFOGO junto a instituição financeira terceira, o BOTAFOGO será o único e integral responsável por tal pagamento em favor da instituição e as demais parcelas vincendas não serão devidas pelo PALMEIRAS, devendo este contrato ser considerado extinto naquilo que disser respeito às obrigações pecuniárias futuras do PALMEIRAS"
A reportagem apurou, no entanto, que o Palmeiras só pensa em cancelar a compra caso Barboza chegue a 13 jogos pelo Glorioso no Brasileirão. De acordo com fontes, apesar da letra fria do contrato, a equipa alviverde não vê problemas se o argentino fizer a 12ª partida, mudando de pensamento apenas se ele entrar em campo mais uma vez. Portanto, se o defensor ainda estiver dentro do limite até a parada para o Mundial, a ideia do Verdão é seguir em frente com o negócio.
Contrato prevê possibilidade de cancelamento
O contrato firmado entre Botafogo e Palmeiras prevê uma cláusula específica envolvendo justamente o número de jogos disputados por Barboza.
Segundo o acordo, caso o defensor alcance 12 partidas pelo Botafogo até a abertura da segunda janela de transferências de 2026, o Palmeiras teria o direito de cancelar unilateralmente a compra, sem custos adicionais, além de exigir a devolução da primeira parcela de R$ 5,5 milhões em até dez dias.
Apesar disso, fontes ligadas ao clube paulista indicam que a diretoria do Verdão não pretende utilizar essa cláusula caso o jogador atinja exatamente os 12 jogos. A preocupação do Palmeiras surgiria apenas se o atleta ultrapassasse esse limite e chegasse à 13ª partida pelo Campeonato Brasileiro.
Internamente, a avaliação no clube paulista é de que, permanecendo dentro da margem contratual, a transferência seguirá normalmente.
Negócio está selado desde 1º de maio
A venda de Alexander Barboza ao Palmeiras está acertada desde o dia 1º de maio. Desde então, a operação aguarda apenas os trâmites jurídicos envolvendo a recuperação judicial da SAF do Botafogo.
Até que a decisão final seja publicada pela Justiça do Rio de Janeiro, o defensor continuará atuando normalmente pelo clube carioca, enquanto os bastidores seguem acelerados para a formalização definitiva da transferência.
