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John Textor na apresentação de Thiago Almada no Lyon, a falta de pagamento ao Atlanta United começou em Outubro de 2025 - Foto/Divulgação: Olympique Lyonnais |
O Botafogo voltou a mergulhar em uma grave crise financeira e administrativa após sofrer mais um Transfer Ban imposto pela FIFA. A nova punição, revelada pelo “GE” nesta segunda-feira (11/5), impede o clube carioca de registrar novos jogadores por tempo indeterminado devido ao não pagamento de uma parcela da contratação do meia argentino Thiago Almada junto ao Atlanta United.
Com a cotação atual do dólar girando em torno de R$ 4,89 nesta segunda-feira (11/5), os valores da negociação ganharam proporções ainda mais preocupantes para a SAF alvinegra.
Dívida milionária aumenta pressão sobre o Botafogo
Segundo a reportagem, o acordo havia sido costurado pelo empresário norte-americano John Textor, então principal nome da SAF botafoguense antes de seu afastamento da gestão direta.
Inicialmente, o Botafogo realizou o pagamento da primeira parcela da negociação, no valor de US$ 10 milhões — o equivalente hoje a aproximadamente R$ 48,9 milhões.
Entretanto, a segunda parcela, de US$ 5 milhões, não foi quitada dentro do prazo estipulado, que expirou em meados de março. Na cotação atual, o valor corresponde a cerca de R$ 24,45 milhões.
O problema se agravou porque o contrato firmado com o Atlanta United previa uma multa extremamente pesada em caso de atraso. De acordo com o “GE”, a penalidade ultrapassa o dobro do valor originalmente devido e exige pagamento imediato à vista.
Com isso, a dívida total do Botafogo relacionada à contratação de Thiago Almada já supera US$ 15 milhões — algo próximo de R$ 73,3 milhões na cotação desta segunda-feira.
Fifa impõe punição por tempo indeterminado
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| Versão traduzida do Transfer Ban no Site da FIFA - Foto Reprodução |
Diante da inadimplência, a Fifa aplicou um novo Transfer Ban contra o Botafogo. Diferentemente de outras punições temporárias, esta sanção não possui prazo determinado para encerramento.
Na prática, o clube fica proibido de registrar novos jogadores até quitar integralmente a pendência financeira com o Atlanta United.
A punição chega em um momento extremamente delicado da temporada e compromete diretamente o planejamento esportivo do clube para as próximas janelas de transferências.
Três Transfer Bans simultâneos em 2026
O cenário é ainda mais alarmante porque este já é o terceiro Transfer Ban ativo contra o Botafogo.
O clube já vinha sofrendo outras duas punições internacionais:
uma pela dívida com o Ludogorets envolvendo o atacante Rwan Cruz;
outra pelo débito com o New York City FC referente à negociação do uruguaio Santiago Rodríguez.
Ambas as punições têm validade de três janelas de transferências.
Agora, com o caso Thiago Almada, o Botafogo passa a acumular três bloqueios simultâneos da Fifa — situação extremamente rara no futebol sul-americano e que aprofunda a crise institucional da SAF.
Recuperação judicial vira esperança do clube
Nos bastidores, os dirigentes tentam usar o processo de recuperação judicial como mecanismo de defesa.
Segundo o “GE”, o Botafogo já solicitou à Fifa que as punições sejam enquadradas nas cautelares previstas no processo judicial brasileiro. A estratégia do clube é convencer a entidade máxima do futebol a suspender temporariamente os Transfer Bans enquanto ocorre a reorganização financeira da SAF.
No entanto, a Fifa historicamente adota postura rígida em casos de inadimplência internacional envolvendo transferências de atletas.
Caso a entidade mantenha o entendimento tradicional, o Botafogo seguirá impedido de contratar e registrar jogadores até regularizar todas as pendências financeiras.
John Textor vira alvo de críticas internas
A crise também ampliou o desgaste político envolvendo John Textor.
Dirigentes ligados ao Botafogo associativo passaram a criticar duramente a condução da SAF e classificaram a proposta chamada de “SAF Social 2.0” como “mais do mesmo”.
Nos bastidores do clube, cresce a avaliação de que a gestão deixou um cenário de inadimplência, aumento de dívidas e forte instabilidade financeira.
A percepção interna é de que o projeto inicialmente vendido como revolucionário passou a enfrentar sérios problemas de sustentabilidade econômica, especialmente após o acúmulo de dívidas internacionais e punições da Fifa.
Impacto esportivo preocupa torcida
O novo Transfer Ban afeta diretamente o planejamento do elenco e limita drasticamente a capacidade de reação do Botafogo no mercado.
Sem poder registrar atletas, o clube fica impossibilitado de:
contratar reforços;
regularizar jogadores adquiridos;
inscrever atletas vindos do exterior;
substituir perdas importantes do elenco.
Além do prejuízo esportivo imediato, especialistas avaliam que a sequência de punições compromete a credibilidade internacional do clube e dificulta futuras negociações com equipes estrangeiras.
A crise financeira da SAF alvinegra agora entra em um dos momentos mais delicados desde a chegada de John Textor, enquanto a torcida acompanha com preocupação o crescimento das dívidas e o risco de impactos ainda maiores dentro e fora de campo. A esperança é um novo investidor surgir e livrar o Botafogo deste abismo.

