![]() |
John Textor - Foto: Icon Sport via Reuters |
O ambiente político e financeiro da SAF do Botafogo de Futebol e Regatas entrou em uma nova fase após o afastamento de John Textor do centro de comando da operação alvinegra. Nos bastidores do clube associativo, dirigentes e interlocutores ligados ao social avaliam que o enfraquecimento político do empresário pode abrir caminho para uma ampla reconfiguração societária da SAF, inclusive com a entrada de novos investidores em uma futura coalizão de controle sem a presença de Textor.
A percepção dentro do associativo é clara: hoje, John Textor é visto como o personagem mais distante do efetivo controle da SAF botafoguense desde o início da crise envolvendo os acionistas da estrutura Eagle Football. A avaliação ganhou força após decisões recentes do Tribunal Arbitral que, na prática, devolveram poderes políticos e administrativos à Eagle BidCo, atualmente administrada judicialmente pela Cork Gully, além da participação direta da gestora norte-americana Ares Management.
Nos corredores do clube social, o entendimento é de que a disputa travada entre Textor, Ares e os demais sócios da Eagle Football tornou-se o principal elemento de instabilidade financeira e estrutural da SAF.
Segundo relatos obtidos junto a integrantes do associativo, o cenário atual é interpretado como um momento decisivo. A analogia usada por uma das fontes foi a de uma luta de boxe: Textor teria “tomado alguns golpes” e estaria em contagem para definir se consegue retornar ao jogo político ou se será definitivamente afastado do controle acionário.
O ponto central da disputa segue sendo o julgamento no Reino Unido que irá definir quem possui, de fato, o controle das ações da empresa. Caso a decisão reconheça a posição da Ares, o afastamento de Textor poderá se tornar definitivo. Se houver entendimento favorável ao empresário Norte-americano, ele ainda poderia tentar recuperar espaço dentro da estrutura da SAF. Num cenário pouco provável, pois na justiça britânica, Textor já perdeu em primeira instância para a Iconic Sports, outra companhia que emprestou dinheiro para ele comprar o Lyon em 2022, em outro caso.
Enquanto isso, no associativo do Botafogo, a leitura predominante é pragmática: a saída de Textor facilitaria negociações diretas com Eagle BidCo, Cork Gully e Ares, eliminando um dos principais focos de conflito interno.
Dirigentes ligados ao clube social acreditam que a disputa pessoal e empresarial entre Textor e os demais sócios acabou arrastando a SAF para um processo contínuo de deterioração institucional. A avaliação é de que a crise se prolongou durante meses sem solução efetiva, aprofundando problemas financeiros, atrasos operacionais e insegurança administrativa.
Sem Textor no centro das decisões, o associativo entende que haveria espaço para uma negociação mais objetiva com os atuais controladores financeiros da estrutura. A intenção seria apresentar um novo caminho estratégico para a SAF — inclusive sem a permanência da Eagle Football no comando.
Interlocutores ligados ao clube afirmam que a diretoria social já trabalha com um discurso direto aos atuais gestores financeiros da operação:
“Se vocês não querem administrar o Botafogo e nunca quiseram permanecer no comando esportivo, então precisamos definir uma solução definitiva para a SAF.”
A visão do associativo é que a Eagle BidCo teria rompido, na prática, o acordo de acionistas ao deixar de cumprir obrigações previstas contratualmente, incluindo aportes financeiros, pagamentos estruturais e compromissos tributários ligados à SAF.
Dentro dessa interpretação, integrantes do clube acreditam que a Eagle e seus administradores poderiam ser pressionados — política e judicialmente — a aceitar uma nova modelagem societária com a entrada de investidores alternativos.
Essa possibilidade ganhou força após a apresentação formal de propostas articuladas pela GDA Luma, grupo que passou a atuar como uma das frentes organizadas na busca de soluções para o futuro da SAF, além de outros investidores que enviaram propostas para a Cork Gully.
A estratégia discutida internamente prevê a construção de uma coalizão futura envolvendo novos investidores, reestruturação financeira e eventual saída negociada da Eagle Football do controle do Botafogo.
Apesar do otimismo de parte do associativo, integrantes do próprio clube reconhecem que o caminho jurídico está longe de ser simples. Há dúvidas sobre a viabilidade prática de uma mudança de controle sem novas disputas judiciais internacionais.
Além disso, existe a percepção de que a estratégia da Ares e da Eagle sempre foi reduzir ao máximo sua exposição financeira na operação do Botafogo. Nos bastidores, dirigentes acreditam que o objetivo principal dos atuais controladores seria deixar a SAF pagando o menor valor possível — ou até sem realizar novos desembolsos relevantes.
Dentro dessa lógica, o associativo entende que o estrangulamento financeiro vivido recentemente pelo clube serviria como instrumento de pressão para enfraquecer o poder de barganha do Botafogo social em futuras negociações.
Outro ponto de tensão envolve o presidente Durcesio Mello. A Ares, por meio da Cork Gully — administradora judicial da Eagle BidCo —, também articula o afastamento de Durcesio do cargo de diretor da SAF e defende a extinção do pedido de recuperação judicial.
O cenário amplia ainda mais a instabilidade institucional envolvendo a SAF alvinegra.
Enquanto a disputa societária avança nos bastidores internacionais, o Botafogo associativo tenta construir uma nova frente política e financeira capaz de reposicionar o clube no mercado e redefinir o futuro da SAF sem a dependência direta de John Textor.
A tendência, neste momento, é de intensificação das negociações, pressões judiciais e articulações políticas nas próximas semanas.
